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Maria Luiza Ribeiro Viotti acordou na terça-feira como embaixadora do Brasil em Washington. Ao cair da tarde, seu visto tinha sido revogado pelo governo americano. Em 200 anos de relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, isso nunca tinha acontecido.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 6 de agosto de 1945 — uma bomba matou 80 mil pessoas em Hiroshima em segundos. Faz 81 anos.
Para clicar: Exposição gratuita celebra 10 anos da Rio 2016 no Museu do Amanhã — até 5 de outubro.
Stat: A memória RAM para celulares ficou até 83% mais cara no 2º trimestre de 2026, segundo a TrendForce.
Para ler: Se vai trocar de celular esse semestre, existe motivo real para não esperar setembro.
Abre aspas: Cristiano Amon, presidente da Qualcomm, sobre a alta de preços dos chips: "Os custos subiram, os preços vão subir." [tradução livre]
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🇧🇷 O Brasil nunca tinha perdido uma embaixadora assim. Até ontem.
💸 Selic caiu para 14% — mas o juro que você paga ficou no mesmo lugar
⚖️ A Apple foi à Justiça para travar o primeiro aparelho da OpenAI
📦 A loja de livros que virou US$3 trilhões vendendo a espinha dorsal da internet
🏅 Rio 2016 faz 10 anos com R$99 bilhões de legado — e uma baía que ainda não foi despoluída
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BRASIL
O Brasil nunca tinha perdido uma embaixadora assim. Até ontem.
Maria Luiza Ribeiro Viotti é a primeira mulher a chefia a embaixada brasileira nos Estados Unidos. Chegou ao cargo em 2023, representou o Brasil em Washington durante a turbulência do primeiro tarifaço de Trump, sobreviveu a crises comerciais e retóricas. Na terça-feira (4), o Departamento de Estado americano revogou seu visto. Embaixadora sem visto válido não exerce funções. Na prática, está paralisada.
O gatilho imediato foi uma briga de protocolo: Trump indicou em junho o deputado estadual da Flórida Daniel Perez para ser o novo embaixador americano em Brasília, mas anunciou publicamente o nome antes de pedir autorização formal ao governo brasileiro — quebrando a praxe diplomática. O Brasil está demorando para dar esse aval, o famoso agrément. Washington interpretou como sabotagem; Brasília diz que está apenas seguindo o ritual normal, que não tem prazo estabelecido.
Os números:
🔴 37,5%: soma das tarifas que os EUA já impõem sobre exportações brasileiras.
🔴 3.000 itens: produtos afetados pela sobretaxa de 25% que entrou em vigor em 22 de julho.
🔴 2 meses: tempo até a eleição presidencial brasileira de outubro — o real prazo que explica tudo.
O contexto mais honesto: esta crise não é só sobre um embaixador. O governo Trump acredita que Brasília está segurando o agrément para impedir que um representante alinhado à Casa Branca esteja em Brasília antes da eleição de outubro. Lula acusa Washington de interferência eleitoral. O ex-embaixador Rubens Barbosa, que representou o Brasil nos EUA, disse à BBC Brasil: "Nunca houve isso na história do Brasil na relação com os Estados Unidos." O Planalto avalia que a pressão deve aumentar até outubro — e que cada escalada, paradoxalmente, sobe Lula nas pesquisas.
Resumindo: A pior crise diplomática Brasil-EUA da história recente ainda não chegou ao fundo do poço — e as eleições de outubro são o prazo real que define o ritmo de cada novo capítulo.
ECONOMIA
Selic a 14%: o corte que o Banco Central fez — e o que o banco da esquina não vai fazer
O Banco Central cortou a Selic ontem (5) para 14% ao ano — o quarto corte seguido desde março, quando a taxa estava em 15%. A decisão foi unânime. No comunicado, o BC deixou "a porta aberta" para novos cortes, mas sem prometer nada: usou palavras como "serenidade" e "cautela", deixando que os dados de inflação guiem os próximos passos.
O que favoreceu o corte? A inflação deu uma trégua. O IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06% — bem abaixo dos 0,22% esperados. O dólar ficou comportado, perto de R$ 5,10. A atividade econômica deu sinais de desaceleração. Com esse cenário, 95% dos investidores apostavam no corte antes mesmo da reunião, segundo contratos na Bolsa. A pesquisa Focus, que reúne a opinião dos bancos, agora projeta a Selic em 13,75% no fim do ano — sugerindo mais um corte de 0,25 ponto, provavelmente em setembro.
O que isso muda para você:
Aqui está o que quase ninguém explica: um corte de 0,25 ponto na Selic não barateia todas as dívidas no mesmo ritmo. A renda fixa vai perdendo um pouco de atratividade — quem tem título pré-fixado tende a ganhar com a marcação a mercado. Mas o rotativo do cartão de crédito continua acima de 50% ao ano. O cheque especial, idem. Financiamentos imobiliários reagem com defasagem de meses. A lição prática: não espere o Banco Central resolver sua dívida cara. Enquanto a Selic desce 0,25 ponto de vez em quando, o juro do cartão continua na estratosfera.
Resumindo: A Selic caiu para 14%, mas o ciclo é lento e cauteloso — quem tem dívida cara não deve esperar alívio imediato, e quem tem renda fixa ainda vive um bom momento antes de as taxas caírem mais.
TECNOLOGIA
A Apple foi à Justiça para travar o primeiro aparelho da OpenAI
Mais de 400 ex-funcionários da Apple trabalham hoje na OpenAI. É o número que a própria Apple citou em seu processo judicial. E é o número que explica por que o maior fabricante de celulares do mundo está tentando, via Justiça, interromper o desenvolvimento do primeiro aparelho da empresa que faz o ChatGPT.
Na segunda (3), a Apple pediu a um juiz federal na Califórnia uma medida cautelar para barrar a OpenAI e dois ex-funcionários de acessar ou usar informações que ela chama de segredos industriais. Os nomes dos dois alvos principais: Chang Liu, ex-engenheiro elétrico sênior, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produto do iPhone e do Apple Watch. A Apple acusa os dois de terem levado arquivos confidenciais de hardware ao sair da empresa para trabalhar na OpenAI.
Por dentro:
O que está realmente em jogo é o próximo grande campo de batalha do mercado de tecnologia: aparelhos controlados por inteligência artificial que podem funcionar sem aplicativos ou sistema operacional tradicional. A OpenAI estaria desenvolvendo algo próximo a um dispositivo doméstico inteligente — uma espécie de alto-falante conectado com IA. Se esse aparelho existir, pode roubar atenção do iPhone. A Apple alega que a OpenAI usou informações roubadas para isso. A OpenAI nega tudo, chamou o processo de "descuidado, agressivo e estranhamente pessoal" e publicou trocas de mensagens internas para rebater as acusações. A audiência para a medida cautelar está marcada para 1º de outubro.
Resumindo: A briga Apple vs OpenAI vai muito além de ex-funcionários — é uma disputa pelo controle dos próximos aparelhos que vão substituir o celular, e a Justiça americana agora decide se a OpenAI pode continuar desenvolvendo o seu.
NEGÓCIOS
A loja de livros que virou US$3 trilhões vendendo a espinha dorsal da internet
US$3 trilhões. É o valor de mercado que a Amazon ultrapassou na segunda-feira (3), tornando-se apenas a quinta empresa na história a atingir essa marca — depois da Nvidia, Apple, Microsoft e Alphabet. As ações subiram quase 5% num único pregão, em resposta a resultados trimestrais que surpreenderam até os analistas mais otimistas.
A Amazon não chegou lá com e-commerce. Chegou com a AWS, sua divisão de serviços de nuvem — a infraestrutura digital que sustenta boa parte dos aplicativos, plataformas e sistemas do mundo. A AWS gerou US$42,2 bilhões de receita no segundo trimestre de 2026, crescimento de 36,7% em relação ao mesmo período do ano anterior — o ritmo mais acelerado em dezoito trimestres. Os contratos já fechados para usar a plataforma somam US$496 bilhões.
Os números:
🔴 US$220 bilhões: o que a Amazon planeja gastar em 2026 para expandir infraestrutura digital — e ainda assim não vai conseguir atender toda a demanda.
🔴 US$200,6 bilhões: receita total no 2T, alta de 20% em relação ao ano anterior.
🔴 2 anos: tempo que levou para a Amazon ir de US$2 trilhões a US$3 trilhões de valor de mercado.
O presidente-executivo Andy Jassy foi direto: "Mesmo gastando US$220 bilhões, não vamos ter capacidade suficiente para atender toda a demanda que temos em 2026. E acredito que isso também será verdade em 2027. Na verdade, a demanda que já temos para 2028 é surpreendente." Traduzindo: a corrida por infraestrutura de inteligência artificial não está nem perto de chegar ao fim — e quem está no centro dela está ficando muito rico muito rápido. Resumindo: A Amazon chegou a US$3 trilhões não vendendo produto, mas alugando a estrutura digital que todo mundo precisa para existir — e a inteligência artificial transformou essa demanda em algo que nem ela consegue abastecer.
ESPORTES
Rio 2016 faz 10 anos: R$99 bilhões de legado e uma baía que ainda não foi despoluída
5 de agosto de 2016. O Maracanã se acendeu, o mundo assistiu, e o Rio se apresentou como cidade capaz de receber os maiores Jogos da história com 70% dos investimentos vindos do setor privado. Dez anos depois, a Prefeitura inaugurou ontem (5) a exposição "O Amanhã Olímpico" no Museu do Amanhã — e abriu a conta do que ficou.
Segundo estudo da FGV de 2024, os Jogos geraram R$99 bilhões de impacto sobre o valor bruto da produção da cidade, R$51,2 bilhões no PIB local, R$36,2 bilhões na renda das famílias e mais de 465 mil empregos só na capital — e outros 167 mil no resto do estado. O BRT, o VLT, o Terminal Gentileza, a revitalização da Zona Portuária, quatro escolas construídas com o material das arenas desmontadas: o legado físico é real e ainda em uso.
Mas as comemorações convivem com a outra metade da história. A Baía de Guanabara, prometida limpa para 2016, só agora dá os primeiros sinais de melhora efetiva — dez anos depois. O economista Carlos Vainer, da UFRJ, avalia que os Jogos consolidaram "um projeto urbano segregador" concentrado na Barra da Tijuca, beneficiando principalmente o mercado imobiliário. O próprio número de legados previstos diz muito: eram 17 prometidos; terminaram 30 — o que pode ser lido como superação ou como expansão de escopo não planejada.
Resumindo: O legado olímpico do Rio é real em números e infraestrutura — mas a festa dos 10 anos acontece ao lado de promessas que o tempo ainda não cumpriu, e isso diz muito sobre o que acontece com cidades que recebem grandes eventos.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 A Qualcomm confirmou alta de dois dígitos nos preços dos chips Snapdragon a partir de 1º de setembro — o que deve encarecer celulares Android de ponta ainda neste ano e em 2027. Leia mais
🔹 Além da crise com os EUA, o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina após Milei declarar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e atacar autoridades brasileiras. Leia mais
🔹 Alfredo Gaspar, escolhido por Flávio Bolsonaro como vice na chapa presidencial, é alvo de pedido de investigação da PF no STF por suspeita de estupro de vulnerável — caso que aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República.
🔹 A Palantir quase dobrou a receita no segundo trimestre de 2026: US$1,93 bilhão, alta de 93% em relação ao ano anterior. As ações subiram 10% após o resultado. Leia mais
🔹 O mercado financeiro espera mais um corte de 0,25 ponto na Selic em setembro, com o relatório Focus revisando a projeção de fechamento do ano de 14% para 13,75%. Leia mais |