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GIRO E PONTO

Edição #100  ·  Domingo, 13 de setembro de 2026

Bom domingo, Leitor. ☀️


Tim Cook passou 15 anos sendo a pessoa mais importante de qualquer sala que entrava. Na quarta-feira passada, ele sentou na plateia e viu outra pessoa abrir o maior show de tecnologia do mundo.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 13 set 1993 — Rabin e Arafat assinaram os Acordos de Oslo na Casa Branca.

Para ler: Cientistas planejam ir à Lua em busca de detritos de civilizações alienígenas.

Curiosidade: Salmão de criação pode ter menos ômega-3 do que tinha décadas atrás, diz pesquisa.

Stat: 75% das empresas testam agentes de IA; só 15% têm sistemas totalmente autônomos — Gartner.

Abre aspas: Tim Cook, no último dia como CEO: "Não estou saindo da Apple — me afastando de um cargo que amei profundamente." [tradução livre]

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NA EDIÇÃO DE HOJE

📱 O primeiro iPhone dobrável chegou — e custa R$ 11 mil
🌧️ A floresta que faz chover está quebrando — e Bogotá já sentiu
🤖 IA contratou outra IA para hackear 395 empresas em 26 segundos
💻 Microsoft vai gastar US$ 145 bi em infraestrutura de IA só em 2026
🗳️ STF vira campo de batalha a 3 semanas do primeiro turno

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TECNOLOGIA

Novo CEO, primeiro dobrável: o dia em que a Apple virou outra empresa

John Ternus subiu no palco do Steve Jobs Theater na última quarta-feira com uma plateia atípica: Tim Cook sentado entre os convidados, de cinza, sem gravata, aplaudindo o homem que ele mesmo escolheu para sucedê-lo. Era o primeiro evento de Ternus como CEO da Apple — depois de 25 anos na empresa e 15 como sombra do antecessor. Ele recebeu uma ovação de pelo menos 30 segundos antes de dizer uma palavra. Então, apresentou o iPhone Duo.

O Duo é o primeiro celular dobrável da história da Apple. Tela externa de 5,4 polegadas, tela interna de 7,8 polegadas quando aberto — próxima de um iPad mini. Suporte ao Apple Pencil. Disponível em azul-escuro ou branco. Começa a ser vendido em outubro nos Estados Unidos. Preço e data no Brasil ainda sem confirmação.

Os números:

🔴 US$ 1.999: preço inicial do iPhone Duo — o iPhone mais caro da história.

🔴 US$ 3.000: versão com 2 terabytes de armazenamento.

🔴 2 nm: processo do chip A20 Pro — a Apple diz que entrega 30% mais desempenho gráfico.

🔴 14 set: data de lançamento gratuito do iOS 27 para iPhones compatíveis.

O iPhone 18 Pro convencional começa em US$ 1.199 com câmera de abertura variável — que controla fisicamente a entrada de luz, o que eleva a fotografia em celular a um nível que antes só existia em câmeras profissionais. A Samsung domina o mercado dobrável há cinco anos. Analistas da IDC projetam que a Apple pode chegar a 40% de participação nesse segmento até o final de 2027. Ternus apostou tudo em hardware no primeiro grande momento da sua gestão.

Resumindo: a Apple finalmente dobrou — e cobrou caro por isso, mas o mercado já viu que ela sabe o que está fazendo quando entra em um segmento dominado por rivais.


BRASIL

400 bilhões de árvores trabalham para fazer chover na sua cidade. Estamos desmontando isso peça por peça

Uma árvore adulta na Amazônia libera entre 200 e 300 litros de água no ar todos os dias. São 400 bilhões delas trabalhando juntas, em silêncio, sem pedir nada em troca. Segundo a pesquisadora Julia Valentim Tavares, essa é a maior infraestrutura hídrica da América do Sul — e a maior "máquina de chuva" do planeta. O alerta veio no TEDxAmazônia desta semana: a máquina está quebrando.

O mecanismo funciona assim: a umidade do oceano vira chuva sobre a floresta, as árvores absorvem e devolvem vapor para a atmosfera, e o vento carrega esse vapor por todo o continente. É por isso que cidades que ficam a milhares de quilômetros da Amazônia dependem dela para ter água. Durante a pior seca da história do bioma, em 2024, 88% da bacia amazônica foi afetada. O resultado: Bogotá, capital da Colômbia, ficou sem abastecimento de água. Quito, capital do Equador, sofreu cortes de energia elétrica. O desmatamento na Amazônia brasileira já reduziu o volume de chuvas em partes do Brasil e da Bolívia — e os efeitos são mensuráveis.

O problema é sistêmico. Mineração ilegal, narcotráfico, desmatamento e queimadas destroem a conectividade do bioma. Tavares estuda as árvores do arco do desmatamento — a borda sul da Amazônia — e acompanha como as "cordas" internas delas se rompem quando o solo seca demais. Quando isso acontece repetidas vezes, a árvore começa a morrer de sede. Menos árvores, menos vapor. Menos vapor, menos chuva — em lugares que você nem imagina.

No contexto maior:

O colapso da "máquina de chuva" não seria só uma tragédia ambiental. Seria uma crise agrícola — porque a soja, o milho e a carne que o Brasil exporta dependem de chuvas reguladas pelo bioma. Seria uma crise energética — porque boa parte das hidrelétricas do país depende de rios alimentados por esse sistema. E seria uma crise urbana — porque as mesmas chuvas que enchem os reservatórios das cidades dependem dessa floresta funcionando.

Resumindo: a Amazônia não é só floresta — é a infraestrutura hídrica, energética e alimentar do continente, e os sinais de colapso já chegaram nas capitais vizinhas.


MUNDO

Da mesa vazia ao controle total: como agentes de IA invadiram 395 organizações em menos de 4 horas

31 de agosto. Um operador de língua russa abriu um espaço de trabalho vazio. Quatro horas depois, ele tinha o controle remoto de sistemas em dezenas de países — sem digitar uma linha de código. Agentes de inteligência artificial fizeram tudo: identificaram os alvos, desenvolveram as falhas, testaram os ataques em um laboratório privado e depois partiram para redes reais.

O caso foi revelado pela empresa de segurança GreyNoise na semana passada e representa uma mudança concreta no mundo das ameaças digitais: pela primeira vez, uma campanha inteira de ataques foi conduzida de forma autônoma e em escala industrial por sistemas de IA. Os alvos foram servidores de impressão chamados PaperCut, usados por empresas e instituições de ensino no mundo inteiro. O resultado: 395 organizações invadidas em 48 países. Em 26 segundos, 11 organizações foram comprometidas. Uma escola americana foi do acesso inicial ao controle total da rede em sete minutos.

Entendendo:

"Controle total da rede" — ou acesso de administrador de domínio — significa que o invasor pode ver, copiar, apagar ou bloquear qualquer coisa: e-mails internos, sistemas financeiros, arquivos de clientes. É o equivalente a ter a chave mestra de um prédio inteiro.

Os agentes usaram ferramentas da OpenAI, modelos do DeepSeek e listas de alvos obtidas em fontes abertas. Na mesma semana, a Anthropic divulgou relatório revelando que bloqueou tentativas de agentes de IA de ajudar no desenvolvimento de armas biológicas e identificou casos de espionagem industrial conduzida com auxílio de inteligência artificial. São histórias separadas, mas contam o mesmo quadro: IA como arma ofensiva madura deixou de ser hipótese.

Resumindo: montar um ataque cibernético em escala industrial não exige mais um exército de hackers — basta um operador, as ferramentas certas e algumas horas.


NEGÓCIOS

A maior aposta de capital da história corporativa: Microsoft vai gastar US$ 145 bilhões em infraestrutura de IA só em 2026

US$ 55,7 bilhões em 2024. US$ 145 bilhões em 2026. Esses são os gastos da Microsoft com infraestrutura de inteligência artificial — e eles quase triplicaram em dois anos. Para ter noção de escala: o PIB da Noruega em 2025 foi de cerca de US$ 600 bilhões. A Microsoft está investindo em servidores, cabos e eletricidade o equivalente a um quarto disso, em um único ano.

Os números vieram à tona junto com outras revelações da semana: a Oracle acumulou uma carteira de contratos em nuvem de US$ 664 bilhões. O Pentágono entrou em conversas para um empréstimo de US$ 5 bilhões para manter a cadeia de suprimentos dos centros de dados americanos. A Microsoft planeja atingir 38 gigawatts de capacidade instalada nos próximos anos — equivalente à capacidade de geração elétrica de países inteiros. Já está recusando contratos por falta de espaço.

A China não está assistindo passiva. A Enflame, fabricante de chips de IA apoiada pela Tencent — e rival direta da Nvidia — triplicou de valor em sua estreia na bolsa de Xangai esta semana. A empresa ainda dá prejuízo, mas o mercado apostou que Pequim vai criar seus próprios campeões de semicondutores. O efeito prático: o ecossistema global de IA está se dividindo em dois mundos paralelos, com cadeiras de suprimentos separadas entre Estados Unidos e China.

O que vem depois:

Para empresas e startups que dependem de nuvem: a capacidade de processamento está ficando mais cara e mais disputada. Quem chegou cedo garantiu espaço. Quem chegou depois está brigando por sobras — e vai pagar mais por isso. O Brasil, que ainda não tem uma grande infraestrutura própria de centros de dados de IA, fica cada vez mais dependente dessas decisões tomadas em Redmond, Seattle e Xangai.

Resumindo: quem controlar os servidores vai controlar a próxima economia — e a corrida já começou, com valores que tornam qualquer comparação histórica irrelevante.


BRASIL

A 3 semanas do voto, o STF virou o palco de batalha mais quente da eleição

O primeiro turno das eleições presidenciais é em 4 de outubro. Faltam 21 dias. E enquanto os candidatos fazem campanha pelo país, o Supremo Tribunal Federal virou, mais uma vez, o epicentro de uma disputa que mistura direito e política de um jeito que deixa qualquer eleitor com a cabeça cheia de perguntas.

Na sexta-feira (11), o ministro André Mendonça levantou o sigilo de quase 40 processos que tramitavam em segredo no STF. Em ano eleitoral, isso significa que casos envolvendo figuras políticas ficam públicos justamente quando as candidaturas estão sendo disputadas voto a voto. No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes sugeriu adiar uma sessão do tribunal que debateria a conduta do colega Alexandre de Moraes — o ministro que presidiu o TSE nas eleições de 2022 e que acumula questionamentos sobre suas decisões. A Polícia Federal negou ter monitorado o ministro Mendonça, respondendo a denúncias que circularam durante a semana.

Pensa assim: o STF tem 11 ministros. Nas últimas semanas, as tensões entre Mendonça e Moraes foram além do habitual silêncio institucional — e ganharam manchete. Em ano eleitoral, qualquer decisão do tribunal sobre candidatos, partidos ou mandatos vira combustível imediato para palanques. Cada movimento no STF é lido pelos candidatos como oportunidade ou ameaça.

O que vem depois:

Com o candidato Ronaldo Caiado internado por faringite e os demais percorrendo o país em ritmo acelerado, a reta final da campanha vai ser marcada pelos ecos das tensões institucionais. O eleitor vai às urnas para escolher o próximo presidente — mas o STF vai estar no centro de qualquer narrativa sobre quem representa o quê na democracia brasileira.

Resumindo: o STF virou campo de batalha eleitoral — e a disputa não é mais só jurídica, é sobre qual versão da Justiça o Brasil quer para os próximos quatro anos.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Houthis controlam o Mar Vermelho após Arábia Saudita paralisar oleoduto; a tensão na região mantém pressão sobre o preço global do petróleo.

🔹 Salesforce vai abrir seu primeiro escritório físico no Brasil no 4º trimestre de 2026, focado em grandes empresas. Leia mais

🔹 iOS 27 chega gratuitamente em 14 de setembro para iPhones compatíveis — e traz nova versão da Siri com respostas mais contextuais. Leia mais

🔹 São Paulo acumulou quase 200 mm de chuva em setembro; um prédio em construção desabou sobre uma casa na madrugada de sábado (12), na zona norte da cidade. Leia mais

🔹 A Enflame, fabricante chinesa de chips de IA apoiada pela Tencent e rival da Nvidia, triplicou de valor em sua estreia na bolsa de Xangai — mesmo ainda dando prejuízo. Leia mais

🔹 A Anthropic bloqueou tentativas de agentes de IA de auxiliar no desenvolvimento de armas biológicas e revelou casos de espionagem industrial com auxílio de inteligência artificial. Leia mais

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