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Julio Bitelli chegou a Buenos Aires como o principal diplomata do Brasil no país vizinho. Em 26 de julho, foi chamado de volta a Brasília "para consultas" — a linguagem diplomática para "as coisas ficaram feias". E desta vez, não vai mais voltar enquanto Milei não parar.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 5 de agosto de 1962: Marilyn Monroe foi encontrada morta em Hollywood, aos 36 anos. Causa oficial: overdose de barbitúricos. Debatida até hoje.
Stat: 60% dos brasileiros adultos já são clientes do Nubank — são 113 milhões de pessoas no mesmo app.
Para ler: As 10 tendências estratégicas de tecnologia para 2026, segundo o Gartner. IA agêntica e cibersegurança preditiva lideram.
Você sabia: A chuva de meteoros Perseidas atinge pico em 12/8. Visível a olho nu no Norte e Nordeste do Brasil. Só precisa de noite aberta e paciência.
Curiosidade: Escritórios abertos reduzem a interação presencial em 73%, segundo pesquisa de Harvard. Foram criados exatamente para o oposto.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🇦🇷 Milei chamou Lula de "ladrão" pela 4ª vez — e o Brasil finalmente reagiu
🇺🇸 EUA revogam visto de embaixadora brasileira (a eleição de outubro explica tudo)
🌊 60 mil pessoas em 3 dias: como uma sentença judicial abriu as portas da Europa
🚀 Um foguete bateu na Lua hoje de manhã — e ninguém o mandou fazer isso
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BRASIL
Milei chamou Lula de "ladrão" pela quarta vez. O Itamaraty respondeu: sem embaixador.
Javier Milei esteve em São Paulo no fim de julho para apoiar o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. No palco, chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" e Lula de "ladrão" e "presidiário". O Itamaraty convocou o embaixador argentino, chamou Bitelli de volta a Brasília — e esperou que Milei recuasse. Não aconteceu. Na última segunda-feira (3), numa entrevista ao canal argentino LN+, Milei repetiu os termos pela quarta vez: "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente. [...] é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar."
Na terça-feira (4), o Itamaraty formalizou o rebaixamento das relações bilaterais para o nível de encarregado de negócios — decisão inédita na história recente entre os dois países. "Tivemos muita paciência, não respondemos, mas cremos que a reiteração das ofensas tornou inevitável essa decisão", disse o ministério. O embaixador argentino Daniel Raimondi não foi expulso, mas passou a ser "desconsiderado": continua em Brasília, porém deixou de ser interlocutor válido.
Por dentro:
Especialistas ouvidos pela imprensa lembram que Milei tem um padrão: quando sua popularidade cai internamente, ele escala conflitos externos. Já fez isso com a Espanha e com a Colômbia. Mas analistas também apontam que a crise ajuda o argentino na política doméstica — e que a relação econômica entre os dois países, com mais de US$ 30 bilhões anuais em comércio bilateral, segue intacta apesar do barulho diplomático. No fundo, o que está em jogo no Brasil é a eleição de outubro: Milei claramente quer a derrota de Lula, e o governo brasileiro sabe disso.
Resumindo: O Brasil deu o recado mais duro que pode dar sem romper formalmente — e o relógio até outubro está correndo para os dois lados.
EUA revogam visto de embaixadora brasileira — e a eleição de outubro explica o porquê
No mesmo dia em que o Brasil rebaixava as relações com a Argentina, chegou o recado de Washington: o governo Trump revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. A justificativa americana: o Brasil está demorando para aceitar Daniel Perez — deputado republicano da Flórida indicado por Trump para chefiara embaixada em Brasília. O Itamaraty repudiou a medida e disse que as justificativas americanas "são falsas". Por trás do impasse, um cálculo político claro: o governo Lula quer segurar o aceite até depois das eleições de outubro, com medo de que Perez interfira no processo eleitoral — medo que o governo americano nega categoricamente. O visto pode ser restaurado se o Brasil aprovar a nomeação. A embaixadora pode permanecer nos EUA, mas sem documento válido.
Resumindo: A diplomacia brasileira está na defensiva em duas frentes ao mesmo tempo — e faltam menos de três meses para a eleição.
MUNDO
60 mil pessoas tentaram entrar na Europa em 3 dias. Uma sentença judicial foi o estopim.
60 mil. É a quantidade de pessoas que tentaram cruzar a fronteira entre Marrocos e Ceuta — um território espanhol no norte da África com 84 mil habitantes — entre os dias 30 de julho e 1º de agosto. Pelo menos 90 pessoas morreram tentando chegar a nado. Foi a maior crise migratória da história espanhola.
O que detonou tudo foi uma sentença do Supremo Tribunal espanhol de 8 de julho, que proibiu deportações imediatas de quem chegasse ao país pelo mar. Redes de tráfico humano espalharam nas redes sociais uma versão distorcida da decisão: que qualquer pessoa que entrasse a nado estaria livre. Era falso. Mas dezenas de milhares acreditaram e foram. A Espanha acionou o Exército, instalou barreiras flutuantes no mar e devolveu a maioria ao Marrocos em dias. Ainda assim, cerca de 5 mil permaneceram no enclave, incluindo 862 menores desacompanhados que não podem ser deportados.
No contexto maior:
Marrocos é acusado por analistas de ter reduzido intencionalmente a vigilância na fronteira — uma tática usada como pressão diplomática sobre Madri e Bruxelas, em troca de concessões. A taxa de desemprego jovem no Marrocos é de 37,2% — e foi exatamente esse grupo, homens entre 16 e 25 anos, que compôs a maioria dos que cruzaram. A crise rapidamente chegou à União Europeia: a Itália suspendeu o acordo Schengen com a Espanha e a França multiplicou por cinco o número de policiais na fronteira. É a primeira vez desde a pandemia que a livre circulação europeia é suspensa por crise migratória.
Resumindo: A Europa levou um susto que demorou décadas para chegar — e ainda não sabe como resolver a causa estrutural por trás dele.
TECNOLOGIA
Às 3h35 de hoje, um foguete da SpaceX bateu na Lua. Ninguém o mandou fazer isso.
O estágio superior de um Falcon 9 lançado em janeiro de 2025 para uma missão lunar cumpriu sua função, ficou sem combustível e passou mais de um ano vagando pelo espaço sem nenhum destino. Esta manhã, encontrou um. A estrutura de 4 toneladas e 12 metros de comprimento atingiu a superfície lunar a 8.750 km/h, abrindo uma cratera estimada entre 20 e 30 metros de diâmetro e lançando uma pluma de poeira que pode ter chegado a 100 km de altitude — potencialmente visível com telescópios do Brasil, nas proximidades da Cratera Carrol, batizada pela missão Artemis 2.
Entendendo:
O que caiu hoje é chamado de lixo espacial — pedaços de foguetes e satélites desativados que continuam em órbita após o fim das missões. A Força Espacial dos EUA registrou quase 820 reentradas de objetos na atmosfera em 2025, contra apenas 110 em 2016. A maioria se desintegra antes de chegar ao solo. Mas alguns já caíram sobre áreas habitadas no Quênia e na Austrália. Existem soluções técnicas — como mandar estágios sem uso para órbita ao redor do Sol — mas ainda não são prática padrão no setor.
O problema tende a crescer. Com o programa Artemis dos EUA e missões chinesas mirando uma presença humana permanente na Lua, o tráfego ao redor do satélite vai aumentar nas próximas décadas — e não existe ainda nenhuma regulação internacional que obrigue as empresas a fazer a limpeza. Hoje foi o segundo caso documentado de um foguete inoperante atingindo a Lua. O primeiro foi em 2022.
Resumindo: A corrida espacial do século 21 está avançando mais rápido do que as regras para limpar a bagunça que ela deixa pelo caminho.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 25 estados democratas dos EUA processaram o governo Trump na Justiça contestando o tarifaço de até 37,5% sobre exportações brasileiras e de outros países. A disputa comercial vira também judicial.
🔹 O Papa Leão XIV disse que acompanha "com preocupação a alarmante situação em Ceuta" e pediu a Deus "que se encontrem soluções de paz, estabilidade e justiça". Leia mais
🔹 A Itália suspendeu o Acordo de Schengen com a Espanha após a crise em Ceuta, medida apoiada por 21 países da UE, escancarando a divisão dentro do bloco sobre imigração. Leia mais
🔹 Eclipse lunar parcial visível de todo o Brasil nos dias 27 e 28 de agosto, com melhores condições na madrugada. Já a chuva de meteoros Perseidas tem pico em 12/8 e pode ser vista a olho nu no Norte e Nordeste.
🔹 Flávio Bolsonaro formaliza nesta quarta-feira o nome do vice em sua chapa presidencial. O Partido Novo já confirmou Eduardo Girão como vice na chapa de Romeu Zema. O tabuleiro eleitoral de outubro começa a tomar forma. Leia mais |