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GIRO E PONTO

Edição #89  ·  Quarta, 02 de setembro de 2026

Bom dia, Leitor. 📍


Steven Alvarez tinha 23 anos, trabalhava como técnico de TI em uma escola pública do Texas e morreu em maio numa estrada. A polícia disse que provavelmente foi um episódio médico. A Tesla sabia que não era — e não disse nada a ninguém.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 2/9/1945 — Japão assinou a rendição a bordo do USS Missouri. Fim da 2ª Guerra Mundial, 81 anos atrás.

Para ler: O Electrek investiga como a Tesla esconde dados de acidentes fatais em relatórios técnicos do regulador americano.

Stat: 9 milhões de empresas brasileiras já usam IA de forma sistemática — alta de 29% em um ano, segundo levantamento da AWS.

Você sabia: Setembro Amarelo existe desde 2014. O CVV atende 24h pelo 188 — gratuito de qualquer telefone.

Curiosidade: Conversar com estranhos no transporte melhora o humor mais do que ficar no celular, diz estudo de Chicago.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🔋 A Tesla escondeu o dado mais importante de um acidente fatal
🛢️ O Pentágono vai controlar o petróleo da Venezuela por 100 anos
✂️ 11.000 empregos depois — a IA ainda não saciou a sede da publicidade
🗳️ Bons números, sentimento ruim: o paradoxo que pode decidir outubro
🧊 Sua próxima geladeira vai ter IA (e a Electrolux aposta R$ 300 mi nisso)

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TECNOLOGIA

A Tesla sabia dos 167 km/h. A polícia e a família, não.

Steven Alvarez tinha 23 anos e trabalhava como técnico de TI em uma escola pública em Clute, Texas. Em 20 de maio de 2026, seu carro saiu da pista, atravessou uma cerca e bateu contra as instalações de uma piscina desativada em um parque municipal. O carro pegou fogo. A polícia investigou e concluiu, como hipótese preliminar, que ele provavelmente sofreu um episódio médico. Nenhuma reportagem mencionou piloto automático. Nenhuma fonte oficial citou a velocidade.

Até que o Electrek teve acesso aos relatórios obrigatórios que a Tesla envia ao regulador americano de segurança no trânsito toda vez que um acidente fatal envolve seu sistema de assistência à condução. O campo referente ao sistema aparecia com a marcação "Verified Engaged" — verificado como ativo, pela própria telemetria da empresa. A velocidade registrada: 167 km/h. Esses dois dados não foram informados à polícia. Não foram divulgados à imprensa. E a Tesla classificou a versão do software e os demais detalhes do acidente como "informação empresarial confidencial".

Os números:

🔴 167 km/h: velocidade confirmada pela telemetria da Tesla no momento do acidente — nunca divulgada.

🔴 3,2 milhões: Teslas sob investigação da NHTSA por falhas no sistema de direção autônoma.

🔴 Dezenas: de acidentes com os sistemas de assistência da Tesla estão pendentes de apuração nos EUA.

Pensa assim: é como se um avião caísse, a caixa-preta ficasse com a companhia aérea e só partes selecionadas fossem entregues ao regulador — com metade das páginas tachadas de segredo comercial. A família de Alvarez ficou com a versão da polícia. A Tesla ficou com os dados reais.

Resumindo: A Tesla decide o que o mundo precisa saber sobre acidentes fatais com seus próprios sistemas — e até agora ninguém tinha poder para mudar isso.


MUNDO

100 anos de petróleo venezuelano — o maior negócio que você não viu na TV

303 bilhões de barris. É a reserva comprovada de petróleo da Venezuela — a maior do mundo, maior que a Arábia Saudita, maior que todo o Oriente Médio. E agora, 21% dessas reservas têm um novo operador: uma empresa chamada Nabep — North American Blue Energy Partners. O detalhe que muda tudo: 35% das ações da Nabep estão sob controle do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA. Em linguagem direta — uma empresa parcialmente controlada pelo Pentágono vai operar o petróleo venezuelano pelos próximos cem anos.

O acordo revelado pela Agência Brasil foi assinado pelos secretários Pete Hegseth (Guerra) e Marco Rubio (Estado). Os campos valem aproximadamente 65 bilhões de barris. O Departamento de Estado ainda ganha o direito de comprar, ao custo de produção, 20% de todo o petróleo extraído — além de preferência sobre os outros 80%.

Por dentro:

Especialistas questionam as condições do acordo. Um professor da Universidade de Denver calculou que a Venezuela está recebendo apenas US$ 3,22 por barril — menos de 5% do preço de mercado atual, e menos da metade das taxas cobradas nas concessões do início do século 20. As concessões de 100 anos são, segundo o mesmo especialista, duas vezes mais longas do que qualquer acordo já feito no país desde o início da exploração de petróleo. Tudo isso aconteceu depois que o presidente Nicolás Maduro foi capturado em janeiro — num contexto de ruptura política sem precedentes — e a Venezuela aprovou, semanas depois, mudanças na Lei do Petróleo para permitir exploração privada. A presidente interina Delcy Rodríguez disse que o país "escolheu o caminho da diplomacia".

Resumindo: Os EUA conseguiram, via empresa ligada ao Pentágono, o que décadas de sanções não conseguiram — o controle operacional de um quinto do petróleo do país com as maiores reservas do planeta, por um século.


TRABALHO

A IA deu 11.000 demissões à WPP — e o contador ainda não parou

A publicidade sempre vendeu a ideia de que criatividade é insubstituível. Que uma boa campanha nasce de um ser humano, numa sala, num insight impossível de replicar por máquina. Em 2026, a maior empresa de publicidade do mundo está desmontando esse argumento — demissão por demissão.

A WPP — conglomerado britânico que controla agências como Ogilvy e VML — anunciou ao Financial Times que vai cortar até 1.000 empregos até o fim do ano. Parece pouco. Mas é o topo de um iceberg: desde o início de 2025, a empresa já eliminou cerca de 11.000 postos de trabalho. O total da força de trabalho caiu para 97.388 pessoas até junho de 2026. A CEO Cindy Rose — ex-Microsoft — está reorganizando as agências criativas sob uma única divisão batizada de "WPP Creative", com foco explícito em maximizar o uso de inteligência artificial. O grupo quer economizar £500 milhões por ano até 2028.

No contexto maior:

A WPP não está sozinha. A Omnicom quer cortar o quadro de 128.000 para 105.000 funcionários. A Dentsu eliminou 3.400 postos em operações internacionais. No setor todo, o Financial Times calcula que 18.000 empregos foram cortados em agências de publicidade nos últimos 18 meses. Tarefas que antes ocupavam equipes inteiras de redatores, designers e analistas são feitas hoje — ou aceleradas drasticamente — por sistemas de IA. As agências ainda precisam de direção criativa humana e de gestão de clientes. Mas o número e o perfil das pessoas necessárias para produzir campanhas mudou de forma permanente. Curiosamente, as ações da WPP subiram 25% em agosto depois de resultados melhores que o esperado — sinal de que o mercado financeiro aprova o enxugamento.

Resumindo: A IA não está chegando na publicidade — ela já chegou, e a conta está sendo paga por quem fazia o trabalho que as máquinas aprenderam a imitar.


BRASIL

A 1 mês das eleições, o Brasil que o dado não consegue explicar

O Brasil entra em setembro com alguns dos melhores indicadores econômicos em mais de uma década. Desemprego em 5,4% — mínima histórica. Inflação dentro da meta. PIB crescendo. E uma pesquisa Datafolha que diz que 48% dos brasileiros acham que a economia piorou nos últimos 12 meses. O paradoxo está na mesa — e pode decidir o primeiro turno em 4 de outubro.

Lula concorre à reeleição pelo PT. O principal adversário é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, que está preso e inelegível após ser condenado a 27 anos pela tentativa de golpe. Uma pesquisa Quaest resume o cenário: 43% dos brasileiros temem a continuidade do governo atual; 42% temem o retorno da família Bolsonaro. É um empate no medo.

No contexto maior:

Entre os eleitores que não se identificam com nenhum dos dois lados — o grupo que vai decidir a eleição —, Flávio lidera no cenário de segundo turno com 32% contra 27% de Lula, dentro da margem de erro. A principal explicação para o descompasso entre indicadores e sentimento: os analistas dizem que a melhora econômica não chegou ao bolso do dia a dia na velocidade que o eleitor esperava. A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, prometida para este ano, não gerou o salto de aprovação que o governo esperava. E o eleitor brasileiro, como um analista político resumiu à Gazeta do Povo, "decide muito pela sensação do momento".

Resumindo: O Brasil está tecnicamente bem, mas o eleitor vota pelo que sente — e o que ele sente em setembro vai definir outubro.


NEGÓCIOS

Sua próxima geladeira vai ter inteligência artificial — e a Electrolux está apostando R$ 300 milhões nisso no Brasil

Num futuro próximo, sua geladeira vai perceber que você compra leite toda semana, vai notar que metade do que você guarda estraga, e vai ajustar temperatura sozinha para o conteúdo específico dentro dela. A Electrolux decidiu que esse futuro começa agora — e vai investir R$ 300 milhões para construí-lo dentro do Brasil.

O projeto, financiado pelo BNDES, vai inserir inteligência artificial em 26 novos produtos: geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e robôs aspiradores. As pesquisas serão feitas no Centro de Inovação da empresa em Curitiba. O foco não é só em conveniência — é em eficiência energética e redução de desperdício alimentar.

Os números:

🔴 40%: redução estimada no consumo de energia dos refrigeradores com IA.

🔴 70%: aumento projetado na vida útil dos alimentos armazenados.

🔴 26: novos produtos que receberão tecnologia de inteligência artificial.

🔴 R$ 300 mi: investimento total, com participação do BNDES.

Pensa assim: é o mesmo movimento que aconteceu com os smartphones. Em algum momento ter uma geladeira "burra" vai parecer tão estranho quanto ter um celular sem internet. A Electrolux está apostando que esse momento está perto — e que o Brasil é onde o mercado será construído. A aposta sinaliza algo mais amplo: a IA que antes vivia nos servidores de grandes empresas está migrando para os objetos físicos do cotidiano.

Resumindo: A próxima geladeira que você comprar pode ser mais inteligente do que o computador que você usava há cinco anos — e o Brasil está no centro dessa aposta.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Petrobras reajustou o querosene de aviação em 13,9% a partir desta terça-feira. O aumento é atribuído aos reflexos do conflito no Oriente Médio — passagens aéreas podem subir nas próximas semanas.

🔹 Gabriel Jesus assinou com o Barcelona por três temporadas. O atacante de 29 anos chega após passagem pelo Arsenal e vai jogar ao lado de Raphinha e Lamine Yamal. Leia mais

🔹 Phil Schiller, o executivo que comandou a App Store e os eventos de lançamento da Apple por décadas, deixou o cargo executivo. Vai continuar como "Apple Fellow". A App Store volta para a divisão de Eddy Cue. Leia mais

🔹 A China quer montar uma rede nacional de 2.000 provedores de serviços de inteligência artificial até o fim de 2026 — e expandir para 3.000 em 2027. O governo criará uma plataforma para conectar os fornecedores. Leia mais

🔹 A FTC acusou a Amazon de cobrar a mais de mais de 1 milhão de anunciantes sem aviso. O caso é mais um capítulo do escrutínio regulatório sobre as grandes empresas de tecnologia nos EUA. Leia mais

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