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Quinta-feira à noite, enquanto a maioria dormia, os Estados Unidos publicaram uma lista de 4 mil produtos brasileiros que passarão a pagar 25% de imposto em quatro dias. Um dos argumentos na lista: o Pix.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🇺🇸 O dia em que o Pix virou argumento para taxar o Brasil
⚔️ A guerra que já chegou ao seu tanque de combustível
⚖️ Moraes bloqueia visitas eleitorais — Milei ficou de fora
🏆 Final da Copa amanhã: dois times que nunca perderam um jogo
🚗 A China lança 3,6 carros novos por dia — e quer o Brasil
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ECONOMIA
O Pix entrou na conta do tarifaço — e a fatura chega em quatro dias
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) citou o Pix como uma das razões para taxar o Brasil em 25%. O argumento: o sistema de pagamentos instantâneos é operado pelo Banco Central, gratuito e presente em todos os bancos autorizados — o que, segundo Washington, prejudica o Zelle, serviço privado americano que funciona só nos bancos que optam por aderir. Brasília chamou de absurdo. Os técnicos do USTR chamaram de "prática desleal". Trump confirmou a tarifa.
A nova cobrança entra em vigor no dia 22 de julho — em quatro dias. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a tarifa atinge cerca de 4 mil produtos e compromete US$ 11 bilhões em exportações brasileiras — 26% de tudo que o Brasil vende ao mercado americano. O governo americano ampliou a lista de isenções ao longo das negociações, mas os setores mais dependentes dos EUA ainda saem no prejuízo.
Os números:
🔴 US$ 11 bi: em exportações afetadas, segundo a CNI
🔴 4 mil produtos: na lista, incluindo etanol, calçados, vestuário e máquinas agrícolas
🔴 37,5%: alíquota máxima possível, somando os 25% com a investigação paralela de "trabalho forçado" (12,5%)
🔴 Isentos: carne, café, laranja, petróleo, peças aeronáuticas — os maiores itens da pauta ficaram de fora
O que salva o Brasil de um tombo maior: os EUA respondem por apenas 11% das exportações brasileiras, e o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia — que começou a vigorar provisoriamente em maio de 2026 — abre uma rota alternativa para absorver parte das perdas. Mesmo assim, para quem fabrica calçado em Franca, processa etanol no interior paulista ou exporta máquinas agrícolas para o Texas: o preço vai subir, a venda vai cair e o plano vai ter que mudar.
Resumindo: O tarifaço não joga o Brasil em recessão — mas vai custar caro para setores específicos, e a conta começa a correr no dia 22.
MUNDO
A guerra no Oriente Médio que já está chegando ao seu posto de gasolina
Um em cada cinco barris de petróleo e gás do mundo inteiro passa diariamente pelo Estreito de Ormuz — um corredor de água de 54 quilômetros de largura entre o Irã e a Península Arábica. Mais de 15 milhões de barris por dia. E desde esta semana, esse corredor virou palco de uma guerra aberta.
O Irã disparou mísseis balísticos contra instalações militares dos EUA em pelo menos sete países da região: Jordânia, Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Síria e Omã. Bases aéreas foram atingidas. O Pentágono confirmou 13 militares americanos feridos — sem mortes registradas até o momento. Os EUA responderam com três noites consecutivas de ataques ao território iraniano. Segundo a Exame, o Ministério da Saúde do Irã informou 38 mortos e mais de 400 feridos desde a retomada dos confrontos — entre eles, mulheres e um menor de idade.
No contexto maior:
O conflito não começou esta semana. Um acordo provisório de cessar-fogo entrou em colapso no início de julho, depois que o Irã atacou embarcações no Estreito de Ormuz e os EUA responderam com ataques aéreos ao território iraniano. O que era uma troca calculada de pressão virou escalada sem rota de saída clara.
O efeito imediato chegou ao mercado: o petróleo Brent fechou a semana a US$ 88 o barril — o patamar mais alto do ano. O Kuwait confirmou que um ataque danificou uma usina de energia e dessalinização de água, e o governo local pediu à população que reduza o consumo de eletricidade. No Brasil, com o dólar já acumulando alta superior a 5% nos últimos trinta dias, a pressão sobre o preço do combustível é real — e tende a piorar se o conflito não arrefecer.
Resumindo: A guerra entre Irã e EUA saiu do noticiário de conflito e entrou no noticiário de economia — e quem paga a conta, como sempre, é o posto de gasolina.
BRASIL
Moraes fecha a porta — e Milei nem chega a entrar
O ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar. A novidade desta semana foi a ampliação das restrições: o ministro Alexandre de Moraes decidiu que Bolsonaro ficará impedido de receber qualquer visita com finalidade político-eleitoral — a partir de agora e até o final das eleições de 2026. A medida foi tomada com um gatilho concreto: os advogados de Bolsonaro haviam pedido ao STF autorização para que o presidente da Argentina, Javier Milei, o visitasse no dia 25 de julho. Moraes negou.
O timing não é por acaso. Outubro de 2026 está no horizonte, e o campo político que Bolsonaro representa tenta se reorganizar — mesmo com ele inelegível até 2030. Uma visita de Milei seria de alto valor simbólico: o presidente argentino é aliado declarado do bolsonarismo e usaria o encontro para reforçar laços e sinalizar apoio à direita brasileira antes das eleições. Sem a visita, esse sinal político não acontece.
Do outro lado do espectro, o presidente Lula usou a semana para atacar o tarifaço americano com provocações diretas a Trump. Em entrevista, afirmou que quer travar uma "guerra da verdade" e que Trump "vai ter que aprender a usar a arma da palavra." O tom sobe conforme outubro se aproxima — e a guerra comercial com os EUA virou narrativa de campanha para o governo antes mesmo do período eleitoral oficial.
Resumindo: Moraes isolou Bolsonaro um pouco mais; Lula encontrou no tarifaço um argumento político pronto — e o Brasil começa oficiosamente a campanha de 2026 com seis meses de antecedência.
ESPORTES
O Brasil não está — mas a Copa nunca foi tão boa de assistir
A seleção brasileira foi eliminada pela Noruega nas oitavas de final, 2 a 1, e desde então os brasileiros assistem ao Mundial como torcedores sem time — o que, curiosamente, tornou tudo mais interessante. Hoje (sábado), França e Inglaterra disputam o terceiro lugar às 16h no Hard Rock Stadium, em Miami. Amanhã (domingo), no MetLife Stadium em Nova Jersey, acontece a final que o mundo esperava: Espanha contra Argentina.
Os dois finalistas têm algo raro em Copas: chegaram à decisão sem perder um único jogo. A Espanha jogou seis partidas, marcou 11 gols e sofreu apenas um — na derrota parcial de 1 a 1 diante da Bélgica nas quartas, que virou 2 a 1. Tem a melhor defesa do torneio. A Argentina é o contrário: 17 gols marcados, 100% de aproveitamento, e chegou à final de virada sobre a Inglaterra — saindo atrás no placar, Enzo Fernández empatou com um chute de fora da área, e Lautaro Martínez virou nos minutos finais após passe de Messi.
Por dentro:
A briga pela artilharia é um capítulo à parte. Messi e Mbappé chegam à final empatados com 8 gols cada — os dois líderes isolados do torneio. Mbappé já é o maior goleador francês da história das Copas. Messi briga pela artilharia histórica do torneio, que já é dele com 13 gols ao longo da carreira. Amanhã, um dos dois sai na frente. Do lado espanhol, Mikel Merino foi o protagonista do mata-mata: marcou os gols das vitórias sobre Portugal e Bélgica.
Resumindo: Controle espanhol contra potência argentina, Messi contra o tempo — a final de amanhã, às 16h, é boa demais para perder.
NEGÓCIOS
3,6 carros novos por dia: a China está engolindo o próprio mercado — e olhando para o Brasil
He Zhiqi, vice-presidente executivo da BYD, usou uma palavra só para descrever o mercado automotivo da China: "brutal". Ele publicou nas redes sociais que as montadoras do país lançaram 542 modelos novos ou renovados nos primeiros cinco meses de 2026. Isso dá 3,6 carros novos por dia — ou um lançamento a cada sete horas. E, segundo ele, um modelo que antes levava dois anos de desenvolvimento e mais de R$ 900 milhões de investimento hoje dura menos de três meses no interesse do consumidor antes de ser esquecido.
Entendendo:
O mercado chinês de carros é o maior do mundo — mais de 34 milhões de veículos vendidos em 2025. Mas o ritmo de lançamentos está destruindo as margens das próprias fabricantes: a lucratividade do setor caiu para 3,4% no primeiro semestre de 2026, o menor patamar dos últimos cinco anos. Uma decisão errada de preço ou um estoque encalhado pode levar uma empresa à falência. E algumas estão indo. Segundo dados do Poder360, os gastos dos consumidores com carros caíram 12,6% no primeiro semestre — a maior queda entre todos os bens de consumo no país — depois que o governo cortou os subsídios para elétricos e híbridos.
Com menos demanda interna e excesso de produção, as montadoras olham para fora. O Brasil, em especial. Em 2025, o país se tornou o quinto maior comprador de carros fabricados na China no mundo. Em 2026, o imposto de importação para elétricos e híbridos sobe para 35% — o que pressiona BYD, GWM e Chery a produzirem localmente. As três já anunciaram ou iniciaram operações no Brasil. O resultado para o consumidor brasileiro é favorável a médio prazo: mais concorrência, mais tecnologia, preços pressionados para baixo.
Resumindo: A China está travando uma guerra interna de carros tão intensa que o excedente vai inevitavelmente parar no Brasil — e isso vai mudar o mercado automotivo brasileiro para sempre.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Trump propôs cobrar 20% de pedágio sobre cada barril que passe pelo Estreito de Ormuz — o que geraria US$ 240 milhões por dia aos EUA. A ONU rejeitou imediatamente, afirmando não haver base legal internacional para isso. Leia mais
🔹 As exportações brasileiras para China, Europa e Índia cresceram 6 vezes mais do que a queda registrada para os EUA em 2026 — argumento central de Brasília para minimizar o impacto real do tarifaço na economia. Leia mais
🔹 O Departamento de Estado dos EUA emitiu alerta de segurança global para cidadãos americanos no Oriente Médio, aconselhando que deixem a região diante do risco de nova escalada e possível fechamento do espaço aéreo. Leia mais
🔹 Um coach brasileiro está sendo acionado pelo Ministério Público, que pede R$ 300 mil de indenização e a retirada de vídeos em que ele afirma que pobres "não gostam de tomar banho" e têm "carro fedido." Leia mais
🔹 O Irã afirmou ter derrubado um avião das Forças Armadas americanas durante os ataques desta semana. O Pentágono ainda não confirmou a informação oficialmente. Leia mais
🔹 A CNI alerta que, além da tarifa de 25%, uma segunda investigação americana sobre "trabalho forçado" pode elevar a taxação sobre alguns produtos brasileiros para 37,5% — e a decisão sobre isso ainda está pendente. Leia mais |