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GIRO E PONTO

Edição #75  ·  Terça, 18 de agosto de 2026

Bom dia, Leitor. 🎯


47 dias para as urnas e o dólar já subiu quase 3% em agosto. Bem-vindo ao Brasil em modo eleição — onde candidatos abrem campanha num domingo e o mercado precifica o resultado na segunda.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: mulheres conquistam o voto nos EUA (1920). Elas são 53% do eleitorado brasileiro.

Para ler: o que ainda falta para o Brasil gerar uma empresa global de tecnologia.

Stat: desemprego no Brasil caiu para 5,4% no 2º trimestre — menor da história, diz o IBGE.

Curiosidade: o cursor piscante do seu PC mantém o mesmo ritmo de 1970 — definido por pesquisadores de cognição.

Para clicar: o Numbeo compara custo de vida entre cidades do mundo em tempo real.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🗳️ O maior duelo eleitoral desde a redemocratização começou no domingo
💵 Quando o dólar entra em modo eleição antes dos eleitores
🛢️ O Irã cobra pedágio no Ormuz — e quem paga são todos nós
📱 A indústria de R$6 bilhões que não tem fábrica nem escritório
🤖 A corrida por robôs humanoides chegou à bolsa de Xangai

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BRASIL

A largada: Lula no ABC, Flávio em Copacabana — e Minas Gerais no meio dos dois

158 milhões de brasileiros vão às urnas em 47 dias — e a corrida começou de verdade no último domingo. Lula escolheu o Estádio Municipal 1° de Maio, em São Bernardo do Campo, o mesmo lugar onde cresceu como liderança sindical 47 anos atrás, para o pontapé da candidatura à reeleição — num ato batizado de "Lula: onde tudo começou." Do outro lado da polarização, Flávio Bolsonaro foi a Copacabana, num palanque com trio elétrico e aliados do PL, lançando uma chapa "puro sangue" com Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. Seu pai, condenado e preso pela tentativa de golpe de Estado de 2022, não compareceu.

Os números:

🔴 Lula: 38% das intenções de voto no 1° turno (Quaest, 14/08)

🔴 Flávio: 31%

🔴 Segundo turno simulado: Lula 45% x Flávio 37%

🔴 Eleitorado feminino: 53% dos 158 milhões de eleitores — ambos miraram nas mulheres nos discursos de abertura

A primeira semana de campanha já virou disputa por Minas Gerais. "Quem ganha Minas, ganha o Brasil" é frase usada há décadas para descrever o peso do estado — e desde 1989, o candidato que venceu lá também ganhou a eleição nacional. Lula e Flávio têm agendas confirmadas no estado logo nos primeiros dias: o candidato do PL já foi a Juiz de Fora nessa segunda em motociata — cidade marcada pelo atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro em 2018.

Os temas que devem dominar a campanha estão definidos: segurança pública, custo de vida, soberania diante das tarifas americanas e o caso Master, com denúncias de impacto financeiro e político. Analistas apontam que esta é a eleição mais decisiva desde a redemocratização — com resultado que pode redefinir os rumos econômicos do país por anos.

Resumindo: A largada foi simbólica, mas o placar está apertado — e quem decidir Minas provavelmente decide o Brasil.


ECONOMIA

R$ 5,21: o dólar entrou em modo eleição antes dos eleitores

R$ 5,21. Foi o fechamento do dólar na última sexta — maior valor em quatro meses. Em apenas sete dias de negociação, a moeda americana subiu 2,68% frente ao real e acumula quase 3% de valorização em agosto. O movimento tem nome: fuga. Investidores estrangeiros retiraram R$ 13,5 bilhões da bolsa brasileira nos primeiros 12 dias do mês. O JPMorgan rebaixou os ativos brasileiros de "compra" para "neutro" e outros grandes fundos seguiram. O motivo central não é o câmbio em si — é o que o câmbio representa: incerteza sobre quem vai gerir o país a partir de 2027.

Por dentro:

O governo Lula acionou o mecanismo de reciprocidade comercial contra as tarifas americanas de 25% sobre produtos brasileiros. Na prática, notificou formalmente os EUA e abriu um processo de análise de contramedidas — sem aplicar nada ainda. O recado foi suficiente para adicionar uma nova camada de incerteza: se o Brasil retaliar, a relação com Washington piora. Se não retaliar, a indústria reclama. O mercado odeia os dois cenários.

O Ibovespa encadeou quedas consecutivas no período — e quem olha a bolsa pelo celular tem sentido. A pesquisa CNT/MDA que mostrou Lula com 14 pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno foi suficiente para fazer os juros futuros subirem no mesmo dia: para o mercado, continuidade do atual governo significa política fiscal mais frouxa. Não é julgamento moral — é precificação de risco.

O real ainda acumula queda de 7,48% frente ao dólar em 2026 — segundo melhor desempenho entre as moedas relevantes. Mas agosto está mudando essa trajetória com velocidade. Quem tem dívida em dólar, produto importado parcelado ou viagem marcada vai sentir.

Resumindo: O mercado não espera outubro — já está votando no câmbio e na bolsa, e o voto ainda é de cautela.


MUNDO

O Irã cobra pedágio no Ormuz — e os EUA ameaçam o maior isolamento da história

30% do petróleo transportado por mar no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Desde 28 de fevereiro — quando a guerra no Oriente Médio escalou de vez — o Irã passou a controlar quem atravessa esse corredor e quanto paga. Navios que queiram cruzar o estreito precisam de autorização de Teerã e pagam uma taxa de trânsito que vai para os cofres iranianos. Segundo o Euronews, o Irã agora apresentou condições específicas para discutir a reabertura do canal nos termos anteriores — e os EUA responderam com ameaças pesadas.

No contexto maior:

O Estreito de Ormuz tem, no ponto mais estreito, apenas 33 quilômetros de largura. Mas por ali passam cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia — perto de 20% de todo o consumo global. Fechar ou restringir esse canal equivale a apertar a torneira de energia de boa parte do planeta de uma vez.

Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, disse na semana passada que os EUA podem impor ao Irã um isolamento econômico "como o mundo nunca viu" — sanções que iriam além de qualquer coisa aplicada a qualquer país. O preço do petróleo seguiu volátil, e essa volatilidade chega aqui de formas concretas: gasolina no posto, passagem aérea mais cara, frete de importação mais alto e pressão inflacionária que não some com decreto.

A negociação — se é que existe — está travada entre ameaças de um lado e condições do outro. O petróleo Brent, referência global, continua sendo monitorado por qualquer economista que tenta prever inflação no Brasil nos próximos meses.

Resumindo: O Ormuz é a torneira da energia global — e enquanto o Irã a controla, o mundo inteiro paga mais por quase tudo.


COMPORTAMENTO

O YouTube virou uma das maiores fábricas do Brasil — sem galpão, sem CNPJ obrigatório

Giovanna Carvalho, 26 anos, começou a gravar receitas com o celular que tinha durante a pandemia. Hoje, o canal sustenta a família com renda mensal acima da maioria dos empregos formais de nível superior — e ela não é exceção. O ecossistema do YouTube adicionou mais de R$ 6 bilhões ao PIB brasileiro e sustenta mais de 150 mil empregos no país, segundo levantamento da plataforma com dados de 2025. O Brasil já tem 100 mil canais com mais de 100 mil inscritos — e 10 mil que ultrapassaram 1 milhão.

Os números:

🔴 R$ 6 bilhões: impacto no PIB brasileiro em 2025

🔴 150 mil: empregos sustentados pelo ecossistema

🔴 US$ 250 bilhões: tamanho da creator economy global (Goldman Sachs)

🔴 US$ 480 bilhões: projeção para 2027

O Goldman Sachs estima que a creator economy global vale mais de US$ 250 bilhões e pode quase dobrar até 2027. Não são só influenciadores de beleza e gameplayzões. É toda a cadeia: agências de gestão, plataformas de edição, cursos de monetização, produtoras de vídeo, gestores de marca. Para 71% das pequenas e médias empresas com canal ativo no YouTube, a plataforma é importante ou muito importante para o crescimento do negócio — o que muda quem tem voz no mercado e quem tem verba de marketing.

O mercado vem deixando de ser associado a ciclos rápidos de atenção e avança para uma lógica mais madura e profissionalizada. Quem trabalha em empresa já sente: as marcas estão migrando verbas de publicidade tradicional para criadores de conteúdo — o que muda quem tem alcance, quem tem renda e quem dita o que está na moda.

Resumindo: A maior fábrica do Brasil não tem galpão — e ela já emprega 150 mil pessoas sem que a maioria das pessoas tenha percebido.


TECNOLOGIA

A empresa de robôs humanoides mais acessíveis do mundo chegou à bolsa — e isso muda o jogo

A Unitree Robotics, fabricante chinesa conhecida por criar robôs quadrúpedes e humanoides a frações do custo das concorrentes americanas, estreou na Bolsa de Xangai acelerando os planos de produção em massa de humanoides — segundo o G1. O IPO é o sinal mais claro até agora de que a corrida por robôs que caminham, carregam caixas e operam em ambientes humanos saiu do laboratório e entrou na linha de produção.

O que vem depois:

A corrida tem nomes conhecidos: a Tesla tem o Optimus, a Boston Dynamics tem o Atlas. A diferença é que a Unitree produz em escala, a um custo muito menor. Com o capital levantado na abertura de capital em Xangai, a empresa vai expandir a produção. Analistas do setor projetam que em 2027 a competição deve pressionar os preços dos humanoides para baixo de forma significativa — a mesma curva que aconteceu com painéis solares e baterias de lítio nas últimas décadas.

O governo chinês tem a robótica como prioridade estratégica do atual plano quinquenal — e startups do setor estão atraindo capital da mesma forma que o ecossistema de inteligência artificial atraiu entre 2022 e 2024. O IPO da Unitree é o sinal de que a fase experimental acabou: agora é produção em massa.

Para o leitor desta newsletter: automação por robôs humanoides vai chegar primeiro às indústrias de manufatura, logística e varejo. Brasil e Estados Unidos ainda estão decidindo onde vão sentar nessa corrida — a China já sentou e está aquecendo os motores.

Resumindo: A Unitree na bolsa chinesa não é notícia de tecnologia — é o pontapé de uma transição que vai chegar ao mercado de trabalho de todo mundo.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 As réplicas do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia em 10 de agosto seguem sendo monitoradas. O sismo matou ao menos 294 pessoas, gerou desastre nacional e já produziu mais de 70 tremores secundários. Leia mais

🔹 O JPMorgan rebaixou a recomendação para ações brasileiras de "compra" para "neutro", acelerando a saída de estrangeiros da bolsa — R$ 13,5 bilhões retirados só nos primeiros 12 dias de agosto. Leia mais

🔹 O Senado aprovou em segundo turno a PEC 14/2021, com impacto fiscal estimado em R$ 27,9 bilhões em 10 anos. O ministro da Fazenda pediu cautela ao Senado antes de promulgar. Leia mais

🔹 O déficit fiscal americano em 2026 já superou US$ 1,8 trilhão — acima do total registrado em todo o ano de 2025. O dado pressionou os juros de longo prazo nos EUA e afetou o apetite global por risco. Leia mais

🔹 O desemprego caiu para 5,4% no Brasil no segundo trimestre de 2026 — menor taxa já registrada pelo IBGE. O mercado de trabalho nunca esteve tão aquecido. O câmbio, por outro lado, nunca esteve tão agitado. Leia mais

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