Inteligência Executiva

GIRO E PONTO Business

Edição #13  ·  Terça, 18 de agosto de 2026

Bom dia, Executivo.

Inteligência de mercado para decisões melhores — antes das 7h.

Samuel Klein chegou ao Brasil como refugiado, aprendeu português vendendo cobertores de porta em porta pelas ruas de São Paulo e construiu o maior varejista de eletrodomésticos do país. Sete décadas depois, o grupo que ele ergueu pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas — e a mesma Selic que estrangulou seu balanço também explica por que o PIB brasileiro cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre.

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⚡ QUICK TAKES

Stat: US$ 510 bi em startups no 1S26 — e 70% do capital foi para inteligência artificial, recorde histórico

Abre aspas: "A AWS estaria na 24ª posição da Fortune 500 se fosse empresa independente" — Andy Jassy, CEO da Amazon [tradução livre]

Para clicar: Startup Summit 2026 em Florianópolis (26-28/ago) inclui a etapa brasileira da Startup World Cup — vencedor vai ao Vale

Você sabia: O Estreito de Ormuz tem 33 km no ponto mais estreito e concentra 20% do petróleo mundial

Para ler: Salários médios de CEOs globais chegaram a US$ 22,8 milhões em 2026 — alta de 21%, com Musk virando parâmetro salarial

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🏪 Casas Bahia na Justiça — R$ 17,3 bi em dívidas e a conta que a extrajudicial não fechou
📉 O PIB que freou — o efeito mais esperado da Selic finalmente chegou ao número
☁️ AWS cresce 37% e Amazon supera US$ 200 bi — o retorno real do investimento em IA
🏗️ A corrida do ouro digital — data centers e energia viram o ativo mais disputado do planeta
🤝 M&A de tech no Brasil cai 33% — mas quem sobrou passou por uma régua muito mais alta
📊 B3 abre mercado a termo para Berkshire, Palantir, TSMC e mais 161 ativos

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EMPRESAS

Casas Bahia na Justiça: R$ 17,3 bilhões em dívidas e o fim da segunda chance extrajudicial

O que aconteceu:

Na noite de domingo (16), o Grupo Casas Bahia — dona das marcas Casas Bahia, Ponto Frio e do e-commerce Extra.com — protocolou pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências de São Paulo. A dívida declarada é de R$ 17,3 bilhões: R$ 16,4 bilhões com credores sem garantia, R$ 754 milhões em passivo trabalhista e R$ 154 milhões com micro e pequenas empresas. O pedido envolve dez empresas do conglomerado, incluindo a fabricante de móveis Bartira e subsidiárias de logística e tecnologia. A decisão veio quatro dias depois do fechamento de 298 lojas — 28,6% da rede — e da demissão de cerca de 3.000 dos 30.117 funcionários. No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões foram ajustes não recorrentes. O prejuízo ajustado, mesmo excluindo esses efeitos, chegou a R$ 978 milhões.

Por que isso importa:

Este não é um caso simples de empresa mal gerida. É o retrato de um setor inteiro sendo esmagado pelos juros. Em 2024, a Casas Bahia já havia feito uma recuperação extrajudicial — um instrumento que alcança apenas credores financeiros (bancos e debenturistas), não empregados, locadores ou fornecedores. O problema técnico foi esse: fechar 298 lojas e demitir 3.000 pessoas criou um passivo trabalhista e locatício novo que ficou fora do plano extrajudicial. O resultado era previsível. Além disso, a companhia tentou captar recursos via emissão de ações e crédito para recompor o caixa — as janelas fecharam. Para sobreviver até 2027, a Casas Bahia busca agora R$ 1 bilhão em financiamento do tipo DIP — debtor-in-possession, um crédito com prioridade de pagamento sobre quase todos os outros credores, com participação esperada de Bradesco e Banco do Brasil. O plano inclui também transação tributária para alongar até R$ 2 bilhões anuais em impostos e a liberação de depósitos judiciais.

Quem ganha e quem perde:

Perdem imediatamente os fornecedores com créditos anteriores à recuperação judicial — que serão alongados sem desconto mas sem prazo claro — e os pequenos investidores que carregam BHIA3, ação que caiu 77% nos últimos 12 meses e capitalizava apenas R$ 670 milhões na segunda-feira. Ganham os concorrentes diretos: Magazine Luiza, Americanas (em processo próprio de recuperação) e o varejo digital. E-commerces sem custo de loja física ganham mais espaço nas próximas semanas, quando consumidores em busca de garantias e entregas pendentes precisarão redirecionar compras.

O padrão:

A Casas Bahia não é uma história isolada. Ela é a manifestação mais visível do que os dados do PIB nesta edição confirmam: juros a 14% ao ano encarecem crédito, comprimem capital de giro e matam lentamente o varejo que depende de parcelamento. Quem já estava frágil desde os picos pós-pandemia está colapsando agora — exatamente quando a política monetária produz o efeito que o Banco Central calculava.

Próximos passos:

Após o deferimento pelo juiz — que deve ocorrer nos próximos dias —, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação. A assembleia de credores, que precisará aprovar o plano, tende a ser disputada: os R$ 16,4 bilhões em quirografários incluem desde bancos até fornecedores de médio porte. O DIP de R$ 1 bilhão é o oxigênio para os próximos meses. Sem ele, ou com a rejeição do plano pelos credores, o caminho para a falência encurta.


ECONOMIA

O PIB que freou: a Selic produz o efeito esperado — e o segundo semestre começa mais fraco

O que aconteceu:

Dois indicadores divulgados ontem (17) desenham o mesmo quadro: a economia brasileira desacelerou com força no segundo trimestre de 2026. O IBC-Br — a prévia do PIB calculada pelo Banco Central — cresceu apenas 0,2% no trimestre, contra 1,2% nos três primeiros meses do ano. O Monitor do PIB da FGV, com metodologia diferente, chegou a 0,3%. Junho foi o mês mais fraco: queda de 0,6% frente a maio — puxada pela indústria (-1,4%) e pelos serviços (-0,5%). O único setor em alta foi a agropecuária (+1%). Em 12 meses, o crescimento acumulado ficou em 1,5% pelo BC e 1,8% pela FGV. O Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, projeta 1,98% para o ano.

Por que isso importa:

A desaceleração não é surpresa — é o ponto do script. O Banco Central cortou a Selic no começo de agosto para 14% ao ano (quarta reunião consecutiva de corte, de 0,25 ponto percentual cada), mas manteve o tom restritivo, sinalizando que quer ver a inflação convergir antes de acelerar o ritmo. O problema é o que vem depois de junho: o segundo semestre começa com indústria e serviços contracionistas, mercado de crédito se deteriorando e inadimplência crescente. O consumo das famílias ainda cresceu 2,6% no trimestre — sustentado pela isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e por crédito farto ao consumidor —, mas essa alavanca tem prazo de validade. A diferença entre as projeções do Ministério da Fazenda (2,3%) e do mercado (1,98%) para o ano inteiro revela a tensão em torno de quanto o segundo semestre pesará.

Quem ganha e quem perde:

Perdem mais os setores que dependem de crédito e de prazo longo: construção civil, varejo de bens duráveis (vide Casas Bahia) e indústria de bens de capital. Ganham — paradoxalmente — empresas de serviços digitais e SaaS com custo variável baixo, que em ambiente de juros altos vendem eficiência operacional às corporações que querem cortar gastos. O agronegócio segue como âncora positiva: cresceu 0,3% no trimestre e é o componente mais resiliente do ciclo atual.

O padrão:

O colapso da Casas Bahia e a desaceleração do PIB são duas faces da mesma moeda. A política monetária restritiva derruba o varejo físico, contrai o crédito e comprime margens — e o efeito defasado dessa sequência está chegando agora, enquanto o BC ainda tenta calibrar o ritmo dos cortes de juros.

Próximos passos:

O IBGE divulga o PIB oficial do segundo trimestre em 1º de setembro. O número será o termômetro definitivo para avaliar se o BC tem espaço para acelerar os cortes. Surpresas benignas no IPCA abertas recentemente criaram algum otimismo: o economista do PicPay cita possibilidade de a Selic chegar a 13,5% ainda em 2026. Mas o dado de junho é um freio nessa expectativa.


IA NOS NEGÓCIOS

AWS cresce 37% e a Amazon bate US$ 200 bilhões em um trimestre: o retorno real da aposta em IA

O que aconteceu:

No final de julho, a Amazon divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026 e entregou uma combinação que o mercado não esperava nessa magnitude. A receita total chegou a US$ 200,6 bilhões — alta de 20% sobre o mesmo período de 2025 e a primeira vez na história que a empresa ultrapassou US$ 200 bilhões em um único trimestre. O lucro operacional subiu 43%, para US$ 27,5 bilhões, com margem de 13,7%. O grande destaque: a Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem, cresceu 37% — o ritmo mais acelerado desde 2021 e o quinto trimestre consecutivo de aceleração. A taxa de receita anualizada da AWS chegou a US$ 169 bilhões. As ações subiram mais de 14% no pregão seguinte. A empresa elevou sua previsão de investimentos em infraestrutura para US$ 220 bilhões em 2026 — acima dos US$ 200 bilhões anteriores.

Por que isso importa:

Existe um debate global sobre se os bilhões investidos em IA vão algum dia gerar retorno. Os resultados da Amazon respondem com dados: a receita da AWS relacionada a inteligência artificial já supera US$ 25 bilhões anualizados — cerca de 15% do total da divisão. O crescimento de 37% valida que a demanda corporativa por IA é real e está acelerando, não desacelerando. O CEO Andy Jassy disse que, mesmo com o capex elevado para US$ 220 bilhões, a Amazon não consegue atender a toda a demanda por capacidade computacional em 2026 — e que a maior parte da nova capacidade para 2027 já está reservada pelos clientes. Uma nota de cautela: o lucro líquido de US$ 62,6 bilhões divulgado inclui US$ 53,4 bilhões de ganho não operacional ligado à participação da companhia na Anthropic (desenvolvedora do modelo Claude) — distorção contábil que não se repete.

Quem ganha e quem perde:

Ganham as empresas que já migraram cargas para AWS e se beneficiam da plataforma Bedrock — usada para desenvolver modelos e agentes de IA sobre a nuvem da Amazon. Perdem os provedores de infraestrutura de nuvem menores e os fornecedores de software legado que ainda não integraram IA às suas plataformas. A Apple, por contraste, decepcionou no mesmo período: projeção fraca para o terceiro trimestre levou os papéis a cair 7% — penalizados por não demonstrar retorno claro dos investimentos em IA.

O padrão:

Os resultados da Amazon, da Microsoft e do Alphabet — as três grandes provedoras de nuvem — formam uma narrativa consistente: o ciclo global de investimento em infraestrutura de IA deve durar vários anos. Esse movimento global está redefinindo o mercado de fusões e aquisições — como as próximas matérias mostram.

Próximos passos:

A Amazon projeta receita entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões para o terceiro trimestre — ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado, mas a empresa atribuiu a diferença à mudança no calendário do Prime Day e ao impacto cambial. O BofA elevou o preço-alvo das ações para US$ 320 e manteve recomendação de compra, estimando que o crescimento da AWS pode chegar a 40% no terceiro trimestre.


INVESTIMENTOS

A corrida do ouro digital: data centers e energia ultrapassam software como o ativo mais disputado do planeta

O que aconteceu:

O mercado global de fusões e aquisições em tecnologia cresceu mais de 70% em valor neste ano, atingindo US$ 478 bilhões, segundo levantamento da consultoria Bain & Company. Mas o dado mais revelador está na composição desse total: a infraestrutura física para IA movimentou US$ 69 bilhões, superando o software como o principal alvo de investidores. Data centers, sistemas de energia, refrigeração industrial e conectividade passaram a ocupar o centro das teses de aquisição de fundos e corporações. Quase metade do valor estratégico de transações acima de US$ 500 milhões envolveu empresas nativas de IA ou citou benefícios ligados à tecnologia. Marcos recentes incluem a venda da Aligned Data Centers por US$ 40 bilhões em 2025 e a aquisição da plataforma asiática AirTrunk pela Blackstone por US$ 16,1 bilhões. Em maio de 2026, a gestora I Squared Capital comprou dez data centers da Cogent por US$ 225 milhões e anunciou US$ 1 bilhão adicional para expansão.

Por que isso importa:

Há uma analogia histórica que explica bem o movimento: na corrida do ouro do século XIX, quem enriqueceu não foram necessariamente os mineradores, mas os fornecedores de pás, picaretas e jeans. Hoje, o equivalente são os donos de data centers, energia elétrica e sistemas de resfriamento. Para se ter a dimensão: apenas nos Estados Unidos, a agência de informação de energia projeta recordes de consumo elétrico em 2026 e 2027 puxados por data centers de IA — e, pela primeira vez na história, o consumo comercial de energia deve superar o residencial no país. A capacidade global de data centers precisa crescer 15% ao ano para acompanhar a demanda — ritmo que, segundo analistas, pode não ser suficiente.

Quem ganha e quem perde:

Ganham toda a cadeia de infraestrutura digital: fabricantes de painéis elétricos, empresas de cabeamento, automação industrial, refrigeração e segurança física. O Brasil tem aqui uma oportunidade concreta: a matriz energética nacional, baseada majoritariamente em fontes renováveis, tornou-se um diferencial competitivo para atrair data centers internacionais. Perdem os desenvolvedores de software genérico sem diferenciação por dados próprios ou IA aplicada — o mesmo fenômeno que o mercado de M&A brasileiro está sentindo na pele.

O padrão:

Os resultados da Amazon (AWS crescendo 37%) e a onda global de M&A em infraestrutura contam a mesma história: a corrida pela IA migrou do modelo para a base física que o sustenta. Quem controlar energia, armazenamento e processamento nos próximos cinco anos dita as condições para todos os outros.

Próximos passos:

A análise da White & Case indica que data centers estão entre os ativos imobiliários e de infraestrutura que mais crescem no mundo. No Brasil, o debate sobre licenciamento ambiental de grandes instalações e a disponibilidade de energia de baixo custo em regiões com menos congestionamento de rede devem ganhar relevância na agenda regulatória dos próximos meses.


STARTUPS

M&A de tech no Brasil cai 33% — mas quem sobrou passou por uma régua muito mais alta

O que aconteceu:

O mercado brasileiro de fusões e aquisições em tecnologia registrou 87 transações no primeiro semestre de 2026 — queda de 33% frente às 131 do mesmo período de 2025, segundo o M&A Deals Report 2026 da consultoria Questum. O número retrocede ao patamar de 2024 (83 deals) e fica muito distante dos picos de liquidez de 2021 e 2022, quando o mercado registrou 295 e 229 operações no ano, respectivamente. O recuo, porém, não é o dado mais importante. A mudança qualitativa é: a inteligência artificial deixou de ser um diferencial pontual e passou a reorganizar completamente as teses de aquisição. Os compradores mais ativos foram a Unifique e a Vela LatAm da Constellation, com quatro transações cada, seguidas por Selbetti e Visma, com três cada — perfil de consolidadores dispostos a pagar prêmio por software vertical com dado proprietário.

Por que isso importa:

O mercado batizou o fenômeno de "SaaSpocalipse": agentes de IA e automação autônoma estão levantando dúvidas sérias sobre o futuro de grandes plataformas de software, derrubando múltiplos e reordenando o apetite comprador. Quem compra hoje não busca receita recorrente sozinha — quer receita recorrente com base fiel, dado proprietário que o modelo de IA do concorrente não consegue replicar e IA já aplicada nos fluxos de negócio. Estruturas de earn-out — em que parte do pagamento está condicionada a resultados futuros — ganharam espaço como forma de dividir a incerteza entre comprador e vendido. Empresas vendedoras que chegam a uma negociação sem essas três características saem com valuation menor ou sem proposta.

Quem ganha e quem perde:

Ganham as startups que resolvem problemas concretos em nichos específicos — saúde, agronegócio, jurídico, logística — com dados que ninguém mais tem. Perdem as empresas de SaaS horizontal sem diferenciação: o comprador que antes pagaria pela base de clientes hoje pergunta primeiro se a ferramenta sobrevive à automação por agentes de IA. Juros altos eliminaram a paciência do mercado para apostas de longo prazo.

O padrão:

A queda de volume no Brasil espelha o mesmo movimento que acontece globalmente em tecnologia — menos deals, tickets maiores, critérios mais duros. A onda de infraestrutura IA que domina o M&A mundial chega ao Brasil de forma mais lenta, mas chega: o dado proprietário das startups brasileiras de nicho — agro, saúde, finanças — é exatamente o que os consolidadores internacionais estão caçando.

Próximos passos:

O segundo semestre tende a ser mais movimentado. O Startup Summit em Florianópolis (26-28 de agosto) e o Futurecom em outubro colocam fundadores diante de investidores com liquidez. A expectativa do mercado é que o número de deals no ano supere o do primeiro semestre, mas a seletividade não vai ceder. Demonstrar retorno mensurável em reais — não em prompts gerados — continua sendo o portão de entrada.


MERCADO

B3 abre o mercado a termo para Berkshire, Palantir, TSMC e mais 161 ativos — e multiplica as opções de estratégia

O que aconteceu:

A partir desta segunda-feira (17), a B3 disponibilizou 164 novos ativos para negociação no mercado a termo: 99 Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e 65 BDRs não patrocinados — recibos de ações de empresas estrangeiras listadas na bolsa brasileira. O número de FIIs elegíveis saltou de 20 para 119; o de BDRs não patrocinados, de 14 para 79. Entre os nomes incorporados estão Berkshire Hathaway, Coca-Cola, Disney, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Oracle, Palantir Technologies, Taiwan Semiconductor (TSMC) e Visa. No universo de FIIs, entram fundos como BRCO11 (Bresco), KNSC11 (Kinea), MCCI11 (Mauá Capital) e PMLL11 (Pátria). O mercado a termo já movimentou mais de R$ 12 bilhões em 2026, com tíquete médio de R$ 189 mil — em todo 2025 foram R$ 22,9 bilhões.

Por que isso importa:

O mercado a termo funciona assim: comprador e vendedor combinam hoje o preço de um ativo para liquidação em uma data futura predeterminada. Isso permite travar preços (proteção contra oscilação), fazer financiamento de posições e executar estratégias combinadas com opções e contratos futuros. Na prática, a expansão abre quatro possibilidades novas: gestores de carteiras de FIIs podem montar posições vendidas contra ativos que consideram sobrevalorizados; investidores com BDRs de TSMC ou Palantir ganham ferramenta de gestão de risco que antes não existia; fundos podem fazer arbitragem entre o mercado à vista e o mercado a termo com muito mais ativos; e o gestor com visão direcional de longo prazo em Berkshire Hathaway, por exemplo, pode travar uma entrada a preço definido hoje.

Quem ganha e quem perde:

Ganham imediatamente os investidores institucionais — que hoje respondem por 73% do volume do mercado a termo — e os gestores de patrimônio sofisticados que precisam de mais instrumentos de proteção e geração de renda. O investidor de varejo que opera apenas no mercado à vista não muda nada por ora: operações a termo exigem garantias e conhecimento do produto. O mercado como um todo ganha liquidez e profundidade — mais ativos elegíveis tendem a estreitar spreads e tornar o mercado mais eficiente.

Próximos passos:

A B3 deve continuar expandindo a lista ao longo do ano. O próximo rebalanceamento do Ibovespa está previsto para entrar em vigor em 8 de setembro, com a prévia sendo publicada em 31 de agosto. O interesse crescente em BDRs como classe de ativo — especialmente os ligados a empresas de tecnologia global — deve pressionar a bolsa a ampliar ainda mais o cardápio elegível para operações estruturadas.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 O Brent chegou a US$ 90 por barril após Trump apresentar novas exigências ao Irã nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, pela qual passa 20% do petróleo mundial. A pressão geopolítica é citada pelo BC como um dos fatores que agravam o cenário macroeconômico brasileiro e dificultam um ciclo mais agressivo de cortes da Selic. Leia mais

🔹 A Apple decepcionou no mesmo período em que a Amazon brilhou: a projeção para o terceiro trimestre veio fraca, com crescimento de receita entre 9% e 11% — contra os 12% esperados pelo mercado —, e as ações caíram 7% após o balanço. A empresa citou restrições de fornecimento e não conseguiu demonstrar retorno claro dos investimentos em IA. Leia mais

🔹 A Petrobras pretende incluir no próximo plano estratégico (2027–2031) a meta de autossuficiência do Brasil em diesel e gasolina. A presidente Magda Chambriard afirmou que a guerra no Oriente Médio, ao elevar os preços do barril, tornou os investimentos em capacidade de refino ainda mais atrativos. O fator de utilização das refinarias subiu de 89% em dezembro de 2025 para 97% em março de 2026 — recorde da companhia. Leia mais

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