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GIRO E PONTO

Edição #83  ·  Quinta, 27 de agosto de 2026

Bom dia, Leitor. 🔥


Em 2021, o pesquisador Arturo Béjar levou dados sobre o impacto do Instagram na saúde mental de adolescentes direto para a cúpula da Meta — em múltiplas ocasiões. A empresa ignorou. Ontem, a conta chegou: US$ 16,7 bilhões.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 27/08/1883 — Krakatoa entra em erupção. O som chegou a 4.800 km. Ilhas inteiras sumiram do mapa.

Para ver: O robô Iron, da Xpeng, em Munich: movimentos que fazem você duvidar se é humano ou máquina.

Para ler: 95% dos projetos-piloto de IA generativa não geraram retorno mensurável — auditoria do MIT com 300 empresas (2025).

Abre aspas: "Não definimos nosso marco [de IA] e fomos ultrapassados." — Gustavo Borges, Anatel.

Curiosidade: Pesquisa da Universidade de Valência: alguns usuários de IA formam laços emocionais com sistemas conversacionais similares a relacionamentos românticos.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

⚖️ Meta paga R$ 87 bi: o preço de viciar uma geração nas redes
🔥 O chip que pode acabar com o monopólio da Nvidia em IA
💀 A plataforma que treinou a IA foi morta pela IA que criou
💡 Sua conta de luz vai cair este mês — e por quê não vai durar
✈️ A empresa chinesa que levou carro voador ao coração da Europa

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MUNDO

Meta paga R$ 87 bilhões: o juiz deu o veredicto que os pais não conseguiram

Em 2021, o pesquisador de segurança Arturo Béjar levou preocupações sobre o impacto do Instagram na saúde mental de adolescentes diretamente à liderança da Meta — em múltiplas ocasiões. A empresa ignorou. Semana passada, ele depôs no tribunal. Ontem, a Meta assinou um acordo histórico: US$ 16,68 bilhões — cerca de R$ 87 bilhões — para encerrar o processo movido por 29 estados americanos que acusavam a empresa de ter projetado suas plataformas para viciar crianças de propósito.

Documentos internos apresentados no julgamento mostraram que a Meta sabia dos danos causados à saúde mental de adolescentes — e seguiu em frente mesmo assim. Se o caso tivesse chegado ao fim, as multas poderiam ultrapassar US$ 200 bilhões. O pagamento de R$ 87 bilhões será feito ao longo de 10 anos, parte destinada a programas de saúde mental para jovens, atividades ao ar livre e serviços de intervenção em crise.

Os números:

🔴 Limite diário: 2 horas somando uso de Instagram e Facebook, por padrão.

🔴 Bloqueio noturno: acesso suspenso entre meia-noite e 6h da manhã.

🔴 Curtidas ocultas: número de curtidas e reações escondido por padrão para menores.

🔴 Filtros bloqueados: filtros de cirurgia plástica e maquiagem extrema proibidos para adolescentes.

As ações da Meta subiram 4,4% no pré-mercado — o mercado leu como alívio. O texto do acordo deixa claro que o pagamento não é admissão de culpa. Mas o produto vai mudar: as novas regras entram em vigor nos próximos meses. E outros processos ainda correm em paralelo nos tribunais americanos.

Resumindo: A Meta preferiu pagar R$ 87 bilhões a enfrentar o risco de uma multa de R$ 1 trilhão — e agora terá que reformar o produto que criou o problema.


TECNOLOGIA

O chip que a OpenAI criou para disputar o trono da Nvidia

A Nvidia dominou o mercado de chips de inteligência artificial durante os últimos três anos. Na terça-feira, a OpenAI apresentou o primeiro rival que pode mudar esse quadro. O chip se chama Jalapeño — sim, o pimentão — e os primeiros resultados de desempenho mostram que ele entrega entre 1,5 e 1,9 vez mais processamento de inteligência artificial por watt de energia do que os chips Blackwell, a linha atual da Nvidia.

Entendendo:

"Processar IA por watt" significa fazer mais trabalho com menos energia. Em centros de dados que consomem gigawatts de eletricidade, ser duas vezes mais eficiente pode significar bilhões de dólares de economia por ano — e permite expandir capacidade muito mais rápido.

O Jalapeño foi desenvolvido com a Broadcom e foca em uma etapa específica: a fase de uso do modelo — quando você digita uma pergunta e o sistema gera a resposta. Não é para treinar novos modelos (onde a Nvidia ainda é insubstituível), mas é justamente nessa fase de uso que os custos mais crescem agora que centenas de milhões de pessoas usam inteligência artificial todo dia.

A OpenAI planeja colocar o chip em operação ainda em 2026, em volumes pequenos, com implantação maior em 2027. Analistas consultados pela CNBC apontam que o Jalapeño é "uma ameaça real às margens da Nvidia na área de inferência" — e estimam que chips customizados como esse podem superar em volume os processadores da Nvidia até 2028. Google, Amazon e Meta já têm programas similares em andamento.

Resumindo: O primeiro chip da OpenAI não desbanca a Nvidia — mas prova que o monopólio dela tem prazo de validade.


NEGÓCIOS

A plataforma que ensinou a IA a ser inteligente foi morta pela IA que ela criou

A Amazon anunciou o encerramento do Mechanical Turk para 30 de setembro de 2026. Lançada em 2005, a plataforma funcionava assim: empresas publicavam tarefas simples — classificar imagens, transcrever áudios, moderar conteúdo — e pagavam centavos por tarefa a trabalhadores humanos espalhados pelo mundo. Jeff Bezos chamava o serviço de "inteligência artificial artificial". No auge, mais de 500 mil pessoas dependiam da plataforma como fonte de renda.

O nome Mechanical Turk veio de um autômato do século 18 que parecia jogar xadrez sozinho — mas escondia um enxadrista humano dentro. Décadas depois, a plataforma real repetiu a ironia: em 2023, pesquisadores suíços descobriram que até 46% dos trabalhadores usavam inteligência artificial para completar as tarefas de "inteligência humana". A máquina estava fingindo ser humana para simular a inteligência humana.

Para muitos, o serviço era renda real. Krista Pawloski começou a usar a plataforma em 2008, durante a licença-maternidade, e virou trabalhadora em tempo integral em 2012 para cuidar do filho com necessidades especiais. "Ainda tem gente que faz isso em tempo integral", disse ela à CNBC. "Elas estão preocupadas agora." A Amazon não anunciou nenhum plano de transição para os trabalhadores.

Resumindo: A plataforma que treinou a IA foi eliminada pela IA que ela mesma ajudou a criar — e os 500 mil trabalhadores não receberam aviso nem plano de saída.


BRASIL

Sua conta de luz vai cair agora — mas o alívio dura só um mês

A última vez que a inflação no Brasil caiu tanto num único mês foi em agosto de 2022. O IPCA-15 registrou -0,40% em agosto de 2026 — a maior deflação em quatro anos — e a principal responsável foi a conta de luz: a energia elétrica residencial ficou 6,25% mais barata por causa do bônus de Itaipu.

Entendendo:

Por lei, a usina binacional de Itaipu não pode ter lucro. Quando a arrecadação supera os custos operacionais, o excedente é devolvido diretamente nas faturas dos consumidores como desconto. É uma devolução automática que acontece poucas vezes por ano — e em agosto entrou como crédito direto na sua conta de luz.

Além da energia, os alimentos caíram 0,57% no mês e as passagens aéreas despencaram 13,30% — efeito do fim da alta temporada. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,24%, abaixo dos 4,52% do período anterior e, pela primeira vez desde abril, dentro do teto da meta do Banco Central.

A notícia é boa, mas pontual. A bandeira tarifária amarela continuou ativa em agosto — então você ainda paga R$ 1,88 a mais a cada 100 kWh. O bônus de Itaipu é um evento anual e único; setembro já deve reverter parte do alívio. O mercado ainda projeta inflação de 5,02% para o ano inteiro, bem acima da meta de 3% — e o resultado de agosto não muda essa conta.

Resumindo: A conta de luz vai cair em agosto — aproveite, porque setembro provavelmente já traz de volta a pressão.


MUNDO

A empresa chinesa chegou ao coração da Europa com carro que voa e robô que trabalha

Munich — a cidade onde a BMW nasceu — recebeu esta semana uma empresa chinesa que não se define mais como fabricante de carros. A Xpeng realizou seu evento "Physical AI para Todos" no coração da indústria automobilística europeia, com um recado direto à concorrência: o futuro do transporte não tem quatro rodas como limite.

No palco, três produtos. O Iron — robô humanoide com 60 articulações e 200 tipos de movimentos diferentes, previsto para produção em série ainda no quarto trimestre de 2026. O Aridge A868 — veículo voador com decolagem vertical, capacidade para 6 passageiros, velocidade máxima de 360 km/h e autonomia de 500 km sem pista de pouso. Produção prevista para 2027, com 7.000 pedidos já registrados. E o L03 — um SUV elétrico desenhado pelo ex-chefe de design exterior da Ferrari, por €35.600.

A escolha de Munich foi simbólica: a Xpeng já vende em 65 países, tem centro de pesquisa na cidade alemã e firmou parceria com a Volkswagen para tecnologia de direção autônoma. O fundador He Xiaopeng disse no evento que, em 10 a 20 anos, o negócio de robótica da empresa deve superar o de carros — porque "haverá mais usos para robôs humanoides em nossas vidas do que para veículos".

Resumindo: A Xpeng foi à capital da Europa automobilística para dizer que o futuro tem asas — e braços de robô.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Nvidia divulga seus resultados trimestrais hoje — um dia depois de a OpenAI anunciar um chip que concorre diretamente com seus processadores Blackwell. Leia mais

🔹 O SoftBank estuda emitir entre US$ 10 e 20 bilhões em títulos para refinanciar o empréstimo que cobre seu investimento na OpenAI — o que pode se tornar a maior emissão corporativa asiática do ano. Leia mais

🔹 Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 56 bilhões em dívidas — um dos maiores processos desse tipo da história do país.

🔹 A Gamescom 2026 abriu em Colônia com novidades de Final Fantasy VII Revelation, Gears of War: E-Day e The Witcher 3: Songs of the Past. Leia mais

🔹 Eclipse parcial da Lua será visível no Brasil ainda esta semana — algumas regiões terão eventos gratuitos de observação ao vivo.

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