|
Tim Cook passou 18 anos subindo no palco dos lançamentos da Apple. A partir de hoje, esse papel pertence a John Ternus — e ele estreia com a maior aposta da empresa em décadas: o primeiro iPhone dobrável da história.
…..
⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 9/9/1776: EUA recebe seu nome oficial. Hoje, a Apple refaz história no mesmo dia.
Para ver: Evento "Surprise and Shine" da Apple ao vivo — começa às 14h no horário de Brasília.
Stat: 4,6 milhões de servidores de IA serão vendidos em 2026 — crescimento de 20,7% em um ano.
Curiosidade: Celular sobre a mesa reduz qualidade da conversa — mesmo sem ninguém tocá-lo, estudos mostram.
Para ler: O que o YC quer no próximo batch: agentes de IA, saúde e defesa — o mapa do dinheiro em startups.
…..
NA EDIÇÃO DE HOJE
📱 Novo CEO, primeiro iPhone dobrável — a Apple muda de era hoje
🇫🇷 A startup que vale US$ 24 bilhões e pode mudar o jogo da IA
🇧🇷 34.200 pessoas, 9 capitais — o que o 7 de Setembro diz sobre outubro
🇨🇳 US$ 532 bilhões: o plano da China para dominar a IA até 2030
📚 Adolescentes brasileiros no pior momento de leitura do século
…..
TECNOLOGIA
iPhone dobrável, CEO estreante e o maior evento da Apple em 18 anos
John Ternus tem 50 anos, passou a carreira inteira dentro da Apple e nunca tinha apresentado um produto para o mundo. Isso muda hoje. O executivo assumiu o cargo de CEO em 1° de setembro, sucedendo Tim Cook — que agora preside o conselho — e já estreia no maior palco possível: o lançamento do primeiro iPhone dobrável da história da empresa.
O evento "Surprise and Shine" começa às 14h no horário de Brasília e pode ser acompanhado ao vivo no site da Apple. Três aparelhos devem ocupar o palco: o iPhone 18 Pro, o iPhone 18 Pro Max e o iPhone Ultra — nome interno para o dobrável que a empresa desenvolvia há anos e que chega com preço estimado acima de US$ 2.000, disputando diretamente com o Galaxy Z Fold da Samsung.
Os números:
🔴 Chip A20 Pro: processo de 2nm — o mais avançado já usado num iPhone
🔴 iPhone Ultra: dobrável estimado acima de US$ 2.000 — o iPhone mais caro da história
🔴 Pré-vendas: sábado (12/9) — um dia depois do usual, para não coincidir com os 25 anos do 11 de setembro
🔴 iPhone 18 padrão: adiado para a primavera de 2027 — pela primeira vez, Apple divide o lançamento entre dois anos
A mudança de calendário diz muito sobre a estratégia. A Apple concentrou toda a inovação nos modelos de topo e empurrou a versão acessível para o próximo ano — sinal claro de que o dobrável precisa de espaço próprio. Conforme a Exame reportou, até o calendário das pré-vendas foi ajustado para respeitar datas históricas sensíveis.
Resumindo: A Apple não lança só um celular hoje — ela inaugura uma nova era de produto, um novo CEO e uma nova estratégia de preço. As filas de 18 de setembro já estão sendo organizadas.
MUNDO
€ 3 bilhões para a Europa finalmente ter um campeão de inteligência artificial
3 bilhões de euros. Esse é o cheque que a Samsung entregou para a Mistral AI na terça-feira — tornando-a a maior rodada de tecnologia que uma empresa europeia já levantou em toda a história. Fundada em Paris há apenas três anos, a startup agora é avaliada em mais de 21 bilhões de euros (cerca de US$ 24 bilhões), segundo o TechCrunch. Há um ano, valia metade disso.
Além da Samsung, participaram o fundo Scaleup Europe — apoiado pela União Europeia e gerido pela EQT —, PSG Equity e novos investidores como BlackRock, Andreessen Horowitz, Nvidia, Salesforce Ventures e até o governo do Luxemburgo. É uma lista que mistura capital americano, europeu e asiático — exatamente a imagem que a Mistral quer projetar.
A tese central é a de inteligência artificial soberana: governos e grandes empresas não querem depender exclusivamente de OpenAI ou de modelos chineses. Querem controlar dados, infraestrutura e custos. A Mistral oferece modelos abertos que podem rodar dentro da estrutura própria do cliente — sem enviar nada para servidores de terceiros. Airbus, ASML e HSBC estão entre seus 125 clientes corporativos em 20 países.
No contexto maior:
A Anthropic vale cerca de US$ 965 bilhões. A OpenAI, US$ 852 bilhões. A Mistral está distante dessas cifras — mas cresceu mais rápido em 12 meses do que qualquer rival. A meta da empresa é atingir US$ 1 bilhão em receita recorrente anual até o fim de 2026. Para o profissional brasileiro que usa ou avalia IA corporativa: o mercado está deixando de ser monopólio americano.
Resumindo: A Mistral prova que dá pra competir com os gigantes da IA sem ser americana — e a Europa finalmente tem um campeão com músculo financeiro pra brigar de verdade.
BRASIL
O 7 de Setembro que mudou de endereço
34.200 pessoas. Esse foi o número de manifestantes contados na Avenida Paulista enquanto, a 1.000 quilômetros dali, os desfiles oficiais do Dia da Independência aconteciam na Esplanada dos Ministérios. O ato, convocado por Flávio Bolsonaro (PL) com o mote "Fora Lula, Fora Moraes", se repetiu em 9 capitais — de Belém a Porto Alegre, passando por Salvador, Fortaleza, Maceió e Recife.
O alvo principal foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A faísca foi a revelação de mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master — que a oposição interpreta como interferência indevida em investigações. No palco da Paulista, estiveram Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas, o pastor Silas Malafaia e o deputado Nikolas Ferreira.
A pressão política mira o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem resistido a pautar os pedidos de impeachment de Moraes. Não é simples: uma condenação exigiria 54 dos 81 senadores — dois terços da Casa. "Colocar milhares de pessoas na rua demonstra força; transformar essa força em articulação dentro do Congresso é que demonstra capacidade política real", avaliou o cientista político Murilo Rocha à Gazeta do Povo. O Infomoney destacou que os protestos consolidaram o calendário político da oposição — que vai das ruas direto para as urnas.
Resumindo: O 7 de Setembro de 2026 foi menos sobre independência e mais sobre eleição: a oposição testou força nas ruas, de olho nas urnas daqui a 25 dias.
Empate nas pesquisas, a menos de um mês do 1° turno
A mesma semana trouxe os números que explicam a agitação. Pela Quaest, divulgada segunda-feira, Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 41% cada num eventual 2° turno. O BTG/Nexus, divulgado na terça, coloca Flávio numericamente à frente: 46% a 45% — mas dentro da margem de erro. No 1° turno, o Quaest mostra Lula com 36% contra 29% de Flávio, com Augusto Cury (8%) como variável relevante.
O 1° turno acontece em 4 de outubro — menos de quatro semanas. Com os candidatos empatados no 2° turno em todas as pesquisas, qualquer evento das próximas semanas pode inclinar a balança. Resumindo: A eleição de 2026 está mais aberta do que qualquer número consegue capturar.
MUNDO
US$ 532 bilhões: a China quer quadruplicar seu poder de computação de IA até 2030
2.185. Essa era a capacidade de computação de inteligência artificial da China — medida em eflops, uma unidade que equivale a um bilhão de bilhões de operações de ponto flutuante por segundo — em junho de 2026. Já tinha crescido 177% em apenas um ano. A meta do governo para 2030 é chegar a 9.800 eflops. Ou seja: mais que quadruplicar em quatro anos.
Para bancar isso, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) lançou um plano de cinco anos com 3,8 trilhões de yuans em investimento — cerca de US$ 532 bilhões em infraestrutura digital entre 2026 e 2030. O plano prevê a criação de clusters de IA com dezenas de milhares de chips aceleradores — e em alguns casos, mais de 100 mil por cluster —, além de ênfase explícita no uso de processadores fabricados na própria China, segundo o Tech Startups.
Por dentro:
A ênfase em chips domésticos não é detalhe — é o coração da estratégia. Enquanto os EUA restringem exportações de chips avançados da Nvidia para a China, Pequim responde investindo trilhões para construir a própria cadeia produtiva: do hardware aos modelos de linguagem. A corrida de inteligência artificial parou de ser sobre quem tem o melhor modelo. Virou uma disputa sobre quem controla a infraestrutura que vai rodar toda a IA do planeta. Para profissionais e empresas que dependem de serviços de computação em nuvem: essa disputa afeta diretamente preço e disponibilidade nos próximos anos.
Resumindo: A China não está disputando a corrida da IA — ela está construindo uma pista própria, larga o suficiente para mudar as regras do jogo.
COMPORTAMENTO
O hábito que desapareceu — e que vai cobrar a conta no mercado de trabalho
Marina tem 15 anos, três aplicativos de vídeo instalados no celular e não terminou um livro em 2026. Ela não está sozinha. Levantamento divulgado pela Agência Brasil indica que a leitura entre adolescentes brasileiros atingiu o pior nível registrado neste século — uma queda expressiva que pesquisadores conectam diretamente à formação educacional dos jovens do país.
A contradição é incômoda: nunca houve tanta disponibilidade de texto na história. Livros digitais gratuitos, bibliotecas online, aplicativos de leitura com dezenas de títulos. E mesmo assim, o adolescente médio brasileiro lê menos do que em qualquer ponto dos últimos 25 anos. O que foi embora não foi o acesso — foi o hábito.
No contexto maior:
Leitura não é só entretenimento. Ela treina foco sustentado, vocabulário e a capacidade de lidar com argumentos complexos — exatamente as habilidades mais raras e mais remuneradas num mercado onde tarefas simples estão sendo automatizadas. Startups, consultorias e bancos buscam profissionais com raciocínio analítico profundo. Esse raciocínio se constrói, em grande parte, lendo com atenção — sem notificação no meio. A lacuna entre o que o mercado quer e o que os jovens chegam capazes de entregar está crescendo silenciosamente. O alerta não é moralista. É estratégico.
Resumindo: Enquanto a automação avança, a geração que vai trabalhar nos próximos anos está trocando o hábito que mais desenvolve raciocínio por conteúdo de 30 segundos.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 O dólar fechou terça a R$ 5,08 — o menor nível em um mês, segundo a Agência Brasil. Leia mais
🔹 A CVM multou Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em R$ 20 milhões por fraude em fundo imobiliário — o mesmo nome no centro da crise no STF. Leia mais
🔹 Sam Altman pediu desculpas publicamente: o GPT-6 foi liberado para clientes empresariais antes dos assinantes pagantes do ChatGPT. A OpenAI vai compensar usuários Pro com crédito pelos dias sem acesso. Leia mais
🔹 O Demo Day do Y Combinator acontece amanhã (10/9): startups do batch de verão 2026 apresentam projetos com foco em agentes de IA, saúde e defesa. Leia mais
🔹 A AGU pediu suspensão imediata do afastamento do diretor-geral da PF. O ministro Gilmar Mendes havia citado risco de desequilíbrio eleitoral ao justificar a decisão original. Leia mais |