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GIRO E PONTO

Edição #90  ·  Quinta, 03 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. 🔥


A Uber abriu um centro de tecnologia no Rio de Janeiro há menos de dez dias — com 500 milhões de reais e a promessa de 200 empregos. Ontem, a mesma empresa anunciou que vai demitir 3.300 funcionários para financiar um futuro onde os motoristas são opcionais.

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⚡ QUICK TAKES

Abre aspas: "Uma organização mais enxuta vai gerar decisões mais rápidas" — Dara Khosrowshahi, CEO do Uber [tradução livre]

Stat: 1,7 milhão de funcionários do Pentágono já têm acesso ao ChatGPT e ao Grok numa plataforma oficial

Para clicar: Radio Garden — globo interativo onde dá pra ouvir ao vivo qualquer rádio do mundo

Neste dia: Em 3 de setembro de 1939, França e Reino Unido declararam guerra à Alemanha — início da 2ª Guerra Mundial

Para ler: O estudo de Stanford que prova: caminhar aumenta em 81% o pensamento criativo — até em esteira, olhando pra parede

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🚗 A Uber demite 10% dos funcionários para pagar o futuro sem motorista
🗳️ Faltam 31 dias: por que os dois favoritos ainda fogem de debate?
📵 Nova York baniu a IA das salas de aula. O motivo vai te surpreender
🍎 O segredo da Apple que apareceu num notebook devolvido
📢 A publicidade foi a primeira a cair. O WPP acaba de confirmar

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TECNOLOGIA

A Uber demitiu 10% dos funcionários. O dinheiro vai para carros sem motorista.

3.300. É o número de pessoas que vão perder o emprego no Uber nos próximos dias — numa empresa que lucrou US$ 2,4 bilhões só no segundo trimestre de 2026. O anúncio foi feito na quarta-feira pelo CEO Dara Khosrowshahi num e-mail interno: a empresa cresceu rápido demais, criou camadas demais de gestão, e agora precisa ficar mais enxuta para competir numa corrida com prazo definido — a chegada dos táxis autônomos.

Os números:

🔴 3.300 demissões: 10% de um quadro global de 34.000 funcionários

🔴 Gerentes: redução de 20% nas posições de gestão

🔴 Equipes pequenas: times com 1 a 2 pessoas cortados em 50%

🔴 US$ 10 bilhões: o que a Uber vai investir em táxis autônomos nos próximos anos

O timing para o Brasil é peculiar. Sete dias antes do anúncio, a Uber inaugurou um centro de tecnologia no Rio de Janeiro com 500 milhões de reais em investimentos e 200 vagas criadas. A empresa também tem 700 engenheiros em São Paulo. Nenhum comunicado esclareceu se esses profissionais estão ou não na lista de cortes. A empresa saiu de dois países completamente — Nigéria e Uganda.

A corrida dos táxis autônomos já está em andamento: a Waymo, do Google, opera serviços sem motorista em 14 cidades americanas e planeja expandir para mais 15 ainda neste ano. A Uber, que não tem carros próprios, quer ser a plataforma que conecta passageiros a essas frotas — seja da Waymo, da Tesla ou de qualquer outra. Para ocupar esse papel, ela precisa de engenheiros de tecnologia autônoma, não de gerentes de camadas intermediárias. As 500 vagas que a empresa mantém abertas são, quase todas, nessa área.

Resumindo: A Uber está demitindo pessoas hoje para pagar uma aposta num futuro onde elas não existem.


BRASIL

Faltam 31 dias para a eleição. Os dois favoritos ainda fogem de debate.

A eleição presidencial brasileira acontece em 4 de outubro. O eleitor tem menos de cinco semanas para decidir o voto. E os dois nomes com mais chance de vencer — Lula, com 39% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, com 33%, segundo o Datafolha — ainda não foram capazes de sentar no mesmo palco para explicar seus planos.

No primeiro debate da eleição, realizado pela Band em 23 de agosto, os dois candidatos líderes simplesmente não apareceram. Também faltou Zema. Quem ficou no palco foram Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Renan Santos — que passaram boa parte do tempo criticando a ausência dos favoritos.

Por dentro:

A campanha de Flávio diz que ele só vai a debates onde Lula estiver presente. A de Lula reclamou do formato — e o presidente afirmou que não quer "ouvir bobagem". O resultado prático: os dois com mais voto estão fugindo do único ambiente onde precisam defender seus planos diante de adversários e jornalistas. O segundo debate está marcado para 14 de setembro, num consórcio que reúne SBT, CNN Brasil, RedeTV! e mais oito veículos. Desta vez, ambos confirmaram presença — será a primeira vez que Lula e Flávio estarão no mesmo palco.

Ainda há o debate da TV Globo, em 1º de outubro — três dias antes da votação. Mas se o padrão se repetir e algum dos dois furar, o eleitor chegará às urnas sem ter visto os candidatos favoritos se enfrentando de verdade mais de uma vez. Para quem ainda está em cima do muro — e pesquisas indicam que esse grupo é decisivo —, o 14 de setembro pode ser o momento mais importante da campanha.

Resumindo: Numa democracia, fugir de debate não é estratégia — é falta de respeito com quem vai às urnas.


MUNDO

Nova York baniu a IA para 600.000 alunos. "Crianças precisam aprender a não saber a resposta."

600.000. É o número de alunos da rede pública de Nova York que começarão o ano letivo sem poder usar qualquer ferramenta de inteligência artificial generativa — por ordem do prefeito Zohran Mamdani, anunciada ontem. A proibição vale para estudantes da educação infantil até o 9º ano — o equivalente ao ensino fundamental completo no Brasil. O veto inclui chatbots, tutores virtuais e assistentes de escrita. É a restrição de IA mais abrangente já adotada num distrito escolar nos Estados Unidos.

Para o ensino médio, a abordagem é diferente. Alunos mais velhos terão aulas de cultura digital sobre IA duas vezes por ano e poderão acessar programas piloto supervisionados por professores — com limite de 45 minutos semanais. O raciocínio do prefeito é simples: adolescentes precisam estar preparados para um mercado de trabalho dominado por IA. Crianças pequenas, não. "Crianças precisam aprender a pensar por conta própria, trabalhar com seus colegas e saber o que é não ter a resposta na hora", disse Mamdani.

A decisão reverte uma trajetória errática. Nova York baniu o ChatGPT nas escolas em 2023, reabriu o acesso meses depois, e agora fecha as portas com mais clareza e abrangência — dessa vez como moratória de um ano enquanto a cidade avalia os impactos. Os 600.000 alunos afetados representam dois terços da matrícula pública da cidade, que tem 1,1 milhão de estudantes no total.

Resumindo: A maior rede de ensino dos EUA decidiu que tem coisas que IA não pode ensinar — e a infância é uma delas.


NEGÓCIOS

A Apple achou seus segredos industriais num notebook devolvido. A culpada foi a OpenAI.

Chang Liu trabalhava na Apple e foi para a OpenAI. Antes de sair, ele teria usado o computador pessoal para simular circuitos confidenciais da empresa — e sincronizou tudo sem querer com o MacBook corporativo que devolveu. Foi assim que a perícia chegou ao rastro. A simulação rodou num Mac mini pessoal ligado à conta iCloud de Liu, e os arquivos gerados migraram sozinhos para o notebook da empresa.

A petição suplementar da Apple foi protocolada em 31 de agosto de 2026 — o último dia de Tim Cook como CEO. No dia seguinte, John Ternus assumiu o cargo e herdou uma empresa em guerra jurídica aberta com o ChatGPT. A ação (Apple Inc. v. Liu et al.) corre desde julho e mira também a io Products, empresa de dispositivos criada pelo designer Jony Ive e financiada pela OpenAI. A Apple pede autorização para espelhar o Mac mini pessoal de Liu e afirma que, quando uma IA aprende com um segredo comercial, esse uso se torna irreversível e contínuo.

A OpenAI nega tudo. Diz que o acesso residual foi causado por uma falha da própria Apple no cancelamento de permissões de ex-funcionários. A defesa tem até 4 de setembro para responder. A audiência está marcada para 1º de outubro, em San Jose. Para o mercado, o peso do processo vai além do jurídico: é a primeira vez que uma empresa de hardware de ponta acusa diretamente um laboratório de IA de usar propriedade intelectual para treinar modelos.

Resumindo: Um notebook devolvido pode custar mais à OpenAI do que qualquer multa regulatória já vista no setor.


TENDÊNCIA

A publicidade foi o primeiro grande setor varrido pela IA generativa. O WPP acaba de confirmar.

A WPP, maior grupo de publicidade do mundo, vai cortar mais 1.000 vagas até o fim de 2026 — além dos milhares já eliminados nos últimos dois anos. A empresa é liderada pela nova CEO Cindy Rose, que assumiu a reestruturação com um diagnóstico direto: a inteligência artificial generativa está assumindo o trabalho que antes exigia equipes inteiras de redatores, designers, especialistas de produção e analistas júnior.

A publicidade se tornou o laboratório onde a IA aprendeu a substituir o trabalho criativo em escala. WPP, Publicis e Omnicom estão gastando pesado em plataformas de IA enquanto cortam gente. A conta é direta: IA faz mais rápido, mais barato e sem férias. O setor ainda precisa de direção criativa humana, relacionamento com clientes e supervisão de marca — mas precisa de muito menos gente para tudo o mais.

No contexto maior:

Para quem começa a carreira em comunicação, marketing ou criação hoje, as funções de entrada são exatamente as mais afetadas. A publicidade foi pioneira, mas o mesmo processo avança em consultoria, direito, contabilidade e qualquer setor onde parte do trabalho é transformar informação em documento ou análise. A diferença é que na publicidade o impacto foi mais rápido — e mais visível. O WPP é o canário na mina.

Resumindo: A publicidade mostrou o caminho. Outras indústrias de serviços profissionais estão um ou dois anos atrás no mesmo processo.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A OpenAI pausou o desenvolvimento do modelo Astra após avaliações indicarem risco "crítico" de cibersegurança — o modelo é capaz de explorar vulnerabilidades graves de forma autônoma, sem intervenção humana. Leia mais

🔹 O Texas congelou novas conexões de data centers após identificar demanda "fantasma" de energia que ameaçava sobrecarregar a rede elétrica do estado. Leia mais

🔹 A Anthropic fechou US$ 35 bilhões em capacidade computacional da Nvidia no Texas — o maior contrato de processamento para IA já divulgado publicamente. Leia mais

🔹 A Tesla confirmou às autoridades americanas que o Autopilot estava ativo durante um acidente fatal no Texas — o carro trafegava a 167 km/h antes da colisão. Leia mais

🔹 Um ataque cibernético à Aesto Health, empresa americana de tecnologia para saúde, expôs dados de 9,5 milhões de pacientes — um dos maiores vazamentos de registros médicos do ano. Leia mais

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