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GIRO E PONTO

Edição #104  ·  Segunda, 28 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. ⚡


83,9 milhões de brasileiros têm o nome sujo — quase metade da população adulta do país. Na mesma semana em que o governo decidiu comprar essas dívidas, também resolveu fechar as plataformas onde boa parte delas foi criada.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 28 de setembro de 1895 — Louis Pasteur morreu em Paris. O homem que provou que bactérias causam doenças e inventou a pasteurização.

Curiosidade: Como brinde ao acordo com Trump, Xi Jinping prometeu enviar dois pandas para Atlanta. A diplomacia dos ursinhos segue viva.

Para clicar: Conheceu o Jev? Nova ferramenta de inteligência artificial que responde com nível de confiança embutido — ideal pra dev.

Stat: A AMD cruzou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez, com alta de 185% em 2026, impulsionada pela febre de infraestrutura de inteligência artificial.

Você sabia: Em 1947, uma mariposa real presa num relé de um computador da Universidade Harvard criou o conceito de "erro de sistema" — o famoso "bug" do vocabulário de tecnologia.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🎰 Lula proíbe bets 9 dias antes das eleições (e contraria a própria gestão)
💸 Governo promete comprar R$ 150 bi em dívidas com 90% de desconto
🤝 Trump e Xi: US$ 30 bilhões, pandas e a corrida pela "superinteligência"
🧮 IA resolve mais de 100 enigmas que os matemáticos carregavam há décadas

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BRASIL

O governo que criou as apostas agora as proíbe — e a eleição está no meio do caminho

R$ 60 bilhões: é quanto os brasileiros transferiram para as casas de apostas online em 2026, segundo o ministro da Fazenda. Na sexta-feira (25), Lula assinou uma medida provisória para acabar com isso — com um detalhe que ninguém deixou passar: a eleição presidencial é daqui a nove dias.

A MP chamada "Brasil Sem Bets" entra em vigor imediatamente. Nenhum novo aporte pode ser feito nas plataformas. A Anatel vai bloquear os sites a partir de 6 de outubro. Os apostadores têm até 23h59 do dia 5 de outubro para sacar voluntariamente o que ainda está nas contas — quem não sacar recebe de volta pelos bancos entre 9 e 14 de outubro. O pacote também cria cinco novos crimes e prevê penas de até seis anos de prisão para quem continuar operando.

O irônico da situação: foi o próprio governo que desenhou esse mercado. O Ministério da Fazenda estruturou as regras de autorização, cobrou outorgas e passou a arrecadar tributos das bets — só no primeiro semestre de 2026, a arrecadação chegou a R$ 7,3 bilhões. Agora, o mesmo governo que construiu a estrutura resolve derrubá-la.

Por dentro:

A leitura eleitoral é direta. Pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição. O PT calcula que o veto dificulta a reação de Flávio Bolsonaro (PL) — a medida tem apelo especialmente entre evangélicos, parcela importante da base adversária, e entre mulheres. Os clubes de futebol reclamam (patrocinadoras ameaçam rescindir contratos) e as empresas prometem ir ao Judiciário. O Congresso terá 120 dias para votar a MP e decidir se mantém ou derruba.

Resumindo: Lula proibiu o que o próprio governo criou, no timing mais conveniente do calendário eleitoral — e as urnas vão dizer se valeu a aposta.


ECONOMIA

Governo vai comprar sua dívida velha com 90% de desconto — mas o dinheiro só chega em fevereiro

No mesmo dia em que proibiu as apostas, Lula anunciou outra medida de forte apelo popular: o governo vai comprar, em leilão, carteiras de dívidas bancárias de brasileiros inadimplentes. O programa se chama Desenrola 3.0 e promete alcançar até 15 milhões de pessoas, com desconto mínimo de 90% sobre o valor original da dívida.

As regras: só entram dívidas de até R$ 10 mil no valor original, com atraso de dois a quatro anos e meio. O foco é cartão de crédito (rotativo e parcelado) e crédito pessoal sem consignação. A expectativa é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis — mas o governo calcula que R$ 75 bilhões serão efetivamente renegociados, considerando a adesão de credores e devedores. O custo real para os cofres públicos: até R$ 15 bilhões, que serão compensados por remanejamento no orçamento de 2027.

Entendendo:

Por que um banco venderia uma dívida com 90% de desconto? Porque ele já não espera receber. Uma dívida de três anos sem pagamento já foi baixada do balanço como prejuízo — qualquer centavo virou lucro. O governo entra comprando barato e repassa o desconto ao devedor, que pode quitar à vista ou parcelar o saldo restante. O modelo é parecido com o que fundos de recuperação de crédito fazem há décadas no mercado privado, só que agora com o Tesouro Nacional na ponta compradora.

O ponto de atenção: o cronograma é longo. O chamamento para credores acontece em novembro, os contratos são assinados em fevereiro de 2027. Ninguém vai sentir o efeito antes das eleições — mas o anúncio, feito com pompa ao lado da proibição das bets, já cumpriu seu papel de palco.

Resumindo: se você tem dívida velha de cartão ou empréstimo, fique de olho — mas o alívio concreto só chega no começo de 2027.


MUNDO

Trump e Xi saíram sorrindo — mas as questões mais difíceis continuam sem resposta

Era o maior encontro diplomático do ano. Trump recebeu Xi Jinping com banda militar, 21 salvas de canhão e um jantar de gala na Casa Branca — a primeira visita oficial de um líder chinês a Washington em 11 anos. Três dias de pompa, muita fotografia e, ao final, um resultado que especialistas resumiram com precisão cirúrgica: "a visita é a mensagem."

O que ficou de concreto: EUA e China concordaram em tarifa mais favorável para US$ 30 bilhões em produtos de cada lado. Do lado americano, produtos agrícolas, madeira e cosméticos. Do lado chinês, pequenos eletrodomésticos, brinquedos e decorações. Os dois países também prorrogaram por mais dois meses a trégua comercial que expiraria em novembro — o acordo original havia sido firmado em Busan, na Coreia do Sul, no ano passado. E sim: Xi prometeu enviar dois pandas para Atlanta.

No contexto maior:

O tema que mais importa — a corrida pela inteligência artificial — ficou em segundo plano. Os dois países criaram um canal formal para comunicar incidentes de segurança envolvendo a tecnologia, mas nada além disso. Trump rebatizou a inteligência artificial de "superinteligência" e declarou que os EUA não vão "colocar freios" na corrida. "Estamos liderando a China por cerca de um ano e meio", afirmou. Xi defendeu que a tecnologia deve permanecer "sob controle humano". O CSIS (centro de estudos estratégicos de Washington) avaliou que a cúpula "entregou pouco nas questões mais urgentes — inteligência artificial, Taiwan, Irã." Para a China, num momento de crescimento econômico lento e desemprego crescente, um encontro sem tensão já é suficiente.

Resumindo: muita cordialidade, pouca substância — os dois líderes ganharam tempo, mas o mundo continua esperando quem vai piscar primeiro na corrida de inteligência artificial.


TECNOLOGIA

Uma IA resolveu 100 enigmas matemáticos históricos — e a comunidade científica não está satisfeita

Dez mil agentes de inteligência artificial trocando 2,7 milhões de mensagens em 88 horas. Foi assim que a OpenAI disse ter resolvido um dos sete maiores enigmas da matemática moderna — o chamado problema de Navier-Stokes, que desafia pesquisadores há 90 anos. Mas a empresa foi além: afirma também ter solucionado mais de 100 outros problemas matemáticos em aberto, distribuídos por várias áreas da disciplina, que décadas de esforço humano não tinham conseguido fechar.

As equações de Navier-Stokes descrevem o movimento de fluidos — ar, água, sangue — e aparecem em previsão do tempo, projetos de aeronaves e medicina. A questão central permaneceu em aberto desde 1934. O modelo interno usado pela OpenAI, descrito como mais avançado que o GPT-6 Astra (o mais potente lançado ao público até agora), teria chegado à prova usando uma linguagem de programação chamada Lean — que permite verificar demonstrações matemáticas por computador.

Os números:

🔴 10.000 agentes trabalhando simultaneamente na resolução

🔴 88 horas para chegar à solução de Navier-Stokes

🔴 US$ 10 milhões estimados em custo computacional

🔴 US$ 1 milhão de prêmio — que a OpenAI declarou que não vai reivindicar

O que vem depois:

A solução ainda não foi verificada de forma independente pelo Clay Mathematics Institute — a instituição que organiza o prêmio. Dois pesquisadores, um da Universidade de Nova York e outro da Anthropic (empresa rival), acusaram a OpenAI de ter tomado conhecimento do trabalho deles antes de entrar na corrida. A empresa negou. E matemáticos de referência, como Terence Tao (UCLA), alertaram que a velocidade com que a máquina resolve um problema não significa que ela — ou nós — entende o que descobriu. A OpenAI criou um conselho independente de matemáticos para avaliar os resultados. Sinal de que sabe que a batalha mais difícil não é com as equações — é com a credibilidade.

Resumindo: a inteligência artificial pode estar reescrevendo a matemática — mas ainda precisa convencer os matemáticos de que sabe o que está fazendo.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Bets — o que fazer agora: apostadores têm até 23h59 do dia 5 de outubro para sacar saldos voluntariamente. A partir de 6 de outubro, os sites são bloqueados pela Anatel. Leia mais

🔹 Eleições daqui a 6 dias: o primeiro turno é 4 de outubro. O TSE alerta para que eleitores consultem seu local de votação com antecedência pelo aplicativo e-Título — não corra o risco de parar no lugar errado. Leia mais

🔹 Pesquisa Quaest (17-20/set): Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro 33% no 1º turno. Na simulação de 2º turno, os dois chegam tecnicamente empatados — Flávio aparece à frente por 42% a 41%, dentro da margem de erro. Leia mais

🔹 AMD vale US$ 1 trilhão: a fabricante de chips cruzou a marca pela primeira vez, com alta de 185% em 2026. A empresa está apostando em sistemas completos de computação para inteligência artificial, não só nos chips isoladamente. Leia mais

🔹 Trump e IA: mesmo após o acordo com Xi, o presidente americano declarou que os EUA não vão "colocar freios" na corrida de inteligência artificial. "Quando você está liderando, não abre mão da vantagem", disse. Leia mais

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