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GIRO E PONTO

Edição #103  ·  Quarta, 16 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. 📍


Ontem, oito ministros do Supremo Tribunal Federal passaram quase oito horas num plenário com celulares lacrados em sacolinhas, trocaram acusações em público na cara dura — e encerraram o dia sem decidir absolutamente nada. Bem-vindo à edição #103.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Em 16 de setembro de 1810, o padre Hidalgo deu o "Grito de Dolores" — um discurso de madrugada numa cidadezinha mexicana que deu início à independência do país.

Stat: 306% — o aumento na busca das empresas por profissionais com habilidades em IA em apenas um ano (Relatório de Empregabilidade Gupy, 2025).

Para clicar: Com o primeiro turno a 19 dias, o PollingData agrega mais de 1.039 pesquisas eleitorais num único gráfico interativo — o melhor lugar para acompanhar o cenário.

Para ler: A Harvard Business Review publicou em março uma pesquisa sobre como a IA está remodelando — e não apagando — o trabalho de escritório. Vale os 5 minutos.

Abre aspas: "O STF provocou um mal-estar cívico em todos os brasileiros nesses últimos dias" — Cármen Lúcia, ministra do STF, na sessão de ontem.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

⚖️ STF convoca sessão histórica — e encerra o dia sem decidir nada
🗳️ A 19 dias do 1º turno, 1 ponto separa Lula e Flávio Bolsonaro
📉 PIB desacelera mesmo com o desemprego na menor taxa em décadas
🤖 Ex-pesquisador da DeepMind sai e diz: "o tempo pode estar acabando"
🎨 WPP demite mais mil — publicidade é o canário na mina da IA

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BRASIL

Oito horas de sessão histórica no STF. Resultado: zero decisões

Era para ser um julgamento histórico de verdade. O Supremo Tribunal Federal reuniu seus ministros numa sessão extraordinária — celulares lacrados em sacolinhas, imprensa vetada do plenário, transmissão ao vivo pela TV Justiça — para responder uma pergunta direta: existem elementos suficientes para abrir investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes?

O caso envolve 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro — hoje preso — a um número atribuído a Moraes, nas semanas que antecederam a liquidação do Banco Master. Nos textos, Vorcaro pede ajuda para "bloquear" e "desarmar" ações contra ele. O que Moraes respondeu, ninguém sabe: ele usava mensagens de visualização única, que desaparecem após lidas. Além disso, um relatório da Polícia Federal aponta a participação do ministro na análise de um contrato de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de sua esposa.

A sessão durou quase oito horas. E o que o Brasil assistiu pelo streaming foi uma sequência de confrontos: Moraes chamou a investigação de "fraudulenta" e a condução de André Mendonça de "mafiosa". Gilmar Mendes apontou "viés político-eleitoral" no caso. Mendonça chamou a fala de "leviana". Cármen Lúcia disse estar em "estado de profunda tristeza". Flávio Dino pediu vista antes do resultado — interrompendo a votação. Placar provisório: 4 a 3 pela separação dos casos. Sem chegar ao mérito. Sem data para retomada.

Resumindo: O tribunal convocado para provar que ninguém está acima da lei terminou o dia sem nem decidir se vai investigar um de seus próprios ministros.

A 19 dias do 1º turno, 1 ponto separa os dois candidatos

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a corrida presidencial está num empate que não poderia ser mais tenso. A pesquisa BTG/Nexus divulgada em 14 de setembro aponta Lula com 47% contra 46% de Flávio Bolsonaro no segundo turno — diferença de 1 ponto, dentro da margem de erro. No primeiro turno: Lula tem 39%, Flávio 35%, e Rodrigo Cury aparece em terceiro com 6%.

A crise do STF entrou de vez no debate eleitoral. A divulgação das mensagens entre Moraes e Vorcaro passou a ser usada por candidatos de todos os lados — e o ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar na sessão justamente para "preservar o equilíbrio nas eleições". A partir de quinta-feira (19/9), nenhum candidato poderá mais ser preso ou detido por qualquer autoridade.

Resumindo: Com 19 dias para o primeiro turno, a eleição mais acirrada dos últimos anos segue sem favorito claro — e qualquer evento dos próximos dias pode virar o placar.


ECONOMIA

Mais emprego do que nunca — e mesmo assim, o brasileiro está gastando menos

No segundo trimestre de 2026, o Brasil tinha o menor desemprego em décadas. Renda em alta. Salário mínimo reajustado. E o consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao trimestre anterior. Isso contradiz o básico da economia doméstica: quando tem emprego e renda, o brasileiro gasta. Desta vez, não gastou. Por quê?

A resposta está nos juros. A Selic em patamar ainda restritivo está pesando sobre o crédito e o endividamento das famílias — que mesmo com mais dinheiro entrando não encontram folga para consumir mais. O PIB cresceu 0,5% no período frente ao primeiro trimestre, levemente acima da mediana esperada pelo mercado (0,4%), mas menos da metade dos 1,1% registrados nos três meses anteriores. O que sustentou o número foram o agronegócio e a produção de petróleo e gás — setores que empregam pouco no centro urbano onde mora boa parte dos leitores desta newsletter.

Os números:

🔴 PIB no 2º tri: +0,5% frente ao 1T — e +2,0% nos últimos 12 meses.

🔴 Consumo das famílias: -0,4% no trimestre — o principal motor da economia freou.

🔴 Agropecuária: +2,8% — segurando o PIB quando os juros travam o consumo nas cidades.

🔴 Projeção 2026: mercado espera crescimento entre 1,8% e 1,9% no ano.

Resumindo: O Brasil cresce por agronegócio e petróleo — enquanto os juros altos sufocam o consumo nas cidades, mesmo com o emprego no maior nível da história.


TECNOLOGIA

O pesquisador que garantia que a IA era segura saiu da Google — e disse que pode ser tarde demais

Bilal Chughtai tinha um dos empregos mais importantes do mundo da tecnologia: pesquisar como garantir que a inteligência artificial não fosse perigosa para os humanos. Ele trabalhava na Google DeepMind — um dos laboratórios mais avançados do planeta — na área de segurança e alinhamento de IA. Em julho de 2026, pediu demissão.

Agora, Chughtai alerta publicamente que a inteligência artificial pode representar um risco existencial para a humanidade — e que o tempo para evitar esse cenário "pode estar a esgotar-se". Ele não especifica como nem quando. Mas a mensagem de alguém que passou anos estudando exatamente esse problema, de dentro de uma das empresas que mais avança na tecnologia, carrega um peso diferente de qualquer manchete alarmista.

No contexto maior:

Chughtai não é o primeiro. Geoffrey Hinton — o chamado "pai das redes neurais" — saiu do Google em 2023 para falar livremente sobre os riscos da IA. Ilya Sutskever deixou a OpenAI em 2024 para fundar uma empresa focada em "segurança da superinteligência". O padrão se repete: pesquisadores saem das empresas e passam a emitir alertas que não podiam fazer de dentro. Isso levanta uma pergunta desconfortável: o que eles sabem que nós não sabemos?

Resumindo: Quando a pessoa contratada para garantir que a IA é segura pede demissão e diz que o tempo está acabando — talvez valha parar de rolar o feed e prestar atenção.


NEGÓCIOS

O maior grupo de publicidade do mundo está demitindo criadores para usar IA no lugar deles

A WPP é o maior grupo de publicidade do mundo. Tem mais de 100 mil funcionários espalhados pelo planeta, cria campanhas para as marcas mais valiosas do mercado e vende criatividade como serviço. E está preparando um corte de até 1.000 empregos adicionais até o fim de 2026 — em cima de milhares já eliminados nos últimos meses.

A causa é direta: a inteligência artificial está mudando como as agências criam conteúdo, analisam campanhas, compram espaço de mídia e atendem clientes. Tarefas que antes exigiam equipes de redatores, designers, analistas e produtores agora podem ser iniciadas — e em muitos casos concluídas — por sistemas automatizados. A publicidade se tornou um dos primeiros grandes setores profissionais a sentir a pressão direta da IA generativa de forma concreta, com demissões em larga escala.

O que vem depois:

As agências ainda precisam de direção criativa, relacionamento com clientes e supervisão de marca — mas de muito menos gente para executar. Para quem trabalha em marketing, comunicação ou agência: o mercado não vai desaparecer, mas vai encolher. E vai pagar mais para quem sabe usar as ferramentas do que para quem sabe criar sem elas. A WPP não está sendo vilã — está sendo o primeiro dominó de uma sequência que vai atingir toda a indústria criativa.

Resumindo: Publicidade é o setor que vende criatividade — e foi o primeiro a trocar criadores por algoritmos. Isso diz muito sobre o que ainda vem para os outros setores.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 O caso de André Mendonça no STF — sobre a condução da investigação do Banco Master — está agendado para 23 de setembro. A análise de hoje não chegou a tocar nesse ponto. Leia mais

🔹 BTG/Nexus (14/9): Lula tem 47% contra 46% de Flávio no segundo turno. A partir de quinta (19/9), o TSE proíbe a prisão de qualquer candidato a cargo eletivo. Leia mais

🔹 O Nordeste exportou US$ 3 bilhões em agosto de 2026 — melhor mês do ano na região — com superávit de US$ 142 milhões, contra um déficit de US$ 500 milhões no mesmo período de 2025, segundo o Data Nordeste da Sudene.

🔹 O Fluminense perdeu para o Platense por 2 a 0, mas se classificou para as semifinais da Libertadores no saldo de gols. A classificação terminou em confusão: torcedores argentinos invadiram o gramado e o técnico Freytes levou um soco. Leia mais

🔹 O gás de cozinha teve reajuste de 7% em vários estados esta semana. O aumento acontece anualmente na primeira quinzena de setembro, conforme calendário do setor — e vale comprar em revendas regulamentadas pela ANP.

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