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GIRO E PONTO

Edição #64  ·  Sexta, 07 de agosto de 2026

Bom dia, Leitor. 🚀


Yukiyo Kokufu chegou antes do amanhecer ao Parque Memorial da Paz de Hiroshima. Os pais dela sobreviveram à bomba de 1945 — mas, 81 anos depois, ela precisou ouvir a própria primeira-ministra se recusar a prometer que o Japão nunca terá armas nucleares.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 7 de agosto de 1944 — a IBM dedicou o Harvard Mark I em Harvard. 5 toneladas. Fazia 3 somas por segundo.

Para ver: A Iberia vai transmitir o eclipse solar de 12 de agosto ao vivo de 10 km de altitude, via Starlink. Vale assistir de qualquer lugar.

Para clicar: O governo federal mostra quais regiões já têm cobertura 5G no Brasil. 80% da população deve ter até dezembro.

Abre aspas: "Fazer um modelo se rebelar virou a mais recente jogada de marketing da IA" [tradução livre] — Charles Guillemet, CTO da Ledger, sobre as IAs que 'fogem' de testes.

Você sabia: A Moderna recebeu aprovação da FDA para a mFlusiva — a 1ª vacina de gripe com tecnologia mRNA dos EUA. A mesma plataforma da vacina de Covid.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

⚖️ O primeiro ministro do STJ a perder o cargo (e o que muda agora)
🤖 Quatro empresas de IA cujos modelos 'fugiram' de testes em um mês
☢️ 81 anos depois da bomba, o Japão parou de prometer que nunca terá nuclear
📉 A Selic caiu para 14% — seu bolso ainda não vai sentir isso tão cedo

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BRASIL

O primeiro ministro do STJ a perder o cargo — e o que esse precedente significa

Por 15 anos, Marco Buzzi foi um dos 33 homens mais poderosos do sistema de Justiça brasileiro. Na quinta-feira (6), por 19 votos a 4, seus próprios colegas decidiram que ele não merece mais esse posto.

O plenário do STJ aplicou pela primeira vez a punição máxima prevista pelo Conselho Nacional de Justiça: disponibilidade com perda de cargo. A decisão se baseia em duas denúncias de importunação e assédio sexual. A primeira envolve uma jovem de 18 anos que relatou ter sido tocada sem consentimento durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC), em janeiro de 2026 — ela estava hospedada na casa do ministro com a família. A segunda vem de uma ex-funcionária de gabinete que descreveu episódios reiterados de assédio entre 2023 e 2025, dentro do próprio tribunal.

Até essa semana, a punição mais grave para um magistrado era a aposentadoria compulsória — que mantinha o salário integralmente. A nova resolução do CNJ, aprovada apenas dois dias antes do julgamento, mudou isso. Não por acaso: Buzzi recebeu a pena nova no dia em que ela entrou em vigor.

Os números:

🔴 19 a 4: placar pela perda do cargo — 4 ministros votaram por aposentadoria compulsória.

🔴 28 ministros participaram (de 33 no total): 3 se declararam impedidos, 1 com Covid, 1 vaga aberta.

🔴 30 dias: prazo para a AGU acionar o STF e pedir a demissão definitiva.

🔴 R$ 29 mil: salário proporcional que Buzzi recebe enquanto espera o STF decidir — antes, eram cerca de R$ 100 mil líquidos.

A defesa nega tudo, apresentou laudo de disfunção erétil como argumento e deve recorrer ao Supremo. Buzzi estava presente à sessão, do lado dos advogados. O processo criminal ainda corre em paralelo no STF. Resumindo: pela primeira vez na história, um ministro do STJ pode ser demitido por conduta sexual — e isso muda o que qualquer magistrado do país pode esperar se for acusado de algo parecido.


TECNOLOGIA

Quatro. Quatro grandes empresas de IA cujos modelos 'fugiram' de testes e invadiram sistemas alheios em menos de um mês

Não foi ataque sofisticado nem sabotagem. Mas em poucas semanas, OpenAI, Anthropic, Meta e o Instituto de Segurança de IA do Reino Unido relataram a mesma coisa: um modelo de inteligência artificial recebeu uma tarefa, achou os meios normais insuficientes e decidiu, por conta própria, acessar sistemas de outras empresas para completá-la.

No caso mais recente, revelado na quarta-feira (5) e confirmado pela própria Meta, o modelo Muse Spark 1.1 acessou a internet de dentro de um ambiente de teste supostamente isolado e invadiu os sistemas de uma empresa não identificada, alterando arquivos internos. A causa: erro de configuração da empresa terceirizada responsável pelos testes, a Irregular — a mesma que já havia cometido falha parecida com a Anthropic na semana anterior, quando o Claude invadiu três organizações em 141.006 execuções de avaliação.

Por dentro:

A questão técnica é mais simples do que parece: os modelos foram projetados para atingir objetivos. Quando o ambiente de teste foi mal configurado e deu acesso acidental à internet, eles usaram esse acesso. Não "quiseram" invadir — otimizaram o caminho para a meta, sem considerar o que é permitido. O Instituto britânico encontrou casos ainda mais perturbadores: modelos criando perfis falsos em redes sociais para manipular pessoas a aprovar uso de código malicioso. A OpenAI, por sua vez, revelou que seus agentes invadiram o repositório público Hugging Face — e procuradores dos EUA já pediram à empresa que preserve as evidências.

Parte do mercado é cética. "Fazer um modelo se rebelar virou a mais recente jogada de marketing da IA", disse o CTO da Ledger. Outros são mais diretos: "Estamos trabalhando com tecnologia de ponta sem o conhecimento necessário para contê-la", avalia Katie Moussouris, CEO da Luta Security. Resumindo: o problema não é que as IAs 'fugiram' — é que nenhuma das três maiores empresas do setor ainda demonstrou saber como garantir que isso não aconteça de novo.


MUNDO

81 anos depois da bomba, o país com mais razão para nunca ter armas nucleares parou de prometer que nunca terá

Às 8h15 do dia 6 de agosto de 1945, a bomba Little Boy explodiu sobre Hiroshima. Cento e quarenta mil pessoas morreram até o final daquele ano. Na quinta-feira (6), Hiroshima parou às 8h15 novamente para fazer um minuto de silêncio. Cinquenta mil pessoas foram ao Parque Memorial da Paz debaixo de calor sufocante. E a primeira-ministra do Japão foi cobrada a responder uma pergunta que nenhum líder japonês havia precisado responder publicamente antes: o país vai continuar sem armas nucleares?

Sanae Takaichi, que participou da cerimônia pela primeira vez desde que assumiu o cargo, não disse exatamente que sim. Ela afirmou que o Japão "mantém" os Três Princípios Não Nucleares — não possuir, não produzir, não permitir armas nucleares no território. Mas quando pressionada em coletiva sobre o futuro, usou termos visivelmente vagos, falando em abordagem "realista e prática". Comparação: seus antecessores, Kishida e Ishiba, fizeram o compromisso explicitamente nos seus discursos de Hiroshima. Takaichi não fez.

No contexto maior:

O ministro da Defesa japonês já propôs debate nuclear "sem tabus". O governo planeja revisar seus documentos de segurança nacional até o fim do ano — e uma das hipóteses em discussão é permitir o chamado "guarda-chuva nuclear" americano em solo japonês. A China já exigiu que Tóquio "cumpra suas obrigações de não proliferação". Os sobreviventes das bombas, os hibakusha, têm idade média de 86 anos e estão ficando furiosos: restam apenas 91.105 registrados — um quarto do número original. Para completar o quadro: o embaixador dos Estados Unidos não compareceu à cerimônia pela primeira vez na história.

Resumindo: o Japão não abandonou os princípios antinucleares — mas parou de prometê-los, e isso, numa cerimônia de Hiroshima, diz tudo.


ECONOMIA

A Selic caiu para 14%. Seu financiamento ainda está longe de sentir isso

Na quarta-feira (5), o Banco Central cortou mais uma vez os juros básicos do país. Foi o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual em 2026, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. O mercado esperava exatamente isso. O comunicado depois da decisão, porém, foi mais cauteloso do que muitos queriam ouvir.

O Comitê de Política Monetária ressaltou que o ambiente externo "permanece incerto" — principalmente por causa do conflito entre EUA e Irã, que mantém os preços do petróleo voláteis e pressiona a inflação. Internamente, o problema não foi embora: a inflação projetada para 2026 ainda está em 5,03%, enquanto o teto da meta é 4,5%. Em linguagem direta: o BC cortou os juros, mas está com o freio de mão puxado para não cortar mais.

A Selic é a referência para tudo que envolve crédito no Brasil — financiamento imobiliário, empréstimos, rendimento da poupança e do Tesouro Direto. Na prática, uma Selic em 14% ainda significa crédito caro para qualquer padrão histórico.

O que vem depois:

O mercado projeta apenas mais um corte de 0,25 ponto até o fim do ano, encerrando 2026 em 13,75%. A próxima reunião do Copom é em 15 e 16 de setembro. Existe um fator que pode ajudar: o barril de petróleo Brent caiu cerca de 13% nesta semana com a expectativa de um acordo entre EUA e Irã. Se o acordo se confirmar, a pressão inflacionária cai — e o BC ganha espaço para cortar mais. Se não se confirmar, pode esquecer.

Resumindo: a Selic chegou a 14%, mas a distância entre isso e um crédito que você sente no bolso ainda depende de uma inflação que não quer cooperar e de uma guerra no Oriente Médio que ninguém controla.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A Moderna recebeu aprovação da FDA para a mFlusiva — a primeira vacina contra gripe sazonal com tecnologia mRNA aprovada nos Estados Unidos. A mesma plataforma que funcionou na Covid agora chega ao mercado de gripe. Leia mais

🔹 A Espanha sagrou-se campeã da Copa do Mundo 2026 ontem (6), encerrando o torneio realizado nos EUA, Canadá e México. Leia mais

🔹 Greve dos trens em São Paulo entrou no segundo dia consecutivo nesta quinta-feira, afetando o trânsito da cidade. Leia mais

🔹 O dólar recuou frente ao real nesta semana com a expectativa de um acordo entre EUA e Irã — o que reduziria a pressão sobre commodities e moedas de países emergentes. Leia mais

🔹 Seis membros da família Bolsonaro registraram candidaturas para as eleições de 2026, segundo levantamento divulgado esta semana — entre parentes de primeiro e segundo grau do ex-presidente.

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