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O vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu dezenas de empresários brasileiros na semana mais cara do ano: o tarifaço americano de 25% tinha acabado de entrar em vigor, e ninguém sabia ainda qual era a conta exata. Mas todos sabiam quem pagaria.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 23 jul 1829 — William Burt patenteava o tipógrafo, pai da máquina de escrever.
Stat: US$ 13 bi em fusão nuclear nos últimos 5 anos — e 2026 tem o 1.º IPO do setor em bolsa.
Abre aspas: Alckmin sobre o tarifaço: "Olho por olho pode acontecer dos dois ficarem cegos."
Descubra: Falar com estranhos por 5 minutos melhora o humor — mas quase todos evitam por achar incômodo.
Para clicar: A Wayback Machine guarda versões de quase qualquer site que já existiu. Vale ver como era a web em 2004.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🇧🇷 EUA taxam 25% os produtos do Brasil — e o PIX virou argumento
🇺🇦 Zelensky demitiu o governo inteiro em 7 dias (e as ruas cobram)
💳 3 em cada 10 brasileiros pagam mercado no crédito (80,9% com dívida)
🤖 De zero investidor a US$ 74 bilhões: a DeepSeek vai abrir capital
⚡ IA gasta energia que ainda não existe — US$ 13 bi apostam em fusão nuclear
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BRASIL
PIX, aço e calçados na mira: como o Brasil acordou com US$ 7,4 bilhões em tarifas americanas
US$ 7,4 bilhões. É o valor das exportações brasileiras que acordou na quarta-feira com 25% de sobretaxa americana em cima. A tarifa adicional imposta pelo governo Trump entrou em vigor em 22 de julho — e, com ela, uma lista de produtos que vai de aço e alumínio a calçados, suco de laranja e café processado.
Segundo a Agência Brasil, os setores mais expostos são os que têm mais dificuldade de mudar de mercado rapidamente: máquinas, equipamentos, madeira e calçados. No total, o tarifaço afeta 18% das exportações para os EUA — o que soa pouco até você colocar em reais.
Os números:
🔴 18%: parcela das exportações ao mercado americano atingidas pela tarifa.
🔴 US$ 7,4 bi: valor estimado de exportações afetadas (Amcham).
🔴 R$ 76 bi: impacto estimado na atividade econômica brasileira (Ibevar).
🔴 US$ 41,8 bi: superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2025 — o que torna a tarifa difícil de justificar tecnicamente.
O que surpreende na lista americana não são só os produtos. O PIX foi colocado na mira de Washington — o argumento é que o sistema de pagamentos instantâneo criaria barreiras para empresas financeiras americanas. Uma acusação que mistura política e comércio de um jeito que especialistas chamam de "sem precedentes". Outros pontos: proteção insuficiente de patentes e regulação de plataformas digitais. O governo Lula escolheu, por ora, não retaliar. Há eleições no horizonte, e a aposta é que o tempo e a diplomacia resolvam antes que os dois lados se machuquem de vez.
Resumindo: O Brasil chegou às eleições num impasse comercial com os EUA — e preferiu sentar à mesa a jogar o tabuleiro no chão.
MUNDO
Em sete dias, Zelensky trocou o primeiro-ministro, o ministro da Defesa e o comandante do exército
Bohdan tem 29 anos, é ex-soldado ucraniano e foi às ruas de Kiev gritar "vergonha" nesta semana. O alvo era Zelensky. O motivo: a demissão de Mykhailo Fedorov, 35 anos — o ministro que transformou o uso de drones em diferencial estratégico da Ucrânia. Ele foi afastado sem aviso, no meio de uma guerra, depois de seis meses no cargo.
Mas a demissão de Fedorov foi apenas parte de uma remodelação muito maior. Em sete dias, Zelensky substituiu a primeira-ministra Yulia Svyrydenko, o ministro da Defesa e o comandante-em-chefe Syrskyi — trocado por Mykhailo Drapatiy. É a terceira troca de comandante desde 2022. Centenas de pessoas foram às ruas de Kiev com cartazes que perguntavam "Por quê?" e "Os russos estão comemorando".
Por dentro:
Por trás das demissões há uma disputa pelo controle das compras militares. Fedorov, um gestor tecnocrata sem carreira militar, introduziu licitações abertas no Ministério da Defesa — o que tornava os preços públicos e dificultava a inflação artificial dos contratos. Quando o comandante Syrskyi passou a bloquear suas iniciativas, o conflito foi parar no colo de Zelensky. A saída de Fedorov também arrastou o vice-comandante da força aérea, que pediu demissão por solidariedade. O Kremlin comemorou publicamente.
Resumindo: A Ucrânia trocou a cúpula inteira num momento em que não pode se dar ao luxo de trocar nada — e parte das ruas cobrou o preço.
ECONOMIA
Supermercado no crédito rotativo: como o Brasil chegou ao maior endividamento de famílias da história
80,9%. É o percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida em abril de 2026 — o maior índice desde que a Confederação Nacional do Comércio começou a medir, em 2010. E o detalhe que muda tudo: 3 em cada 10 brasileiros estão usando o cartão de crédito para cobrir despesas do dia a dia. Supermercado, conta de luz, remédio.
Segundo o levantamento do Senado Federal, a parcela da renda comprometida com dívidas saltou de 22% em 2019 para quase 30% no fim de 2025. O crédito inadimplente bateu recorde: R$ 247,6 bilhões. E o instrumento mais usado para fechar o mês — o cartão de crédito — é também o mais caro: o rotativo cobra entre 428% e 440% ao ano.
Os números:
🔴 80,9%: famílias com dívida em abril de 2026 — recorde histórico da série.
🔴 R$ 247,6 bi: crédito inadimplente no Brasil em 2026 — maior volume da história.
🔴 440% ao ano: taxa máxima do cartão de crédito rotativo — a linha mais cara do mercado.
🔴 83,6%: famílias endividadas que têm o cartão como principal fonte de dívida.
O que explica isso não é só má gestão individual. É estrutural. O Brasil tem uma das maiores taxas reais de juros do mundo. Quando a Selic permanece em 15% ao ano, tudo o que envolve crédito fica caro — e o custo do dinheiro se incorpora ao preço de quase tudo que o brasileiro compra, mesmo que ele não perceba na hora. Resultado: a renda cresce, o emprego melhora, mas o bem-estar não acompanha. O crédito deixou de ser instrumento de planejamento e virou tentativa de sobrevivência.
Resumindo: Quando o supermercado virou item de crédito rotativo, o problema deixou de ser comportamental e passou a ser estrutural — e difícil de resolver sem mexer nos juros.
TECNOLOGIA
De zero investidor a US$ 74 bilhões em quatro meses: a corrida da DeepSeek para abrir capital
Em abril, conversas sobre captação colocavam a DeepSeek numa avaliação de US$ 10 bilhões. Em maio, US$ 20 bilhões. Em junho, US$ 52 bilhões — após a primeira rodada de investimento externo da empresa, que até então era financiada inteiramente pelo fundador, o matemático e gestor de fundos Liang Wenfeng. Agora, a startup chinesa de inteligência artificial planeja uma nova captação a US$ 74 bilhões de avaliação e prepara abertura de capital na bolsa de Xangai.
Não é só hype. Em junho de 2026, a DeepSeek processava 23% de todos os fluxos de dados empresariais pelo canal de distribuição da Vercel — ficando atrás apenas da Anthropic (32%). A empresa quer levantar até 50 bilhões de yuans na nova rodada, com Tencent e o fundo nacional de inteligência artificial de Pequim entre os investidores. A meta interna é depositar os documentos de abertura de capital ainda em 2026.
Por dentro:
A DeepSeek opera com chips da Huawei — não da Nvidia. Os bloqueios de exportação americanos que deveriam limitar o avanço tecnológico chinês podem ter feito o oposto: acelerado o desenvolvimento de alternativas domésticas. O fundador Liang Wenfeng detém cerca de 78% da empresa e investiu pessoalmente 20 bilhões de yuans na rodada de junho — tornando-se o maior acionista individual, à frente da Tencent e da fabricante de baterias CATL. O IPO, se confirmar, seria o primeiro de uma empresa chinesa nativa de inteligência artificial num ciclo que já tem SpaceX, OpenAI e Anthropic na fila.
Resumindo: A DeepSeek provou que as sanções americanas podem ter acelerado a inteligência artificial chinesa, não freado — e agora quer fazer isso na bolsa.
TECNOLOGIA
A fatura de energia da IA: por que US$ 13 bilhões estão indo para fusão nuclear agora
4 vezes. É o quanto os centros de dados de inteligência artificial poderão consumir da produção elétrica total dos Estados Unidos em dez anos — segundo estudo publicado nesta semana. A rede elétrica americana não foi projetada para isso. E o mercado já começou a apostar na solução: energia de fusão nuclear.
O investimento privado em fusão nuclear chegou a US$ 4,5 bilhões só no último ano — o maior volume da história — elevando o total dos últimos cinco anos para US$ 13 bilhões, segundo a Fusion Industry Association. O marco desta semana foi a abertura de capital da General Fusion na Nasdaq (código GFUZ), a primeira empresa do setor a listar em uma bolsa importante. Outra aposta, a Helion Energy, captou US$ 465 milhões na última rodada, elevando seu total acumulado a US$ 1,5 bilhão.
No contexto maior:
A fusão nuclear — diferente da fissão usada em usinas convencionais — reproduz o processo que acontece no Sol: dois átomos se fundem e liberam energia imensa, sem produzir resíduo radioativo de longa vida útil. É limpa, virtualmente inesgotável e muito mais segura. O problema: nenhuma empresa ainda conseguiu fazê-la de forma comercialmente viável. A corrida para ser a primeira nunca valeu tanto dinheiro. Hoje, existem 56 empresas de fusão nuclear no mundo apostando que serão elas.
Resumindo: A inteligência artificial criou uma demanda de energia que a rede elétrica não resolve — e os bilhões estão apostando numa tecnologia que ainda não existe em escala industrial.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 A Câmara dos EUA aprovou, por 216 votos a 212, orçamento de defesa de US$ 1,15 trilhão para 2027 — e votou pela renomeação do Departamento de Defesa para "Departamento de Guerra". Leia mais
🔹 OpenAI estuda adiar a abertura de capital para 2027 em busca de avaliação de US$ 1 trilhão; Sam Altman teria recusado listar a empresa com desconto neste ano. Leia mais
🔹 Zelensky nomeou Serguei Koretski — ex-executivo da estatal de energia Naftogaz — como novo primeiro-ministro da Ucrânia, após a maior reforma de governo do país desde 2022. Leia mais
🔹 Pesquisa Quaest aponta que o tarifaço americano pesa mais contra o pré-candidato Flávio Bolsonaro do que contra Lula — a alcunha "Tariflávio" começa a aparecer nas pesquisas qualitativas às vésperas da eleição. Leia mais
🔹 Espanha proibiu menores de idade de fumar em qualquer espaço público — não só de comprar cigarros. A nova lei vai além do que qualquer país europeu havia adotado até agora no combate ao tabagismo juvenil. Leia mais |