Inteligência Executiva

GIRO E PONTO Business

Edição #7  ·  Terça, 28 de julho de 2026

Bom dia, Executivo.

Inteligência de mercado para decisões melhores — antes das 7h.

O Google entregou o melhor trimestre de sua história — Google Cloud cresceu 82% — e foi punido com queda de 6% nas ações. Esta semana, quando Microsoft, Meta, Apple e Amazon abrem seus balanços, o mercado vai decidir se a maior aposta corporativa da história — US$ 725 bilhões em infraestrutura de IA em um único ano — tem retorno ou só tem promessa.

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⚡ QUICK TAKES

Stat: US$ 725 bi é o gasto previsto dos 4 maiores hyperscalers em infraestrutura de IA em 2026

Abre aspas: "As pessoas aceitaram a volatilidade e investem mesmo assim" — Tom Miles, codiretor global de M&A, Morgan Stanley [trad. livre]

Para ler: As 10 startups brasileiras de IA prontas para captar até US$ 100 mi em 2026

Curiosidade: IDC projeta IA integrada a 80% dos apps corporativos globais até o fim de 2026

Para clicar: Copa do Mundo 2026: quanto o evento movimentará em cada setor da economia

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NA EDIÇÃO DE HOJE

💻 Google cresceu 82% e as ações caíram: o que os mercados querem ver
⚡ US$ 725 bilhões em capex: a janela que o Brasil não pode desperdiçar
📊 O FMI decretou: a desinflação global parou — e o Brasil tem conta a pagar
🤝 M&A global em tech bate US$ 478 bi enquanto Brasil capta 75% menos
🏆 A Copa que o Brasil não sediou e o dinheiro que entrou mesmo assim

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IA NOS NEGÓCIOS

O trimestre que o Google não conseguiu vender ao mercado

O que aconteceu:

A Alphabet — empresa-mãe do Google — reportou os resultados do segundo trimestre de 2026 que deveriam ser motivo de celebração: o Google Cloud cresceu 82% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 24,8 bilhões em receita. Foi o melhor trimestre da história da companhia. As ações caíram mais de 6% na manhã seguinte. O gatilho: a empresa elevou sua projeção de investimento em infraestrutura para até US$ 205 bilhões em 2026, e o fluxo de caixa livre ficou negativo pela primeira vez em toda a história da companhia como empresa de capital aberto. Esta semana, a sequência continua: Microsoft e Meta reportam na quarta-feira (29); Apple e Amazon, na quinta-feira (30).

Por que isso importa:

O mercado não está punindo crescimento ruim — está punindo crescimento bom que não paga as contas. Quando a Alphabet, que expandiu receita em 24% no trimestre, ainda assim gera caixa negativo, o recado é claro: os gastos com IA chegaram à fronteira onde o mercado de capitais começa a exigir evidências de retorno, não apenas de crescimento. O peso da questão vai aumentar esta semana. As quatro maiores empresas de tecnologia do planeta gastarão, juntas, cerca de US$ 725 bilhões em infraestrutura de IA em 2026 — um valor próximo ao PIB da Holanda.

Quem ganha e quem perde:

Ganha quem controla a infraestrutura que essas empresas precisam: fabricantes de chips (leia-se Nvidia), fornecedoras de energia elétrica e operadoras de data centers. Perde quem apostou nos gigantes de tecnologia como geradores de caixa no curto prazo. Para a Microsoft, o número que importa na quarta não é o lucro por ação — é o crescimento do Azure, seu serviço de computação em nuvem. Analistas identificaram 36% de crescimento anual como o piso informal abaixo do qual uma queda da ação é quase certa, independentemente do lucro reportado.

O padrão:

O paradoxo Alphabet não é isolado — é o mesmo fenômeno que explica o recorde de fusões e aquisições em infraestrutura digital e o avanço dos data centers no Brasil nesta edição. O capital não está saindo do setor de tecnologia; está sendo redirecionado para quem controla o substrato físico da inteligência artificial: energia, processamento e armazenamento.

Próximos passos:

Se Azure crescer abaixo de 36% ou a Meta apresentar capex acima das projeções de US$ 136,7 bilhões em 2026 sem guidance de retorno convincente, espere nova onda de venda em ações de tecnologia globalmente — com reflexo imediato no Ibovespa e no comportamento do dólar frente ao real. Os resultados desta semana são o maior teste de narrativa de 2026.


MERCADO

US$ 725 bilhões em capex de IA: a janela que o Brasil não pode desperdiçar

O que aconteceu:

A Agência Internacional de Energia estima que o consumo elétrico destinado a data centers ultrapassará 1.000 TWh em 2030, contra 460 TWh em 2024 — mais que o dobro em seis anos. Só em 2025, o consumo de energia dos data centers cresceu 17%. A corrida por infraestrutura levou o mercado global de fusões e aquisições no setor a registrar US$ 69 bilhões em operações apenas em 2025, distribuídas em 113 transações. Em 2026, os gastos previstos pelos quatro maiores hyperscalers (Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta) somam aproximadamente US$ 725 bilhões — e a Visible Alpha, unidade do S&P Global, projeta US$ 878 bilhões para 2027. No Brasil, a Ascenty anunciou US$ 1,2 bilhão em quatro novos data centers de inteligência artificial no estado de São Paulo.

Por que isso importa:

O Brasil tem um diferencial que poucos países emergentes possuem em igual proporção: uma matriz elétrica predominantemente renovável — hidrelétricas, eólica e solar — que se tornou ativo competitivo no exato momento em que data centers buscam energia limpa para cumprir compromissos ambientais e reduzir custos operacionais. Enquanto os Estados Unidos enfrentam gargalos energéticos para expandir sua infraestrutura de IA, o Brasil tem capacidade e vantagem de custo. O investimento da Ascenty não é uma aposta isolada — é um sinal de que o fluxo de capital já começou.

Quem ganha e quem perde:

Ganham operadoras de energia renovável, construtoras e engenharias com capacidade de erguer data centers em escala, e toda a cadeia fornecedora — fabricantes de painéis elétricos, sistemas de climatização, cabeamento e segurança crítica. A lógica é a mesma da corrida do ouro do século XIX: quem mais enriqueceu não foi quem procurou ouro, mas quem vendeu pá e picareta. Perdem posições empresas que não enxergaram a demanda por infraestrutura digital como mercado de destino.

O padrão:

A demanda por infraestrutura de IA conecta os balanços dos hyperscalers (Story anterior), o recorde global de fusões em tech e o apetite por data centers no Brasil. Não é tendência — é ciclo estrutural que já reescreveu os ativos mais valiosos do planeta. "Historicamente, os grandes ciclos de M&A acompanham transformações estruturais. Foi assim com telecomunicações, internet, e-commerce e nuvem", resumiu Leonardo Grisotto, sócio da Zaxo M&A Partners.

Próximos passos:

Para 2027, US$ 878 bilhões em capex pelos hyperscalers — quase o PIB da Turquia. Para o Brasil, a janela de 18 a 24 meses para se posicionar como hub regional de data centers exige articulação entre governo, distribuidoras de energia e setor privado. Quem atuar antes que a demanda dos hyperscalers se fixe em outros países captura um ciclo de investimento que não se repete com facilidade.


ECONOMIA

O FMI avisou: a desinflação global parou — e o Brasil tem sua própria conta a pagar

O que aconteceu:

A atualização de julho do Fundo Monetário Internacional trouxe uma mensagem incômoda: a desinflação global travou. A projeção para a inflação mundial saltou de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026 — reversão abrupta de tendência que valida a postura cautelosa do Federal Reserve americano, que mantém sua taxa básica entre 3,50% e 3,75% ao ano. O mercado já descartou qualquer corte de juros nos EUA em 2026 e começa a debater a possibilidade de uma alta, caso os preços de energia subam. No Brasil, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses está em 4,64%. O mercado projeta que o índice feche 2026 em 5,30%, acima do teto da meta. A prévia da inflação de julho — o IPCA-15, divulgado esta semana — é o próximo termômetro doméstico: projeções apontam para 0,19% no mês e 4,67% no acumulado anual.

Por que isso importa:

Para o Brasil, o cenário externo complica a equação doméstica por dois caminhos simultâneos. Primeiro: um dólar mais forte — o índice DXY está em 101,53 — pressiona o câmbio e os preços de importados, dificultando a desinflação nacional. Segundo: com o Fed sem espaço para afrouxar, o Banco Central brasileiro precisa mostrar ainda mais cautela no ciclo de cortes da Selic — atualmente em 14,25% ao ano. Qualquer passo percebido como precipitado pode ser amplificado pelo mercado externo. O Boletim Focus projeta Selic em 14% ao fim de 2026 — ciclo de corte que depende de inflação bem-comportada para avançar.

Quem ganha e quem perde:

Ganham empresas com receitas dolarizadas — exportadoras de grãos, minério e celulose —, que aproveitam o câmbio e a demanda global por commodities. Ganham também os gestores de renda fixa: títulos IPCA+ seguem como a proteção lógica nesse ambiente de inflação acima da meta e juros elevados. Perde o setor mais dependente de crédito barato: startups de capital intensivo, construtoras e o varejo a prazo — que já vinha sentindo o freio da Selic elevada por mais de um ano.

Próximos passos:

O IPCA-15 de julho é o dado de curto prazo mais relevante para o ciclo de cortes da Selic. Se vier acima de 0,25%, a discussão sobre o ritmo de afrouxamento vai esquentar antes da próxima reunião do Copom, prevista para os dias 5 e 6 de agosto. O PIB brasileiro está projetado em crescimento de 1,91% para 2026 — número que depende do crédito seguir fluindo, o que, por sua vez, depende da inflação não surpreender negativamente.


INVESTIMENTOS

M&A global em tech bate US$ 478 bilhões. O Brasil vai na direção oposta.

O que aconteceu:

O mercado global de fusões e aquisições em tecnologia cresceu mais de 70% em valor neste ano, somando US$ 478 bilhões, segundo levantamento da Bain & Company. Quase metade do valor estratégico de negócios acima de US$ 500 milhões envolve empresas nativas de inteligência artificial ou cita benefícios ligados à tecnologia. No primeiro semestre de 2026, os investimentos globais de venture capital atingiram US$ 510 bilhões, com a IA concentrando 43% do capital total. No Brasil, o movimento é oposto: startups brasileiras captaram apenas US$ 593 milhões em 68 rodadas até julho — queda de 75,93% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram US$ 2,46 bilhões em 215 rodadas.

Por que isso importa:

A queda brasileira não é anomalia nem fraqueza do ecossistema — é consequência direta da Selic a 14,25%. Juros elevados encarecem capital de risco e tornam o custo de oportunidade de qualquer aposta em startup muito mais alto. Mas há uma armadilha nessa leitura: enquanto o volume de rodadas cai, a qualidade dos negócios que conseguem atrair capital aumenta. Quem ainda capta em 2026 precisou demonstrar receita real, margem positiva e eficiência operacional mensurável. É um filtro duro — e pode resultar num ecossistema mais saudável no médio prazo.

Quem ganha e quem perde:

Ganham startups SaaS — software como serviço — com custos variáveis e menor imobilização de capital, especialmente aquelas que vendem eficiência operacional para grandes corporações que, por causa dos juros altos, estão cortando gastos. Perde quem ainda opera na lógica de "crescimento a qualquer custo" sem modelo de receita consolidado. No M&A global, o perfil das transações também mudou: os chamados scope deals — compras voltadas à expansão em novos mercados — superaram os scale deals, que buscam apenas mais escala do que já existe.

O padrão:

A concentração de capital global em IA e infraestrutura está diretamente ligada ao fenômeno nos balanços dos hyperscalers: o dinheiro não está saindo da tecnologia — está sendo redirecionado para quem tem ativos físicos reais. No Brasil, TOTVS, Blip e fintechs como Nubank lideram as transações de M&A doméstico. Tecnologia & SaaS responde por cerca de 36% do volume total de operações locais.

Próximos passos:

Especialistas do Morgan Stanley, JPMorgan e Paul Weiss apontam o segundo semestre de 2026 como mais ativo em M&A global — com retomada de vendas de divisões e reequilíbrios de portfólio. Para o Brasil, a recuperação do venture capital depende de sinais mais claros de queda na Selic e da consolidação de startups de IA com produto de demanda real, não apenas de tecnologia promissora.


EMPRESAS

A Copa que o Brasil não sediou — e os bilhões que entraram mesmo assim

O que aconteceu:

A Copa do Mundo de 2026 — a maior da história, com 48 seleções, 104 partidas e sede nos Estados Unidos, México e Canadá — gerou um impacto econômico estimado em US$ 41 bilhões no PIB global, segundo o Bank of America, criando mais de 800 mil empregos. O Brasil não recebeu nenhum jogo. Mesmo assim, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta que o varejo brasileiro faturou R$ 4,32 bilhões durante o torneio, e o setor de bares e restaurantes, R$ 2,42 bilhões. Apenas no primeiro bimestre de 2026, o setor de eventos e entretenimento já havia movimentado R$ 25,33 bilhões no país, segundo a ABRAPE.

Por que isso importa:

Copas sediadas em outros países entregam ao Brasil o melhor dos dois mundos: o benefício do consumo interno sem o custo da infraestrutura. Não há estádio para construir, não há elefante branco ao final. O país captura o evento pelo lado mais lucrativo — publicidade, streaming, cerveja, camisas, pay-per-view e hospitalidade corporativa. Empresas do segmento B2B que investiram em ativações e eventos durante o torneio relatam que a Copa funciona como acelerador de relacionamento com clientes premium, gerando contratos que se prolongam pelos 12 meses seguintes.

Quem ganha e quem perde:

Os ganhos mais claros ficaram com Ambev — que se beneficiou diretamente do aumento de tráfego em bares, plataformas de entrega e restaurantes —, com Globo e canais de streaming pelos direitos de transmissão, e com o varejo esportivo, especialmente camisas e equipamentos. O impacto tende a ser proporcional ao avanço da seleção brasileira: quanto mais longe o Brasil foi, maior o consumo associado. Perdem as agências de turismo doméstico, que viram parte da demanda migrar para os países-sede, e o setor hoteleiro brasileiro — sem fluxo de visitantes internacionais para cobrir.

Próximos passos:

O ciclo Copa ainda não encerrou para todos os setores. Empresas de eventos corporativos que firmaram contratos de hospitalidade durante o torneio devem colher renovações e novos negócios nas próximas semanas. Para o varejo esportivo, o pós-Copa costuma trazer reequilíbrio de estoques — e oportunidades de liquidação para quem calibrou mal o volume de produtos licenciados.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Em abril de 2026, Microsoft e OpenAI encerraram formalmente sua parceria exclusiva de receitas. Semanas depois, na Build 2026, a Microsoft apresentou sete modelos de IA próprios — incluindo o MAI-Thinking-1, construído do zero. Leia mais

🔹 O S&P 500 encerrou a semana passada em 7.411,98, recuando 0,6%, enquanto o Nasdaq caiu 2,1% — primeira sequência de perdas semanais do índice desde março. O movimento reflete rotação de ações de tecnologia para setores de valor e cíclicos, não fuga do mercado: o índice de volatilidade VIX permanece baixo, em 18,67. Leia mais

🔹 Investimentos globais de venture capital atingiram US$ 510 bilhões no primeiro semestre de 2026 — recorde histórico —, com a inteligência artificial concentrando 43% de todo o capital alocado no período. Leia mais

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