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Uma foto tirada quando ela tinha 11 anos. Sete mil imagens explícitas geradas por uma ferramenta de inteligência artificial. E um processo judicial que pode mudar como o mundo regula o que as máquinas têm permissão de criar.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: Em 17 de agosto de 1945, Sukarno e Hatta proclamaram a independência da Indonésia — hoje o país é a maior democracia muçulmana e a 4ª nação mais populosa do mundo.
Para clicar: O Our World in Data tem gráficos gratuitos sobre qualquer tema do mundo — desigualdade, clima, saúde. Difícil entrar e sair em menos de 20 minutos.
Stat: US$ 765 bilhões — o que as grandes empresas de tecnologia devem gastar com inteligência artificial no mundo em 2026, segundo o Goldman Sachs. Em 2023, eram menos de US$ 100 bilhões. Fonte.
Abre aspas: "Toda a minha casa tremeu." — Jorge Moncayo, taxista de 64 anos em Cali, sobre o momento em que o terremoto de 7,4 derrubou prédios ao seu redor.
Curiosidade: O terremoto da Colômbia teve epicentro a 110 km de profundidade. É exatamente isso que fez a energia sísmica se espalhar por centenas de quilômetros sem gerar risco de tsunami — uma física cruel que explica por que Bogotá tremeu tanto quanto cidades próximas ao epicentro.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
💰 A empresa que morreu e voltou com US$ 20 bilhões
🤖 A foto de uma criança, 7 mil imagens: quem é o responsável?
⚖️ Brasil aciona lei de retaliação — e os EUA piscaram
🌊 O prazo acabou: Irã acusa os EUA e o Ormuz fica sem dono
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NEGÓCIOS
A empresa que todo mundo deu como morta levantou US$ 20 bilhões em uma semana
US$ 20 bilhões. É quanto a Intel levantou em cinco dias vendendo ações — aquela empresa de processador que era o xingamento favorito de Wall Street há dois anos, quando uma série de atrasos na fabricação de chips e apostas erradas quase a levaram à irrelevância. A oferta foi precificada a US$ 95 por ação, com demanada de mais de US$ 100 bilhões dos investidores institucionais. Uma fila de cinco compradores para cada papel disponível.
A ironia tem nome e sobrenome: nos anos 2010, a Intel gastou US$ 82 bilhões recomprando suas próprias ações — engenharia financeira para inflar os números de curto prazo enquanto a concorrência investia em fábricas e tecnologia. O resultado foi um balanço destruído e uma empresa que perdeu a liderança no setor que ela mesma inventou. Agora, com as ações tendo quintuplicado de valor nos últimos 12 meses e subido 175% só em 2026, a empresa quer usar esse capital novo para fazer o que deveria ter feito antes: construir fábricas.
Por dentro:
O dinheiro vai para expandir a fabricação de chips por contrato — o modelo em que a Intel produz chips desenhados por outras empresas, assim como a TSMC faz hoje com quase todo mundo. A Tesla já fechou contrato para usar a tecnologia 14A da Intel, prevista para produção em larga escala em 2028. Apple está em negociação. O governo dos EUA entrou como acionista com 10% da empresa — parte da estratégia de Washington para reduzir a dependência de Taiwan na cadeia global de semicondutores. A demanda por processadores explodiu com a chegada dos agentes de inteligência artificial, que exigem mais capacidade computacional do que a Intel consegue produzir hoje.
Resumindo: A Intel está apostando US$ 20 bilhões na tese de que a corrida pelos chips de inteligência artificial ainda tem espaço para um segundo concorrente — e o mercado acreditou.
TECNOLOGIA
Uma foto de criança, sete mil imagens explícitas — e a IA de Elon Musk no banco dos réus
Jane Doe 4 não sabe exatamente quantas pessoas viram as imagens. Ela sabe que uma delas era seu padrasto — e que o Grok, a ferramenta de inteligência artificial da xAI de Elon Musk, fez o resto. Segundo a ação judicial, ele usou uma única foto tirada quando ela tinha 11 anos para gerar mais de 7 mil imagens e vídeos de conteúdo sexual explícito. Dois dias depois de a polícia encontrar o material numa operação de busca e apreensão, o suspeito foi encontrado morto.
Jane Doe 4 se juntou a um processo coletivo movido originalmente por três adolescentes do Tennessee. A acusação central: a xAI deixou de implementar travas básicas de segurança que impediriam o Grok de transformar fotos reais de pessoas — incluindo crianças — em pornografia gerada por máquina. A empresa foi além: cobrou para liberar a função de edição de imagens, lucrando diretamente com a ferramenta enquanto os abusos aconteciam.
Os números:
🔴 90% dos relatórios que a xAI enviou ao centro nacional americano de combate à exploração de crianças não tinham dados para identificar os suspeitos.
🔴 52.222 contas suspensas e 73.604 denúncias feitas em 2026 — números que a própria xAI apresentou como defesa.
🔴 5 reguladores — incluindo a Comissão Europeia e o regulador britânico Ofcom — abriram investigações formais sobre as falhas de segurança da plataforma.
Resumindo: O Grok não é só um problema de regulação de inteligência artificial — é um caso concreto de como a ausência de travas básicas vira cumplicidade.
BRASIL
Brasil puxa a espada contra os EUA — e Washington, pela primeira vez, pisca
A tarifa de 25% que os EUA impuseram sobre produtos brasileiros em julho — ironicamente a mesma semana em que o Brasil tinha déficit comercial com os americanos — começou a aparecer nos balanços das empresas. O governo brasileiro reagiu na quinta-feira passada: abriu formalmente o processo previsto na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada no ano passado justamente para casos assim. Em paralelo, o Ministério das Relações Exteriores notificou Washington e pediu abertura de consultas diplomáticas.
Entender o que isso significa na prática: abrir o processo não quer dizer que o Brasil vai retaliar de imediato. É uma análise formal para ver se as medidas americanas justificam contramedidas previstas em lei — como tarifas de importação ou restrição de produtos americanos. Mas o sinal político é claro: o Brasil não vai ficar parado.
No contexto maior:
A participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 9,7% no primeiro semestre de 2026 — o menor nível desde que os registros começaram, em 1997. "É a primeira vez na história que as exportações para os EUA representam menos de 10% da balança comercial brasileira", disse uma fonte envolvida nas negociações. No primeiro semestre, as exportações brasileiras para os EUA caíram 13%, mas os embarques para o resto do mundo cresceram em ritmo superior. São Paulo concentra 41,6% do impacto das tarifas. Santa Catarina é o estado mais exposto: 68% de suas exportações para os americanos foram atingidas. A novidade desta semana: os EUA sinalizaram abertura para negociar — sem anunciar redução de tarifas, mas indicando que a estratégia está migrando de pressão pura para conversa.
Resumindo: O Brasil jogou a carta da retaliação formal — e os EUA responderam com um aceno diplomático que ainda não vale nada concreto, mas é diferente de silêncio.
MUNDO
O prazo acabou hoje: Irã acusa EUA de trair o memorando — e o Estreito de Ormuz fica sem dono
Em junho, Irã e EUA assinaram um memorando de entendimento. A ideia: 60 dias de pausa nos ataques para abrir espaço para negociações de um acordo definitivo. O prazo venceu nesta segunda-feira — e nenhum dos dois lados chegou a um acordo. O chanceler iraniano Abbas Araghchi foi direto: os EUA continuaram os ataques durante o período de negociação, violando o documento e inviabilizando qualquer prorrogação. Washington ainda não respondeu oficialmente ao acusação.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã passou a controlar o Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo. Qualquer navio que quiser passar precisa de autorização e paga pedágio. É um poder que o Irã não exercia antes da guerra. Agora, com o memorando morto e acusações cruzadas de quem rompeu o acordo primeiro, a pergunta que os mercados fazem é simples: o que vem depois?
O que vem depois:
Sem acordo, o Irã mantém a cobrança de pedágios em Ormuz indefinidamente. Qualquer escalada — um incidente naval, um ataque sem resposta, uma sanção nova — pode empurrar os preços do petróleo para cima de forma abrupta. Para o Brasil, que exporta petróleo e importa derivados, isso tem dois lados: bom para as receitas da Petrobras, ruim para o preço do diesel e da gasolina. O mundo está assistindo o fim do memorando sem ter uma tela B.
Resumindo: O acordo morreu hoje, as acusações cruzadas começaram — e o Estreito de Ormuz continua sob controle iraniano sem prazo de validade.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Eleições 2026 começam. Ontem, Lula foi a São Bernardo do Campo — berço do PT — e Flávio Bolsonaro abriu campanha na Praia de Copacabana. A corrida eleitoral é oficial. Leia mais
🔹 Colômbia, uma semana depois. O terremoto de magnitude 7,4 do dia 10 de agosto matou ao menos 294 pessoas e continua sendo o mais forte registrado no país na última década. Resgates ainda estão em andamento. Leia mais
🔹 Braskem e Petrobras. Credores da petroquímica Braskem aumentaram a pressão sobre a Petrobras para que a estatal se envolva mais ativamente no resgate financeiro da empresa. Leia mais
🔹 Argentina x Brasil. Após Javier Milei chamar Lula de ladrão publicamente, o Brasil reduziu a representação diplomática em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. A tensão entre os dois maiores países da América do Sul persiste. Leia mais
🔹 Helicóptero cai no Rio. Uma queda de helicóptero deixou quatro mortos no Rio de Janeiro. As circunstâncias do acidente ainda estão sendo investigadas pelas autoridades. |