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GIRO E PONTO

Edição #108  ·  Segunda, 21 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. ⚡


Friedrich Merz foi ao ar ao vivo na televisão alemã depois que seu partido conseguiu menos de 5% dos votos — o pior resultado desde 1949. Ao ser perguntado sobre o que havia acontecido, o chanceler só encontrou uma palavra: "desastre".

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Em 21/9/1981, a ONU criou o Dia Internacional da Paz, celebrado todo ano nesta data.

Para ver: A CES 2026 reuniu em vídeo os 28 gadgets mais marcantes — do robô ao carro sem motorista.

Para clicar: Stanford abriu ao público o curso CS146S, que trata agentes de IA como ferramenta padrão de desenvolvimento.

Stat: R$ 120 bilhões: o custo estimado das apostas online para a economia brasileira em 2026, diz pesquisa da USP.

Descubra: Conversar com estranhos melhora o humor mais do que a maioria imagina, mostra pesquisa da Univ. de Chicago.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🇩🇪 A Alemanha que Merz perdeu — duas vezes em um mês
🤖 Trump cria exército de IA — e proíbe qualquer regra sobre ele
⛽ O diesel que subiu e não subiu — e quem paga a diferença
🖥️ O Brasil que quer ser o próximo destino global da IA

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MUNDO

A Alemanha que Merz perdeu — duas vezes em um mês

37,9%. Foi com essa fatia dos votos que a Alternativa para a Alemanha venceu neste domingo as eleições no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país. Mais que o dobro dos 16,7% que o partido havia obtido naquele mesmo estado na eleição anterior, conforme apurou o Poder360. A legenda de extrema direita ficou à frente do Partido Social-Democrata, que governava o estado desde 1998.

Mas o número que mais ecoou pelos corredores de Berlim foi outro: 4,9%. Foi o que a CDU — partido do chanceler Friedrich Merz — conseguiu no estado. Abaixo da barreira mínima de 5% para entrar no parlamento estadual. O pior resultado da legenda numa eleição regional desde 1949. Merz foi ao ar ao vivo e disse apenas que era "um desastre". Não sobrou muito mais a dizer.

No contexto maior:

É a segunda vitória estadual do partido em setembro. Duas semanas antes, a legenda havia conseguido 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt — o melhor resultado de sua história desde a fundação, em 2013. A legenda, criada como crítica à política econômica europeia, hoje domina a narrativa anti-imigração no leste alemão. Segundo pesquisa da emissora ARD, 87% dos eleitores de Saxônia-Anhalt declararam estar insatisfeitos com o governo federal. A AfD não precisou convencer — só precisou aparecer.

A ironia é que o partido provavelmente não vai governar nenhum dos dois estados: os demais partidos recusam qualquer coalizão com a legenda. Mas isso pouco importa. A AfD não precisa do governo para governar a conversa política da Alemanha.

Resumindo: A extrema direita ganhou dois estados alemães em um mês — e o sistema político ainda não sabe o que fazer com isso.


TECNOLOGIA

Trump quer um exército de IA — e zero regras para controlá-lo

O mesmo governo que chamou os alertas sobre inteligência artificial de "conspiração doentia" acabou de anunciar que vai criar um organismo federal inteiro para cuidar do setor. Sem regulação, sem freios — mas com um "czar".

No último sábado (19), Donald Trump publicou no Truth Social que está formando uma "AI Force" — força de inteligência artificial —, inspirada na Space Force criada durante seu primeiro mandato. Também prometeu nomear em breve um responsável pelo setor, chamado por ele de "AI Czar". Candidatos precisam ter "alto QI", disse o presidente, sem ironia aparente. A Revista Oeste detalhou o anúncio.

Por dentro:

O anúncio vem no meio de uma briga aberta. Líderes da OpenAI, da Anthropic e da xAI pediram publicamente que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia fosse reduzido por razões de segurança. Trump respondeu chamando esses executivos de "conspiracionistas e traidores". Dias depois, criou a AI Force — sem missão, orçamento ou estrutura definidos. O Washington Post registrou que a Casa Branca não explicou sequer se o órgão será civil ou militar.

Trump também afirmou que a tecnologia pode representar até 25% do produto interno bruto dos Estados Unidos. "Quem vencer na IA, vence tudo", disse o presidente — resumindo em uma frase a lógica por trás do anúncio: competição geopolítica com a China acima de qualquer preocupação com segurança.

Resumindo: Trump criou uma "força de IA" sem estrutura ou missão definidas — mas a mensagem política é clara: nos EUA, a tecnologia cresce sem freios.


BRASIL

O diesel que subiu e não subiu — e quem está pagando essa conta

A Petrobras subiu o preço do diesel em R$ 1 por litro na semana passada. No mesmo dia, o governo criou uma subvenção de R$ 1 por litro para compensar o aumento. Resultado: o preço nas distribuidoras ficou exatamente igual. A diferença é que, agora, quem paga é o Tesouro Nacional.

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou na sexta-feira (18) a adesão ao programa criado pela Medida Provisória 1.391/2026, conforme a Agência Brasil. A estatal receberá R$ 1 por litro de diesel de uso rodoviário durante 30 dias, com possibilidade de renovação. O desconto é repassado às distribuidoras — que, por coincidência, viram o preço subir exatamente R$ 1 em 17 de setembro. Na prática: nenhuma mudança no preço. No papel: transferência de dinheiro público para a estatal para que ela não repasse o aumento.

Os números:

🔴 R$ 1 por litro: valor da subvenção ao diesel aprovada pelo conselho da Petrobras

🔴 R$ 448 milhões: parcela recebida pelo programa de subvenção à gasolina referente a julho

🔴 R$ 9,9 bilhões: total acumulado em subsídios ao diesel, gasolina e GLP pagos pelo governo à Petrobras

O esquema não é novo. Desde 2025, o governo usa Medidas Provisórias para segurar preços de combustíveis via subvenção — evitando mexer na política de preços da estatal enquanto mantém a inflação na linha. Com eleições em outubro de 2026, o pano de fundo é óbvio. A pergunta que ninguém está fazendo em voz alta: quando essa conta aparece de verdade?

Resumindo: O governo segurou o preço do diesel com dinheiro público — e já acumula R$ 9,9 bilhões nessa operação. A conta vai aparecer depois da eleição.


TECNOLOGIA

O Brasil que quer ser o próximo destino global dos centros de dados de IA

A decisão foi tomada em 15 de setembro, quase sem alarde. O governo federal criou o Redata — Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter — e pode ter feito, com pouco barulho, uma das apostas estratégicas mais relevantes dos últimos anos para o setor de tecnologia no Brasil.

A ideia central é direta: empresas que instalarem, modernizarem ou ampliarem centros de processamento de dados no país terão acesso a benefícios fiscais federais. O regime cobre computação em nuvem, armazenamento e, de forma explícita, treinamento e inferência de inteligência artificial — o coração da corrida tecnológica global. A Agência Brasil publicou os detalhes da lei.

Entendendo:

Um datacenter é a infraestrutura física — servidores, energia, refrigeração — que sustenta tudo que você usa na rede, dos aplicativos aos modelos de inteligência artificial. Trazer esses centros para o Brasil significa processamento local de dados, menos dependência de infraestrutura no exterior e mais empregos técnicos de alto valor aqui dentro.

A lei exige contrapartidas: as empresas precisam estar em dia com tributos federais e adotar fontes renováveis de energia. A adesão depende de autorização do Ministério da Fazenda. Parte das regras ainda aguarda regulamentação. Mas o sinal ao mercado global já foi enviado — e chega num momento em que os grandes países do mundo disputam exatamente essa mesma infraestrutura.

Resumindo: O Brasil criou isenção fiscal para atrair centros de dados de IA — uma jogada certa no momento em que o mundo inteiro corre para construir a infraestrutura da próxima fase da tecnologia.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Ministro Gilmar Mendes reabriu no STF um processo arquivado há dois anos para validar o reajuste do Bolsa Família anunciado por Lula. Com o aumento, o benefício pode chegar a 48% do salário mínimo — o maior percentual da história do programa. Leia mais

🔹 O Copom reduziu a taxa Selic para 13,75% na última reunião e não sinalizou os próximos movimentos — deixando o mercado sem clareza sobre o ritmo dos cortes. Leia mais

🔹 Lula embarcou para Nova York para a 81ª Assembleia Geral da ONU. A reforma do Conselho de Segurança — pauta prioritária do governo brasileiro — deve ser o centro das negociações. Leia mais

🔹 O PIB da Argentina contraiu no segundo trimestre de 2026 — primeira queda em dois anos sob o governo Milei. O governo já cortou a previsão de crescimento de 5% para 3% em 2026, a um ano das eleições presidenciais.

🔹 A Anthropic adiou sua abertura de capital para novembro de 2026, buscando apresentar resultados sólidos do terceiro trimestre antes de acessar o mercado público.

🔹 O presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, é alvo de investigação preliminar na França por suspeita de conflito de interesses nos direitos de transmissão da Ligue 1, informou a promotoria de Paris. Leia mais

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