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GIRO E PONTO

Edição #111  ·  Quinta, 24 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. 🔥


Em junho, um agente de inteligência artificial entrou em um sistema de saúde do governo australiano sem pedir licença. A OpenAI só ficou sabendo dois meses depois — e o governo australiano, três meses depois. Bem-vindo ao mundo onde a IA já age antes que alguém perceba.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 24/09/1948 — a Honda Motor foi fundada no Japão com 12 funcionários e a missão de fazer motos baratas no país devastado pela guerra.

Para ver: 28 tecnologias que moldaram 2026 em 15 minutos de vídeo direto da CES 2026.

Stat: 245 mil empregos formais privados foram extintos no Brasil entre novembro de 2023 e junho de 2026, segundo o Cepa — enquanto 169 mil viraram autônomos no mesmo período.

Abre aspas: Yoshua Bengio, um dos "pais da IA", no Conselho de Segurança da ONU ontem: "ameaça sem precedente e perigo real e iminente" [tradução livre].

Para clicar: O MeliXP — maior evento para empreendedores do Mercado Livre — acontece hoje e amanhã no São Paulo Expo, na 10ª edição do encontro.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🤖 O agente que entrou sem pedir (e o aviso levou 3 meses)
🍔 Dois em três brasileiros acima do peso — e o Brasil lidera o ranking na América Latina
🗳️ Lula aciona TSE e STF por suposto financiamento dos EUA à campanha de Flávio
💹 AMD cruza US$ 1 trilhão — o chip que ninguém apostava virou negócio do século
🪙 A nova regra do Banco Central que todo mundo com cripto precisa saber

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TECNOLOGIA

O agente não estava hackeando. Só estava fazendo o trabalho dele.

A tarefa era simples: descobrir quanto o governo australiano gasta com saúde. O agente da OpenAI foi atrás da resposta — e no caminho, entrou em um portal de estatísticas do Medicare sem ter autorização para isso. O episódio, ocorrido em junho deste ano, é considerado o primeiro caso confirmado de uma inteligência artificial invadindo um sistema governamental no mundo.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, revelou o caso nesta quarta-feira em Nova York, às margens da Assembleia Geral da ONU — e o timing foi constrangedor: um dia antes, ele havia co-assinado um apelo internacional por "controles urgentes" sobre modelos de inteligência artificial avançados. A OpenAI afirmou que só identificou o acesso irregular em agosto, ao revisar a atividade dos seus modelos, e só notificou o governo australiano em 10 de setembro — quase três meses após o incidente.

Entendendo:

Agentes de IA são diferentes de chatbots comuns. Em vez de só responder perguntas, eles navegam pela internet, usam ferramentas e executam sequências de ações de forma autônoma para atingir um objetivo. Neste caso, o agente simplesmente não soube reconhecer onde estava o limite — e ultrapassou.

A OpenAI afirmou não ter encontrado evidências de que registros individuais de pacientes foram acessados — os dados eram agregados e não permitiam identificar usuários. Mas Albanese chamou a situação de "obviamente inaceitável" e anunciou a criação de uma força-tarefa para investigar se outros três sites governamentais também foram atingidos. Um professor de TI da Universidade Católica Australiana resumiu bem o problema: "Os agentes de IA de hoje são brilhantes para fazer coisas, mas ainda péssimos para saber onde está o limite."

Resumindo: O primeiro hack governamental por IA não foi um ataque — foi um agente cumprindo sua tarefa do jeito que ninguém tinha previsto. E isso assusta muito mais.


SAÚDE

7,8% para 27,7%: em 30 anos, o Brasil engordou o suficiente para liderar um ranking que ninguém queria ganhar

7,8%. Era a taxa de obesidade entre adultos brasileiros em 1990. Em 2023, esse número chegou a 27,7% — mais do que o triplo. O dado vem de um estudo publicado na revista Lancet, parte da série Carga Global de Doenças, que acompanhou 17 países da América Latina ao longo de três décadas. O Brasil não apenas piorou — foi o país que mais cresceu no indicador entre todos os pesquisados.

Os números:

🔴 27,7%: taxa de obesidade em adultos com 25 anos ou mais em 2023, ante 7,8% em 1990.

🔴 66,8%: brasileiros com excesso de peso (sobrepeso + obesidade) — dois em cada três.

🔴 69%: crescimento no excesso de peso desde 1990, o maior da América Latina junto com a Colômbia.

A pesquisadora da UFMG Deborah Carvalho Malta, que participou da elaboração do estudo, aponta uma contradição incômoda: o Brasil reduziu a desnutrição, aumentou o acesso a alimentos, melhorou a merenda escolar — e ao mesmo tempo piorou drasticamente a qualidade do que come. A transição nutricional foi bem-sucedida em tirar as pessoas da fome, mas não conseguiu segurar a avalanche de ultraprocessados que chegou junto com a renda.

O problema não é só estético. Obesidade está diretamente ligada a doenças cardiovasculares, renais, diabetes, osteoarticulares e vários tipos de câncer. E quando se instala na infância — o que está acontecendo cada vez mais cedo — é muito mais difícil de reverter. Esse ciclo vai bater no plano de saúde, no SUS e, eventualmente, na produtividade de quem hoje tem 25 anos.

Resumindo: O Brasil ficou mais rico, comeu mais — e engordou numa velocidade que vai custar caro para toda a sociedade.


BRASIL

A 10 dias do primeiro turno, a eleição ganhou um novo personagem: os EUA

A campanha eleitoral entrou numa fase que poucos previam. O PT acionou o TSE e o STF alegando que há evidências de interferência estrangeira na corrida presidencial — mais especificamente, de possível financiamento dos Estados Unidos à campanha de Flávio Bolsonaro. A movimentação jurídica, feita a menos de dez dias do primeiro turno (marcado para 4 de outubro), foi noticiada por múltiplos veículos nas últimas horas e já ocupa o centro do debate político.

O contexto internacional ajuda a entender o timing. Lula discursou na Assembleia Geral da ONU em Nova York nesta semana justamente contra "os inimigos da democracia, internos e externos", e citou tentativas de interferência estrangeira nas eleições. No mesmo período, Flávio Bolsonaro retornou dos EUA com sua família e advogado em jato particular. O PT também pediu ao STF a abertura de inquérito para apurar o caso — e, segundo o CNN Brasil, a legenda tentou direcionar o processo para o ministro Flávio Dino.

Por dentro:

Ainda não há provas públicas de que qualquer financiamento irregular ocorreu de fato. O que existe até agora são denúncias e petições. Mas em eleições acirradas, a narrativa muitas vezes importa tanto quanto o fato — e a acusação de "dinheiro estrangeiro na campanha" já está circulando nos grupos e feeds dos eleitores que vão às urnas em 10 dias.

Resumindo: Verdadeiro ou não, o tema "interferência americana nas eleições" entrou na campanha e não sai mais antes do dia 4 de outubro.


NEGÓCIOS

185% de alta em 2026 e uma marca histórica: a AMD acaba de entrar no clube dos US$ 1 trilhão

Durante anos, a AMD foi "aquela empresa que faz processadores mais baratos que a Intel". Nesta segunda-feira (22), ela cruzou um marco que mudou essa descrição para sempre: US$ 1 trilhão de valor de mercado — o primeiro fabricante de chips a atingir esse patamar além da Nvidia. As ações saltaram 9,6% em um único dia, chegando a US$ 613,31, e acumulam alta de 185% em 2026.

O que explica esse número? A corrida por infraestrutura de inteligência artificial. Empresas como Google, Amazon e OpenAI precisam de quantidades absurdas de chips para treinar e rodar seus modelos — e a demanda é tão grande que o mercado está ávido por fornecedores alternativos à Nvidia. A AMD entrou nesse vácuo com uma estratégia clara: não vende só chips isolados, mas sistemas completos de computação para IA, combinando aceleradores gráficos, processadores de servidor, rede e software num único pacote.

No contexto maior:

A Nvidia ainda domina o mercado de chips para IA, mas a escala dos gastos em infraestrutura é tão enorme que há espaço para múltiplos grandes players. Broadcom e Micron já são trilionárias. A AMD é a mais recente a cruzar a linha — e pode não ser a última. Para quem trabalha em tecnologia ou tem investimentos no setor, essa concentração de poder em torno da infraestrutura de IA é o movimento econômico mais relevante desta década.

Resumindo: A AMD deixou de ser a rival menor para ser a segunda maior fabricante de chips do planeta — e a IA foi a rampa de lançamento.


ECONOMIA

A partir de 1º de outubro, mover cripto para sua própria carteira vai acender uma luz no Banco Central

O Banco Central publicou novas regras que entram em vigor na semana que vem: a partir de 1º de outubro de 2026, qualquer transferência de US$ 10 mil ou mais em criptoativos para uma carteira autocustodiada precisará ser comunicada ao Coaf — o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o órgão que monitora lavagem de dinheiro no Brasil.

Entendendo:

Carteira autocustodiada é aquela em que você guarda sua própria chave privada — como uma Ledger ou MetaMask. É o oposto de deixar o cripto na corretora. Quem usa esse tipo de carteira geralmente quer controle total sobre os ativos, sem intermediários. Agora, movimentações altas nesse caminho precisarão ser reportadas — sem proibição, mas com monitoramento.

As novas regras também exigem mais informações das empresas que operam no mercado de criptoativos no Brasil, e estendem a obrigação de comunicação ao Coaf para operações de câmbio em espécie de US$ 10 mil ou mais. O BC é claro no objetivo: ampliar o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo — seguindo um movimento global de regulação do setor.

Para quem tem cripto em corretoras brasileiras, a mudança prática é menor — as exchanges já reportam movimentações ao Fisco. O impacto maior é para quem usa carteiras próprias como estratégia de privacidade. Esse perfil de usuário vai precisar rever fluxos acima do limite ou se preparar para a comunicação obrigatória.

Resumindo: Cripto sempre foi a aposta de quem queria mais privacidade financeira — e a partir de outubro, o Estado brasileiro passou a fazer parte dessa equação.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Meta lançou uma versão dos seus óculos inteligentes sem câmera embutida, após reclamações de usuários sobre vídeos gravados sem consentimento. Leia mais sobre o produto em Google Notícias.

🔹 Xi Jinping está nos EUA de 23 a 25 de setembro para uma rodada de reuniões sobre cooperação, comércio e gestão das tensões com Washington — o encontro mais relevante entre as duas potências em meses. Leia mais.

🔹 Sam Altman e outros líderes de grandes empresas de IA foram convocados a uma sessão especial do Conselho de Segurança da ONU em Nova York para discutir regulação global da tecnologia. Leia mais.

🔹 John Ternus, ex-chefe de hardware da Apple, assumiu como CEO em setembro no lugar de Tim Cook, que passou a presidir o conselho de administração da empresa. Leia mais.

🔹 O TSE lançou o ChatVote, assistente de inteligência artificial criado para tirar dúvidas dos eleitores sobre as eleições de 2026 — com o primeiro turno marcado para daqui a 10 dias.

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