Inteligência Executiva

GIRO E PONTO Business

Edição #12  ·  Quinta, 13 de agosto de 2026

Bom dia, Executivo.

Inteligência de mercado para decisões melhores — antes das 7h.

A Amazon faturou US$ 200 bilhões em um único trimestre — mais do que o PIB anual de muitos países sul-americanos. No mesmo período, a Braskem conta horas para evitar o maior default da petroquímica brasileira. Duas empresas, duas décadas de apostas distintas, um único diagnóstico: infraestrutura e tecnologia vencem commodities quando o ciclo finalmente vira.

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⚡ QUICK TAKES

Stat: US$ 510 bi em VC no 1S26 — recorde histórico. IA absorveu 43% do capital global.

Abre aspas: "A AWS cresce 36,7% — nosso ritmo mais rápido em 18 trimestres." — Andy Jassy, CEO da Amazon [trad. livre]

Você sabia: O Alibaba treinou o Qwen3.8-Max sem chips americanos — usando aceleradores da Huawei.

Para ler: O relatório Questum mapeou 87 deals de tech no Brasil no 1S26 — queda de 33%.

Curiosidade: Em 2014, o Santander já tentou fechar o capital no Brasil — com prêmio de 20%.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🏭 Braskem na contagem regressiva — 11 dias para o destino da maior petroquímica das Américas
☁️ Amazon: US$ 200 bi num trimestre e a AWS no crescimento mais rápido em 18 trimestres
🤖 A China derruba o mito: Alibaba lança modelo de IA aberto que rivaliza com GPT-5
🏦 Santander faz OPA de R$ 11 bi — quem aceita a troca e quem fica preso num ativo ilíquido
🔍 M&A em tech caiu 33% no Brasil, mas a régua subiu: só entra quem tem IA de verdade

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EMPRESAS

Braskem na contagem regressiva: dívida de US$ 9,5 bi, Petrobras no centro do impasse e 11 dias para decidir o futuro da petroquímica

O que aconteceu:

A Braskem — maior petroquímica da América Latina e produtora de resinas essenciais para embalagem, construção civil e bens de consumo — chegou ao momento mais delicado de sua reestruturação financeira. Com uma dívida de US$ 9,497 bilhões e uma tutela cautelar que suspende execuções de credores expirando em 24 de agosto, a empresa precisa do apoio de titulares de ao menos um terço de sua dívida para fechar uma recuperação extrajudicial — o caminho mais rápido e menos disruptivo que o processo judicial. O impasse está numa só empresa: a Petrobras. A estatal detém 47% dos votos da Braskem e se recusa a injetar capital porque ampliar sua participação poderia obrigá-la a consolidar os cerca de R$ 50 bilhões em dívida da petroquímica em seu próprio balanço — cenário que a estatal quer evitar a qualquer custo. Um grupo de credores que inclui Elliott Investment Management e Contrarian Capital Management pressiona por um aporte firme antes do prazo. Fitch, S&P e Moody's já rebaixaram a nota da Braskem para equivalente a default. Os ADRs na NYSE tocaram mínima de US$ 2,20. Na quarta-feira (12), a empresa divulgou seus resultados do 2T26, os primeiros sob a nova gestão da IG4 Capital — os números serviram de base concreta para as negociações em curso.

Por que isso importa:

A Braskem não é uma empresa qualquer — é elo central em cadeias de suprimento que vão da sacola plástica ao tubo de água potável. Uma recuperação judicial teria efeito cascata sobre bancos credores (Bradesco, Itaú, Santander, BB e BNDES), debenturistas, fundos de crédito privado e a Petrobras, que já está exposta pelo lado societário. O peso político do caso se amplifica em ano eleitoral: o governo Lula enfrenta escrutínio crescente sobre o destino de empresas consideradas estratégicas — e deixar a maior petroquímica do continente entrar em recuperação judicial é exatamente o tipo de imagem que nenhum governo quer às vésperas de outubro.

Quem ganha e quem perde:

Credores que compraram bônus da Braskem com deságio — como Elliott e Contrarian — ganham poder de negociação e podem extrair condições melhores. A Petrobras perde em qualquer cenário: ou desembolsa capital para salvar uma empresa que não controla sozinha, ou absorve o ônus reputacional de uma recuperação judicial de uma subsidiária onde detém quase metade dos votos. Acionistas minoritários da BRKM5 ficam na posição mais frágil: em qualquer plano de reestruturação, sócios são pagos depois que todos os credores forem quitados — e o papel já acumula perdas expressivas desde as máximas históricas.

O padrão:

A crise da Braskem é o capítulo mais dramático de uma tendência que percorre toda esta edição: capital ficou seletivo, e empresas presas em modelos intensivos em commodities sem capacidade de se reinventar perdem o acesso ao financiamento. Enquanto a Amazon investe US$ 200 bilhões em IA e a Alibaba lança modelos open-source de última geração, a Braskem negocia prazos de carência com credores que já a classificam como default. O abismo é estrutural.

Próximos passos:

O marco crítico é 24 de agosto — data em que expira a proteção judicial. Se um acordo extrajudicial for fechado, as partes têm mais 90 dias para finalizar os termos; se não houver acordo, a recuperação judicial — ainda sobre a mesa — deverá ser decretada. Os bônus da Braskem com vencimento em 2030 negociam com spread de 1.900 pontos-base sobre o Tesouro americano — quase o dobro do patamar de 1.000 pontos-base que já caracteriza dívida em estresse. Um acordo reduziria esses spreads de forma expressiva; uma recuperação judicial os ampliaria ainda mais.


MERCADO

Amazon ultrapassa US$ 200 bilhões de receita em um trimestre — e a AWS registra o crescimento mais acelerado em 18 trimestres

O que aconteceu:

A Amazon divulgou resultados do segundo trimestre de 2026 que superaram as projeções de Wall Street por larga margem. A receita total atingiu US$ 200,6 bilhões — alta de 20% na comparação anual e a primeira vez na história da empresa que a marca de US$ 200 bilhões foi ultrapassada em um único trimestre. O destaque absoluto foi a AWS (Amazon Web Services), divisão de computação em nuvem: cresceu 36,7% no período, com receita de US$ 42,2 bilhões e margem operacional de 39%. Segundo o CEO Andy Jassy, foi o ritmo de expansão mais rápido da AWS em 18 trimestres, sustentado pela demanda crescente por infraestrutura de inteligência artificial. O lucro operacional consolidado subiu 43%, para US$ 27,5 bilhões. O lucro líquido reportado foi de US$ 62,6 bilhões — número que inclui US$ 53,4 bilhões de efeitos não operacionais ligados à valorização do investimento da Amazon na Anthropic, a startup criadora do modelo de IA Claude. As ações subiram mais de 9% no pós-mercado, levando a empresa a ultrapassar US$ 3 trilhões em valor de mercado.

Por que isso importa:

O resultado da Amazon confirma uma tese construída ao longo dos últimos dois anos: infraestrutura de nuvem se tornou o ativo mais valioso da corrida pela IA. A AWS não cresce apesar da IA — ela cresce por causa dela. Cada modelo novo que entra em escala global precisa de processamento, armazenamento e inferência, e a Amazon é uma das três únicas empresas no mundo com capacidade real de atender essa demanda. Para empresas brasileiras que operam na AWS — de bancos a varejistas a startups — isso significa que o preço de infraestrutura de nuvem continuará subindo, e que dependência de um único provedor virou risco estratégico que precisa de gestão ativa.

Quem ganha e quem perde:

Ganham Amazon, Microsoft (Azure) e Google (GCP), que juntas controlam o mercado global de nuvem e se beneficiam diretamente do aumento de demanda por infraestrutura de IA. Ganham também fundos de infraestrutura digital e investidores da Anthropic — incluindo a própria Amazon, cuja participação na startup gerou US$ 53,4 bilhões não operacionais no trimestre. Perdem empresas de software SaaS tradicionais — o mercado já apelidou de "SaaSpocalipse" a percepção de que agentes de IA autônomos podem substituir boa parte das funcionalidades que justificavam valuations elevados desse setor.

O padrão:

A Amazon anunciou que investirá US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA ao longo de 2026. O reverso aparece no caixa: o fluxo de caixa livre acumulado em 12 meses virou negativo em US$ 7,6 bilhões — uma reviravolta de mais de US$ 25 bilhões em relação ao ano anterior, explicada pelo aumento de US$ 66 bilhões em investimentos em imobilizado. A corrida pela IA cria lucros operacionais recordes e queima caixa ao mesmo tempo. Esse paradoxo é o mesmo que aparece nos dados de M&A desta edição: o capital migrou da funcionalidade de software para a infraestrutura que a sustenta.

Próximos passos:

Para o 3T26, a Amazon projeta receita entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões — crescimento de 9% a 12% —, com lucro operacional entre US$ 22,5 bilhões e US$ 26,5 bilhões. O mercado monitorará dois pontos: quando o investimento pesado em IA começará a gerar receita incremental além da AWS, e se a queima de caixa livre se tornará uma preocupação estrutural ou apenas uma fase transitória da corrida por capacidade.


IA NOS NEGÓCIOS

A China derruba o mito das sanções: Alibaba lança modelo de IA com 2,4 trilhões de parâmetros, código aberto e gratuito

O que aconteceu:

Em 2 de agosto, a Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, seu modelo de inteligência artificial mais poderoso — com 2,4 trilhões de parâmetros e arquitetura Mixture-of-Experts (técnica que divide o modelo em "especialistas" e ativa apenas cerca de 95 bilhões de parâmetros por solicitação, reduzindo custo de processamento). O modelo é multimodal: processa texto, imagens e vídeo, com janela de contexto de 1 milhão de tokens. Segundo benchmarks publicados pela Alibaba, o Qwen3.8-Max rivaliza com o GPT-5 da OpenAI e supera o Fable 5 da Anthropic em tarefas de engenharia de software, raciocínio visual e codificação autônoma. O diferencial estratégico: ao contrário dos modelos da OpenAI e da Anthropic, o Qwen3.8-Max foi disponibilizado com pesos abertos — publicados no Hugging Face e no GitHub na semana seguinte ao lançamento. Qualquer empresa pode baixar, ajustar e executar o modelo sem pagar licença.

Por que isso importa:

Esse lançamento derruba um dos pilares da política industrial dos EUA. Desde outubro de 2022, Washington vem restringindo exportações de chips avançados da Nvidia para a China — a teoria era simples: sem hardware de ponta, laboratórios chineses não conseguiriam treinar modelos frontier. A evidência empírica de 2025 e 2026 aponta na direção contrária. DeepSeek R1 igualou o raciocínio do GPT-4 com fração do custo computacional. Kimi K3 competiu de igual para igual com os melhores modelos ocidentais. O Qwen3.8-Max é o argumento mais contundente até agora: foi treinado sem acesso aos chips americanos mais avançados, usando aceleradores chineses como o Ascend 910C da Huawei. As restrições, longe de frear a China, aceleraram sua autossuficiência tecnológica.

Quem ganha e quem perde:

Ganham desenvolvedores e empresas — incluindo startups brasileiras de IA — que poderão usar um modelo de última geração sem pagar por APIs da OpenAI ou Anthropic. Ganham também fornecedores de infraestrutura local que se beneficiam de modelos de código aberto rodando em servidores próprios. Perdem OpenAI e Anthropic, cujas vantagens competitivas são erodidas pela commoditização: quando vários modelos têm desempenho similar, o diferencial passa a ser preço e infraestrutura — e a Alibaba leva vantagem com sua própria nuvem, o Alibaba Cloud.

O padrão:

A Amazon investiu pesado na Anthropic — e seu resultado financeiro aparece inflado em US$ 53 bilhões pela valorização dessa participação. À medida que modelos abertos chineses se tornam competitivos, o valor de longo prazo dos investimentos em modelos fechados pode ser questionado pelo mercado. DeepSeek captou US$ 7,4 bilhões em junho de 2026. Capital chinês continua fluindo para IA com ou sem chips americanos.

Próximos passos:

A Casa Branca já expressou preocupação com o avanço dos modelos de código aberto chineses — novas restrições de exportação parecem prováveis. A Alibaba planeja lançar uma versão compacta do Qwen — o Qwen3.8-27B, com 27 bilhões de parâmetros — capaz de rodar em hardware doméstico, democratizando ainda mais o acesso. Para empresas que hoje dependem de APIs de terceiros para construir produtos de IA, o cenário mudou: a alternativa gratuita e de performance comparável já existe.


INVESTIMENTOS

Santander faz OPA de R$ 11 bilhões no Brasil — e coloca o acionista minoritário num jogo onde ficar pode ser a pior estratégia

O que aconteceu:

No fim de julho, o Banco Santander da Espanha anunciou uma oferta pública de aquisição (OPA) voluntária de permuta para comprar a totalidade das ações do Santander Brasil (SANB11) em circulação no mercado. A operação pode movimentar até 1,908 bilhão de euros — cerca de R$ 11 bilhões. Em vez de pagar em dinheiro, a matriz oferece 0,4056 nova ação própria para cada unit do Santander Brasil, com prêmio de 15% sobre o preço de referência de 30 de julho. Quem aceitou recebeu certificados BDR ou ADS do banco espanhol — não mais ações do banco brasileiro. O prazo de adesão encerrou-se em 11 de agosto. O Santander Brasil permanecerá listado na B3, mas com free float — a parcela de ações efetivamente em circulação no mercado — potencialmente ainda mais reduzido que os atuais 10%.

Por que isso importa:

O timing revela o estado do Santander Brasil: as ações acumulavam queda de cerca de 25% no ano até o anúncio, depois de resultados fracos e rentabilidade (ROE) de 12,5% — muito abaixo da meta de 20% do grupo. Enquanto isso, a matriz espanhola subia 16% em 2026 e acumulava alta de 61% em 12 meses. A diferença de múltiplos é o coração da operação: a matriz negocia a 1,6 vez o patrimônio líquido projetado para 2026; o Santander Brasil, a 0,9 vez. A conta é simples — a Espanha usa moeda cara (ações valorizadas) para comprar um ativo barato (a subsidiária brasileira descontada). É um clássico de M&A corporativo.

Quem ganha e quem perde:

Ganha claramente a matriz espanhola: consolida exposição ao Brasil comprando barato com papel valorizado. Ganha o minoritário que aderiu à oferta — recebeu 15% de prêmio e passou a ter participação num grupo financeiro global mais diversificado. Perde o acionista que ficou: com o free float podendo cair para menos de 5%, o SANB11 pode perder elegibilidade para índices como o Ibovespa e o Novo Mercado, comprometendo liquidez e precificação futura. O JP Morgan já alertou que, se a participação da matriz ultrapassar 95% do capital, a legislação brasileira abre espaço para uma aquisição compulsória das ações remanescentes.

O padrão:

A retirada de subsidiárias de grandes grupos estrangeiros do mercado de capitais brasileiro não é fenômeno isolado. Em 2023, o próprio Santander fez movimento semelhante no México. A lição para o mercado brasileiro: com juros altos comprimindo resultados locais e matrizes globais negociando a múltiplos elevados, a janela para "repatriar" ativos descontados está aberta. Outros grupos internacionais com subsidiárias listadas na B3 podem estar fazendo a mesma conta.

Próximos passos:

A CVM e a B3 precisam aprovar o programa de BDRs e registrar a OPA formalmente. Se o free float cair abaixo dos limites exigidos pelos índices de governança corporativa, o Santander Brasil perderá classificação no Novo Mercado — o que abre caminho para um fechamento de capital em operação futura, mesmo que não seja o objetivo declarado agora. A nova gestão de Gilson Finkelsztain, ex-CEO da B3, assume o banco num dos momentos mais delicados de sua trajetória no Brasil.


STARTUPS

M&A em tech caiu 33% no Brasil — mas a régua subiu e a inteligência artificial redefiniu quem tem direito de ser comprado

O que aconteceu:

O mercado brasileiro de fusões e aquisições em tecnologia registrou 87 transações no primeiro semestre de 2026 — queda de 33% em relação às 131 operações do mesmo período de 2025, segundo o M&A Deals Report 2026 da consultoria Questum. O volume retorna ao patamar de 2024 (83 deals) e confirma o distanciamento dos picos de liquidez de 2021 (295 transações) e 2022 (229). Globalmente, o cenário é o oposto: o mercado global de fusões em tech cresceu mais de 70% em valor, somando US$ 478 bilhões, segundo a Bain & Company — impulsionado por operações como a compra da startup chinesa Manus pelo Meta. No Brasil, os compradores mais ativos do semestre foram a Unifique e a Vela LatAm, braço da Constellation Software, com quatro deals cada — seguidas por Selbetti e Visma, com três aquisições cada.

Por que isso importa:

A queda em volume não sinaliza desânimo — sinaliza seleção. A inteligência artificial deixou de ser diferencial pontual e se tornou o principal critério de compra: compradores buscam software vertical com dado proprietário e IA aplicada ao núcleo do produto, e estão dispostos a pagar prêmio por isso. Quem não consegue demonstrar receita recorrente sólida, base de clientes fiel e IA integrada ao fluxo de negócio — não ao marketing — simplesmente não entra na mesa. O fenômeno tem nome no mercado global: "SaaSpocalipse" — a percepção de que agentes autônomos de IA podem substituir boa parte do que grandes softwares fazem, o que reorganizou o apetite comprador e derrubou valuations de SaaS genérico.

Quem ganha e quem perde:

Ganham startups com dado proprietário, IA aplicada e receita recorrente robusta — são elas que atraem prêmio nas negociações. Ganham também os consolidadores como Unifique e Constellation, que usam o mercado mais frio para comprar ativos de qualidade a preços mais racionais. Perdem startups SaaS genéricas sem diferenciação tecnológica clara, que enxergavam no M&A uma saída de liquidez natural e hoje encontram compradores com régua muito mais alta e paciência muito mais curta.

O padrão:

O mesmo movimento que derruba os M&As em SaaS genérico no Brasil alimenta os resultados da AWS e justifica o lançamento do Qwen3.8-Max na China: o valor migrou da funcionalidade de software para a infraestrutura e os dados que a sustentam. Com aportes globais de venture capital em recorde histórico — US$ 510 bilhões no 1S26, segundo o Crunchbase — o gargalo não é dinheiro. É a capacidade de demonstrar que a IA está no centro do produto, não nas apresentações de pitch.

Próximos passos:

A tendência aponta para consolidação crescente em software vertical — saúde, agronegócio, jurídico, finanças — onde dados proprietários criam vantagem defensável. Com a Selic em 14,25% e valuations sob pressão, estruturas de earn-out e pagamento parcelado devem dominar as próximas transações. O próximo termômetro do ecossistema será o Startup Summit, em Florianópolis, de 26 a 28 de agosto — onde a etapa brasileira da Startup World Cup, com US$ 1 milhão em prêmio para a vencedora global, colocará à prova a régua atual do capital de risco.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Anthropic captou US$ 65 bilhões no 2T26, levando seu valuation a quase US$ 1 trilhão — sozinha, a rodada representou quase um terço de todo o capital global de venture capital do trimestre. Leia mais

🔹 A Raízen (RAIZ4) — empresa de açúcar, etanol e combustíveis — obteve aval judicial para sua recuperação extrajudicial. O caso acontece em paralelo ao impasse da Braskem e sinaliza que o estresse financeiro de grandes empresas com dívida em dólar continua elevado no Brasil. Leia mais

🔹 O mercado global de fusões em infraestrutura de IA movimentou US$ 69 bilhões em operações recentes, com data centers, empresas de refrigeração e energia entrando nas teses de investimento de grandes fundos — a lógica é que controlar a infraestrutura pode ser mais lucrativo do que desenvolver os modelos. Leia mais

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