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GIRO E PONTO

Edição #82  ·  Terça, 25 de agosto de 2026

Bom dia, Leitor. 🎯


Você provavelmente nunca ouviu falar de Kevin Warsh. Mas na sexta-feira, ele vai fazer um discurso de 20 minutos numa montanha em Wyoming — e o que ele disser pode definir o preço do dólar, o custo do seu financiamento e o humor dos seus investimentos pelas próximas semanas.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 25/08/1944 — De Gaulle marchou pelas ruas de Paris, encerrando 4 anos de ocupação nazista.

Stat: 288,9 toneladas — ouro comprado por bancos centrais no 2T26. Alta de 62% ao ano, recorde histórico para um 2º tri.

Para ler: O que está em jogo no discurso de Warsh em Jackson Hole — o guia mais completo sobre a semana.

Para clicar: O calendário completo de eventos de startups e inovação no Brasil em 2026.

Curiosidade: No Japão, vermelho na bolsa significa alta — não queda. O ocidente inverteu o sinal.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🌎 Trump declara "Dia D econômico" — e o petróleo caiu com a notícia
🤖 Nvidia quer comprar um pedaço da Perplexity por US$ 30 bilhões
🏔️ O discurso de 20 minutos que pode mexer no seu dinheiro esta sexta
🦾 A fabricante de carros que levantou US$ 900 mi para fabricar robôs
📱 Testadores aprovaram o iPhone dobrável — e setembro está chegando

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MUNDO

Trump declara "guerra econômica total" ao Irã — e o petróleo caiu com o anúncio

O preço do petróleo caiu quando os EUA anunciaram as sanções mais duras da história contra o Irã. Parece contradição. Não é. O mercado leu o comunicado e tirou uma conclusão rápida: se os americanos estão apostando em pressão econômica, é porque a estratégia militar fracassou.

Na segunda-feira (24), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, lançou a "Operação Exílio Econômico" — uma campanha que promete expulsar do sistema do dólar qualquer país, empresa ou banco que continuar fazendo negócios com Teerã. A novidade não são as sanções ao Irã em si. São as ameaças a terceiros: bancos chineses, petroleiros indianos, câmbios turcos. Bessent foi direto: "Ninguém está fora do alcance das sanções americanas."

Por dentro:

O conflito dura seis meses — desde fevereiro, quando EUA e Israel bombardearam o Irã. Hoje, a guerra está em impasse: o Irã bloqueou boa parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz, a faixa de 33 km de largura por onde passa 20% de todo o petróleo do planeta. As negociações estão paralisadas. O barril do Brent recuou 1,8%, para US$ 92,70, porque menos escalada militar significa menos risco de choque de oferta imediato.

A grande incógnita é a China, que compra mais de 80% do petróleo iraniano exportado por mar. Xi Jinping deve visitar a Casa Branca no próximo mês. A conversa sobre petróleo iraniano — e sobre quem fica fora do sistema do dólar — vai estar na mesa. A Guarda Revolucionária do Irã chamou as sanções de "admissão implícita de derrota". Trump, por sua vez, postou que o Irã "está desmoronando completamente".

Resumindo: Os EUA apostam que podem derrubar o Irã pela economia — mas a jogada real é testar se a China aceita a pressão ou decide desafiá-la.


TECNOLOGIA

US$ 121 milhões em 2023. US$ 30 bilhões hoje. A Perplexity virou o maior alvo da Nvidia

Em abril de 2023, a Perplexity valia US$ 121 milhões. Nesta semana, a empresa está em negociação para ser avaliada em mais de US$ 30 bilhões. São 30 meses e um crescimento de 175 vezes no valor de mercado — e a Nvidia quer uma fatia disso.

A fabricante de chips está discutindo um investimento na startup de busca com inteligência artificial em uma rodada que elevaria o valor da empresa em mais de 50% em relação à última captação, há cerca de um ano. A lista de investidores já inclui o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e o SoftBank japonês.

Os números:

🔴 US$ 30 bi+: valor em negociação na rodada atual

🔴 US$ 750 mi: receita anualizada atual — contra menos de US$ 250 mi no início do ano

🔴 3x: crescimento de receita em poucos meses

🔴 8 milhões: de desenvolvedores que já usam a plataforma

O salto de receita não veio da busca em si. Veio de um produto chamado Perplexity Computer — um agente de inteligência artificial que executa tarefas no computador por conta do usuário. Ao contrário de uma busca simples, esse tipo de trabalho consome muito mais poder de processamento por interação. E adivinha quem vende esse poder? A Nvidia.

A lógica do investimento é clara: a Nvidia está construindo um ecossistema onde ela ganha sempre que alguém usa inteligência artificial — seja vendendo os chips, seja investindo nas empresas que os consomem. É a mesma estratégia que ela aplicou com OpenAI, Anthropic e dezenas de outras. Quanto maior o ecossistema de aplicações, maior a demanda pelas placas gráficas.

Resumindo: A Nvidia não quer mais ser só a vendedora de chips da era da inteligência artificial — quer ser sócia das empresas que mais vão demandar esses chips nas próximas décadas.


ECONOMIA

O novo chefe do Fed vai falar 20 minutos numa montanha em Wyoming. O mundo inteiro vai ouvir.

Kevin Warsh tem 56 anos, foi sócio do Morgan Stanley e assumiu a presidência do banco central americano em maio deste ano. Na sexta-feira (28), ele faz seu primeiro discurso importante no simpósio anual de Jackson Hole, em Wyoming — o evento que reúne os banqueiros centrais mais influentes do planeta e que já moveu bolsas e derrubou moedas em minutos.

O problema é que ninguém sabe exatamente o que ele vai dizer. E Warsh fez questão de tornar isso ainda mais difícil: desde que assumiu, aboliu as sinalizações antecipadas que seus antecessores costumavam dar ao mercado. O discurso de sexta é um dos raros momentos em que se consegue ouvir diretamente o que ele pensa — e o mercado vai travar em cada palavra.

No contexto maior:

Warsh herdou um Fed com inflação americana em 3,4% ao ano — bem acima da meta de 2% — e com juros de títulos longos perto do maior nível em quase 20 anos. Na última reunião do banco central, em julho, três membros votaram por alta imediata de juros enquanto os outros nove votaram pela manutenção. É o nível de racha interno mais intenso em quase uma década. Uma pesquisa do Bank of America com gestores de fundos mostrou que 69% esperam um discurso neutro — o que significa que qualquer surpresa vai gerar turbulência.

Para quem está no Brasil: juros mais altos nos EUA valorizam o dólar e pressionam mercados emergentes. A bolsa e o câmbio por aqui vão reagir ao discurso de sexta. Pensa assim: quando Jerome Powell falou em 2022 que a inflação ia "doer", o mercado americano despencou 3,4% no mesmo dia. Warsh ainda não tem um histórico como chefe — e é exatamente isso que deixa o mercado nervoso.

Resumindo: Quando 69% dos gestores esperam neutralidade e o presidente do Fed não avisa nada com antecedência, qualquer desvio do roteiro vira evento de mercado — e o Brasil sente.


NEGÓCIOS

A fabricante chinesa de carros elétricos que levantou US$ 900 milhões para fabricar robôs — de verdade

A XPeng é uma montadora chinesa de veículos elétricos. Mas sua nova aposta não tem quatro rodas — tem dois pés e dois braços. A divisão de robótica da empresa fechou sua primeira rodada de captação externa: US$ 900 milhões, com participação de Tencent, Alibaba e fundos de capital de risco. O valuation da divisão: US$ 6,3 bilhões — para uma operação que ainda não vendeu um robô sequer em escala comercial.

O robô em questão se chama IRON, é humanoide — bípede, com braços articulados — e a XPeng prometeu colocá-lo em produção antes do fim de 2026. A empresa diz que pode reaproveitar tecnologia que já desenvolveu para os carros: chips de inteligência artificial, sistemas de percepção do ambiente e software de direção autônoma. Um carro que enxerga e decide sozinho e um robô que anda e decide sozinho são, no fundo, variações do mesmo problema técnico.

No contexto maior:

A China está em uma corrida para dominar o mercado de robôs humanoides — que consultorias projetam na casa dos trilhões de dólares nas próximas décadas. Tesla tem o Optimus. Boston Dynamics tem o Atlas. Mas dezenas de startups e gigantes chinesas apostam que a próxima linha de produção — de fábricas a hospitais — vai incluir um robô bípede onde hoje há um humano. O que diferencia a XPeng é que ela não começa do zero: seus chips de inteligência artificial e sistemas de percepção visual já foram desenvolvidos e testados em veículos em escala real.

Resumindo: A corrida por robôs humanoides deixou de ser ficção científica — e a China está entre os apostadores mais sérios da mesa, com US$ 6,3 bilhões em valuation para uma divisão que ainda não vendeu nada em escala.


TENDÊNCIA

Testadores aprovaram o iPhone dobrável da Apple — e setembro está chegando

Durante anos, a Apple assistiu Samsung e fabricantes chinesas dominarem o segmento de celulares dobráveis sem lançar um produto próprio. A empresa costuma entrar por último em uma categoria nova — e quase sempre redefine o padrão. A espera pode estar chegando ao fim.

Relatos de testadores internos do chamado iPhone Ultra dobrável circularam na imprensa especializada com saldo positivo: tela interna de 7,8 polegadas quase sem vinco no centro, dobradiço robusto, formato compacto comparado a um passaporte, boa experiência de câmera com o aparelho todo aberto. O único ponto de ressalva foi o sistema de câmera dupla, que recebeu avaliações mistas. O lançamento estaria alinhado ao ciclo de setembro de 2026, junto com os outros iPhones.

Entendendo:

Por que a Apple demorou tanto? Celulares dobráveis têm um problema crônico: a tela e o dobradiço degradam muito mais rápido do que uma tela convencional. A Apple só entra numa categoria quando consegue resolver o problema de qualidade — e não antes. Qualquer pessoa que se lembra do Galaxy Fold original, de 2019, que literalmente dobrava ao meio depois de alguns dias de uso, entende o tamanho do desafio.

Para o mercado, a entrada da Apple no segmento dobrável é um sinal claro: o formato atingiu maturidade técnica suficiente para o consumidor comum — não apenas para entusiastas. Se setembro confirmar o lançamento, não vai ser só mais um celular novo. Vai ser a validação definitiva do formato para centenas de milhões de pessoas que estavam esperando a Apple se mover antes de comprar.

Resumindo: A Apple entra tarde nos mercados — mas quando entra, muda o padrão. Se o iPhone dobrável chegar em setembro, o formato para de ser nicho e vira mainstream.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Ouro bateu US$ 4.659 por onça na segunda-feira, perto do maior nível em três meses, impulsionado por tensões geopolíticas e compras recordes de bancos centrais. Leia mais

🔹 Ray Dalio, fundador da Bridgewater, recomendou em seu LinkedIn reduzir títulos americanos e alocar até 15% do portfólio em ouro — e "um pouco" de criptomoedas — citando risco de crise de dívida nos EUA em até três anos. Leia mais

🔹 IPCA-15 — a prévia da inflação brasileira de agosto — sai esta semana e vai orientar o Banco Central sobre os próximos passos da Selic. Analistas esperam leitura abaixo de 4,5%.

🔹 Salário mínimo de 2027 foi aprovado em R$ 1.741 — alta de 7,5% que reajusta contratos, benefícios previdenciários e o piso de renda de 46 milhões de trabalhadores formais no Brasil.

🔹 Polícia Federal voltou ao centro do debate eleitoral de 2026, com análises apontando que investigações em andamento estão moldando o campo de candidatos antes mesmo das convenções de outubro.

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