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GIRO E PONTO

Edição #42  ·  Quinta, 16 de julho de 2026

Bom dia, Leitor. 🔥


O Brasil acordou de madrugada com uma nota oficial chamando o dia 15 de julho de "marco lastimável" — e, pela manhã, com a confirmação de que virou o segundo país mais tarifado do mundo pelos Estados Unidos. Atrás apenas da China.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 16/7/1945 — 1ª bomba atômica detonada no Novo México. O teste se chamou Trinity.

Stat: 40% dos usuários de IA dizem economizar 1 dia de trabalho por semana — BCG, 2026.

Para ler: Como o design do Instagram e do YouTube foi parar num tribunal americano.

Você sabia: Aza Raskin criou o scroll infinito em 2006 — e pediu desculpas públicas por isso.

Curiosidade: 90 min na natureza reduz atividade da amígdala, área cerebral do estresse — Stanford.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

💸 O dia que foi "lastimável" (e o que muda na sua conta a partir de 22/07)
🤖 O Congresso trava, e a IA vai embora para o Chile
📵 A escola de Direito mais poderosa do mundo baniu o celular da sala
📊 IA economiza um dia de trabalho — e aí ninguém sabe o que fazer

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ECONOMIA

O Brasil virou o 2º país mais tarifado do mundo — e a guerra está só começando

2º lugar. É a posição do Brasil entre os países mais taxados pelos Estados Unidos — atrás apenas da China. A decisão foi confirmada ontem, 15 de julho, e as novas tarifas de 25% entram em vigor em 22 de julho. O governo Lula chamou o dia de "marco lastimável" e respondeu na mesma madrugada.

A investigação que gerou o tarifaço começou há um ano, ancorada na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974 — um mecanismo que permite aos EUA retaliar países com práticas que consideram desleais. No caso do Brasil, o processo envolveu desde o Pix até etanol, propriedade intelectual, desmatamento e regras de comércio digital. O governo brasileiro contestou tudo e nunca saiu da mesa de negociação — mas as rodadas terminaram sem acordo.

Tem um elemento político explodindo no meio. O Planalto acusa a família Bolsonaro de ter contribuído ativamente para o desfecho — Flávio Bolsonaro participou de uma audiência pública nos EUA sobre o tema no começo de julho. Do outro lado, o secretário de Estado Marco Rubio foi mais curto: "Lula colocou seu próprio ego à frente do bem-estar do povo brasileiro." A resposta do Brasil: acionará a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso e levará o caso à Organização Mundial do Comércio. Com eleições em outubro, o tarifaço já virou munição de campanha — e a situação tem tudo para escalar antes de novembro.

Os números:

🔴 25%: nova tarifa sobre a maioria dos produtos brasileiros exportados aos EUA.

🔴 22 de julho: data de entrada em vigor.

🔴 US$ 424,5 bilhões: superávit acumulado pelos EUA com o Brasil nos últimos 15 anos — dado do próprio governo americano.

🔴 Ficaram de fora: petróleo, gás natural, café e carne bovina.

Resumindo: o Brasil é o segundo país mais tarifado pelos EUA no mundo — e com eleições chegando, a pressão política interna vai crescer antes de qualquer acordo.


BRASIL

O Brasil tem energia limpa, posição estratégica e 48% dos data centers da América Latina. E está perdendo a corrida da IA assim mesmo

O Brasil tem a maior matriz hidrelétrica da América Latina, cabos submarinos diretos para os EUA e Europa e concentra 48% de toda a infraestrutura de data centers em operação na região. Só que a corrida global por inteligência artificial está passando do lado de fora — e a janela está fechando rápido.

O alerta veio de Márcio Aguiar, diretor da Nvidia para a América Latina, em entrevista à Bloomberg Línea: "Estamos perdendo a oportunidade de embarcar nesse trem que está passando. A tecnologia está evoluindo tão rapidamente que cada um ou dois meses de atraso já nos colocam em uma nova era da inteligência artificial." O problema não é falta de interesse — é burocracia emperrada no Congresso.

O Redata — regime tributário especial que isentava data centers de IPI, PIS/Cofins e imposto de importação — expirou em fevereiro de 2026. O projeto de lei substituto aguarda votação no Senado, travado entre debates sobre regulação energética e o calendário eleitoral. O efeito prático: Chile, Uruguai, Costa Rica e El Salvador estão atraindo os investimentos que viriam para cá. Cientistas de dados e engenheiros de aprendizado de máquina migram para o exterior. E empresas globais concentram seus projetos em regiões com mais previsibilidade jurídica.

No contexto maior:

As projeções apontam que o número de data centers no Brasil deve triplicar até 2030 — independente do impasse regulatório. Mas existe uma diferença crucial entre ser consumidor de infraestrutura digital e ser produtor dela. O que está em jogo não é o acesso à inteligência artificial. É saber se os empregos técnicos de alto valor, os impostos e a propriedade intelectual gerados por essa revolução vão ficar aqui — ou nos países vizinhos que se moveram primeiro.

Resumindo: o Brasil tem os ativos certos para ser o polo de IA da América Latina — e está deixando essa vaga em aberto para os vizinhos enquanto o Senado não vota o Redata.


COMPORTAMENTO

A escola de Direito mais poderosa do mundo proibiu o celular da sala — e o motivo não é o que você imagina

Nove presidentes dos EUA e mais de cem laureados com o Nobel passaram pela Universidade de Chicago. A partir deste outono, os calouros da Faculdade de Direito da universidade vão fazer esse caminho sem computador, tablet ou celular dentro da sala de aula. A medida vale para todas as disciplinas obrigatórias do primeiro ano.

O objetivo declarado é recuperar o que a instituição chama de competências de raciocínio "essencialmente humanas" — argumentação oral, análise jurídica sob pressão, construção de lógica sem apoio de algoritmo. A preocupação dos professores é direta: alunos que nunca desenvolveram essas habilidades sem uma tela como muleta chegam ao mercado de trabalho com uma lacuna perigosa numa profissão que exige improviso, persuasão e julgamento moral em tempo real.

A medida pode parecer conservadora, mas tem uma lógica de inovação por trás: Chicago não está rejeitando a tecnologia — está investindo nas capacidades que a inteligência artificial ainda não consegue imitar. Um advogado que sabe argumentar bem sem assistência digital vai usar a IA como multiplicador de potência. Um advogado que nunca aprendeu a argumentar vai depender dela como muleta — e ficará vulnerável quando ela errar.

O que vem depois:

A tendência de revisão do papel das ferramentas digitais em sala de aula cresce entre universidades de elite nos EUA. No Brasil, o debate ainda não chegou ao ensino superior — mas o mercado já cobra: empresas de consultoria, direito e finanças relatam dificuldade crescente em encontrar profissionais jovens que saibam estruturar raciocínio complexo de forma oral e escrita sem auxílio de IA.

Resumindo: a escola de Direito mais inovadora do mundo decidiu que, às vezes, aprender a pensar exige desligar a máquina.


TECNOLOGIA

IA economiza um dia de trabalho por semana. O problema: as empresas não sabem o que fazer com ele

40%. É a fração dos trabalhadores que usam inteligência artificial regularmente e relatam economizar um dia inteiro de trabalho por semana — ou mais. Os dados são do Boston Consulting Group, em estudo divulgado este ano. Parece ótimo. E é — até a próxima pergunta: e o que você fez com esse dia que sobrou?

Aí a resposta some. O mesmo levantamento do BCG identificou o novo gargalo: as empresas ainda não aprenderam a extrair valor real do tempo que a inteligência artificial liberou. O trabalho individual ficou mais rápido. A produtividade medida em resultado concreto para o negócio, porém, não cresceu na mesma proporção. O tempo economizado está sendo absorvido por mais reuniões, mais revisões e mais tarefas de baixo valor — não por inovação ou crescimento.

O fenômeno tem nome na economia: paradoxo da produtividade. Aconteceu com a mecanização nos anos 1970, com a chegada do computador pessoal nos anos 1980 e com a internet nos anos 1990. A tecnologia chega, economiza esforço, e o ganho real só aparece quando a empresa reorganiza seus processos em torno dela — não só quando distribui a ferramenta e torce para o resultado aparecer.

Entendendo:

O BCG não está dizendo que a IA não funciona. Está dizendo que ela funciona muito bem para a tarefa individual — e que capturar o ganho coletivo exige redesenhar o trabalho em equipe, não só dar acesso à ferramenta. São dois problemas completamente diferentes. O primeiro, as empresas já estão resolvendo. O segundo, a maioria ainda nem começou.

Resumindo: IA economiza um dia de trabalho por semana — e a maioria das empresas ainda desperdiça esse tempo em processos que não mudaram nada.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Semifinais da Copa: França x Espanha (ontem) e Inglaterra x Argentina (hoje, 16h) disputam as vagas na final de 22 de julho. A rivalidade entre ingleses e argentinos carrega o peso de quatro décadas de história — das Falklands ao gol de Maradona. Leia mais

🔹 China e o recorde de carros: a China exportou 1,07 milhão de veículos em junho de 2026 — a primeira vez na história que um país supera 1 milhão de unidades em um único mês. Alta de 73% em relação a junho de 2025.

🔹 Flávio Bolsonaro e as pesquisas: levantamento da Quaest mostra queda de intenção de voto de Flávio entre independentes e até dentro da direita não bolsonarista — sinal de desgaste no cenário eleitoral de outubro.

🔹 Meta e YouTube no banco dos réus: o veredicto histórico de Los Angeles que responsabilizou as plataformas por design viciante ainda aguarda recurso — e há mais de 20 processos similares em andamento nos EUA. Leia mais

🔹 Spotify e IA conversacional: a plataforma prepara um modo em que você poderá falar diretamente com o Spotify — pedir músicas, montar playlists e descobrir artistas por voz. Lançamento previsto para os próximos meses.

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