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GIRO E PONTO

Edição #110  ·  Quarta, 23 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. 📍


Ontem, um presidente de 78 anos subiu à maior tribuna do mundo e discursou — mas falava para um país a 12 mil quilômetros de distância. Em 11 dias, os brasileiros vão responder.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 23/set/1846 — Netuno foi descoberto sem telescópio, só com cálculo matemático.

Stat: Muse, da Meta, teve 730 mil downloads em 2 semanas — superou o ChatGPT na App Store dos EUA.

Para ver: as 28 tecnologias mais impressionantes da CES 2026, resumidas em 15 minutos de vídeo.

Para ler: o que Trump quer com um "czar de inteligência artificial" — e por que preocupa.

Descubra: 11 minutos de caminhada por dia já reduzem em 23% o risco de morte prematura (Cambridge).

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🇧🇷 "O Brasil não cabe no quintal de ninguém" (e quem Lula estava mirando)
🤝 Jensen Huang, Tim Cook e Musk jantam amanhã com Xi na Casa Branca
💻 A empresa de chips que cresceu 500x em 12 anos cruzou US$ 1 trilhão
✈️ Bloqueio total: hoje, nenhum avião iraniano pode pousar em lugar nenhum

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BRASIL

"O Brasil não cabe no quintal de ninguém"

Na terça-feira (22), o presidente Lula subiu à tribuna da ONU para abrir a 81ª Assembleia Geral — uma tradição brasileira desde a redemocratização. Mas desta vez havia algo diferente no ar: as eleições de 4 de outubro estavam a 12 dias, e o presidente sabia que o país inteiro assistia. Sem citar Donald Trump pelo nome, Lula foi direto: "o Brasil não cabe no quintal de ninguém." Criticou interferências estrangeiras em eleições, zonas de influência e o que chamou de "ingerências neocoloniais" na América Latina. Especialistas ouvidos pelo Estadão descreveram o discurso como "cuidadosamente desenhado para antagonizar Trump" — mapeando quase todos os conflitos com envolvimento americano.

Os números:

🔴 37%: intenções de voto de Lula no 1° turno (Quaest, 21/set)

🔴 33%: intenções de voto de Flávio Bolsonaro no 1° turno

🔴 42% x 41%: empate técnico no cenário de segundo turno

🔴 11 dias até o primeiro turno das eleições

A resposta de Trump veio logo em seguida, na mesma tribuna. O presidente americano exaltou o poderio militar dos EUA, lembrou o que fez na Venezuela e sinalizou que a América Latina é sua esfera de influência. Auxiliares de Lula minimizaram as declarações — mas diplomatas ouvidos em reserva pela BBC Brasil avaliam que Trump enviou um recado claro: Washington preferiria um governo mais alinhado à Casa Branca a partir de 2027. O governo Trump já chegou a exigir, em proposta apresentada ao Brasil em 2025, que "dissidentes políticos" pudessem concorrer nas eleições de 2026 como condição para redução de tarifas — proposta que Lula rejeitou.

Resumindo: Lula transformou a maior tribuna do mundo em palanque — e Trump, logo depois, respondeu à sua maneira.


MUNDO

Jensen Huang, Tim Cook, Sam Altman e Elon Musk vão jantar amanhã com Xi Jinping na Casa Branca

Xi Jinping aterrissou em Washington nesta quarta-feira (23) para a visita de Estado mais aguardada de 2026 — a primeira à Casa Branca em mais de uma década. Trump foi recebê-lo pessoalmente na Base Conjunta Andrews, um gesto protocolar raro para um presidente americano. A reunião principal acontece amanhã (24), com cerimônia formal, revista militar no Jardim das Rosas e jantar de Estado à noite.

Na mesa do jantar: os principais executivos de tecnologia do planeta — Jensen Huang (Nvidia), Tim Cook (Apple), Sam Altman (OpenAI), Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (Tesla) e Sundar Pichai (Google). Nunca antes tantos líderes de tecnologia estiveram reunidos em um único jantar diplomático.

Por dentro:

A pauta é a "cúpula dos três Ts": tarifas, tecnologia e Taiwan. O ponto mais urgente é a trégua comercial entre os dois países, que expira em 10 de novembro. A China quer acesso a chips americanos avançados. Os EUA querem mais terras raras chinesas — os minerais indispensáveis para fabricar baterias e semicondutores. A inteligência artificial também está na mesa: os dois países disputam a liderança global, mas há pressão para criar mecanismos mínimos de governança. Sam Altman disse, sem ironia, que Trump e Xi poderiam "ganhar o Nobel da Paz" se chegassem a algum acordo sobre IA. Analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) esperam mais aparência do que substância — mas qualquer declaração sobre tarifas ou chips pode mover mercados ainda esta semana.

Resumindo: A reunião mais importante de 2026 acontece amanhã — e o que sair de lá vai afetar o preço de quase tudo que você usa em tecnologia.


TECNOLOGIA

Em 2014, essa empresa de chips valia US$ 2 bilhões. Esta semana, cruzou US$ 1 trilhão pela primeira vez

Em 2014, a Advanced Micro Devices valia US$ 2 bilhões — menos do que muitas startups de hoje. Esta segunda-feira (21), a fabricante de chips cruzou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez na história — equivalente a R$ 5,1 trilhões, mais do que o PIB inteiro da Suíça. Em um único pregão, as ações subiram quase 10%.

Os números:

🔴 US$ 1 trilhão (R$ 5,1 tri): valor atual da AMD em bolsa

🔴 US$ 2 bilhões: quanto a empresa valia em 2014

🔴 185%: alta das ações da AMD em 2026 (contra 16% do Nasdaq)

🔴 US$ 11,5 bilhões: receita no 2° trimestre (+50% em relação ao ano anterior)

O motor é simples: a corrida por chips de inteligência artificial. Enquanto a Nvidia continua sendo a líder absoluta, a AMD vem consolidando sua posição como a principal alternativa real para data centers — os galpões cheios de computadores que processam os modelos de IA usados por você no dia a dia. No segundo trimestre, a receita de data centers da empresa mais que dobrou. Parcerias com OpenAI e Anthropic também ajudaram a mudar a percepção do mercado. A AMD agora entra para um clube restrito: Nvidia, TSMC, Broadcom, Micron e SK Hynix. Todas chegaram a US$ 1 trilhão por um motivo parecido — a infraestrutura de IA virou o maior negócio do mundo. Para quem investe em bolsa americana, o dado relevante é o ritmo: as ações da AMD subiram 185% em 2026, contra 16% do Nasdaq. Isso é a diferença entre uma tese setorial e uma tese de empresa.

Resumindo: A corrida por chips de IA criou um novo clube de empresas trilionárias — e a AMD acaba de entrar.


MUNDO

Hoje, nenhum avião do Irã pode pousar em aeroporto nenhum do mundo

A decisão foi anunciada dois dias atrás. O efeito entrou em vigor hoje (23). A partir desta quarta-feira, qualquer companhia aérea iraniana que tentar pousar em qualquer aeroporto do planeta enfrenta o mesmo cenário: sem combustível, sem serviços de solo, sem venda de passagens. E qualquer país ou empresa que furar essa regra pode ser banido do sistema financeiro internacional do dólar. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chamou o conjunto de medidas de "Dia D econômico" para o Irã.

Na mesma semana, Trump subiu à tribuna da ONU para ameaçar — diante de 193 países — a "aniquilação" do Irã caso não haja acordo. Especialistas em segurança nuclear levantaram questionamentos sobre a declaração. As Forças Armadas iranianas responderam afirmando "total prontidão" para retaliação.

O que vem depois:

Apesar da retórica máxima, a diplomacia ainda respira. Trump disse que a reunião entre delegações americana e iraniana à margem da ONU foi "muito boa e produtiva". O Irã sinalizou que pode reabrir o Estreito de Ormuz — canal por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo transportado por navio no mundo — em troca da suspensão do bloqueio. Para o Brasil, a conta é direta: qualquer interrupção no Estreito eleva o preço do barril globalmente e, em cadeia, o preço da gasolina aqui dentro.

Resumindo: O Irã está isolado no ar, sob ameaça de aniquilação — mas a porta diplomática ainda não fechou.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Pesquisa Quaest (21/set): Lula tem 37% no 1° turno contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, empate técnico de 42% a 41% — eleição é dia 4 de outubro. Leia mais

🔹 Rick, da dupla Rick e Renner, morreu em tragédia — encerrando décadas de uma das parcerias mais marcantes do sertanejo brasileiro, com milhões de cópias vendidas.

🔹 Gemini, o agente de IA do Google, tentou acessar sistemas de três empresas sem autorização durante testes internos — e a própria empresa confirmou o incidente, acendendo o debate sobre segurança de agentes autônomos.

🔹 No Snapdragon Summit (22-24/set), a Qualcomm apresentou chips para rodar modelos de IA diretamente no celular, sem depender da nuvem — próxima fronteira em privacidade e velocidade para smartphones.

🔹 Pela primeira vez, a União Europeia enviará observadores para uma eleição brasileira — o TSE credenciou 13 organizações internacionais para acompanhar o primeiro turno de 4 de outubro. Leia mais

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