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GIRO E PONTO

Edição #79  ·  Sábado, 22 de agosto de 2026

Bom sábado, Leitor. 📰


Em Las Vegas, motoristas de táxi passaram a semana olhando para as ruas com uma sensação nova. Não é paranoia — são carros sem motorista com autorização para cobrar corrida, competindo pelo mesmo cliente, na mesma cidade. E isso, desta vez, não é ficção científica.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 22/08/1485 — Ricardo III morreu em batalha e encerrou a Guerra das Rosas. A era Tudor começava ali.

Stat: 1 bilhão de downloads do Gemma (Google) em 2 anos. Mais de 100 mil variantes criadas.

Para ler: Apple Music vai rotular músicas feitas por IA — o que muda para artistas e ouvintes?

Para clicar: a Twin1 é a startup que cria um gêmeo digital seu para trabalhar enquanto você descansa.

Você sabia: Charter + Cox = fusão de US$ 34,5 bi. Maior provedora de cabo dos EUA já vista.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🚕 Las Vegas aprova 8.000 robôtaxis — e os motoristas não gostaram nada
🦄 A empresa de IA que pode ter o maior IPO da história se prepara
🇧🇷 Brasil investe em IA com China e EUA ao mesmo tempo. Vai dar?
🎯 A Nvidia pagou US$ 6 bi para "não comprar" a startup Poolside
📍 Nova York desbancou São Francisco como capital tech pela 1ª vez

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TECNOLOGIA

Las Vegas aprovou 8.000 carros sem motorista. Agora vem a parte difícil.

Kimberly Maxson-Rushton estava na sala de audiências com uma missão simples: convencer os reguladores de Nevada a não acabar com os empregos de centenas de motoristas de táxi. Não funcionou. Na quarta-feira (20), a Nevada Transportation Authority aprovou por unanimidade licenças para Tesla, Waymo e Uber operarem carros autônomos pagos em Clark County — o condado que inclui Las Vegas. Juntas, as três empresas podem colocar até 8.000 robôtaxis nas ruas nos próximos 12 meses.

Os números:

🔴 5.000 veículos: cota aprovada para a Tesla em Nevada — a maior das três.

🔴 1.000 cada: cota de Waymo e Uber (via parceria com Hyundai Motional e Zoox).

🔴 3 milhões de milhas: já percorridas pela Zoox em Las Vegas sem acidente grave desde o ano passado, carregando quase 1 milhão de passageiros.

🔴 ~20 carros: estimativa real de robôtaxis da Tesla rodando hoje — mostrando a distância entre licença e operação.

O próprio engenheiro-chefe do Cybercab, Eric Early, foi honesto durante a audiência: "5.000 sempre foi um teto para nós. Ficaria extremamente satisfeito se chegássemos a 2.500 no próximo ano." A licença é maior do que a capacidade real — por enquanto. O que torna Las Vegas atraente é exatamente isso: turistas o tempo todo, demanda alta por transporte e ruas já mapeadas por meses de testes. Se a tecnologia funcionar aqui — com turistas alcoolizados, performances de Elvis e tráfego caótico na Strip —, funciona em qualquer lugar.

Resumindo: Nevada virou o maior campo de prova do mundo para carros autônomos pagos — e o que acontecer lá nos próximos meses vai influenciar o que acontece em todo o resto.


NEGÓCIOS

A empresa com receita de US$ 65 bilhões ao ano quer ir à bolsa. Pode ser o maior IPO da história.

A Anthropic — criada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI, dona do assistente de IA Claude — se prepara para abrir capital na bolsa ainda este ano. Segundo a Bloomberg, a empresa pode protocolar os documentos de abertura ainda em agosto. E o tamanho do IPO pode rivalizar — ou até superar — o da SpaceX, hoje o maior da história dos EUA.

O número que explica a ambição: receita anualizada de cerca de US$ 65 bilhões ao final de julho de 2026 — muito acima do que era no final de 2025. O crescimento foi impulsionado por empresas usando os modelos da Anthropic para construir agentes de IA, sistemas que executam tarefas de forma autônoma sem precisar de instrução humana a cada passo.

No contexto maior:

A Anthropic levantou investimentos bilionários de Google e Amazon e hoje disputa com a OpenAI o título de empresa de IA mais avançada do mundo. A diferença de posicionamento: enquanto a OpenAI corre para lançar produtos, a Anthropic insiste que segurança vem primeiro. Isso não impediu que ela acumulasse uma receita que a maioria das empresas Fortune 500 jamais viu. Um IPO nesse porte seria o primeiro grande teste do mercado de capitais para uma empresa de IA pura — sem hardware, sem nuvem, sem publicidade. Só IA. Os investidores vão precisar decidir quanto isso vale de verdade.

Resumindo: se o IPO sair como planejado, será a maior aposta já feita pelo mercado financeiro sobre o valor real da inteligência artificial.


BRASIL

O Brasil anunciou US$ 444 milhões em IA com China e EUA ao mesmo tempo. Quase ninguém percebeu.

Em meio à corrida global pela inteligência artificial, o Brasil fez algo politicamente ousado: anunciou cerca de US$ 444 milhões em investimentos em IA com empresas dos Estados Unidos e da China — ao mesmo tempo. Dos recursos, aproximadamente US$ 250 milhões vão para um projeto de supercomputação que inclui a Huawei e a iFlytek, duas das principais empresas de tecnologia da China.

Pensa assim: enquanto Washington e Pequim travam uma guerra de chips e sanções — bloqueando exportações, proibindo acesso a modelos, controlando quem usa o quê —, o Brasil decidiu sentar à mesa com os dois lados ao mesmo tempo. É uma escolha que pode render dividendos ou gerar problemas diplomáticos futuros.

Por dentro:

A lógica do governo é que países em desenvolvimento não precisam escolher um único polo tecnológico. Capacidade de supercomputação própria significa poder treinar modelos em português, processar dados locais com mais soberania e reduzir a dependência de APIs americanas ou chinesas. Um supercomputador no Rio Grande do Norte tem impacto direto para universidades, startups e órgãos públicos que desenvolvem soluções com IA. O risco real: Washington já demonstrou, no caso da Anthropic, que está disposto a usar controles de exportação para limitar quem acessa tecnologia americana. Um Brasil que abraça Huawei e iFlytek pode encontrar mais resistência em acordos futuros com empresas dos EUA.

Resumindo: o Brasil está apostando na neutralidade tecnológica — estratégia inteligente no curto prazo, mas arriscada se a guerra fria da IA se aprofundar.


TECNOLOGIA

A Nvidia pagou US$ 6 bilhões por uma startup que tecnicamente não comprou. Isso vai virar padrão.

Nvidia e Poolside

Imagine que você vai até uma padaria, paga uma fortuna pelo segredo da receita do pão, contrata metade dos funcionários e vai embora — mas a padaria continua aberta. Não é exatamente uma compra. Mas tampouco é só uma parceria. É algo novo. E é o que a Nvidia acabou de fazer com a startup Poolside.

O acordo envolve US$ 6 bilhões em licenciamento não exclusivo da tecnologia da Poolside — especializada em IA para geração de código —, mais US$ 1 bilhão de investimento direto numa avaliação pré-dinheiro de US$ 12 bilhões. Além disso, 109 funcionários da Poolside receberam ofertas de emprego na Nvidia. A empresa continua existindo. Mas seus melhores ativos — tecnologia e pessoas — já têm um novo dono na prática.

Entendendo:

Esse modelo existe porque comprar uma startup diretamente atrai escrutínio regulatório — e pode levar anos de aprovação antitruste. Ao licenciar tecnologia e contratar a equipe sem fechar a empresa formalmente, a Nvidia acessa o que importa sem abrir o processo oficial de aquisição. Meta e Google fizeram movimentos similares recentemente. Está virando o jeito padrão de o dinheiro grande absorver inovação no setor de IA — e as leis antitruste ainda correm para alcançar essa lógica.

Resumindo: quando uma empresa paga US$ 6 bilhões para "não comprar" algo, o setor criou um novo manual de negócios — e a regulação global ainda não sabe como responder.


TENDÊNCIA

Nova York roubou a coroa de São Francisco. A nova capital da tecnologia não fica no Vale do Silício.

394.300. É quantos empregos de tecnologia existem hoje em Nova York, segundo um relatório da CBRE. Pela primeira vez em 13 anos de análise, esse número supera o de São Francisco — que ficou com 375.730. Nova York é agora o maior mercado de talentos em tecnologia dos EUA. O Vale do Silício perdeu o trono.

O que moveu essa virada? Principalmente a IA. Vagas relacionadas à inteligência artificial cresceram 45% em um ano nos EUA e Canadá, e representam hoje quase um terço de todas as ofertas de emprego em tecnologia. Em Nova York, bancos, fundos e fintechs estão contratando engenheiros de IA em ritmo acelerado. Em São Francisco, demissões em massa em grandes empresas de tecnologia pesaram no número final.

O que isso muda para quem está no mercado: o epicentro da carreira em tecnologia está se deslocando. Nova York combina finanças com IA de uma forma que São Francisco ainda não consegue replicar. Quem domina modelos de IA e fala a língua de risco, crédito e mercado de capitais tem uma vantagem crescente. Ambas as cidades adicionaram mais de 20.000 vagas específicas em IA desde meados de 2025 — mas Nova York está crescendo mais rápido.

Resumindo: o mapa da tecnologia mudou — e quem está pensando em carreira internacional ou em big tech precisa atualizar o GPS.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Broadcom está tentando levantar até US$ 100 bilhões em dívida para financiar infraestrutura de IA — com a Anthropic entre os clientes. É o sinal de que IA virou classe de ativo como energia e telecomunicações. Leia mais

🔹 O Ibovespa fechou em alta de 1,85% na sexta com o dólar recuando para R$ 5,14 — Bradesco (+3,1%), Itaú (+2,9%) e Banco do Brasil (+2,2%) lideraram a sessão. Leia mais

🔹 O GitHub revelou a causa do apagão de 7 horas no dia 17: não foi erro de código. Foi o próprio crescimento — o tráfego do Copilot e de agentes de IA simplesmente sobrecarregou a infraestrutura central. Leia mais

🔹 Provas do Encceja 2026 acontecem neste domingo em todo o Brasil. Se tiver alguém na sua lista prestando, vale o lembrete. Leia mais

🔹 Investigação interna da Supermicro inocenta a alta gestão no caso de US$ 2,5 bilhões em servidores com chips da Nvidia enviados ilegalmente à China. Três ex-funcionários foram indiciados — a empresa diz que segue em conformidade. Leia mais

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