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Flávio Bolsonaro nunca havia disputado uma eleição presidencial. Ontem, terminou na frente de Lula — e o mercado japonês estava comemorando antes do Brasil acordar.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 5 out. de 1988 — o Brasil promulgou a Constituição Federal. Com ela: voto aos 16 anos, licença-maternidade e semana de 44h.
Stat: 8,72% — alta do fundo Ibovespa em dólar no Japão antes de o Brasil acordar hoje. O mercado de Tóquio não esperou.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🗳️ Flávio 47%, Lula 45% — e o jogo só recomeça em 25 de outubro
📈 A bolsa acordou diferente: o que fazer com a sua carteira hoje
📋 817 mil empresas já decidiram. Sua ainda tem 25 dias para escolher
🇺🇸 EUA fecharam a embaixada dois dias antes da eleição (sem explicar nada)
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BRASIL
Flávio Bolsonaro vence o 1º turno — o segundo começa agora
47,03%. Foi com essa porcentagem que Flávio Bolsonaro (PL) encerrou o domingo à frente de Lula (PT) — que somou 45,16% — e confirmou o segundo turno mais aguardado dos últimos anos. O Brasil volta às urnas em 25 de outubro.
Para quem acompanhou a corrida desde o começo, o resultado faz sentido — mas dez meses atrás, quase ninguém apostaria nisso. Quando Jair Bolsonaro, preso após a tentativa de golpe, indicou o filho como candidato em dezembro de 2025, a reação foi de incredulidade. Dentro do PT, alguns comemoraram discretamente, encarando Flávio como adversário mais fraco. Não foi bem assim.
Os números:
🔴 47,03%: votos de Flávio — 5 milhões a mais do que o pai teve em 2022.
🔴 45,16%: votos de Lula — que perdeu 3,2 milhões de eleitores em relação ao ciclo anterior.
🔴 ~4,5%: somados por Caiado e Renan Santos — ambos conservadores, candidatos a transferir votos para Flávio.
🔴 ~3%: Augusto Cury — declarou que não apoiará nenhum dos dois. "Vou me calar."
A matemática do 2º turno favorece Flávio se os votos conservadores migrarem para ele — o que analistas consideram o cenário mais provável. Lula precisará de uma virada significativa entre indecisos e eleitores de Cury. A imprensa internacional já colocou o Brasil no mapa: o New York Times conectou uma eventual vitória do candidato do PL ao "maior avanço da direita na América Latina."
Resumindo: O Brasil vai ao 2º turno com Flávio favorito — mas Lula tem 20 dias e uma eleição inteira pela frente.
ECONOMIA
O pregão de hoje pode ser histórico — mas outubro ainda guarda surpresas
Analistas pediam calma antes do resultado. O mercado não esperou ninguém pedir calma. Antes da abertura da B3 nesta segunda-feira, investidores estrangeiros e fundos que acompanham ações brasileiras já começavam a se reposicionar — e o otimismo era evidente.
A leitura do mercado é direta: Flávio à frente, com candidatos conservadores somando ~4,5% que tendem a migrar para ele, aumenta muito a expectativa de que a direita chegue ao poder em janeiro. No vocabulário financeiro, isso se traduz em maior chance de ajuste fiscal — menos gastos públicos, dívida controlada e queda dos juros de longo prazo. Tudo o que o mercado esperava há meses.
Por dentro:
O economista Felipe Balassiano, do ASA, foi direto: "Esperamos alta forte da bolsa, valorização do real e fechamento dos juros nominais e reais." A Manchester Investimentos projetou que o Ibovespa pode superar os 200 mil pontos nos próximos pregões. Já o BTG Pactual estima que, caso Flávio seja eleito, as ações brasileiras podem subir entre 11% e 20% em reais — e até 45% nos cenários mais otimistas.
A atenção prática: outubro inteiro vai ser guiado por pesquisas. Se os números do 2º turno mostrarem Lula se recuperando, o mercado pode devolver parte do rali de hoje. O Goldman Sachs lembrou que, historicamente, o intervalo entre os dois turnos registrou alta de 4% a 7% no índice — mas com sessões de forte volatilidade no meio do caminho. Observe o câmbio como termômetro: o dólar reage mais rápido do que a bolsa. Se fechar hoje abaixo de R$ 5,10, o otimismo está firme.
Resumindo: A bolsa abre em alta e pode chegar a 200 mil pontos — mas não aposte tudo num único cenário, porque outubro ainda tem 3 semanas de pesquisas pela frente.
NEGÓCIOS
817 mil empresas já decidiram sobre o Simples Híbrido. A sua ainda tem 25 dias
817 mil. É quantas micro e pequenas empresas do Simples Nacional já fizeram a opção pelo novo modelo tributário trazido pela Reforma Tributária — o chamado Simples Híbrido. O prazo vai até 30 de outubro. Depois disso, sem segunda chance até março de 2027.
Entendendo:
A Reforma Tributária criou dois novos impostos — o IBS (cobrado por estados e municípios) e a CBS (federal). Quem está no Simples pode escolher pagar esses dois tributos separados da guia DAS que você já conhece. Isso é o Híbrido: você continua no Simples para todo o resto, mas tira IBS e CBS da guia unificada.
Por que isso importa para o seu negócio? Depende de para quem você vende. Se a maior parte do faturamento vem de vendas para outras empresas (B2B), o Híbrido pode ser vantajoso: sua nota fiscal vai gerar crédito integral de IBS e CBS para o cliente — o que pode tornar sua empresa mais competitiva na hora de fechar contrato. Se você vende principalmente para consumidores finais (B2C), a vantagem é menor e a burocracia extra pode não compensar.
Segundo a Receita Federal, as solicitações pelo Híbrido cresceram 395% só entre 18 e 30 de setembro — de 165 mil para 817 mil pedidos, o equivalente a 11,6% dos 7 milhões de CNPJs ativos no Simples. O Sebrae disponibilizou um simulador para ajudar na conta antes de decidir. A escolha feita até 30 de outubro vale para o 1º semestre de 2027 — e pode ser cancelada entre 3 de novembro e 20 de dezembro, caso você mude de ideia.
Resumindo: Se sua empresa vende para outras empresas, vale simular antes do dia 30 — depois, a janela fecha e só reabre em março de 2027.
MUNDO
Os EUA fecharam a embaixada dois dias antes da eleição — e ninguém explicou por quê
Na noite de quinta-feira, 1º de outubro, o governo americano publicou um comunicado informando que os atendimentos presenciais em toda a missão diplomática dos EUA no Brasil estariam suspensos a partir da sexta-feira — embaixada em Brasília, consulados em São Paulo, Rio, Porto Alegre e Recife. A justificativa: "questões de segurança." Nenhuma evidência de ameaça. Nenhum prazo para retomada. Funcionários foram orientados a trabalhar de casa.
A decisão pegou de surpresa o governo brasileiro, diplomatas e servidores da Abin. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal afirmou à TV Globo que não havia identificado nenhuma ameaça em Brasília. Dentro da diplomacia, fechar postos consulares é considerado uma medida "extrema" — tomada apenas em última instância. A Austrália acompanhou horas depois, fechando sua embaixada na capital também por "preocupações de segurança."
O timing era politicamente sensível: dois dias antes de 158 milhões de brasileiros irem às urnas. Na véspera do comunicado, Trump havia dito a jornalistas que acompanhava a eleição brasileira "muito de perto." O Departamento de Estado não conectou os dois fatos oficialmente — mas a proximidade entre os eventos deu peso político ao anúncio. Sem provas de ameaça, o fechamento lançou dúvidas sobre a capacidade do Brasil de proteger instalações estrangeiras justamente na semana eleitoral. No dia 2, o Bope foi acionado para reforçar o perímetro da embaixada em Brasília.
Resumindo: Os EUA ainda não explicaram o que os motivou — e o silêncio, às vésperas de uma eleição, comunica mais do que qualquer nota oficial.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador de São Paulo no 1º turno — sem precisar do dia 25 de outubro. Leia mais
🔹 Augusto Cury, 3º colocado com ~3% dos votos, anunciou que não apoiará Flávio nem Lula no 2º turno. "Vou me calar", declarou. Leia mais
🔹 A Claro assumiu o controle do maior provedor de internet paulista — negócio fechado em março por R$ 4 bilhões que reforça a liderança da operadora em banda larga. Leia mais
🔹 A PF já apreendeu mais de R$ 30 milhões em crimes eleitorais em 2026 — antes mesmo do encerramento das urnas de ontem.
🔹 Senadores americanos enviaram carta a Marco Rubio exigindo que o governo Trump reconheça o resultado das urnas brasileiras e não interfira no processo eleitoral. |