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GIRO E PONTO

Edição #47  ·  Terça, 21 de julho de 2026

Bom dia, Leitor. 🎯


Um ex-deputado brasileiro condenado a quatro anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal recebeu esta semana residência permanente nos Estados Unidos — concedida pelo governo Trump. Enquanto isso, o mesmo país prepara tarifas de 25% sobre exportações brasileiras usando a Amazônia como justificativa.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Em 21 de julho de 1969, Armstrong e Aldrin decolaram da Lua rumo à Terra. Foram os únicos humanos a deixar outro astro sob os próprios pés.

Stat: US$ 871 milhões distribuídos pela FIFA entre as 48 seleções do Mundial 2026. Espanha, campeã, ficou com a maior fatia.

Para clicar: Neal.fun te dá US$ 100 bilhões para gastar. Parece fácil. Não é.

Para assistir: O TED Talk de Simon Sinek sobre por que grandes líderes inspiram ação. O mais assistido da história da conferência.

Para ler: Princípios, de Ray Dalio — o manual de tomada de decisão de quem geriu US$ 160 bilhões por décadas.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🇧🇷 O condenado pelo STF que ganhou residência permanente no rival do Brasil
🌿 A Amazônia que Trump usou — e os dados que contradizem a narrativa
🤖 De US$ 10 bi a US$ 71 bi em três meses (e agora mira a bolsa)
🛒 A maior multa da história digital europeia chegou ontem
⚛️ Fusão nuclear estreia na bolsa porque a IA tem fome de energia

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BRASIL

O ex-deputado que o Brasil quer prender — e os EUA acabaram de acolher

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em junho a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. No mesmo mês de julho, o governo de Donald Trump concedeu a ele o green card — o documento de residência permanente nos Estados Unidos. O pedido havia sido protocolado há mais de um ano.

A concessão foi feita na categoria EB-1A, criada para "indivíduos com habilidades extraordinárias" em ciências, artes ou negócios. Eduardo não informou publicamente quais habilidades foram usadas para justificar a categoria. O que o STF considerou provado: ele atuou nos EUA para interferir no julgamento do pai — condenado a 27 anos por tentativa de golpe — ao pressionar publicamente ministros da Corte e articular sanções americanas contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. Para a Corte, foram ações criminosas, não políticas.

Por dentro:

Com o green card, Eduardo tem direito de morar, trabalhar e estudar nos EUA por tempo indeterminado — com proteções jurídicas próximas às de um cidadão americano. A extradição para cumprir pena no Brasil, que já era considerada remota, beira agora o impossível. "Eduardo agora está protegido pela Constituição americana", afirmou Paulo Figueiredo, aliado próximo. O timing gerou reação imediata: a concessão ocorre na mesma semana em que os EUA anunciam tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. Adversários políticos de Eduardo acusam ele e o irmão Flávio — pré-candidato à Presidência pelo PL — de terem pressionado Washington a adotar essas medidas. Ambos negam.

Resumindo: Um condenado pelo STF por tentar interferir na Justiça brasileira agora tem residência permanente garantida no país que impõe tarifas ao Brasil — e só voltará se receber anistia.


MUNDO

Washington usou a Amazônia para justificar uma tarifa. O problema: o desmatamento caiu 20%.

Os EUA impuseram tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. Entre as justificativas oficiais do governo Trump: o desmatamento da Amazônia. No mesmo período, o MapBiomas publicou que o Brasil desmatou 984.794 hectares em 2025 — pela primeira vez desde 2019, o número ficou abaixo de 1 milhão de hectares. Uma queda de 20,6% em relação ao ano anterior.

Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, classificou as análises de Washington como "totalmente infundadas". "O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais", disse ele — e apontou o mais óbvio: os EUA saíram do Acordo de Paris e não adotam nenhuma medida comparável de proteção ambiental. Usando o mesmo critério, dezenas de países que desmatam não receberam tarifa com essa justificativa.

Os números:

🔴 20,6%: queda no desmatamento brasileiro entre 2024 e 2025

🔴 984.794 ha: área total desmatada em 2025 — abaixo de 1 mi de hectares pela 1ª vez desde 2019

🔴 54,9%: parcela do desmatamento concentrada no Cerrado

🔴 48,4%: queda no Pantanal — a maior redução proporcional entre todos os biomas

A tarifa entra em vigor na quarta-feira, 23 de julho, afetando produtos que vão da agropecuária a manufaturados. O impacto no preço de exportações brasileiras dependentes do mercado americano pode aparecer nos próximos meses. A pergunta que pesquisadores fazem: essa tarifa resistiria a um questionamento na Organização Mundial do Comércio — já que pune um país cujo desmatamento recua, enquanto os EUA mantêm emissões históricas altíssimas?

Resumindo: O Brasil reduziu o desmatamento em 20% e ganhou uma tarifa de 25% — o que diz mais sobre a política comercial de Trump do que sobre a floresta.


TECNOLOGIA

De US$ 10 bilhões a US$ 71 bilhões em três meses. A DeepSeek agora quer a bolsa.

US$ 10 bilhões. Era o valor atribuído à DeepSeek em abril deste ano, quando as primeiras notícias de uma captação externa começaram a circular. Três meses depois, a empresa chinesa de inteligência artificial está em negociações para captar US$ 1,5 bilhão a uma avaliação de US$ 71 bilhões — e prepara uma abertura de capital com estreia prevista para 2027.

A DeepSeek virou sinônimo de choque em janeiro de 2026, quando lançou modelos de inteligência artificial que rivalizavam com os melhores sistemas americanos a uma fração do custo. Em um único dia, apagou mais de US$ 500 bilhões em valor de mercado de empresas de tecnologia nos EUA. Desde então, não parou de crescer: em junho captou US$ 7 bilhões em sua primeira rodada externa, a uma avaliação de US$ 52 bilhões, com Tencent, CATL e JD.com entre os investidores. Semanas depois, já negocia nova rodada a US$ 71 bilhões.

O cofundador Liang Wenfeng ainda detém cerca de 78% da empresa, com patrimônio estimado em US$ 36 bilhões — mais do que os fundadores da Anthropic e da OpenAI. Detalhe curioso: todos os investidores externos da última rodada, salvo um fundo estatal de Pequim, não têm direito a voto. A rodada foi sobresubscrita assim mesmo.

No contexto maior:

A DeepSeek representa um problema para a tese de que controles americanos sobre semicondutores limitariam a China. A empresa roda seus modelos em chips da Huawei — sem acesso a Nvidia — e em junho respondeu por 23% dos tokens processados pelo principal canal de distribuição de inteligência artificial empresarial do mundo. Atrás apenas da Anthropic, com 32%.

Resumindo: A DeepSeek foi de US$ 10 bilhões a US$ 71 bilhões em três meses — e a corrida para a bolsa sugere que ninguém está apostando que vai parar por aí.


MUNDO

AliExpress levou a maior multa da história digital europeia. A conta: R$ 3,2 bilhões.

Em dois anos de investigação, a Comissão Europeia encontrou brinquedos proibidos, cosméticos perigosos e roupas falsificadas circulando livremente pelo AliExpress. Na segunda-feira, apresentou a conta: 550 milhões de euros — cerca de R$ 3,2 bilhões. É a maior punição já aplicada com base na Lei de Serviços Digitais europeia desde sua criação, em 2022.

O diagnóstico europeu foi direto: o sistema de detecção da plataforma simplesmente não funcionava. Produtos ilegais ficavam ativos por semanas. Vendedores que infringiam as regras continuavam operando. Os mecanismos de verificação eram fáceis de burlar porque as equipes eram pequenas demais para o volume de anúncios. "Detectamos uma grande quantidade de produtos falsificados, mas também brinquedos e cosméticos perigosos que permaneceram à venda por muito tempo", disse Henna Virkkunen, vice-presidente da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica.

A AliExpress classificou a multa como "desproporcional" e anunciou recurso. Tem até outubro de 2026 para apresentar um plano de correção. Descumprir significa novas multas periódicas. A punição não é isolada: a Temu foi multada em 200 milhões de euros em maio pelos mesmos motivos, a rede social X levou 120 milhões de euros no fim de 2025 por descumprir regras de transparência, e a Shein ainda está sob investigação.

Resumindo: A Europa está cobrando das plataformas digitais o que elas vendem — e o AliExpress acaba de receber a conta mais alta da história.


NEGÓCIOS

A fusão nuclear estreou na bolsa. A culpa é da inteligência artificial.

Os centros de processamento de dados de inteligência artificial consomem tanta energia que a rede elétrica não foi construída para aguentar. Essa afirmação, repetida como alerta há dois anos, virou realidade de mercado: investidores estão colocando bilhões em qualquer tecnologia que prometa geração de energia em escala — incluindo uma que nunca esteve disponível comercialmente.

A General Fusion abriu capital na Nasdaq em julho, sob o símbolo GFUZ — a primeira empresa de fusão nuclear a listar ações em uma grande bolsa de valores. No mesmo mês, a Associação da Indústria de Fusão Nuclear divulgou que o financiamento privado do setor saltou para US$ 4,5 bilhões nos últimos 12 meses, levando o total dos últimos cinco anos a mais de US$ 13 bilhões.

Entendendo:

Fusão nuclear é diferente do que usinas convencionais fazem. Em vez de quebrar átomos pesados — o que gera resíduo radioativo de longa duração — a fusão combina átomos leves, liberando energia enorme com muito menos rejeito. A promessa existe há décadas. O que mudou é a urgência: centros de dados de inteligência artificial estão consumindo energia em uma velocidade que o sol, o vento e o gás natural juntos não conseguem suprir.

A Helion Energy, nos EUA, captou US$ 465 milhões recentemente, levando seu financiamento total a US$ 1,5 bilhão. Na região noroeste americana, quatro empresas de fusão nuclear já operam lado a lado: General Fusion, Helion, Zap Energy e Avalanche Energy. Nenhuma tem produto comercial ainda. Mas o dinheiro continua chegando — porque a demanda por energia também não para de crescer.

Resumindo: Pela primeira vez na história, você pode comprar ações de uma empresa de fusão nuclear — e o motivo direto é que a inteligência artificial está consumindo mais energia do que o mundo consegue produzir.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor na quarta-feira, 23 de julho — afetando exportações de carne, aço e manufaturados. Leia mais

🔹 Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, cumpre prisão domiciliar no Brasil enquanto o filho obtém residência permanente nos EUA. Leia mais

🔹 OpenAI e Anthropic submeteram pedidos confidenciais de abertura de capital em junho, mirando avaliações de até US$ 1 trilhão — mas volatilidade de mercado pode empurrar as estreias para 2027. Leia mais

🔹 A SpaceX abriu capital em 12 de junho na maior abertura da história das bolsas, captando US$ 86 bilhões. O portfólio da empresa inclui a xAI, dona do assistente Grok. Leia mais

🔹 O mercado financeiro reduziu sua expectativa de inflação para 5,15% em 2026, segundo o boletim Focus do Banco Central divulgado nesta semana. Leia mais

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