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GIRO E PONTO

Edição #102  ·  Sábado, 26 de setembro de 2026

Bom sábado, Leitor. 📰


Em Nova York, 77 representantes de países se levantaram das suas cadeiras ao mesmo tempo — sem dizer uma palavra. No Brasil, 158 milhões de eleitores têm exatamente 8 dias para decidir o que vem a seguir.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Em 26 de setembro de 1960, Kennedy e Nixon protagonizaram o 1º debate presidencial televisionado da história — assistido por 70 milhões de americanos. Nenhum dos dois saiu igual da tela.

Stat: 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em julho — novo recorde histórico. Dívida média por CPF: R$ 6.987. É mais gente do que toda a população da Alemanha.

Para clicar: O TSE lançou uma página com os planos de governo de todos os candidatos à presidência, organizados por tema. Vale consultar antes de votar no dia 4.

Para ler: Jensen Huang escreveu pessoalmente por que pagou US$12,9 bilhões pela Hugging Face — e prometeu não fechar o ecossistema para ninguém. Vale 3 minutos.

Curiosidade: Em 3 de setembro, o ChatGPT, o Claude e o Grok caíram no intervalo de 30 minutos um do outro. Mais de 35 mil relatos nos EUA. Ninguém confirmou oficialmente se foi coincidência.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🗳️ A eleição mais empatada em décadas começa daqui a 8 dias
🤝 Trump e Xi passaram 3 dias juntos — e voltaram com um único acordo
🇺🇳 77 cadeiras se esvaziaram quando Netanyahu subiu à tribuna da ONU
🎲 Lula assinou o fim das bets ontem — e as emissoras já reagiram
📊 Inflação acima do esperado: por que seu crédito não vai baratear tão cedo

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BRASIL

Faltam 8 dias: Lula e Flávio empatados, e o Brasil ainda não decidiu

158 milhões. É quantos brasileiros vão às urnas em 8 dias — no domingo, 4 de outubro — para escolher presidente, governadores, senadores e deputados de uma vez só. São seis cargos numa única urna, seis números para digitar, e uma decisão que vai moldar os próximos quatro anos do país.

O Datafolha divulgado ontem mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno. No segundo turno: empate técnico dentro da margem de erro. O levantamento foi feito entre 22 e 24 de setembro. Nenhuma pesquisa dá vantagem decisiva a nenhum dos dois.

Os números:

🔴 158 milhões: eleitores aptos a votar em 2026

🔴 114 mil: urnas eletrônicas preparadas só em São Paulo nesta semana

🔴 9: lacres de segurança em cada urna — se violados, uma marca d'água do TSE aparece

🔴 7: missões internacionais de observação eleitoral, entre elas Carter Center, União Europeia e OEA

Uma informação pouco divulgada: está proibido entrar na cabine de votação com celular, câmera ou qualquer dispositivo de comunicação — mesmo desligado. Inclui óculos inteligentes com capacidade de gravação. O mesário tem ordens para barrar. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foi direto: leve a colinha. São muitos números para decorar de cabeça.

Outra novidade: a partir de terça-feira (29), nenhum eleitor pode ser preso ou detido até o dia 6 de outubro — salvo em flagrante ou por crime inafiançável. É uma proteção prevista no Código Eleitoral que pouca gente conhece.

Resumindo: A corrida presidencial está empatada na reta final — e 8 dias são tempo suficiente para qualquer coisa acontecer.


MUNDO

Trump e Xi passaram 3 dias juntos. O único acordo concreto: 60 dias a mais.

Xi Jinping passou 3 dias em Washington. Jantou com Elon Musk, Sam Altman e Jensen Huang na mesma mesa. Passeou pelo Arquivo Nacional com Trump. Prometeu um par de pandas para Atlanta. E voltou para Pequim com um único acordo concreto na bagagem.

A extensão da trégua comercial entre EUA e China por mais 60 dias — até 10 de janeiro — foi o único resultado tangível da cúpula mais aguardada de 2026. O acordo original havia suspendido tarifas bilionárias e controles de exportação de terras raras, e estava prestes a vencer. Sem renovação, os dois países voltariam à guerra comercial total.

O que não aconteceu: nenhum acordo sobre inteligência artificial. Nenhuma palavra definitiva sobre Taiwan. Nenhuma solução para o Irã. Trump disse que os dois conversaram sobre o conflito e completou "acho que vamos nos sair bem" — sem detalhe algum.

No contexto maior:

Foi a primeira visita de Xi aos EUA em 11 anos. Trump o recebeu diretamente na pista do aeroporto — gesto que nenhum presidente americano havia feito havia pelo menos uma década. Para analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais dos EUA, a lógica é simples: "A visita é a mensagem." Com eleições de meio de mandato americanas se aproximando, Trump quer estabilidade — e a China também precisa dela, já que seu PIB cresce muito abaixo das metas oficiais. Trump confirmou ainda dois novos encontros: em novembro, na China, e no G20 de dezembro, em Miami.

Resumindo: Muita pompa, pandas prometidos e uma trégua estendida por 60 dias — as tensões reais entre as duas maiores potências do mundo seguem sem solução.


MUNDO

Plenário vazio, microfone ligado: 77 países preferiram sair a ouvir Netanyahu

Benjamin Netanyahu ainda estava se aproximando do microfone quando os primeiros representantes começaram a se levantar. No final, 77 delegações deixaram o plenário da Assembleia Geral da ONU durante seu discurso — na quinta-feira (24), em Nova York.

O Brasil foi uma delas. A orientação partiu do Itamaraty: protesto formal contra os bombardeios israelenses em Gaza. O gesto já havia ocorrido em anos anteriores, mas o tamanho desta vez foi diferente. Jornalistas que cobrem a ONU há décadas classificaram como "uma das maiores debandadas já vistas" no salão. A delegação palestina, que tinha dois representantes durante o discurso anterior, aumentou para seis logo antes de Netanyahu subir — o objetivo era tornar a saída mais visível.

Netanyahu reagiu da tribuna, com o plenário pela metade: "Antes de começar, apenas um aviso: se houver outros covardes morais que ainda não saíram deste recinto, por favor, façam isso agora. Muito obrigado." No discurso, defendeu os ataques de Israel ao Irã como "uma das decisões mais fáceis que já tomei", rejeitou acusações de genocídio como "a maior mentira do século" e atacou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que havia pedido sua prisão com base em mandado do Tribunal Penal Internacional.

Por dentro:

Enquanto a debandada acontecia, o chanceler brasileiro Mauro Vieira co-presidia um evento de apoio à UNRWA — a agência da ONU para refugiados palestinos — com Jordânia e Espanha. Não estava no plenário. Lula havia acusado Israel de genocídio em seu próprio discurso na Assembleia dois dias antes. A posição brasileira sobre Gaza foi reiterada em todos os pronunciamentos oficiais desta sessão da ONU.

Resumindo: Quando 77 países preferem se levantar a ouvir um líder, o isolamento fala mais alto do que qualquer voto da ONU.


NEGÓCIOS

Lula assinou o fim das bets ontem. As emissoras já receberam a notificação.

As casas de apostas esportivas não esperaram. Antes mesmo de Lula pegar a caneta, Globo, Band e RedeTV! já receberam notificação das principais empresas do setor sobre a possível rescisão dos contratos publicitários — caso a medida se confirme.

Lula assinou ontem (25) uma medida provisória para restringir as apostas esportivas no Brasil, em São Paulo. A assinatura aconteceu a 9 dias do primeiro turno das eleições — a motivação política é evidente. O governo apresentou a medida como proteção às famílias brasileiras, em referência ao crescimento alarmante de famílias de baixa renda comprometendo parcelas relevantes da renda mensal com apostas. O tema virou pauta eleitoral nos últimos meses.

O impacto para o mercado de mídia é expressivo. As "bets" — as plataformas de apostas esportivas — se tornaram uma das maiores fontes de publicidade da televisão aberta brasileira desde que o segmento foi regulamentado em 2023, com patrocínios de clubes de futebol, programas de entretenimento e espaços em horário nobre. A rescisão desses contratos representaria perda de receita considerável para as emissoras.

Entendendo:

Uma medida provisória tem força de lei imediata — mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para se tornar permanente. Isso significa que o futuro das apostas esportivas no Brasil depende do resultado das eleições e da composição do novo Congresso, que toma posse em fevereiro de 2027. Um senador da oposição já afirmou que a MP "reflete o temor de Lula de perder a eleição".

Resumindo: A MP chega 9 dias antes da eleição, mistura bilhões em contratos com cálculo eleitoral — e o Congresso vai decidir o destino dela depois do pleito.


ECONOMIA

Inflação acima do esperado em setembro. Seu crédito segue caro por mais tempo.

O número saiu ontem e foi pior do que o mercado esperava. O IPCA-15 — a prévia da inflação oficial do Brasil — subiu 0,70% em setembro. Os economistas projetavam 0,53%. A diferença pode parecer pequena, mas ela importa: com inflação acima do esperado, o Banco Central tem menos espaço para cortar a Selic. E Selic alta significa crédito caro — financiamento de imóvel, carro, cartão.

Os números:

🔴 0,70%: IPCA-15 de setembro (mercado esperava 0,53%)

🔴 4,47%: inflação acumulada em 12 meses (era 4,24% em agosto)

🔴 13,75%: Selic atual — e com inflação pressionada, cortes ficam mais difíceis

🔴 1,8%: nova previsão do Banco Central para o crescimento do PIB em 2026 (era 2%)

O principal culpado do mês foi a conta de luz: o bônus relacionado à usina de Itaipu deixou de existir em setembro, empurrando a energia elétrica para cima. O petróleo também pressiona: o barril Brent fechou a semana acima de US$106, com alta superior a 18% em setembro, impulsionado pela tensão entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz. Combustíveis mais caros chegam na inflação com atraso de alguns meses — a conta ainda vem.

Resumindo: Inflação subindo, crescimento revisado para baixo e Selic sem espaço para cair — o crédito não vai baratear tão cedo.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 O petróleo Brent fechou a semana acima de US$106 por barril — alta de mais de 18% em setembro — diante das incertezas sobre a guerra EUA-Irã e o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte da commodity no mundo. Leia mais

🔹 O governo federal elevou a previsão de déficit fiscal de 2026 para R$ 80,9 bilhões e reduziu a meta de contenção de gastos para R$ 16,1 bilhões. A combinação de inflação pressionada e contas públicas em expansão mantém o mercado em alerta. Leia mais

🔹 Trump confirmou dois novos encontros com Xi Jinping ainda em 2026: um em novembro na China e o G20 de dezembro em Miami. As divergências sobre inteligência artificial, Taiwan e Irã ficaram para as próximas rodadas. Leia mais

🔹 A AMD ultrapassou US$1 trilhão de valor de mercado pela primeira vez em 22 de setembro, com ações acumulando alta de 185% em 2026 — impulsionadas pela explosão na demanda por infraestrutura de inteligência artificial. Leia mais

🔹 Sete missões internacionais de observação eleitoral acompanharão as eleições brasileiras de 4 de outubro — incluindo Carter Center, União Europeia e OEA. O objetivo é reforçar a transparência e a confiança no processo. Leia mais

🔹 A Nvidia comprou a plataforma de inteligência artificial Hugging Face por US$12,9 bilhões no início de setembro — a segunda maior aquisição da empresa. O negócio ainda aguarda aprovação regulatória e deve ser concluído no primeiro semestre de 2027. Leia mais

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