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GIRO E PONTO

Edição #54  ·  Terça, 28 de julho de 2026

Bom dia, Leitor. 🎯


Um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem de Jair Bolsonaro abriu a convenção que lançou o filho dele à corrida pela presidência do Brasil. O ex-presidente está em prisão domiciliar — mas, na tela do Pacaembu, parecia estar lá.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 1914: a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia e começa a 1ª Guerra Mundial.

Stat: US$13 bilhões para fusão nuclear em 5 anos. O setor chega agora à Nasdaq.

Você sabia: 28 de julho é feriado no Peru — Dia da Independência, celebrado desde 1821.

Para ler: Por que a RAM subiu 6 vezes em um ano — e como o Google está tentando se adaptar.

Para assistir: As 28 tecnologias mais impressionantes que saíram da CES 2026, em vídeo.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🇧🇷 O PL lançou Flávio — com vídeo de IA do pai preso como bônus
🤖 Nvidia pode bancar US$600 bi da OpenAI (e o risco disso)
📱 A IA está encarecendo seus próximos gadgets — e muito
🧠 Claude Opus 5: IA de ponta pela metade do preço, finalmente

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BRASIL

O PL tem candidato, não tem vice — e usou IA para trazer o pai da campanha

Jair Bolsonaro não pôde ir. Condenado a 27 anos e três meses de prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, ele está proibido pelo STF de ter qualquer contato com o próprio filho desde julho. Mesmo assim, apareceu. Na tela do Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente saudou a plateia — avisando, desde o início, que não era real.

O objetivo do evento, no sábado (25), era oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência nas eleições de outubro. Segundo a Agência Brasil, o partido confirmou o senador como sucessor do pai após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, decretada pela Justiça Eleitoral. Tarcísio de Freitas, que estava no radar, ficou em São Paulo — deu apoio, mas de fora da chapa.

Os números:

🔴 2 de agosto: prazo para Flávio registrar a candidatura no TSE — e definir o vice.

🔴 Empate técnico: Flávio e Lula aparecem nivelados em eventual 2º turno, segundo o PoderData.

🔴 Sem vice: o PL usa essa vaga como moeda de troca para montar aliança com o Centrão.

Michelle Bolsonaro não foi — resultado de uma briga pública que durou semanas. Enviou vídeo. Flávio pediu desculpas publicamente dois dias antes, e a reconciliação foi costurada por aliados do partido. Ela deve participar da campanha com foco no eleitorado feminino e evangélico. Entre os presentes: Javier Milei, que fez um discurso de 30 minutos criticando o "socialismo" — com problemas na tradução simultânea. O PT já entrou na Justiça questionando tanto o vídeo de IA quanto a presença do presidente argentino no evento.

Resumindo: a direita tem candidato oficial — mas começa a corrida com briga interna, vice indefinido e uma investigação da PF em andamento sobre o filme de campanha do pai.


TECNOLOGIA

Nvidia pode se tornar fiadora de US$600 bilhões da OpenAI — e isso preocupa todo mundo

US$600 bilhões. Esse é o tamanho da aposta que a Nvidia pode colocar em cima de uma única empresa — a OpenAI. O Wall Street Journal revelou no domingo que a fabricante de chips está em negociações para oferecer uma garantia de US$250 bilhões para que a OpenAI consiga alugar um complexo de data centers que a SoftBank está construindo no sul de Ohio. O campus terá capacidade para 10 gigawatts de energia — o suficiente para abastecer uma cidade de médio porte. A Forbes Brasil confirmou os detalhes.

A conta não para aí. Em negociação paralela, a Nvidia discute também financiar a compra dos próprios chips que iriam dentro do data center — o que pode chegar a mais US$350 bilhões. Somando tudo: US$600 bilhões de envolvimento financeiro da Nvidia em um único cliente.

Por dentro:

A OpenAI é avaliada em US$852 bilhões — mas ainda não é lucrativa. Sem nota de crédito favorável, ela precisa da Nvidia como fiadora para fechar contratos desse porte. Para a OpenAI, é o primeiro passo para ter infraestrutura própria, sem depender de Microsoft, Amazon e Oracle. Para a Nvidia, significa travar a demanda pelos seus chips por uma década. O investidor Michael Burry chamou o arranjo de "circular": a Nvidia financia a OpenAI, que gasta esse dinheiro nos chips da própria Nvidia. Legal — mas difícil de medir de fora. A primeira fase do projeto está prevista para 2028, com 800 megawatts. Nada está assinado ainda.

Resumindo: se der certo, é o maior movimento de infraestrutura de IA da história — se der errado, pode ser exatamente a bolha que os céticos estavam esperando.


TENDÊNCIA

A IA está encarecendo seu próximo celular — e não é pouca coisa

6 vezes. É quanto o preço de 1 GB de memória RAM subiu em apenas 12 meses, segundo dados da Morgan Stanley. Em 2025, custava US$2,80. Em 2026, chegou a US$12. O vice-presidente de dispositivos da Google chamou o movimento de "sem precedentes na história da indústria de chips".

A causa não é uma fábrica que explodiu ou uma tempestade que parou um porto. É uma escolha deliberada: Samsung, SK Hynix e Micron — as três maiores fabricantes de memória do mundo — redirecionaram suas linhas de produção para um tipo especial de chip que os data centers de IA precisam. Cada linha de produção que muda de destino retira dois chips de memória convencional do mercado.

Entendendo:

Memória de alta largura de banda (HBM) é o tipo de chip que fica dentro das placas de IA para processar enormes quantidades de dados ao mesmo tempo. É muito mais rápida e cara que a memória comum de celular. As fabricantes preferiram vender para data centers — clientes maiores e mais lucrativos — e o mercado de consumo ficou sem estoque.

A Google confirmou à Neowin que toda a linha Pixel vai ficar mais cara. O Pixel 11, previsto para ser lançado em 12 de agosto, deve começar em US$899 — US$100 a mais que o modelo anterior. E com menos memória: a versão Pro deve vir com 12 GB em vez de 16 GB. Não é só celular: laptops, tablets e consoles estão no mesmo barco. A IDC projeta que o mercado global de smartphones vai encolher 13,9% em 2026 — a maior queda em mais de uma década.

Resumindo: os data centers de IA estão consumindo os chips que iriam para o seu bolso — e o próximo aparelho que você comprar vai custar mais por isso.


TECNOLOGIA

Claude Opus 5: a Anthropic lançou uma IA quase tão boa quanto a melhor — pela metade do preço

A Anthropic lançou um modelo de inteligência artificial que chega perto do seu topo de linha e cobra metade do preço. Se parece bom demais para ser verdade, o resumo é mais sutil — mas a direção é real.

Em 24 de julho, a empresa disponibilizou o Claude Opus 5 em todas as plataformas. O modelo custa US$5 por milhão de unidades de entrada e US$25 de saída — os mesmos valores do modelo anterior, e metade do que cobra o Fable 5, o carro-chefe da Anthropic. Em testes externos, o Opus 5 ficou a apenas 0,5% do pico do Fable 5 em programação, custando metade por tarefa concluída. No ARC-AGI-3 — avaliação que testa capacidade de resolver problemas inéditos —, registrou pontuação três vezes superior ao segundo colocado na lista.

Os números:

🔴 1 milhão de unidades de contexto: o modelo consegue ler um livro inteiro em uma única consulta.

🔴 Controle de esforço: o usuário decide quanto poder computacional o modelo usa — mais esforço, mais qualidade, mais custo.

🔴 Modelo padrão: vira o padrão no plano Claude Max e a opção mais potente no Claude Pro.

O Fable 5 não morreu — a Anthropic o mantém para projetos longos e altamente autônomos que justificam o custo maior. Para o trabalho do dia a dia — código, análise, pesquisa —, o Opus 5 resolve e custa bem menos. A guerra de preços na inteligência artificial está chegando no uso corporativo, e quem ainda hesitava em adotar IA por custo perdeu um argumento.

Resumindo: a Anthropic não derrubou o topo de linha — só tornou muito mais difícil justificar o preço de pagar por ele.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A OpenAI quase dobrou os gastos com lobby em Washington — US$2,22 milhões no 1º semestre de 2026, segundo análise do Financial Times. O debate envolve exportação de chips, direitos autorais de dados de treino e contratos com o governo americano. Leia mais

🔹 A General Fusion tornou-se a primeira empresa de fusão nuclear a abrir capital em uma bolsa principal, estreando na Nasdaq sob o símbolo GFUZ. O setor captou US$4,5 bilhões em 2026 e US$13 bilhões em cinco anos — impulsionado pela demanda de energia dos data centers de IA. Leia mais

🔹 A Espanha venceu a Copa do Mundo 2026, encerrando o maior torneio já realizado — pela primeira vez com 48 seleções, sediado em EUA, Canadá e México.

🔹 Lula deve ser confirmado candidato à reeleição na convenção do PT em 2 de agosto — exatamente o mesmo dia em que Flávio Bolsonaro faz o registro no TSE. Leia mais

🔹 O PT entrou na Justiça Eleitoral questionando o vídeo de IA de Jair Bolsonaro e a presença de Milei na convenção do PL — alegando irregularidades que podem ser levadas ao TSE. Leia mais

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