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Clem Delangue, fundador da Hugging Face, recusou US$ 500 milhões da Nvidia em 2025 para preservar a independência da empresa — não queria "um único investidor dominante". Doze meses depois, disse sim para US$ 12,9 bilhões. Para a mesma Nvidia.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 29 de agosto de 1949 — a União Soviética detonou sua primeira bomba atômica. O mundo acordou com dois países no gatilho nuclear, e a corrida armamentista não parou mais.
Para ver: Amanhã, às 8h26 de Brasília, a NASA lança o telescópio Roman no espaço — campo de visão 100x maior que o Hubble. Transmissão ao vivo no YouTube da NASA.
Stat: 65 meses: tempo que a inflação americana fica acima de 2% sem parar. Ontem, o novo chefe do banco central dos EUA disse que "o trabalho ainda não acabou."
Curiosidade: Pesquisadores da Universidade de Chicago descobriram que conversar com estranhos no transporte público aumenta a felicidade — mesmo quando as pessoas acreditam preferir o silêncio.
Para clicar: O IBGE tem uma ferramenta gratuita para ver a população estimada de qualquer cidade do Brasil. Dá para checar se a sua está crescendo ou encolhendo.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🤖 A Nvidia quer comprar o "GitHub das IAs" — e o preço triplicou em um ano
🦅 O novo chefe do banco central americano foi duro — e pode custar mais no seu financiamento
📱 A Meta pagou R$ 87 bilhões para mudar o Instagram dos adolescentes
🏭 A maior petroquímica das Américas entrou na Justiça com R$ 56 bilhões em dívida
🇧🇷 Somos 214 milhões — mas quatro capitais brasileiras estão encolhendo
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TECNOLOGIA
A Nvidia quer comprar o lugar onde toda IA começa
13 milhões. É quantos desenvolvedores usam o Hugging Face para encontrar, baixar e compartilhar modelos de inteligência artificial. A plataforma é o que o GitHub é para o código: o ponto de partida de tudo. E a Nvidia quer comprar isso tudo por US$ 12,9 bilhões — sua maior aquisição de todos os tempos.
Segundo reportagem do The Information, confirmada por Fortune e CNBC, a negociação está avançada — mas o contrato ainda não foi assinado formalmente. Ambas as empresas não comentaram. O preço surpreende: em 2023, o Hugging Face valia US$ 4,5 bilhões. Em 2025, recusou uma oferta de investimento de US$ 500 milhões da própria Nvidia por não querer um "único investidor dominante". Agora, aceita a compra completa por US$ 12,9 bilhões.
Os números:
🔴 US$ 12,9 bilhões: valor reportado da aquisição — maior da história da Nvidia.
🔴 US$ 4,5 bilhões: valor da empresa em 2023, quando Salesforce e Google investiram.
🔴 US$ 150 milhões: receita anual do Hugging Face — o preço é 86x esse número.
🔴 US$ 96,2 bilhões: receita da Nvidia no último trimestre, alta de 106% num ano.
Por que a Nvidia quer isso? Porque Google, Amazon, OpenAI e Anthropic estão criando chips próprios para deixar de depender dos processadores da Nvidia. Quem usa modelos abertos ainda precisa de hardware Nvidia para rodá-los. Controlar o Hugging Face — o principal repositório de modelos abertos do mundo — é manter o ecossistema preso ao seu chip, mesmo quando os grandes laboratórios migram para silício próprio.
Resumindo: A Nvidia não quer só vender chips — quer controlar o lugar onde toda inteligência artificial aberta nasce.
MUNDO
"Nos resta trabalho a fazer" — e isso pode custar mais caro no seu financiamento
A decisão foi ontem. O efeito no seu financiamento pode chegar em setembro.
Kevin Warsh, o novo presidente do banco central americano — o Fed — fez seu primeiro grande discurso em Jackson Hole, Wyoming, nessa sexta-feira. A mensagem foi dura: a inflação americana ainda está em 3,7% ao ano, já são 65 meses consecutivos acima da meta de 2%, e o Fed "ainda tem trabalho a fazer". Em linguagem direta: a alta de juros pode voltar. De acordo com a Infomoney, o mercado precificou cerca de 50% de chance de alta já na reunião de 16 de setembro.
Para o Brasil, isso importa direto. Quando o Fed sobe juros, o dólar fica mais forte, o câmbio pressiona a inflação brasileira e o Banco Central do Brasil perde espaço para cortar a Selic. O ciclo de cortes que beneficiou quem tem financiamento imobiliário ou dívida atrelada ao CDI pode parar antes do esperado.
Warsh tem um estilo diferente dos seus antecessores: não dá sinais antecipados sobre onde vai. Não existe orientação futura no seu vocabulário — o que deixa os mercados permanentemente nervosos. "Se os mercados dependem do Fed e o Fed depende dos mercados, vamos ficar cegos aos próximos acontecimentos", disse ele no discurso. Os juros dos títulos americanos de 30 anos estão perto de 5,2% — o maior nível desde 2007 — encarecendo hipotecas, financiamentos e o custo de capital de empresas em todo o mundo.
Resumindo: O Fed tem um novo chefe que joga duro com a inflação — e o Brasil sente cada vez que ele abre a boca.
COMPORTAMENTO
A Meta vai mudar o Instagram dos adolescentes — e a conta chegou em US$ 16,7 bilhões
Os estados americanos pediam até US$ 1,4 trilhão. A Meta pagou US$ 16,7 bilhões. Não admitiu culpa. E mesmo assim vai ter que mudar tudo.
Na quarta-feira (26), a empresa dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp fechou um acordo histórico com 29 estados americanos encerrando um julgamento que acusava as plataformas de viciar adolescentes propositalmente. O processo tinha começado em 18 de agosto em Oakland, Califórnia — e foi abortado na segunda semana, antes da metade do prazo previsto. O negócio ainda precisa de aval de um juiz federal para entrar em vigor.
Os números:
🔴 2 horas por dia: limite de uso do Instagram e Facebook para menores de 18 anos — somando todos os apps Meta.
🔴 Meia-noite às 6h: acesso cortado automaticamente para adolescentes.
🔴 Notificações suspensas durante o horário escolar e entre 22h e 7h.
🔴 US$ 10 bilhões: baixa contábil que a Meta já sinalizou registrar no trimestre por conta do acordo.
O pagamento total será feito ao longo de dez anos, com parte dos recursos destinada a programas de saúde mental para jovens. A ação da Meta subiu 4% após o anúncio — o mercado interpretou o acordo como alívio, já que o processo poderia ter custado muito mais. A acusação central era que a empresa havia documentado internamente os danos à saúde mental dos adolescentes e escolheu não agir.
Resumindo: A Meta não admitiu culpa, mas vai mudar o produto — e isso é, na prática, uma condenação.
NEGÓCIOS
A maior petroquímica das Américas entrou na Justiça com R$ 56 bilhões em dívida
Como a empresa que deveria ser o orgulho da petroquímica brasileira chegou a pedir socorro à Justiça? A resposta tem três capítulos: o escândalo da Lava Jato, um desastre geológico em Maceió e uma crise global de margens. O resultado chegou em 24 de agosto, quando a Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas — cerca de R$ 56 bilhões. É um dos maiores processos de reestruturação corporativa do país em anos.
Entre os credores: Banco do Brasil, BNDES, Itaú, Bradesco e Santander, além de fundos internacionais especializados em dívida de empresas em dificuldade. A empresa tem 90 dias para apresentar um plano, convencer a maioria dos credores e fechar acordo. Enquanto isso, execuções e bloqueios de ativos ficam suspensos.
Por dentro:
Recuperação extrajudicial é diferente de falência ou de recuperação judicial. Aqui, a empresa negocia diretamente com os principais credores antes de ir ao juiz. Se todos concordarem, o acordo vai para homologação. É mais rápida — mas depende de consenso entre partes que hoje têm posições muito diferentes. Alguns fundos pedem injeção de até US$ 4 bilhões; a Braskem quer só alongar prazos e reduzir juros.
As ações caíram 34,6% no ano e foram retiradas do Ibovespa. A gestora IG4 Capital assumiu o controle em junho de 2026, após anos de tentativas frustradas de venda pela Novonor — antiga Odebrecht. A empresa vale hoje R$ 3,6 bilhões na bolsa. A dívida é quinze vezes isso.
Resumindo: A Braskem tem 90 dias para convencer os credores de que ainda vale a pena existir — e o relógio já está correndo.
BRASIL
Somos 214 milhões — mas quatro capitais brasileiras estão encolhendo
O IBGE divulgou ontem a estimativa populacional de 2026: somos 214,2 milhões de habitantes, 790 mil pessoas a mais que em 2025. Parece muito — mas o ritmo de crescimento foi de apenas 0,37%, o menor já registrado na série histórica. Em comparação, o Censo de 2022 registrava 203 milhões. Em quatro anos, o Brasil ganhou mais de 11 milhões de pessoas.
O ângulo que surpreende: quatro capitais perderam habitantes em relação ao ano anterior. Salvador (-0,17%), Natal (-0,13%), Belém (-0,08%) e Belo Horizonte (-0,02%) estão, pela primeira vez, encolhendo. Não é mortalidade — é migração. Pessoas saindo para cidades menores do interior, onde o custo de vida é menor e a oportunidade chegou antes delas.
Quem mais cresce: Roraima (3%), Santa Catarina (1,5%) e Mato Grosso (1,5%). São estados com economia ativa, agropecuária em expansão e fluxo constante de migrantes de outras regiões. Boa Vista foi a capital com maior crescimento proporcional — 3,2%.
São Paulo concentra 11,9 milhões de pessoas na capital e 21,6% da população total no estado. O Sudeste tem 41,6% do país. O Norte inteiro soma apenas 8,8%. São Paulo (cidade) tem mais habitantes do que os estados do Norte e Centro-Oeste somados.
Resumindo: O Brasil cresce — mas cada vez mais devagar, e algumas capitais já começaram a encolher de verdade.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Morreu o rei de Uganda, Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, aos 34 anos. Ele havia sido coroado aos 3 anos de idade, tornando-se o monarca mais jovem do mundo à época.
🔹 Enchentes e avalanche na fronteira do Nepal com o Tibete já deixaram mais de 95 mortos e centenas de turistas desaparecidos. O governo nepalês recusou equipes de resgate estrangeiras.
🔹 O Irã classificou as sanções americanas como "crime contra a humanidade" e "terrorismo de Estado" em discurso na ONU, pedindo medidas da comunidade internacional contra os EUA.
🔹 O TSE autorizou o envio de tropas federais para reforçar a segurança das eleições de 2026 no Ceará, antecipando o clima de tensão esperado para o pleito de outubro.
🔹 O telescópio Roman da NASA foi liberado para lançamento amanhã às 8h26 (horário de Brasília), a bordo de um Falcon Heavy da SpaceX — nove meses antes do prazo original. Leia mais |