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GIRO E PONTO

Edição #78  ·  Sexta, 21 de agosto de 2026

Bom dia, Leitor. 🚀


Do lado de fora do tribunal em Oakland, na Califórnia, mães seguravam uma faixa com quase 400 nomes. São jovens que, segundo as famílias, tiraram a própria vida por causa do Instagram e do Facebook — e esta semana, pela primeira vez, o design dessas plataformas chegou ao banco dos réus.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Hoje em 1959 o Havaí virou o 50º estado dos EUA. Era um reino soberano antes da anexação.

Curiosidade: O criador da rolagem infinita se arrependeu e hoje luta ativamente contra as big techs.

Para ver: Os 28 gadgets mais impressionantes do CES 2026: de robôs humanoides a chips de IA no hardware.

Stat: Wi-Fi 7 já representa 44,5% da receita mundial de redes corporativas, diz a IDC.

Para ler: Buscadores da Colômbia ainda cavam com as mãos 10 dias depois do sismo.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🤖 Em 90 dias, uma startup de IA multiplicou seu valor por cinco
📱 O "momento tabaco" das redes sociais chegou — e o Zuckerberg vai depor
🗳️ Em sete dias, a campanha eleitoral entra na sua sala de estar
🚨 O filho de Lula, o chefe do PCC e a Polícia Federal
🏠 Os bancos querem reescrever as regras do financiamento imobiliário

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TECNOLOGIA

A Stripe pagou US$7 bilhões por uma startup que valia US$1,3 bi há três meses

A OpenRouter foi avaliada em US$1,3 bilhão em maio de 2026, depois de captar US$113 milhões numa rodada com Sequoia, Andreessen Horowitz e o braço de venture da Alphabet. Em agosto, a Stripe finalizou a compra por mais de US$7 bilhões — um salto de 5x em menos de 90 dias. A startup, fundada em 2023 em Nova York, funciona como uma porta de entrada única para mais de 400 modelos de inteligência artificial: em vez de integrar cada sistema separadamente, o desenvolvedor usa uma única conexão e escolhe o modelo mais adequado para cada tarefa, pelo menor custo. Hoje, 8 milhões de desenvolvedores usam a plataforma.

Por dentro:

🔴 A Stripe já era fornecedora da OpenRouter antes da compra — processava os pagamentos da startup. Não foi uma aquisição às cegas.

🔴 46% do tráfego da plataforma vinha de modelos chineses até a venda, segundo investigação da CNBC — o que coloca a Stripe no centro de uma disputa geopolítica sobre inteligência artificial.

🔴 O CEO da OpenRouter, Alex Atallah, fundou antes a OpenSea — o marketplace de NFTs que chegou a valer US$13 bilhões e despencou. Desta vez, foi a Stripe que comprou antes do tombo.

A lógica por trás da compra é clara: a Stripe já se posiciona entre empresas e redes de pagamento — cobra por intermediar. A OpenRouter faz exatamente o mesmo, mas entre desenvolvedores e modelos de IA. Juntas, a ideia é criar um sistema onde a Stripe controla tanto a decisão de qual modelo responde quanto o faturamento que vem depois. Para quem trabalha com IA ou usa serviços construídos em cima da OpenRouter, a pergunta que fica é simples: a neutralidade que tornava a plataforma útil vai sobreviver depois que ela pertencer a uma empresa com interesses diretos no faturamento?

Resumindo: A Stripe não quer só processar pagamentos — está tentando ser a infraestrutura de tudo que trafega pela internet, incluindo inteligência artificial.


COMPORTAMENTO

O "momento tabaco" das redes sociais chegou. E o veredicto sai em outubro

Na última semana, começou nos Estados Unidos o que analistas jurídicos chamam de "o momento tabaco das redes sociais". A Meta — dona do Instagram, Facebook e WhatsApp — chegou ao banco dos réus num processo movido por 29 estados americanos. A acusação é grave: a empresa teria desenvolvido deliberadamente plataformas viciantes para crianças e adolescentes, escondido os dados internos que comprovavam o dano e violado leis de proteção à infância ao coletar dados de menores de 13 anos sem consentimento dos pais.

Os números:

🔴 US$200 bilhões em reparações: o que os 29 estados exigem da Meta.

🔴 8 semanas de julgamento, com veredicto previsto para outubro.

🔴 US$567 milhões: multa já aplicada à Meta por um juiz do Novo México em agosto, pela mesma razão — o maior valor já cobrado da empresa em questões de segurança infantil.

🔴 4,4% de queda nas ações da Meta no primeiro dia do julgamento.

O que torna esse julgamento diferente de tudo que veio antes é uma jogada técnica dos promotores: eles contornaram a lei americana que normalmente protege plataformas pelo conteúdo de terceiros — focando na arquitetura do produto em si. Rolagem infinita, autoplay de vídeos, contagem de curtidas, Stories — todos recursos que, segundo a acusação, foram desenhados para criar comportamento compulsivo. Documentos internos mostrariam que a Meta identificou "milhões" de usuários com menos de 12 anos no Instagram e optou por não agir. A defesa nega e pede "mente aberta" ao júri. Mark Zuckerberg vai depor. Adam Mosseri, chefe do Instagram, também.

Resumindo: Pela primeira vez, o design de um produto digital está sendo julgado como uma arma — e a decisão pode redesenhar como as redes sociais funcionam no mundo inteiro.


BRASIL

Em sete dias, a campanha eleitoral entra na sua sala de estar

Na próxima quinta-feira, 28 de agosto, às 13h e às 20h30, a televisão brasileira muda de cara. Começa a propaganda eleitoral gratuita — e com ela, a campanha de verdade. O calendário do TSE já está definido: primeiro turno em 4 de outubro, segundo em 25 de outubro. São 159 milhões de brasileiros aptos a votar — escolhendo presidente, governadores, todos os deputados federais e 54 senadores ao mesmo tempo.

A polarização segue firme. De um lado, Lula (PT) tentando o quarto mandato, apoiado na máquina pública e no discurso de transformação social. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL), que assumiu o posto do pai — Jair Bolsonaro está preso por tentativa de golpe de Estado em 2022 e é inelegível até 2030. A última pesquisa Quaest mede o nó com precisão: 43% dos brasileiros temem a continuidade do governo atual, enquanto 42% temem o retorno da família Bolsonaro. Empate técnico de medo.

No contexto maior:

O Brasil entra na campanha com alguns dos melhores indicadores econômicos em uma década — desemprego em 5,4%, inflação sob controle — mas a população está insatisfeita. O Datafolha confirmou: a percepção de piora econômica não bate com os números. Esse descompasso é o principal campo de batalha da eleição. Flávio Bolsonaro já iniciou a exploração: gravou propaganda eleitoral em frente a lojas da Casas Bahia, associando a crise do varejo a Lula, e decidiu limitar participações em debates no primeiro turno — a mesma estratégia que o próprio Lula usou em 2018, quando venceu.

Resumindo: Para o leitor da Giro e Ponto, o recado é direto — a partir de agora, o dólar, a Selic e o mercado vão precificar política muito mais rápido do que antes.


BRASIL

O filho de Lula, o chefe do PCC e a Polícia Federal — a seis semanas das eleições

Seis semanas antes do primeiro turno, a Polícia Federal abriu investigações envolvendo dois nomes que o presidente Lula certamente preferia não ver na mesma frase. De um lado, Luiz Cláudio Lula da Silva — o Lulinha, filho do presidente. Do outro, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola — líder do PCC, a maior facção criminosa do país. Segundo cobertura do Valor Econômico, G1 e CNN Brasil, o crescente envolvimento de ambos em investigações da PF gerou "incômodo e apreensão" no entorno do presidente.

O que vazou à imprensa é revelador em dois sentidos. Primeiro: Lula disse se sentir "traído por Marcola" — uma frase que, na prática, confirma algum grau de proximidade anterior entre o presidente e o chefe do PCC. Segundo: Lula anunciou que vai cobrar que Lulinha e um ex-chefe de gabinete prestem depoimento voluntariamente na PF. A postura soa firme, mas o timing é explosivo — é exatamente o início da campanha eleitoral, quando qualquer associação com crime organizado tem peso máximo nas urnas.

O que vem depois:

O depoimento de Lulinha na PF pode acontecer ainda em agosto — semanas antes das eleições. A oposição já usou o episódio para posicionamento. O governo tenta separar as investigações do discurso eleitoral. A equação é difícil: cada novo desdobramento recoloca o tema da corrupção no centro da campanha, no momento em que Lula mais precisa falar de economia.

Resumindo: Quando um presidente pede que o próprio filho coopere com a PF a seis semanas da eleição, a linha entre escândalo e campanha deixa de existir.


ECONOMIA

Os bancos querem reescrever as regras do seu financiamento imobiliário

Se você está pensando em financiar um imóvel nos próximos meses, há uma briga acontecendo agora em Brasília que pode mudar diretamente o quanto você vai pagar. Os principais bancos do país foram ao governo nesta semana pedir duas coisas sobre o novo modelo de crédito imobiliário: mais um ano para implementar as mudanças exigidas pelo Banco Central e, principalmente, a revisão do teto de juros de 12% ao ano nos contratos atuais. O pedido foi reportado pelo Estadão e pelo Valor Econômico na semana do dia 20.

Entendendo:

O teto de 12% ao ano é uma limitação histórica nos financiamentos imobiliários ligados ao FGTS e à poupança. O problema é que a taxa Selic está em torno de 13% — o que significa que, no modelo atual, emprestar para habitação é quase um negócio deficitário para os bancos. O argumento das instituições financeiras é simples: com esse teto, a oferta de crédito imobiliário tende a encolher.

O impacto prático depende do que o governo decidir. Se o teto for revisado para cima, os financiamentos ficam mais caros para quem compra. Se o novo modelo for simplesmente adiado, o mercado permanece no impasse atual — e os bancos buscam outras formas de compensar a margem reduzida: tarifas, condições mais restritas, menos oferta de crédito para perfis de risco médio. Quem está pensando em comprar imóvel nos próximos meses enfrenta incerteza — e incerteza em financiamento costuma sair caro.

Resumindo: Os bancos querem mudar as regras do crédito imobiliário — e independente do resultado, o mercado vai passar por turbulência antes de estabilizar.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Colômbia: 11 dias após o terremoto de magnitude 7,4 — o mais forte registrado no país em 25 anos — o balanço subiu para mais de 750 mortos e 379 desaparecidos. Máquinas pesadas começaram a substituir voluntários nos pontos onde já se descarta a chance de sobreviventes. Leia mais

🔹 Workday disparou 18% em bolsa após rumores de aquisição pela gestora Silver Lake por mais de US$51 bilhões — sinal de que o temido "fim dos softwares tradicionais" pela IA pode estar perdendo força. Leia mais

🔹 PayPal voltou à mesa de negociações com a Stripe e a Advent International após rejeitar uma oferta de US$53 bilhões em julho — a saga de uma das maiores potenciais aquisições do ano continua. Leia mais

🔹 Copa do Mundo Feminina 2026: o Maracanã foi confirmado como palco da cerimônia de abertura do torneio, que o Brasil sediará pela primeira vez na história do futebol feminino.

🔹 A Anthropic estaria em conversas para comprar a startup israelense Decart, que desenvolve tecnologia para fazer os chips existentes produzirem mais inteligência artificial por dólar investido — exatamente o que a empresa mais precisa agora. Leia mais

🔹 O TSE encerrou ontem o prazo para requerer, alterar ou cancelar habilitação para votar em trânsito — quem perdeu vai precisar votar no domicílio eleitoral original em outubro.

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