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GIRO E PONTO

Edição #86  ·  Domingo, 30 de agosto de 2026

Bom domingo, Leitor. ☀️


Luana Lopes Lara treinou balé clássico na única escola do Bolshoi fora da Rússia, nunca trabalhou numa grande empresa e, aos 30 anos, acaba de se tornar a bilionária self-made mais jovem do Brasil com R$ 13,4 bilhões. O país continua sendo um lugar de surpresas — e esta semana comprovou isso em dose dupla.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 30 de agosto de 1963 — a linha direta entre Washington e Moscou entrou em operação, dez meses depois que o mundo quase acabou na Crise dos Mísseis.

Para ver: O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman é lançado hoje ao espaço — e vai mapear o universo numa escala que o Hubble nunca conseguiu.

Stat: 73% das empresas brasileiras dizem ter dificuldade para preencher vagas — mesmo com o desemprego na mínima histórica de 5,1%.

Abre aspas: "Os candidatos não vêm ao debate por uma simples razão: medo do contraditório." — Fernando Schüler, cientista político, pós-debate Band.

Para ler: A íntegra das perguntas da Globo e as respostas de Flávio no Jornal Nacional — frios, diretos e sem papas na língua.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🎙️ O que Flávio escreveu na mão antes de entrar no Jornal Nacional
📡 A Oi faliu — e os números de emergência do país estão no meio disso
☁️ Alibaba desembarca no Brasil com dois data centers em São Paulo
💃 Ela dançou no Bolshoi, foi pro mercado financeiro e virou bilionária
💼 Emprego em máxima histórica — e empresa sem quem contratar (o paradoxo)

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BRASIL

As palavras na palma da mão — e o que Flávio prometeu (e não prometeu) no JN

Antes de entrar no estúdio da Globo na última sexta (28), Flávio Bolsonaro escreveu na palma da mão três palavras: "mudança", "futuro" e "7/set". Não foi coincidência — o pai, Jair Bolsonaro, usou o mesmo recurso nas sabatinas do Jornal Nacional em 2018 e em 2022. A imagem correu as redes antes mesmo da entrevista de 40 minutos terminar.

No conteúdo, a estratégia foi mais defensiva do que propositiva. Questionado sobre o escândalo que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — que, segundo a Polícia Federal, repassou R$ 61 milhões para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro, de um total de R$ 134 milhões cobrados pelo senador —, Flávio desviou repetidamente para contra-atacar Lula, sem apresentar documentos que comprovassem a origem dos recursos.

Na economia, prometeu um "ajuste fiscal forte" — sem cortar aposentadorias nem salário mínimo — reduzir ministérios, eliminar mil atos normativos por decreto e combater fraudes no INSS. Sem dar números. Também anunciou o médico Claudio Lottenberg como futuro ministro da Saúde e afirmou que "com certeza" vai aceitar o resultado da eleição — distância explícita do pai, que demorou semanas para reconhecer a derrota em 2022.

O que vem depois:

O próximo grande momento da campanha é o debate de 14 de setembro, promovido por um consórcio de 11 veículos. Diferente do fiasco da Band no dia 23 — quando Lula, Flávio e Zema não compareceram —, desta vez as duas campanhas já confirmaram presença. É ali que o eleitor terá o primeiro confronto real entre os líderes das pesquisas: Lula com 39,1% das intenções de voto e Flávio com 31,8%, segundo o Datafolha de 21 de agosto.

Resumindo: Flávio passou pelo JN sem grandes sustos — e sem entregar o plano de como vai pagar o ajuste fiscal que prometeu.


NEGÓCIOS

190. 192. 193. Os números de emergência do Brasil dependem da Oi — que faliu esta semana

190, 192, 193 — polícia, Samu e bombeiros. Esses três números que você disca em emergência dependem, em parte, de infraestrutura da Oi para funcionar. Na terça-feira (25), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, definitivamente, a falência da operadora — encerrando uma saga de mais de uma década e dois processos bilionários de recuperação judicial. A decisão veio depois que a própria Oi alertou ao Judiciário que não teria recursos para pagar contas básicas até o fim de agosto.

Os números:

🔴 R$ 44 bilhões: o passivo total da Oi, com 164.000 credores na fila.

🔴 R$ 22,6 bilhões negativos: o patrimônio líquido da empresa — ela devia mais do que tinha.

🔴 R$ 19,6 milhões: o caixa projetado para julho — menos do que o salário mensal de muitas estatais.

🔴 6.100 municípios: localidades onde a Oi era a única prestadora de telefonia fixa do país.

A boa notícia é que os principais ativos já haviam sido vendidos antes da falência: a telefonia móvel foi absorvida por Vivo, Claro e TIM; a fibra migrou para a V.tal. O que resta é a casca — e as obrigações sociais, como os números de emergência e o atendimento à Caixa Econômica Federal, que é um dos maiores clientes corporativos da empresa. A Anatel garantiu que os serviços essenciais serão mantidos durante a transição.

Resumindo: A que já foi a maior operadora da América Latina fecha as portas com R$ 44 bilhões em dívidas — e a pergunta agora é quem vai cuidar do que sobrou.


TECNOLOGIA

A Alibaba chegou — e a briga pela nuvem brasileira ficou muito mais interessante

106. É em quantas zonas ao redor do mundo a Alibaba Cloud vai operar depois de inaugurar, nesta sexta-feira (28), dois data centers em São Paulo. A chegada representa a estreia da infraestrutura da empresa na América do Sul — depois de abrir operações no México no ano passado, a subsidiária de computação em nuvem do Alibaba Group escolheu o Brasil como seu segundo passo na América Latina.

O movimento não é pequeno. A Alibaba comprometeu US$ 53 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial globalmente — e a chegada ao Brasil faz parte dessa expansão agressiva. Para as empresas brasileiras, mais um fornecedor de nuvem significa mais opções, mais competição e, em teoria, preços melhores no médio prazo.

No contexto maior:

O Brasil virou um dos mercados de nuvem mais disputados do mundo. AWS, Google Cloud, Microsoft Azure e Oracle já operam por aqui. Agora a Alibaba entra. Separadamente, a empresa francesa Voltalia acaba de receber autorização do governo brasileiro para instalar um data center de 322,5 megawatts no Complexo do Pecém, no Ceará — um dos maiores projetos do tipo na América Latina. Também nesta semana, a Sabesp assinou um contrato de R$ 3,8 bilhões com a Vivo para substituir 4,4 milhões de hidrômetros convencionais por modelos inteligentes em São Paulo — sinal de que a demanda por infraestrutura digital só cresce.

Resumindo: O mercado de nuvem brasileiro ficou mais disputado — o que costuma ser bom para quem paga a conta.


COMPORTAMENTO

Ela dançou no Bolshoi, foi para o mercado financeiro e virou a bilionária self-made mais jovem do Brasil

Luana Lopes Lara cresceu em Belo Horizonte, filha de uma professora de matemática e de um engenheiro. Adolescente, foi para Joinville, em Santa Catarina, estudar na Escola do Teatro Bolshoi do Brasil — a única unidade da instituição fora da Rússia. Passou anos com a rotina de uma bailarina clássica, entre aulas, ensaios e apresentações. Depois, tudo mudou de direção. Nesta sexta-feira (28), a Forbes incluiu Luana na lista dos Bilionários Brasileiros 2026 com uma fortuna estimada em R$ 13,4 bilhões — tornando-a, aos 30 anos, a bilionária self-made mais jovem do Brasil.

Por dentro:

A fortuna de Luana vem da Kalshi, plataforma americana de mercados de predição — onde qualquer pessoa pode negociar contratos sobre eventos futuros: se o banco central americano vai cortar os juros, se vai chover numa data específica, quem vai ganhar uma eleição. O modelo, que durante anos operou numa área cinzenta nos Estados Unidos, recebeu aprovação regulatória após uma batalha judicial e ganhou tração expressiva ao longo de 2025 e 2026. Para se ter ideia do que está em jogo: a Kalshi lida com um mercado que, até agora, era dominado por apostas informais e previsões de analistas — e está colocando isso numa infraestrutura financeira regulada. A presença de uma brasileira cofundando uma das plataformas mais inovadoras do mercado financeiro americano é, por si só, uma história que a maioria dos currículos não conseguiria prever.

Resumindo: Da barra do Bolshoi à lista Forbes: a trajetória de Luana Lopes Lara é a prova de que as curvas mais improváveis de carreira às vezes são as mais rentáveis.


TRABALHO

Desemprego na mínima histórica — e 7 em cada 10 empresas dizem que não conseguem contratar ninguém

5,1%. É a taxa de desemprego do Brasil em 2026, a menor da história segundo a PNAD Contínua do IBGE. Você esperaria que as empresas estivessem satisfeitas. Não estão. 73% delas relatam dificuldade significativa para preencher vagas abertas — um paradoxo que pesquisadores já chamam de a grande contradição do mercado de trabalho de 2026.

O problema não é a falta de empregos. É a falta de profissionais qualificados para ocupá-los. Enquanto trabalhadores com menos qualificação encontram vagas com relativa facilidade, empresas disputam um número insuficiente de profissionais especializados em tecnologia, gestão de projetos, análise de dados e serviços complexos. O resultado: salários dos qualificados sobem mais rápido que os demais — o que, paradoxalmente, amplia a desigualdade num momento de emprego recorde.

Os números:

🔴 5,1%: desemprego no Brasil — menor patamar da história (PNAD/IBGE).

🔴 73%: empresas que relatam dificuldade em contratar, mesmo com o mercado aquecido.

🔴 63%: empresas de serviços com dificuldade específica para preencher funções técnicas e de gestão.

🔴 49 milhões: trabalhadores com carteira assinada no Brasil — o maior número da série histórica.

Resumindo: O Brasil nunca empregou tanto — mas as empresas nunca reclamaram tanto que não encontram quem precisam. O problema agora não é a quantidade de empregos: é a qualificação de quem os ocupa.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 O Copom cortou a Selic pela 4ª vez seguida, de 14,25% para 14% ao ano — juros menores, em tese, barateiam crédito e financiamentos. Leia mais

🔹 O IGP-M caiu 0,22% em agosto, acumulando alta de 2,16% em 12 meses — o índice que baliza reajustes de aluguel ficou bem comportado. Leia mais

🔹 O STF ampliou a proteção da Lei Maria da Penha para casos que acontecem fora do ambiente doméstico — a decisão expande o alcance da lei para qualquer relação afetiva.

🔹 A empresa francesa Voltalia recebeu autorização do governo para instalar um data center de 322,5 megawatts no Complexo do Pecém (CE) — um dos maiores projetos do tipo no Brasil. Leia mais

🔹 Desenrola Fies 2026: o prazo para renegociar dívidas do financiamento estudantil termina nesta segunda-feira (1º/9) — se você tem saldo devedor no programa, é agora. Leia mais

🔹 O IBGE divulgou que o Brasil tem 214,2 milhões de habitantes em 2026 — um crescimento de quase 1 milhão de pessoas em relação ao ano anterior, mas num ritmo que segue desacelerando. Leia mais

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