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GIRO E PONTO

Edição #70  ·  Quinta, 13 de agosto de 2026

Bom dia, Leitor. 🔥


83,3 milhões de brasileiros têm o nome sujo hoje — mais da metade dos adultos do país. Para comparar: é mais gente do que toda a população da Alemanha compartilhando a mesma situação financeira ao mesmo tempo.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 13/08/1961 — o Muro de Berlim começou a ser construído à madrugada, há 65 anos.

Para ver: o resumo das 28 tecnologias mais impressionantes da CES 2026 em menos de 20 minutos.

Para clicar: como o passaporte digital já chegou ao iPhone e ao Android em 2026 — e o que muda na prática.

Stat: US$ 13,7 tri foi o valor do comércio global no 1º sem/26 — puxado por chips e baterias (ONU).

Abre aspas: "Não aceita votos de argentinos nem de americanos" — Alckmin, sobre o sistema eleitoral (5/ago).

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🏭 A megafábrica que vai mudar quem manda nos chips de IA
🇧🇷 Milei foi ajudar o rival de Lula — e pode ter ajudado Lula
💳 83 milhões com nome sujo: como o Brasil chegou a esse recorde
🌍 Por que tarifas americanas sobre chips chegam na sua conta

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TECNOLOGIA

Elon Musk quer construir "o maior edifício do planeta". É uma fábrica de chips.

US$ 16,8 bilhões. É quanto Tesla e SpaceX vão investir só na primeira fase da Terafab — uma megafábrica de chips anunciada oficialmente em 6 de agosto no Condado de Grimes, Texas. Em reais, são R$ 86 bilhões. O valor pode escalar até US$ 119 bilhões nas fases seguintes. Elon Musk chamou o projeto de "o maior e mais valioso edifício da Terra".

A fábrica vai produzir chips para os robôs Optimus, os carros autônomos Cybercab e os futuros centros de dados espaciais da SpaceX. A ideia é reunir fabricação, testes e empacotamento de semicondutores em um único complexo — algo inédito em escala privada. Serão ao menos 3 mil empregos diretos na região.

No contexto maior:

A SpaceX gastou US$ 18,37 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial só no segundo trimestre de 2026 — o dobro da própria receita trimestral. E Musk afirmou que a receita de IA da empresa vai superar foguetes e Starlink ainda em setembro deste ano. Goldman Sachs já modela US$ 15,6 bilhões em receita de IA para a SpaceX ao longo de 2026.

Mas tem uma ironia difícil de ignorar: ao mesmo tempo que constrói a própria fábrica para não depender de fornecedores externos, Musk acaba de firmar um acordo exclusivo com a Nvidia para usar os chips Rubin na constelação de satélites de IA da SpaceX. A conclusão implícita é que a produção global de chips hoje não consegue atender à demanda dos próprios projetos dele — muito menos da de todos os outros.

Resumindo: Musk está apostando R$ 86 bilhões na ideia de que chips vão faltar para todo mundo — e enquanto constrói a própria fábrica, ainda compra tudo da Nvidia.


BRASIL

Milei foi ao Brasil para ajudar Flávio Bolsonaro. A pesquisa diz que ajudou Lula.

Em 25 de julho, o presidente argentino Javier Milei subiu ao palco da convenção do Partido Liberal em São Paulo — o evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Foi a primeira vez, desde a redemocratização, que um chefe de Estado estrangeiro participou diretamente do lançamento de uma candidatura presidencial no Brasil. Milei chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" e Lula de "ladrão" e "corrupto". O governo brasileiro convocou o embaixador em Buenos Aires e depois o retirou definitivamente.

A escalada chegou aos EUA: Washington revogou o visto do embaixador brasileiro em retaliação ao Brasil que havia negado vistos a dois diplomatas americanos que queriam visitar o país antes das eleições de outubro. Nunca, na história recente, a campanha presidencial brasileira havia atraído tantas movimentações de governos estrangeiros.

Os números:

🔴 34% dizem ter mais chance de votar em Lula após o apoio de Milei a Flávio (Quaest)

🔴 27% dizem ter mais chance de votar em Flávio pelo mesmo motivo

Pensa assim: Milei foi ao Brasil para "pintar o país de azul" — e os dados sugerem que pode ter dado mais munição ao adversário do que ao aliado. Lula foi oficialmente confirmado candidato na convenção do PT. Alckmin, seu vice, resumiu em uma frase o espírito da eleição: "nosso sistema de votação eletrônica não aceita votos de argentinos nem de americanos."

Resumindo: a interferência estrangeira nas eleições brasileiras pode estar ajudando mais quem ela quer combater — pelo menos nas pesquisas.


ECONOMIA

Metade dos adultos brasileiros tem o nome sujo. E o vilão mora no seu bolso.

83,3 milhões de brasileiros têm o CPF negativado em 2026 — o maior índice já registrado, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa. Isso equivale a 50,81% da população adulta do país. A dívida média por CPF negativado chegou a R$ 6.814 — quase quatro salários mínimos. O total geral: R$ 568 bilhões em débitos em atraso.

Por dentro:

O cartão de crédito é o principal fator de endividamento para 83,6% das famílias brasileiras e compromete sozinho 54% da renda familiar. O chamado crédito rotativo — a linha que entra quando você não paga a fatura inteira — pode cobrar até 440% ao ano. Para comparar: a Selic, que o Banco Central cortou para 14% em agosto, é 31 vezes menor do que essa taxa. O corte na Selic é boa notícia para financiamentos, mas não mexe diretamente no rotativo do cartão.

O governo relançou o Novo Desenrola Brasil em maio (MP 1.355/2026), com renegociação de dívidas e uma regra nova: quem participar fica bloqueado para apostas online por 12 meses. A lógica é evitar que o dinheiro economizado no acordo volte direto para as bets.

O problema é estrutural. 12,3% das famílias endividadas já declararam que não terão condições de quitar as dívidas. O ciclo se repete: renegociar, retomar crédito, se endividar de novo. O Desenrola de 2023 renegociou R$ 53,2 bilhões — e o número de inadimplentes subiu 38% nos últimos 10 anos.

Resumindo: a Selic em queda é um alívio real, mas o cartão rotativo a 440% ao ano continua sendo o motor que coloca metade dos adultos brasileiros no vermelho.


MUNDO

Trump taxou chips de IA. A conta vai chegar nas empresas brasileiras que usam nuvem.

Em 6 de agosto, o governo Trump impôs uma tarifa de 15% sobre o polissilício — a matéria-prima dos semicondutores, incluindo os chips usados em inteligência artificial. Antes, em janeiro, já havia colocado 25% sobre chips de alto desempenho, como o H200 da Nvidia. A justificativa oficial é segurança nacional e proteção da indústria americana.

Os números:

🔴 15% de tarifa sobre polissilício — matéria-prima dos chips (vigência a partir de dezembro)

🔴 25% sobre chips de inteligência artificial de alto desempenho (desde janeiro)

🔴 US$ 66 bilhões de receita líquida com tarifas — após US$ 100 bi em reembolsos por decisão da Suprema Corte americana

O efeito no Brasil: Azure, AWS e Google Cloud — usados pela maioria das empresas brasileiras — dependem de chips que ficam mais caros com as tarifas. Esses custos são repassados. Segundo Muddu Sudhakar, CEO da Aisera, especializada em inteligência artificial: "esses custos adicionais serão repassados aos usuários." Com o câmbio em R$ 5,20, a conta chega mais pesada aqui do que em qualquer país com moeda forte.

O outro lado: enquanto os EUA taxam para proteger a indústria, a China avança. Modelos de inteligência artificial da Moonshot e do Alibaba já chegam perto dos sistemas americanos mais avançados em desempenho — e Pequim está lançando produção em escala de máquinas de litografia próprias para reduzir a dependência ocidental. A estratégia americana de conter o rival pela restrição de exportações está sendo testada em tempo real.

Resumindo: Trump tenta proteger chips americanos — mas no curto prazo, quem paga a conta são as empresas que usam inteligência artificial em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Selic foi a 14% ao ano na reunião do Copom de 5 de agosto — quarta redução consecutiva. O Banco Central evitou sinalizar novos cortes, condicionando tudo à evolução da inflação e do cenário econômico. Leia mais

🔹 SpaceX e Nvidia firmaram parceria exclusiva: os chips Rubin serão a base de toda a infraestrutura de inteligência artificial orbital da SpaceX, incluindo a nova constelação de satélites Starmind AI1. Leia mais

🔹 Acordo EUA-Irã: o cessar-fogo foi assinado em junho, mas as questões sobre o programa nuclear iraniano e os detalhes do Estreito de Ormuz seguem em negociação por mais 60 dias — sem garantia de acordo final. Leia mais

🔹 Novo Desenrola Brasil (MP 1.355/2026): renegociação de dívidas com descontos e bloqueio a apostas online por 12 meses para quem aderir. O programa ainda precisa ser aprovado pelo Congresso para virar lei definitiva. Leia mais

🔹 China lança produção em escala de máquinas nacionais de litografia para fabricação de chips, reduzindo dependência de tecnologia ocidental e desafiando a estratégia americana de contenção via tarifas e restrições de exportação. Leia mais

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