|
Às 7h34 de segunda-feira, o chão de Cali tremeu por menos de dois minutos. Quando parou, eram 132 colombianos mortos, sete aeroportos fechados e dezenas de prédios no chão — e pesquisadores começaram a responder uma pergunta incômoda: por que a América Latina constrói como se os terremotos não existissem?
…..
⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 12 de agosto de 1981 — a IBM lançou o PC 5150, que fez a sigla "PC" virar sinônimo de computador. Custava US$ 1.565.
Para ver: a NASA transmite ao vivo o eclipse solar total de hoje — visível na Espanha e Islândia pelo plus.nasa.gov, invisível do Brasil.
Stat: US$ 365,5 bilhões em caixa: a Berkshire Hathaway de Greg Abel segura o dinheiro mesmo ampliando recompras no 2º trimestre.
Para clicar: o Every Noise at Once mapeia mais de 6 mil gêneros musicais num único mapa interativo — cada ponto toca um trecho do gênero.
Você sabia: a conta de luz vai cair em agosto para milhões de brasileiros — é o Bônus Itaipu, desconto aprovado pela Aneel que já entra nas faturas deste mês.
…..
NA EDIÇÃO DE HOJE
🌎 132 mortos e 7 aeroportos fechados — a pergunta que a Colômbia não quer ouvir
🤝 O embaixador argentino foi embora: o que muda entre os dois países?
📊 A inflação voltou pra meta. E agora, o Banco Central vai cortar mais os juros?
🌑 Hoje o céu fez algo que não fazia desde 1999 — e o Brasil pega só a metade do show
…..
MUNDO
132 mortos, prédios no chão e a resposta que o setor de construção preferia não ouvir
132 mortos. É o balanço da Colômbia até esta quarta-feira — dois dias depois do terremoto de magnitude 7,4 que sacudiu o departamento de Chocó na manhã de segunda (10), com epicentro em San José del Palmar, a cerca de 240 km de Bogotá. Além dos mortos, são 570 feridos, 61 edifícios com colapso total e sete aeroportos fora de operação. Em Pereira, 72 pessoas morreram. Em Cali, mais de 20 estruturas desabaram — incluindo parte do Hospital Universitário do Valle. Em Manizales, uma das torres da catedral histórica foi ao chão.
Os números:
🔴 7,4 a magnitude do tremor, registrada pelo Serviço Geológico Colombiano e confirmada pelo USGS americano.
🔴 90% dos edifícios de Cali avaliados num estudo de 2018 tinham paredes com apenas uma camada de reforço de aço.
🔴 100 mm ou menos: a espessura das paredes em 30% dos prédios avaliados — paredes finas demais para resistir a tremores laterais.
🔴 18 vias principais danificadas, com derrumbes e fraturas especialmente em Chocó, Risaralda e Valle del Cauca.
Mas a pergunta que engenheiros estruturais não conseguem largar é sobre o porquê dos colapsos. Pesquisadores que testam estruturas de concreto armado em condições sísmicas apontam que a prática de construir com paredes de camada simples é comum em toda a América Latina — não é uma anomalia colombiana. O concreto resiste bem ao peso de cima para baixo. O que derruba é a força lateral, e para isso a parede precisa de reforço dos dois lados. Quando o tremor empurra o prédio de lado, a parede fina simplesmente não tem de onde tirar resistência.
O presidente colombiano Abelardo de la Espriella decretou estado de desastre nacional e foi pessoalmente a Pereira acompanhar os resgates. As equipes ainda trabalham nos escombros nesta quarta. Resumindo: o terremoto revelou o que a engenharia já sabia e o mercado imobiliário preferia não comunicar — boa parte da América Latina constrói prédios que não foram feitos para sobreviver ao que o solo pode fazer.
BRASIL
O embaixador argentino foi embora. O que muda — de verdade — entre os dois países?
A crise entre Brasil e Argentina não começou esta semana, mas deu um passo difícil de desfazer: o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, deixou o país sem data de retorno. O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, também não vai voltar ao posto enquanto a crise durar. Desde o início de agosto, os dois maiores países da América do Sul trocam correspondência diplomática por meio de encarregados de negócios — hierarquicamente abaixo do embaixador. Na linguagem da diplomacia, isso é o equivalente formal de "continuamos conversando, mas de mal".
O estopim foi Javier Milei, que chamou Lula de "ladrão", "corrupto" e "presidiário" na convenção do Partido Liberal em São Paulo, em 26 de julho — o evento que formalizou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Nos dias seguintes, Milei repetiu as ofensas em entrevistas à imprensa argentina. O Itamaraty classificou o episódio como "sem precedentes" na história bilateral dos dois países.
Por dentro:
O que muda concretamente: visitas ministeriais entre os dois governos ficam suspensas. A comunicação se restringe a assuntos burocráticos e consulares urgentes. O Mercosul não é diretamente afetado — a medida é política, não comercial — mas qualquer negociação bilateral que exija aval político de alto nível fica emperrada. Para turistas e quem trabalha com os dois países, nada muda por enquanto: voos, serviços consulares e relações comerciais entre empresas privadas continuam normais.
A chancelaria argentina reagiu ao rebaixamento dizendo que o Brasil "escolheu se isolar regionalmente por questões ideológicas". Milei não sinalizou recuo. Com as eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro de 2026, a crise já misturou diplomacia e campanha — e essa confusão tende a durar. Resumindo: a briga saiu das redes sociais, entrou nos protocolos diplomáticos e agora está registrada na história dos dois países — o desafio é não deixar ela chegar às relações econômicas.
ECONOMIA
A inflação voltou pra meta. E agora, o Banco Central vai cortar mais os juros?
Dois números divulgados nesta semana mudaram o humor do mercado financeiro brasileiro. O primeiro: o IPCA — a inflação oficial — ficou em 0,07% em julho, o menor resultado para o mês desde 2022. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,44% e voltou para dentro da meta do governo, que tolera até 4,5%. Era a primeira vez desde maio que o índice ficava dentro do limite. O segundo número: o Banco Central já havia cortado a Selic de 14,25% para 14% ao ano, no começo do mês.
Os números:
🔴 IPCA julho: +0,07% — queda nos alimentos e combustíveis compensou alta de 3,09% na energia elétrica.
🔴 IPCA em 12 meses: 4,44% — dentro do teto da meta pela primeira vez em dois meses.
🔴 Selic atual: 14% ao ano — cortada em 0,25 ponto percentual em 5 de agosto.
🔴 Focus para o ano: mercado ainda espera IPCA de 5,02% em 2026 — acima do teto da meta de 4,5%.
O problema é que o Banco Central não prometeu continuar cortando. A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, mostrou um BC que reconhece a melhora da inflação mas deixa claro que mercado de trabalho aquecido, estímulos fiscais e possível pressão de alimentos no segundo semestre — alimentada pelo avanço do El Niño — ainda pesam na decisão. Em tradução livre: o BC cortou hoje, mas não sabe se corta amanhã.
Para quem tem financiamento imobiliário ou dívida atrelada à Selic: um corte de 0,25 ponto tem impacto limitado no curto prazo. A diferença real começa a aparecer se os cortes continuarem ao longo do segundo semestre — o que depende dos próximos dados de inflação e da ata de setembro. Resumindo: a janela para cortes de juros abriu, mas o Banco Central ainda está olhando o tempo antes de sair de casa.
VARIEDADES
Hoje o céu fez algo que não fazia desde 1999. O Brasil fica de fora do melhor ângulo — mas não do show
Três fenômenos astronômicos no mesmo dia não é rotina. Nesta quarta-feira (12), o céu oferece ao mesmo tempo: um eclipse solar total visível na Espanha, Islândia e Groenlândia; o pico da chuva de meteoros Perseidas; e o alinhamento de seis planetas antes do amanhecer. A última vez que a Europa continental viu um eclipse solar total foi em 1999 — 27 anos atrás. Em cidades como Madri, Bilbao e Palma de Maiorca, o Sol vai se pôr parcialmente eclipsado, enquanto a lua ainda o cobre: um espetáculo visual que os astrônomos descrevem como um eclipse de "hora dourada", com a luz avermelhada do pôr do sol ao redor da coroa solar.
O Brasil não entra na faixa de totalidade. A sombra da Lua cruza uma faixa estreita que vai do Ártico até as costas do Atlântico Norte — o hemisfério sul fica de fora. Quem quiser ver pode acompanhar ao vivo pela NASA em plus.nasa.gov. O que o país não perde são as Perseidas. A chuva de meteoros — causada pelos detritos do cometa Swift-Tuttle — atinge o pico esta noite com entre 50 e 100 meteoros por hora. A lua nova coincide exatamente com o eclipse, o que deixa o céu completamente escuro: condições raras para observação. A próxima vez que as Perseidas terão lua nova é em 2045.
O que vem depois:
Em 27 de agosto, um eclipse lunar parcial será visível de todo o território brasileiro, na noite de quarta para quinta — esse sim, o país inteiro pode ver sem telescópio e sem risco para a visão. Resumindo: o Brasil perdeu o eclipse solar, mas ganhou as melhores Perseidas em quase duas décadas — e um eclipse lunar próprio daqui a 15 dias.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 O desmatamento da Amazônia caiu 37% nos últimos 12 meses, segundo dados do Deter/IBAMA: a área destruída ficou em 2.874 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. Leia mais
🔹 A Meta enfrenta novo julgamento nos Estados Unidos por efeito viciante de suas redes sociais — a ação reúne múltiplos estados americanos e pode resultar em mudanças estruturais no algoritmo. Leia mais
🔹 Um helicóptero caiu no Rio de Janeiro nesta quarta-feira, deixando quatro mortos — a aeronave caiu em área urbana e as primeiras informações apontam falha mecânica. Leia mais
🔹 O prazo para os partidos registrarem candidaturas nas eleições presidenciais de 2026 encerra no dia 15 de agosto — sexta-feira — e a corrida eleitoral formal começa oficialmente depois disso. Leia mais
🔹 Uma petroquímica brasileira ligada à Novonor (ex-Odebrecht) tem até 24 de agosto para fechar acordo com credores e evitar recuperação judicial — a Petrobras resiste a ampliar sua participação para não consolidar a dívida no próprio balanço. Leia mais
🔹 Agressões domésticas contra mulheres crescem 28,9% em dias de jogos de futebol, segundo levantamento da Agência Brasil — o dado ganha peso em semana de Copa Libertadores com quatro jogos de clubes brasileiros. Leia mais |