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GIRO E PONTO

Edição #73  ·  Domingo, 16 de agosto de 2026

Bom domingo, Leitor. ☀️


No mesmo estádio onde um jovem metalúrgico liderou greves operárias que balançaram a ditadura em 1979, Lula abre hoje a campanha de reeleição — e do outro lado, o filho de seu maior adversário histórico escolheu a praia de Copacabana para o mesmo gesto simbólico. A eleição mais disputada em décadas começou.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 16 de agosto de 1977 — Elvis Presley, o Rei do Rock, morre em Graceland, Memphis, aos 42 anos. Mais de 75 mil pessoas foram ao seu funeral.

Para ver: Ainda não assistiu o resumo do CES 2026? Este vídeo reúne as 28 tecnologias mais impressionantes do maior evento de tech do mundo em 12 minutos.

Stat: US$ 480 bi — o que a creator economy global deve movimentar até 2027 (Goldman Sachs). No Brasil, 150 mil empregos já dependem disso.

Para clicar: O mapa eleitoral interativo da Quaest mostra como Lula e Flávio estão nos 10 estados mais decisivos do país — estado por estado.

Você sabia: Brasileiros trabalham, em média, 152 dias por ano só para pagar impostos — mais do que em qualquer outro país das Américas, segundo o IBPT.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🗳️ Largada eleitoral 2026: empate técnico e algoritmos com árbitro
🌎 Colômbia, 294 mortos — e o presidente que recusou ajuda de quase todo mundo
🤖 R$ 987 bilhões: o que a inteligência artificial pode render ao Brasil
💸 8 em cada 10 famílias brasileiras devem dinheiro — recorde histórico

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BRASIL

A corrida começa: empate técnico no 2º turno, Vila Euclides e os algoritmos que agora têm árbitro

Três pontos percentuais. É a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro numa simulação de segundo turno, segundo a última pesquisa Quaest, divulgada na sexta-feira (14). Lula tem 43%, Flávio 40% — dentro da margem de erro de 2 pontos. Tecnicamente: um empate. E é com esse cenário que a campanha de 2026 começa oficialmente neste domingo.

Os dois principais candidatos escolheram palcos carregados de história para a estreia. Lula abriu campanha no Estádio Municipal 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — o mesmo gramado onde, entre 1979 e 1980, ele liderava greves dos metalúrgicos que abalaram a ditadura. Slogan: "O Brasil pronto para mais". Flávio Bolsonaro foi à praia de Copacabana, no Rio, território que o pai transformou em símbolo do bolsonarismo ao longo dos anos. Na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice; na de Lula, Geraldo Alckmin (PSB) segue na dobradinha.

No primeiro turno, a distância é maior: Lula marca 38% e Flávio, 31%. Mas o CEO da Quaest, Felipe Nunes, aponta a divisão geográfica que explica tudo: "a vantagem de Lula está construída pelo Nordeste e pela renda mais baixa. A de Flávio, pelo Sul, pelos evangélicos e por quem recebe acima de 5 salários mínimos."

O que vem depois:

Horário eleitoral gratuito começa em 28 de agosto. Primeiro turno: 4 de outubro. Segundo turno, se necessário: 25 de outubro. E uma novidade desta eleição que vale atenção: o TSE proibiu o uso de inteligência artificial para criar conteúdo falso nas 72 horas antes do voto. Todo material gerado por algoritmo precisa ser rotulado. Plataformas digitais não podem usar sistemas de recomendação para favorecer candidatos. É a primeira eleição brasileira com árbitro nos algoritmos.

Resumindo: A eleição mais acirrada em anos começa com empate técnico e regras inéditas para a era digital — e quem vencer vai precisar ser convincente em dois Brasis que mal se falam.


MUNDO

294 mortos, 320 desaparecidos — e o presidente que decidiu com quem aceitar ajuda

O terremoto de magnitude 7,4 que sacudiu a Colômbia no dia 10 de agosto já deixou 294 mortos, 3.935 feridos e 320 desaparecidos — segundo o balanço da UNGRD divulgado ontem (15). Foram 448 municípios atingidos, 54 mil famílias desabrigadas ou afetadas — 115 mil pessoas. Cidades como Cali, Pereira, Manizales e Quibdó concentram os piores danos. Na terceira maior cidade do país, pelo menos 20 edifícios desabaram com pessoas ainda presas sob os escombros.

Mas o que virou polêmica nos últimos dias vai além da tragédia em si. O presidente Abelardo de la Espriella restringiu a entrada de equipes de resgate estrangeiras a apenas quatro países — todos governados por líderes alinhados politicamente à direita: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. Dezenas de outras nações, incluindo o Brasil, ofereceram ajuda e foram recusadas. O senador Alejandro Ocampo Giraldo questionou publicamente a decisão, afirmando que "restringir a assistência externa atenta contra a proteção das vítimas." O presidente negou qualquer motivação ideológica.

Os números:

🔴 Magnitude: 7,4 — o mais forte registrado na Colômbia na última década.

🔴 Alcance: sentido de Bogotá ao Panamá, a mais de 1.000 km do epicentro.

🔴 Dano econômico: estimado em até US$ 2 bilhões, segundo projeções iniciais.

Resumindo: Além do terremoto em si, a Colômbia virou um caso de estudo sobre o que acontece quando política e desastre se misturam — e quem paga o preço são as vítimas.


TECNOLOGIA

R$ 987 bilhões: o que a inteligência artificial pode render ao Brasil — se o Brasil deixar

A inteligência artificial pode adicionar R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro entre 2027 e 2030. O número é de um estudo do Reglab (Centro de Estratégia e Regulação), publicado esta semana e divulgado pela Forbes Brasil. A pesquisa foi encomendada pela OpenAI e usa a metodologia do Nobel de Economia Daron Acemoglu — o mesmo que fez o exercício para os Estados Unidos. Em valores relativos: 7,6% do PIB estimado para 2026, projetado em R$ 12,9 trilhões.

O ganho viria por dois caminhos: 65% pela produtividade dos trabalhadores (fazer mais em menos tempo) e 35% pela incorporação da tecnologia em máquinas e equipamentos. Os setores com maior potencial são indústria de transformação (R$ 264 bilhões), serviços (R$ 165 bilhões) e comércio (R$ 131 bilhões). No agronegócio, 92% do ganho potencial viria de drones, sensores e equipamentos inteligentes.

No contexto maior:

O próprio Reglab avisa que os ganhos são potenciais — não garantidos. Para se materializarem, o país precisaria de conectividade no campo, requalificação de trabalhadores, crédito mais barato e regras previsíveis. O Brasil lidera em adoção de inteligência artificial entre mercados emergentes, mas ainda enfrenta gargalos sérios de qualificação e infraestrutura. Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, resume bem: "Antes não existia a pessoa que faz 'vibe coding' ou é engenheira de prompt. São atividades que não conseguimos prever — o número real pode ser ainda maior."

Resumindo: Quase R$ 1 trilhão em jogo — mas o dinheiro só aparece se o Brasil resolver o que sempre adiou: educação, infraestrutura e crédito barato para empresas de todos os tamanhos.


ECONOMIA

8 em cada 10 famílias brasileiras devem dinheiro — e o alívio ainda não chegou no bolso

82% das famílias brasileiras declararam ter algum tipo de dívida em julho de 2026 — o maior índice de toda a série histórica da Peic, a principal pesquisa de endividamento do país, feita com 18 mil famílias pela Confederação Nacional do Comércio. É o sexto mês seguido de recorde. Em julho do ano passado, o índice era 78,5%. A trajetória sobe devagar, mas não para. Os dados foram divulgados em 6 de agosto.

O cartão de crédito é o grande vilão: mais de 85% dos endividados têm dívida nessa modalidade. As famílias com renda até 3 salários mínimos lideram o ranking — 84,9% delas estão no vermelho. Entre os endividados, 29,5% da renda mensal já vai para parcelas. E 19% das famílias comprometem mais da metade do que ganham para pagar dívidas. Na prática: quando o salário cai na conta, boa parte já foi embora antes de chegar.

Entendendo:

O Banco Central cortou a Selic para 14% ao ano no início de agosto — quarto corte consecutivo em 2026. Ótimo. Mas o alívio não chega imediato: os juros efetivos ao consumidor ainda passam de 60% ao ano, porque bancos embutem custos de inadimplência, risco e operação por cima da taxa básica. O economista-chefe da CNC resume: "a recuperação da capacidade de consumo das famílias será gradual." Para quem tem dívida cara no cartão hoje, a Selic em 14% ainda não significa muito.

Resumindo: O Brasil quebrou mais um recorde que ninguém queria: 8 em cada 10 famílias devem dinheiro, os juros começaram a cair — mas o bolso ainda não sentiu.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 O governo brasileiro abriu processo de reciprocidade na OMC contra as sobretaxas americanas sobre produtos nacionais — o Itamaraty quer negociar antes de partir para retaliações mais duras. Leia mais

🔹 Um forte terremoto atingiu a Indonésia neste domingo, seguido por vários tremores secundários e deixando dezenas de mortos — país já convive com alta atividade sísmica. Leia mais

🔹 O governo federal divulgou o Plano Nacional de Logística com R$ 1,2 trilhão em investimentos previstos — maior parte via setor privado, em concessões e parcerias público-privadas. Leia mais

🔹 Uma queda de helicóptero deixou quatro mortos no Rio de Janeiro neste domingo (16) — as causas ainda estão sendo investigadas pelas autoridades.

🔹 O TSE suspendeu novas filiações partidárias após detectar registros irregulares em massa no sistema eletrônico — a suspensão vale enquanto o sistema for auditado. Leia mais

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