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GIRO E PONTO

Edição #50  ·  Sexta, 24 de julho de 2026

Bom dia, Leitor. 🚀


Na fábrica de ferro-gusa em Minas, na usina de etanol em São Paulo, no frigorífico gaúcho: a conta chegou. A partir desta sexta-feira, mais de 3 mil produtos brasileiros cruzam a fronteira dos EUA pagando até 37,5% de sobretaxa — e o Brasil prometeu retaliar.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Em 24 de julho de 1969, os astronautas da Apollo 11 amerissaram no Oceano Pacífico — encerrando a missão que pousou o homem na Lua pela primeira vez na história.

Curiosidade: San Miguel de Allende, cidade colonial mexicana com 200 mil habitantes, foi eleita o melhor destino de viagem do mundo em 2026 pela Travel + Leisure — superando Roma, Florença e Kyoto.

Stat: 16 anos de espera. A Espanha derrotou a Argentina na prorrogação da final da Copa do Mundo 2026, em Nova York, em 20 de julho — e voltou ao topo do futebol mundial.

Para ler: Veja a lista completa dos produtos brasileiros mais afetados pelo novo tarifaço dos EUA — para saber se o seu setor está na mira.

Descubra: A pobreza na Bolívia cresceu 10% em apenas dois anos e já afeta mais da metade da população do país — uma crise silenciosa, fora do radar das manchetes brasileiras.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🇧🇷 Brasil vira o segundo mais taxado pelos EUA — e promete reagir
📊 Google Cloud cresce 82% e a IA já sustenta o negócio do Google
🚀 Tesla decepciona no lucro, mas Musk acena para fusão com a SpaceX
⚛️ Enquanto bombardeava o Irã, os EUA entregaram energia nuclear à Arábia Saudita

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BRASIL

O dia em que o Brasil virou o segundo mais taxado pelos EUA

Pedro trabalha numa siderúrgica de ferro-gusa no centro de Minas Gerais. O produto dele abastece 73% do mercado americano nessa categoria. A partir desta sexta-feira, seus compradores nos EUA pagam 37,5% a mais para receber esse ferro — e a conta chegou antes do fim do dia.

A nova tarifa de 12,5% anunciada pelos EUA na quinta-feira (23/7) entrou em vigor hoje — e, para a maioria das exportações afetadas, ela se soma à sobretaxa de 25% imposta na semana passada. O resultado é uma tributação extra de 37,5% que coloca o Brasil como o segundo parceiro comercial mais penalizado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.

Os números:

🔴 US$ 10,7 bilhões em exportações brasileiras atingidas pela sobretaxa total de 37,5%, segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil.

🔴 4.187 produtos afetados — dos quais 62% são insumos usados pela própria indústria americana.

🔴 20 dos 27 estados brasileiros já registravam queda nas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026.

A justificativa oficial de Washington é uma investigação que acusa o Brasil de não combater o trabalho forçado nas cadeias produtivas — o que daria vantagem de custo desleal às mercadorias brasileiras. A mesma investigação mira etanol, propriedade intelectual e desmatamento. Na prática, analistas apontam que as novas tarifas também funcionam como recomposição das taxas derrubadas pela Suprema Corte americana em fevereiro — com respaldo jurídico mais sólido, portanto mais difíceis de reverter.

O governo Lula prometeu reagir: o Palácio do Planalto afirmou que vai acionar "imediatamente" a Lei da Reciprocidade, que autoriza o Brasil a aplicar tarifas equivalentes. Na prática, porém, o Brasil exporta muito mais para os EUA do que importa — e uma retaliação direta tem custo bilateral, inclusive para o consumidor brasileiro.

Resumindo: O tarifaço chegou para valer nesta sexta — e a questão agora não é se o Brasil vai reagir, mas quanto essa reação vai custar para os dois lados.


TECNOLOGIA

O Google ganhou US$ 120 bilhões. O problema é quanto vai gastar.

82%. Esse é o crescimento do Google Cloud no segundo trimestre de 2026 — e esse único número resume por que a Alphabet voltou a dominar os noticiários financeiros esta semana.

A empresa divulgou resultados que superaram Wall Street: receita de US$ 119,8 bilhões, alta de 24% na comparação anual. É o 12° trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos. O lucro aparente ficou em US$ 112 bilhões — mas há um asterisco importante: US$ 99 bilhões desse total vieram de um ganho contábil pela valorização de participações em empresas como SpaceX e Anthropic. Esse tipo de ganho não se repete.

O que importa de verdade é o operacional. A divisão de nuvem faturou US$ 24,8 bilhões, impulsionada pela adoção em massa do Gemini nas grandes empresas. Quase 90% das companhias da lista Fortune 100 já usam o Gemini Enterprise. O chatbot chegou a 950 milhões de usuários ativos por mês — eram 750 milhões em dezembro. Em seis meses, o produto ganhou mais usuários do que o Brasil tem de habitantes.

O que vem depois:

Aqui mora a preocupação. A Alphabet elevou sua projeção de gastos em infraestrutura de inteligência artificial para uma faixa entre US$ 195 e US$ 205 bilhões em 2026 — e avisou que o pico ainda não chegou, com pressão de gastos continuando em 2027. O fluxo de caixa livre ficou negativo no trimestre, com os investimentos superando a geração operacional. Para quem tem ação da empresa, é um sinal de que a aposta na IA é total — e o retorno ainda não tem data.

Resumindo: O Google está ganhando a corrida da inteligência artificial — mas está gastando tanto que nem o CEO sabe quando a conta vai fechar.


NEGÓCIOS

A Tesla errou o resultado. Musk errou na direção oposta.

A Tesla divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026 e entregou exatamente o que o mercado não queria: receita recorde, lucro fraco — e Elon Musk jogou uma bomba sobre uma possível fusão com a SpaceX que ninguém esperava ouvir numa teleconferência de balanço.

A receita bateu US$ 28,24 bilhões, alta de 26% em relação ao ano anterior. Mas o lucro ajustado ficou em US$ 0,33 por ação — bem abaixo das estimativas de US$ 0,50. A margem bruta encolheu para 16,8%, contra uma projeção de 19,5%. As ações caíram mais de 7% no pré-mercado de quinta-feira.

Para onde vai o dinheiro? Musk prometeu investir acima de US$ 25 bilhões só neste ano — em carros sem motorista, robôs chamados Optimus, chips de inteligência artificial e infraestrutura de energia solar. O diretor financeiro avisou que esse ritmo de gastos continua por mais dois ou três anos, sem uma data comprometida para o retorno.

E então veio a fala que parou os analistas. Questionado sobre sinergias entre Tesla e SpaceX, Musk não negou uma fusão — e foi além: "Mais e mais áreas estão se sobrepondo. Especialmente a Terafab, que vai ser um projeto gigantesco." Em seguida, disse que "não é possível falar sobre combinar empresas" numa conferência de resultados. Para o mercado, soou como confirmação velada.

Por dentro:

A integração já existe na prática: o Cybertruck tem conectividade via Starlink, o assistente de IA Grok está nos veículos e ambas desenvolvem juntas uma fábrica de semicondutores. Os riscos de uma fusão formal são reais: a SpaceX consome muito capital, o que exigiria novas emissões de ações da Tesla, diluindo os acionistas. E uma aprovação regulatória na China — onde a Tesla depende de receita relevante — pode ser inviável dada a ligação da SpaceX com o Pentágono.

Resumindo: Tesla errou no lucro, mas Musk usou o palco para reacender o maior boato corporativo de 2026 — e o mercado comprou a narrativa antes de checar os números.


MUNDO

Enquanto bombardeava o Irã, os EUA entregaram energia nuclear à Arábia Saudita

A decisão passou quase despercebida no meio dos alertas de bombardeio — mas pode ser o movimento mais importante do Oriente Médio em décadas.

Enquanto os EUA e o Irã trocavam ataques pela 12ª noite consecutiva — disputando o controle do Estreito de Ormuz, por onde fluía um quinto do abastecimento global de petróleo antes do conflito —, Washington formalizou um acordo histórico com a Arábia Saudita: Riad poderá desenvolver energia nuclear civil e enriquecer urânio em território próprio, com supervisão americana.

A ironia estratégica é pesada. O Irã leva anos tentando desenvolver capacidade nuclear e acumulou sanções, bloqueios e, agora, uma guerra por isso. A Arábia Saudita — o maior rival regional de Teerã — acaba de conseguir o mesmo direito, com a bênção da maior potência militar do mundo. Observadores descrevem o acordo como um ponto de virada histórico para a região.

No contexto maior:

Analistas veem o movimento como duplo tabuleiro americano: fortalecer aliados no Golfo durante o conflito com o Irã e garantir que países da região desenvolvam energia nuclear sob controle de Washington — não sob influência de Pequim ou Moscou. O tamanho do que está em jogo ficou claro quando o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, informou ao Senado que a guerra contra o Irã já custou US$ 37,5 bilhões ao Tesouro americano — e que mais US$ 67 bilhões serão necessários. Nenhum dos dois lados sinaliza recuo. O Irã ameaça bloquear Ormuz a cada navio que passa sem sua autorização. Os EUA respondem com bombardeios e bloqueio naval.

Resumindo: O acordo nuclear com a Arábia Saudita pode ter mudado o Oriente Médio mais do que qualquer bomba lançada nesta semana — e quase ninguém estava olhando para ele.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 EUA e Irã vivem a 13ª noite consecutiva de bombardeios cruzados. Nenhum dos lados sinaliza recuo, e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz segue sem resolução. Leia mais

🔹 Zelensky e Trump devem se encontrar em Washington em 28 de julho, segundo a emissora ucraniana Suspilne, enquanto a Ucrânia busca apoio americano no conflito contra a Rússia.

🔹 SpaceX: as ações da empresa caíram 31% do pico atingido logo após o IPO de junho, apagando dezenas de bilhões e tirando Musk do status de trilionário. Leia mais

🔹 Amazônia: o desmatamento registrou a maior queda percentual já documentada em 2026 — ao mesmo tempo, o serviço climático Copernicus confirma que as emissões globais por incêndios florestais são as menores em 24 anos.

🔹 SUS incorporou a edaravona para tratamento de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que paralisa progressivamente o sistema motor. A inclusão garante acesso gratuito pelo sistema público de saúde.

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