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Em Las Vegas, motoristas de táxi passaram a semana olhando para as ruas com uma sensação nova. Não é paranoia — são carros sem motorista com autorização para cobrar corrida, competindo pelo mesmo cliente, na mesma cidade. E isso, desta vez, não é ficção científica.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 22/08/1485 — Ricardo III morreu em batalha e encerrou a Guerra das Rosas. A era Tudor começava ali.
Stat: 1 bilhão de downloads do Gemma (Google) em 2 anos. Mais de 100 mil variantes criadas.
Para ler: Apple Music vai rotular músicas feitas por IA — o que muda para artistas e ouvintes?
Para clicar: a Twin1 é a startup que cria um gêmeo digital seu para trabalhar enquanto você descansa.
Você sabia: Charter + Cox = fusão de US$ 34,5 bi. Maior provedora de cabo dos EUA já vista.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🚕 Las Vegas aprova 8.000 robôtaxis — e os motoristas não gostaram nada
🦄 A empresa de IA que pode ter o maior IPO da história se prepara
🇧🇷 Brasil investe em IA com China e EUA ao mesmo tempo. Vai dar?
🎯 A Nvidia pagou US$ 6 bi para "não comprar" a startup Poolside
📍 Nova York desbancou São Francisco como capital tech pela 1ª vez
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TECNOLOGIA
Las Vegas aprovou 8.000 carros sem motorista. Agora vem a parte difícil.
Kimberly Maxson-Rushton estava na sala de audiências com uma missão simples: convencer os reguladores de Nevada a não acabar com os empregos de centenas de motoristas de táxi. Não funcionou. Na quarta-feira (20), a Nevada Transportation Authority aprovou por unanimidade licenças para Tesla, Waymo e Uber operarem carros autônomos pagos em Clark County — o condado que inclui Las Vegas. Juntas, as três empresas podem colocar até 8.000 robôtaxis nas ruas nos próximos 12 meses.
Os números:
🔴 5.000 veículos: cota aprovada para a Tesla em Nevada — a maior das três.
🔴 1.000 cada: cota de Waymo e Uber (via parceria com Hyundai Motional e Zoox).
🔴 3 milhões de milhas: já percorridas pela Zoox em Las Vegas sem acidente grave desde o ano passado, carregando quase 1 milhão de passageiros.
🔴 ~20 carros: estimativa real de robôtaxis da Tesla rodando hoje — mostrando a distância entre licença e operação.
O próprio engenheiro-chefe do Cybercab, Eric Early, foi honesto durante a audiência: "5.000 sempre foi um teto para nós. Ficaria extremamente satisfeito se chegássemos a 2.500 no próximo ano." A licença é maior do que a capacidade real — por enquanto. O que torna Las Vegas atraente é exatamente isso: turistas o tempo todo, demanda alta por transporte e ruas já mapeadas por meses de testes. Se a tecnologia funcionar aqui — com turistas alcoolizados, performances de Elvis e tráfego caótico na Strip —, funciona em qualquer lugar.
Resumindo: Nevada virou o maior campo de prova do mundo para carros autônomos pagos — e o que acontecer lá nos próximos meses vai influenciar o que acontece em todo o resto.
NEGÓCIOS
A empresa com receita de US$ 65 bilhões ao ano quer ir à bolsa. Pode ser o maior IPO da história.
A Anthropic — criada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI, dona do assistente de IA Claude — se prepara para abrir capital na bolsa ainda este ano. Segundo a Bloomberg, a empresa pode protocolar os documentos de abertura ainda em agosto. E o tamanho do IPO pode rivalizar — ou até superar — o da SpaceX, hoje o maior da história dos EUA.
O número que explica a ambição: receita anualizada de cerca de US$ 65 bilhões ao final de julho de 2026 — muito acima do que era no final de 2025. O crescimento foi impulsionado por empresas usando os modelos da Anthropic para construir agentes de IA, sistemas que executam tarefas de forma autônoma sem precisar de instrução humana a cada passo.
No contexto maior:
A Anthropic levantou investimentos bilionários de Google e Amazon e hoje disputa com a OpenAI o título de empresa de IA mais avançada do mundo. A diferença de posicionamento: enquanto a OpenAI corre para lançar produtos, a Anthropic insiste que segurança vem primeiro. Isso não impediu que ela acumulasse uma receita que a maioria das empresas Fortune 500 jamais viu. Um IPO nesse porte seria o primeiro grande teste do mercado de capitais para uma empresa de IA pura — sem hardware, sem nuvem, sem publicidade. Só IA. Os investidores vão precisar decidir quanto isso vale de verdade.
Resumindo: se o IPO sair como planejado, será a maior aposta já feita pelo mercado financeiro sobre o valor real da inteligência artificial.
BRASIL
O Brasil anunciou US$ 444 milhões em IA com China e EUA ao mesmo tempo. Quase ninguém percebeu.
Em meio à corrida global pela inteligência artificial, o Brasil fez algo politicamente ousado: anunciou cerca de US$ 444 milhões em investimentos em IA com empresas dos Estados Unidos e da China — ao mesmo tempo. Dos recursos, aproximadamente US$ 250 milhões vão para um projeto de supercomputação que inclui a Huawei e a iFlytek, duas das principais empresas de tecnologia da China.
Pensa assim: enquanto Washington e Pequim travam uma guerra de chips e sanções — bloqueando exportações, proibindo acesso a modelos, controlando quem usa o quê —, o Brasil decidiu sentar à mesa com os dois lados ao mesmo tempo. É uma escolha que pode render dividendos ou gerar problemas diplomáticos futuros.
Por dentro:
A lógica do governo é que países em desenvolvimento não precisam escolher um único polo tecnológico. Capacidade de supercomputação própria significa poder treinar modelos em português, processar dados locais com mais soberania e reduzir a dependência de APIs americanas ou chinesas. Um supercomputador no Rio Grande do Norte tem impacto direto para universidades, startups e órgãos públicos que desenvolvem soluções com IA. O risco real: Washington já demonstrou, no caso da Anthropic, que está disposto a usar controles de exportação para limitar quem acessa tecnologia americana. Um Brasil que abraça Huawei e iFlytek pode encontrar mais resistência em acordos futuros com empresas dos EUA.
Resumindo: o Brasil está apostando na neutralidade tecnológica — estratégia inteligente no curto prazo, mas arriscada se a guerra fria da IA se aprofundar.
TECNOLOGIA
A Nvidia pagou US$ 6 bilhões por uma startup que tecnicamente não comprou. Isso vai virar padrão.
Imagine que você vai até uma padaria, paga uma fortuna pelo segredo da receita do pão, contrata metade dos funcionários e vai embora — mas a padaria continua aberta. Não é exatamente uma compra. Mas tampouco é só uma parceria. É algo novo. E é o que a Nvidia acabou de fazer com a startup Poolside.
O acordo envolve US$ 6 bilhões em licenciamento não exclusivo da tecnologia da Poolside — especializada em IA para geração de código —, mais US$ 1 bilhão de investimento direto numa avaliação pré-dinheiro de US$ 12 bilhões. Além disso, 109 funcionários da Poolside receberam ofertas de emprego na Nvidia. A empresa continua existindo. Mas seus melhores ativos — tecnologia e pessoas — já têm um novo dono na prática.
Entendendo:
Esse modelo existe porque comprar uma startup diretamente atrai escrutínio regulatório — e pode levar anos de aprovação antitruste. Ao licenciar tecnologia e contratar a equipe sem fechar a empresa formalmente, a Nvidia acessa o que importa sem abrir o processo oficial de aquisição. Meta e Google fizeram movimentos similares recentemente. Está virando o jeito padrão de o dinheiro grande absorver inovação no setor de IA — e as leis antitruste ainda correm para alcançar essa lógica.
Resumindo: quando uma empresa paga US$ 6 bilhões para "não comprar" algo, o setor criou um novo manual de negócios — e a regulação global ainda não sabe como responder.
TENDÊNCIA
Nova York roubou a coroa de São Francisco. A nova capital da tecnologia não fica no Vale do Silício.
394.300. É quantos empregos de tecnologia existem hoje em Nova York, segundo um relatório da CBRE. Pela primeira vez em 13 anos de análise, esse número supera o de São Francisco — que ficou com 375.730. Nova York é agora o maior mercado de talentos em tecnologia dos EUA. O Vale do Silício perdeu o trono.
O que moveu essa virada? Principalmente a IA. Vagas relacionadas à inteligência artificial cresceram 45% em um ano nos EUA e Canadá, e representam hoje quase um terço de todas as ofertas de emprego em tecnologia. Em Nova York, bancos, fundos e fintechs estão contratando engenheiros de IA em ritmo acelerado. Em São Francisco, demissões em massa em grandes empresas de tecnologia pesaram no número final.
O que isso muda para quem está no mercado: o epicentro da carreira em tecnologia está se deslocando. Nova York combina finanças com IA de uma forma que São Francisco ainda não consegue replicar. Quem domina modelos de IA e fala a língua de risco, crédito e mercado de capitais tem uma vantagem crescente. Ambas as cidades adicionaram mais de 20.000 vagas específicas em IA desde meados de 2025 — mas Nova York está crescendo mais rápido.
Resumindo: o mapa da tecnologia mudou — e quem está pensando em carreira internacional ou em big tech precisa atualizar o GPS.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 A Broadcom está tentando levantar até US$ 100 bilhões em dívida para financiar infraestrutura de IA — com a Anthropic entre os clientes. É o sinal de que IA virou classe de ativo como energia e telecomunicações. Leia mais
🔹 O Ibovespa fechou em alta de 1,85% na sexta com o dólar recuando para R$ 5,14 — Bradesco (+3,1%), Itaú (+2,9%) e Banco do Brasil (+2,2%) lideraram a sessão. Leia mais
🔹 O GitHub revelou a causa do apagão de 7 horas no dia 17: não foi erro de código. Foi o próprio crescimento — o tráfego do Copilot e de agentes de IA simplesmente sobrecarregou a infraestrutura central. Leia mais
🔹 Provas do Encceja 2026 acontecem neste domingo em todo o Brasil. Se tiver alguém na sua lista prestando, vale o lembrete. Leia mais
🔹 Investigação interna da Supermicro inocenta a alta gestão no caso de US$ 2,5 bilhões em servidores com chips da Nvidia enviados ilegalmente à China. Três ex-funcionários foram indiciados — a empresa diz que segue em conformidade. Leia mais |