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Uma linha de produção em Munique, uma fábrica de calçados em Franca e um chip de memória fabricado na Coreia do Sul. Nesta semana, todos responderam a decisões tomadas por pessoas que jamais vão sentir os efeitos — e é exatamente aí que começa a edição de hoje.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: Em 31/07/1971, a Apollo 15 usou o primeiro rover lunar da história — 27,9 km rodados na superfície da Lua.
Para ver: O TED Talk de Tim Urban sobre procrastinação tem 18 min e explica sua vida melhor que qualquer terapeuta.
Stat: 34 mulheres são CEOs no Fortune Global 500 em 2026 — recorde histórico, mas ainda só 6,8% da lista.
Para clicar: O Our World in Data sobre inteligência artificial visualiza o avanço do setor em dados abertos e gratuitos.
Curiosidade: Empresas de IA estão comprando livros físicos em massa, digitalizando e destruindo os originais para treinar modelos de linguagem. Nenhum regulamento proíbe ainda.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
📱 A IA está encarecendo o seu próximo celular — e não vai parar tão cedo
🏭 BMW corta 8.000 vagas e revela a crise que a Alemanha tentava esconder
📦 Amazon desbanca o Walmart no topo do mundo (após 24 anos na lista)
🇧🇷 O tarifaço de Trump entrou em vigor: a conta não chegou igual para todo mundo
🌍 Julho acabou — e com ele, todos os recursos que o planeta regenera em um ano
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TECNOLOGIA
A inteligência artificial está roubando a memória do seu celular — e mandando a conta pra você
1 GB de memória RAM custava US$ 2,80 em 2025. Em 2026, o mesmo gigabyte — a mesma quantidade de memória — custa US$ 12. Não houve escassez de minerais raros, nenhum desastre natural, nenhuma falha de produção. A culpa é dos centros de dados de inteligência artificial, que estão consumindo a capacidade de fabricação de chips de memória do planeta e deixando o mercado de aparelhos com as sobras.
O resultado mais concreto chegou esta semana: a Google confirmou que o Pixel 11 vai custar mais caro. O modelo básico deve sair por US$ 899 — US$ 100 a mais que o Pixel 10. Shakil Barkat, vice-presidente de dispositivos da Google, foi direto: "Protegemos os consumidores das flutuações de fornecimento o máximo que foi possível — mas a economia mudou fundamentalmente e não somos imunes."
Os números:
🔴 Alta da RAM: de US$ 2,80 por GB em 2025 para US$ 12 em 2026 — alta de 330%.
🔴 Pixel 11: estimado em US$ 899 (era US$ 799 no Pixel 10).
🔴 Compensação: armazenamento base vai de 128 GB para 256 GB — você paga mais, mas ganha espaço.
🔴 Sem alívio à vista: analistas do SK Group estimam que a crise de memória dura até 2030.
A ironia é cortante: Google, Apple, Microsoft e Amazon — as mesmas empresas que prometem deixar você mais produtivo com inteligência artificial — são as que estão consumindo a memória disponível no mercado. Um aparelho com 16 GB de RAM que em 2025 custava US$ 45 só em componentes de memória, em 2026 custa US$ 192. Antes mesmo do processador, da câmera ou da tela. A indústria de semicondutores não está produzindo menos — está produzindo para outro cliente, e esse cliente paga muito mais.
Resumindo: A inteligência artificial está ficando mais poderosa — e transferindo parte do custo dessa evolução diretamente para o preço do seu próximo aparelho.
MUNDO
BMW corta 8.000 vagas — e revela a crise que a indústria alemã tentava não nomear
8.000. É quantos postos de trabalho a BMW pretende eliminar até o fim de 2027. Não nas linhas de produção — essas ficam intactas. Os cortes vão direto às áreas de administração e desenvolvimento: os departamentos que, em teoria, estão construindo o futuro da empresa. O programa começa em outubro de 2026 e funciona por adesão voluntária, mas a mensagem está clara: a montadora não consegue mais sustentar a estrutura que tinha.
O plano foi anunciado esta semana após seis semanas de negociação entre diretoria e conselho de trabalhadores. Cerca de 40.000 dos 85.000 funcionários permanentes da BMW na Alemanha receberão propostas de saída a partir de outubro. A empresa espera economizar €1 bilhão por ano a partir de 2028. O motivo? A China. As vendas da BMW no país caíram 30% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior — e haviam atingido, em 2025, o menor nível desde 2017. Fabricantes chineses de carros elétricos avançaram num ritmo que as alemãs simplesmente não acompanharam.
No contexto maior:
A BMW não está sozinha. A Volkswagen estuda cortar até 100.000 postos em todas as suas marcas globalmente. A Porsche anunciou mais 5.000 demissões, chegando a 9.400 vagas eliminadas. A Mercedes-Benz tem programa próprio de desligamentos. Segundo a consultoria EY, a indústria alemã eliminou 124.000 empregos no último ano — quase o dobro do período anterior. A Associação Alemã da Indústria Automotiva prevê até 225.000 cortes no setor até 2030. Milan Nedeljkovic, diretor da BMW, disse aos funcionários nesta semana: "As regras do jogo mudaram."
Resumindo: O que está acontecendo com o automotivo alemão não é um ciclo ruim — é uma transformação estrutural que está levando décadas de empregos consigo, e ainda não chegou ao fundo do poço.
NEGÓCIOS
Em 2002, a Amazon era a 492ª empresa do mundo. Em 2026, é a número 1
A Amazon desbancou o Walmart no topo do Fortune Global 500 — a lista das maiores empresas do mundo por receita. O Walmart dominava a posição há 12 anos. A Amazon chegou ao primeiro lugar com receita de mais de US$ 700 bilhões em 2025, alta de 12% em relação ao ano anterior. Uma empresa que estreou na lista na posição 492, há pouco mais de duas décadas, agora é literalmente a maior do planeta por faturamento.
Mas o passado não explica o futuro. O que a Fortune destacou na capa é a aposta da empresa no próximo ciclo: inteligência artificial. A Amazon vai gastar US$ 200 bilhões em infraestrutura de IA só em 2026 — parte de uma corrida entre as maiores companhias de tecnologia que deve superar US$ 700 bilhões no ano inteiro. Para ter dimensão: isso é mais do que o PIB anual de países como Portugal, Chile e Nova Zelândia.
Jeff Bezos foi direto: "O que estou vendo agora é que nosso negócio de chips está se preparando para ser nosso próximo grande pilar." A empresa investiu US$ 25 bilhões na Anthropic, fechou acordo com a Meta para fornecer chips próprios e está construindo processadores que desafiam a Nvidia. Em paralelo, o Fortune Global 500 mostrou outro número relevante: as 500 maiores empresas do mundo empregam juntas 70,2 milhões de pessoas e geram receita equivalente a dois terços do PIB mundial — e a tecnologia foi o setor com maior crescimento, com receita subindo 20% e lucros avançando 36%.
Resumindo: A Amazon não chegou ao topo vendendo mais — chegou apostando que a próxima grande onda se chama inteligência artificial, e por ora está ganhando essa aposta.
BRASIL
37,5% de tarifa: o tarifaço de Trump entrou em vigor — e a conta chegou diferente em cada estado
Em Santa Catarina, 68% de tudo que o estado exporta para os Estados Unidos está agora sujeito às novas tarifas americanas. Em São Paulo, são 41,6% das exportações. A decisão foi tomada em Washington, com vigência desde 24 de julho. A conta chegou cá — e ela não é igual para todo mundo.
O governo americano aplicou uma tarifa de 37,5% (somando 25% + 12,5%) sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros. Segundo a Agência Brasil, o tarifaço afeta diretamente US$ 11 bilhões em exportações — calçados, têxteis, móveis, etanol, aço e máquinas. Ficaram de fora café, carne bovina, petróleo e celulose: justamente os itens que os EUA não podem simplesmente comprar em outro lugar.
Por dentro:
As justificativas do governo americano foram além do comércio: o Escritório do Representante Comercial dos EUA citou o Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal, a regulação de plataformas digitais e até políticas ambientais como "práticas irrazoáveis". O Financial Times identificou o Brasil como o país com maior elevação de tarifa efetiva entre os parceiros dos EUA — de 11% para 17,7%. Para analistas, o sinal político preocupa mais que o econômico: é a segunda vez em 13 meses que Trump usa tarifas como pressão sobre o Brasil — e o país tem déficit comercial com os EUA, o que derruba qualquer argumento de desequilíbrio. O governo respondeu com R$ 18,5 bilhões em crédito para setores afetados e ações para abrir novos mercados: Indonésia, Vietnã, Filipinas, Egito e Emirados Árabes. Os EUA, hoje, respondem por apenas 9,4% das exportações brasileiras — o menor patamar desde 1997.
Resumindo: O impacto econômico é real, mas setorial — o risco maior é político: o Brasil virou alvo recorrente de pressão americana, e ninguém sabe ainda qual é o próximo capítulo.
TENDÊNCIA
Julho acabou. E com ele, todos os recursos que o planeta consegue regenerar em um ano
Ontem, 30 de julho, foi o Dia da Sobrecarga do Planeta — a data em que a humanidade esgota todos os recursos naturais que a Terra consegue regenerar em 365 dias. A partir de agora, até 31 de dezembro, tudo que consumimos vem de um estoque que não existe: estamos antecipando recursos que só deveriam existir em 2027.
Pensa assim: é como ter um salário mensal e zerar a conta no dia 17. O restante do mês você vive no cheque especial — só que o banco aqui é o próprio planeta, e ele não renegocia dívida.
No contexto maior:
Em 1970, o Dia da Sobrecarga caía em dezembro — ou seja, a humanidade consumia recursos num ritmo compatível com o que a Terra regenera em quase um ano inteiro. Em 2026, chegamos ao limite em julho. Avançamos cinco meses em 56 anos. Hoje, o ser humano consome o equivalente a 1,7 planetas por ano. O Brasil, graças à sua biodiversidade, tem uma pegada per capita menor que países desenvolvidos — mas o padrão de consumo das cidades brasileiras segue a mesma direção. Para quem trabalha em empresas, isso deixou de ser tema de relatório de sustentabilidade. Critérios ambientais são hoje exigência de fundos de investimento, cláusulas contratuais em cadeias globais de fornecimento e fator de classificação em financiamentos corporativos. A pergunta "quando vai afetar minha empresa?" já virou "já afeta — você só ainda não percebeu".
Resumindo: Não é catastrofismo — é matemática. A conta de 2026 foi fechada ontem, e o saldo está negativo em cinco meses.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 A nuvem da Microsoft (Azure) superou pela primeira vez US$ 100 bilhões em receita anual. O resultado do trimestre encerrado em junho veio acima das expectativas do mercado — e mostra que a corrida por infraestrutura de IA não tem mais segundo lugar pequeno. Leia mais
🔹 A Samsung superou as estimativas de lucro do trimestre, impulsionada pela demanda por chips de memória de alta largura de banda para servidores de inteligência artificial — os mesmos que estão encarecendo o seu próximo celular. Leia mais
🔹 O Itaú estima apenas um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, levando os juros a 14% ao ano. A projeção de IPCA de 5,4% para 2026 — puxada principalmente pelo petróleo — deixa o Copom com muito pouco espaço de manobra. Leia mais
🔹 A Porsche anunciou mais 5.000 demissões, somando 9.400 postos eliminados ou a eliminar na marca. No mesmo dia, trabalhadores da Audi protestaram contra o possível fechamento de fábricas na Alemanha. A indústria automotiva europeia não tem mais como adiar a conta. Leia mais
🔹 A SpaceX fechou contrato bilionário com a Força Espacial dos Estados Unidos: 18 missões do Falcon 9 até 2027 para lançar satélites militares em órbita. Leia mais
🔹 A OpenAI quase dobrou seus gastos com lobby em Washington: US$ 2,22 milhões no primeiro semestre de 2026, segundo o Financial Times. Empresas de IA disputam influência nas regras de exportação de chips, direito autoral e contratos do governo americano. Leia mais |