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Jorge Moncayo, 64 anos, motorista de táxi há mais de duas décadas em Cali, viu do alto da cidade colunas de poeira subirem uma a uma enquanto prédios ao redor desabavam — e foi assim que a Colômbia acordou na segunda-feira com o maior terremoto da última década.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 11/08/1999 — o último eclipse solar total do século XX foi visto por 350 milhões de pessoas na Europa e no Oriente Médio.
Para assistir: os 28 gadgets mais impressionantes da CES 2026 em 19 minutos de vídeo.
Para ler: a 9ª Corte dos EUA barrou o pedido da Meta para arquivar 3.000 ações por vício em redes.
Stat: vagas que exigem habilidades em inteligência artificial pagam 28% a mais — dado de análise de 1,3 bilhão de anúncios de emprego (Lightcast, 2026).
Curiosidade: a rolagem infinita — o design que está no centro do julgamento desta semana nos EUA — foi criada por Aza Raskin em 2006, que depois declarou se arrepender da invenção.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🇨🇴 Terremoto derruba 61 prédios na Colômbia — o maior em uma década
✈️ Os pilotos sabiam. A Voepass só não queria que anotassem
📱 Instagram te vicia de propósito — vale um julgamento de R$ 7 trilhões
💊 Remédio pelo iFood: a Anvisa abriu um mercado bilionário esta semana
⛽ Irã eleva o preço para reabrir Ormuz — e trava 20% do petróleo do mundo
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MUNDO
O terremoto que parou a Colômbia
Jorge Moncayo tinha 64 anos, dirigia táxi em Cali há décadas e afirmou à Reuters que nunca havia visto nada igual: colunas de poeira subindo por toda a cidade enquanto prédios desabavam ao redor. Era segunda-feira (10), às 7h34 no horário local — 9h34 em Brasília — quando um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu o oeste da Colômbia com epicentro em San José del Palmar, no departamento do Chocó, a 230 quilômetros de Bogotá.
O presidente Abelardo de la Espriella declarou estado de emergência nacional e atualizou o balanço para 111 mortos e 87 feridos. Ao todo, 61 edifícios desabaram e 1.575 casas ficaram danificadas. Os aeroportos de Pereira, Cali, Manizales, Quibdó, Armênia, Cartago e Buenaventura foram fechados para inspeção estrutural. O Serviço Geológico Colombiano classificou o tremor como "o de maior magnitude registrado no país na última década".
Os números:
🔴 111 mortos confirmados pelo presidente — balanço ainda pode subir.
🔴 61 edifícios completamente destruídos em todo o país.
🔴 7 aeroportos fechados, incluindo o de Pereira — onde só em uma cidade há 74 mortes.
🔴 96 km de profundidade — o que reduziu os danos, mas não impediu a tragédia.
O tremor foi sentido também no Equador e no Panamá. A União Europeia acionou o serviço de satélite Copernicus para auxiliar nas operações de resgate, e os Estados Unidos indicaram estar "monitorando de perto e prontos para apoiar". O momento é delicado: apenas dois meses atrás, a vizinha Venezuela perdeu mais de 6.000 pessoas em um duplo terremoto de magnitudes 7,2 e 7,5, e ainda contabiliza desaparecidos. A região mais sísmica da América do Sul está em estado de alerta.
Resumindo: a Colômbia enfrenta sua maior tragédia geológica em dez anos — e a América do Sul como um todo está em sequência de eventos sísmicos sem precedentes recentes.
BRASIL
Os pilotos sabiam. A empresa também. E o avião decolou assim mesmo.
Dois anos depois do pior acidente aéreo brasileiro recente — a queda do voo 2283 da Voepass em Vinhedo (SP), que matou as 62 pessoas a bordo em 9 de agosto de 2024 — a Polícia Federal concluiu o inquérito e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia. O crime: atentado contra a segurança do transporte aéreo. A pena pode chegar a 24 anos de prisão.
O que a investigação revelou vai além da causa técnica — acúmulo de gelo nas asas e sistema de degelo inoperante. Os peritos identificaram o que o delegado André Ribeiro chamou de uma "cultura organizacional de não reporte": tripulações anteriores deixavam de registrar falhas graves no diário de bordo para que o avião não fosse retirado de operação. A caixa-preta revelou que os pilotos sabiam da falha e continuaram voando. Em um dos áudios, um piloto reclama: "Essa b**** não tá funcionando, né?".
Por dentro:
Entre os 16 indiciados estão o dono da companhia, José Luiz Felício Filho, e o diretor de manutenção, Eric Cônsoli. O relatório tem 200 páginas e aponta uma engrenagem de omissões: falhas eram registradas nas caixas-pretas mas sumiam dos diários de bordo, impedindo a manutenção. A aeronave não deveria ter decolado nas condições em que estava — o limpador de para-brisa também estava inoperante num dia de chuva. O caso vai agora ao Ministério Público Federal, que decide se oferece denúncia formal à Justiça.
Resumindo: a investigação não aponta um erro humano isolado, mas uma cultura corporativa de omissão que tornou o acidente uma questão de tempo.
TECNOLOGIA
R$ 7,1 trilhões contra a rolagem infinita
R$ 7,1 trilhões. É o valor que quatro estados americanos — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — querem cobrar do Instagram e do Facebook por terem sido projetados para viciar adolescentes. O julgamento começa na quarta-feira (12) com a seleção do júri num tribunal federal em Oakland, perto de São Francisco. O processo de fato inicia em 18 de agosto, com previsão de seis semanas de audiências e veredicto em outubro.
O alvo não é o conteúdo publicado nas plataformas — e sim o design delas. Rolagem infinita, notificações noturnas, alertas de curtidas: os procuradores-gerais argumentam que essas funcionalidades foram criadas deliberadamente para manter crianças e adolescentes viciados, enquanto a empresa minimizava os riscos publicamente. Zuckerberg está na lista de testemunhas que a acusação pretende interrogar.
No contexto maior:
A Meta já foi condenada duas vezes em 2026. Em março, um júri de Los Angeles responsabilizou a empresa pela dependência de uma adolescente e determinou indenização de US$ 6 milhões. No Novo México, a companhia foi condenada a pagar US$ 942 milhões e a impor limite de 90 horas mensais de uso para menores de 18 anos — por cinco anos. Analistas comparam a escalada judicial ao que aconteceu com a indústria do tabaco nas décadas de 1980 e 1990: primeiro as condenações isoladas, depois o acordo bilionário geral.
Resumindo: o julgamento de Oakland não é só sobre o Instagram — é sobre quem vai pagar a conta pelo design que transformou atenção humana em produto.
NEGÓCIOS
O remédio que vai chegar pelo mesmo app que entrega pizza
Na segunda-feira (10), a Anvisa publicou no Diário Oficial a revogação das medidas que impediam iFood, Rappi, Mercado Livre e Americanas de comercializar e divulgar medicamentos. A Shopee já havia recebido o mesmo tratamento em 6 de agosto. A decisão foi motivada por uma lei aprovada em março deste ano — a Lei 15.357/2026 — que passou a permitir que farmácias licenciadas contratem plataformas digitais para a logística e entrega de medicamentos.
Na prática, isso significa que sua farmácia de bairro pode passar a usar o iFood ou o Rappi para fazer a entrega — assim como já faz com lanches e supermercados. O mercado de farmácias no Brasil movimenta mais de R$ 200 bilhões por ano, e uma fatia crescente já ocorre pelo canal digital. A entrada de plataformas de entrega expande o alcance das farmácias licenciadas e abre competição direta no prazo de entrega — e eventualmente no preço.
O que vem depois:
A Anvisa deixou claro que a revogação não equivale a uma autorização automática. As plataformas ainda precisam aguardar a regulamentação específica que a agência vai publicar — sem prazo definido. Isso significa que o iFood não vai abrir uma aba de remédios amanhã. Mas o sinal verde está dado: é questão de meses para o setor se reorganizar. Para o consumidor, a promessa é simples — conveniência. Para as farmácias tradicionais, é mais concorrência.
Resumindo: a Anvisa derrubou a barreira regulatória — agora é corrida entre plataformas e farmácias para definir quem entrega o seu remédio mais rápido.
MUNDO
O Irã apresentou a conta. E Trump não gostou.
O que custa fechar uma das maiores rotas de petróleo do mundo por cinco meses? O Irã respondeu no sábado (8): encerrarem a guerra, retirarem as sanções, pagarem indenização por dois conflitos e liberarem ativos congelados. São as seis condições que Teerã impõe aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz — canal por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Trump respondeu na segunda-feira rejeitando as exigências e pedindo, pelo inverso, que o Irã indenize as famílias afetadas pelas guerras.
Entendendo:
O Estreito de Ormuz é uma faixa de mar de 55 km de largura que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Por ali passam tanques carregados de petróleo da Arábia Saudita, Emirados, Kuwait e Iraque. Quando está fechado — como está desde que EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro de 2026 —, os preços do petróleo sobem, o frete explode e toda cadeia de transporte e produção sente. Para se ter ideia do tamanho do problema: mesmo com o estreito bloqueado, as negociações entre Irã e Omã para criar novas rotas alternativas estão em "estágio final", segundo o chanceler iraniano Abbas Araghchi. Mas Teerã deixou claro: um acordo técnico com Omã não abre o canal automaticamente — as condições políticas impostas aos EUA vêm antes.
Resumindo: o Irã transformou o controle do Estreito de Ormuz em moeda de negociação — e, por enquanto, as exigências dos dois lados não se encontram nem de longe.
PARA NÃO FICAR POR FORA
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🔹 Venezuela ainda contabiliza desaparecidos dos terremotos duplos de junho (magnitudes 7,2 e 7,5), que deixaram mais de 6.000 mortos e centenas de edifícios destruídos na costa próxima a Caracas. |