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Num domingo à tarde, Erling Haaland fez dois gols e mandou o Brasil pra casa. A segunda-feira tratou de lembrar que a Copa era, na verdade, o menor dos problemas da semana.
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Para ler: Eliminado, o Brasil ainda recebe: veja quanto a FIFA paga por fase na Copa 2026
Neste dia: 7 de julho de 2005 — atentados em Londres mataram 52 no metrô e em ônibus da cidade
Stat: 70% das grandes empresas devem ter agentes de IA rodando de forma autônoma até o fim de 2026
Abre aspas: "Os impostos e as taxas serão implementados." — Roberto Azevêdo, ex-diretor da OMC, sobre o tarifaço americano ao Brasil
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NA EDIÇÃO DE HOJE
⚽ Haaland, dois gols e o fim do sonho do hexa em 2026
💰 O prazo de 8 dias que pode encarecer produtos brasileiros nos EUA
🚨 O que o Itamaraty colocou no papel sobre os EUA e a soberania do Brasil
🕊️ Hamas dissolve o governo de Gaza depois de quase 20 anos (no papel)
🔫 As armas de Bolsonaro que o Exército guardava — e a PF foi buscar
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ESPORTES
Haaland fez dois gols. O Brasil não vai ao hexa em 2026.
No domingo (5), o MetLife Stadium, em Nova Jersey, estava lotado para um jogo que o Brasil entrou como favorito. Erling Haaland, atacante norueguês de 25 anos e maior artilheiro ativo do futebol mundial, fez os dois gols — ambos de cabeça, ambos no segundo tempo. A Noruega venceu por 2 a 1. Fim de jogo. Fim do hexa. Foi a saída mais precoce do Brasil em Copa desde 1990, quando a Seleção tombou para a Argentina, também nas oitavas.
A campanha tinha sido decente: primeiro lugar no Grupo C, com vitórias sobre Haiti e Escócia, empate com Marrocos e classificação diante do Japão nos 16-avos. Vinicius Júnior jogou bem, Ancelotti parecia estabilizado no cargo. O que faltou foi o que sempre falta: consistência nos momentos decisivos.
Os números:
🔴 2 a 1: placar final. Gol brasileiro de Rodrygo, nos acréscimos do segundo tempo.
🔴 1990: última vez que o Brasil saiu tão cedo de uma Copa — derrota para a Argentina, por 1 a 0.
🔴 5 títulos: o Brasil segue como maior campeão da história. O hexa voltou para a gaveta.
🔴 104 jogos: essa Copa tem mais partidas do que qualquer outra da história — com 48 seleções, 12 grupos, quatro fases.
O que acontece agora? Ancelotti precisa decidir se fica. O nome mais cotado como eventual substituto, caso o treinador italiano vá, é Filipe Luís, campeão da Libertadores com o Flamengo. A Copa segue até 19 de julho — o Brasil vai assistir de casa.
Resumindo: o sonho do hexa voltou para a gaveta — e a próxima Copa começa agora, nos bastidores da CBF.
ECONOMIA
25% de sobretaxa, 4.187 produtos em risco e prazo até 15 de julho: o tarifaço americano entra na reta final
Enquanto você lê isso, representantes de mais de 40 empresas e entidades brasileiras e americanas estão em Washington para o segundo dia de audiências sobre o tarifaço. O prazo para Trump decidir se aplica ou não a sobretaxa é 15 de julho. Oito dias.
O resumo da investigação: em julho de 2025, o escritório do representante comercial dos EUA (o USTR) abriu uma apuração sobre práticas comerciais brasileiras que os americanos consideram desleais — Pix, tarifas preferenciais para México e Índia, regras de proteção a patentes. Em junho de 2026, a conclusão foi uma proposta de tarifa adicional de 25%. Há ainda uma segunda investigação, sobre uso de trabalho forçado, que pode acrescentar mais 12,5%.
Os números:
🔴 25%: tarifa proposta. Outros 12,5% possíveis na investigação de trabalho forçado.
🔴 4.187 produtos: em risco, incluindo ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco.
🔴 US$ 14,9 bilhões: valor anual das exportações brasileiras potencialmente afetadas, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria.
Entre os inscritos para falar hoje está o senador Flávio Bolsonaro (PL), primeiro da lista no segundo dia de audiências. O ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, que representa CNI, Fiesp e CSN, foi direto após visitar o Departamento de Estado: "A mensagem que recebi foi muito clara — os impostos e as taxas serão implementados." O governo Lula optou por não fazer discurso na audiência, enviando só uma observadora da Embaixada. A aposta é em negociação direta com o USTR, mas o prazo aperta e os documentos do processo, de julho de 2025 até hoje, são, segundo integrantes do Planalto, "praticamente idênticos" — sinal de que o roteiro já pode estar escrito.
Resumindo: se as negociações não avançarem nos próximos oito dias, parte relevante do que o Brasil exporta para os EUA fica mais cara — e o mercado americano, mais difícil.
BRASIL
Em documento oficial, o Itamaraty admitiu o que ninguém queria dizer em voz alta
Em junho, o secretário de Estado americano Marco Rubio assinou um documento classificando o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas — sem avisar o Brasil, sem comunicação diplomática formal, e após articulação política com o senador Flávio Bolsonaro. O governo Lula protestou nos bastidores, em voz baixa. Mas na semana passada, um ofício assinado pelo chanceler Mauro Vieira chegou à Câmara dos Deputados em resposta a um requerimento de informação. O texto foi noticiado pelo G1 nesta segunda-feira (6). A frase mais grave: "Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional."
Por dentro:
A lógica jurídica assusta na sua simplicidade: a legislação antiterrorismo dos EUA permite ações extraterritoriais contra qualquer pessoa ou organização com ligação — mesmo indireta — a grupos designados. Na prática: uma empresa brasileira que faça negócios com uma cooperativa que tenha um sócio com histórico de lavagem para o PCC pode ser alvo de sanção americana. Sem aviso prévio. Sem pedido diplomático. O Itamaraty não inventa esse risco — ele está escrito na lei americana. O próprio documento de Marco Rubio autoriza, sem aviso prévio, o bloqueio de bens e fundos de qualquer pessoa ligada às facções.
O Planalto ainda tenta não escalar o conflito, mas o documento é público. Nas palavras do próprio Itamaraty: a medida representa "riscos concretos à soberania nacional", "impactos relevantes no plano econômico" e "não trará benefícios para a cooperação" entre os dois países. Na semana passada, o governo Trump já fez a primeira rodada de sanções econômicas contra alvos suspeitos de vínculos com o PCC — dois cidadãos e três empresas brasileiras.
Resumindo: ao classificar o PCC e o CV como terroristas, os EUA se deram o direito legal de agir no Brasil sem pedir licença — e o Itamaraty finalmente colocou isso no papel.
MUNDO
Hamas entregou o governo de Gaza depois de quase 20 anos. No papel.
Quase vinte anos atrás, o Hamas venceu eleições legislativas na Palestina e tomou o controle da Faixa de Gaza. Desde então, nenhum governo externo tinha conseguido tirá-los de lá. Na segunda-feira (6), o próprio grupo anunciou a dissolução do órgão que administrava o território. Mohammed al-Farra, chefe do comitê de emergência governamental, apresentou a demissão formal. O Hamas disse que abre caminho para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), entidade tecnocrática criada no Conselho de Paz de Trump após o cessar-fogo de outubro de 2025.
O que mudou de verdade? Por ora, pouco. Os funcionários do Hamas permanecem em seus postos "para evitar vácuo administrativo". O NCAG está baseado no Cairo há meses — Israel se recusa a deixá-lo entrar em Gaza. E o nó central permanece intocado: o Hamas se nega a se desarmar enquanto Israel não se retirar completamente. Israel se nega a sair enquanto o Hamas estiver armado. Do lado israelense, o chanceler Gideon Sa'ar chamou o movimento de "truque" e "manobra midiática".
O que vem depois:
Trump condicionou o avanço do acordo à entrada física do NCAG em Gaza. O comitê tecnocrático disse estar "plenamente preparado" — mas reconheceu, nas entrelinhas, que a transferência de poder depende de condições que ainda não existem. Pelo menos 1.072 palestinos morreram na Faixa desde o início do cessar-fogo em outubro, segundo o Ministério da Saúde do território. O desarmamento do Hamas continua sendo, na avaliação de especialistas, "o principal obstáculo" para qualquer paz real.
Resumindo: o Hamas entregou o cargo formal, mas não as armas — e enquanto isso não mudar, Gaza continua presa num estado de transição sem prazo.
BRASIL
O Exército tinha as armas de Bolsonaro guardadas. O STF pediu de volta.
Na sexta-feira (3), o ministro Alexandre de Moraes revogou o registro de CAC (colecionador, atirador desportivo e caçador) de Jair Bolsonaro e ordenou a apreensão de suas armas. A justificativa: "incompatível" manter o porte de fogo de quem cumpre pena criminal. Aí veio a surpresa. Quando a defesa de Bolsonaro respondeu, informou que oito das onze armas registradas em nome do ex-presidente estavam acauteladas no Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília — não com civis, não num cofre privado. Na segunda-feira (6), Moraes deu 48 horas para o Exército entregar tudo à Polícia Federal.
Por dentro:
O detalhe que ninguém esperava: Moraes dispensou a defesa de intermediar a entrega e responsabilizou diretamente o Exército. Uma unidade militar virou executor de uma ordem judicial no âmbito da pena de um civil. O arsenal incluía pistolas Taurus, Glock, Arex e SIG Sauer, uma carabina Springfield calibre 7,62 e duas espingardas. Às 22h09 de segunda, a Agência Brasil noticiou que o Batalhão entregou os armamentos — mas comunicou que duas das oito armas não estavam sob sua guarda. Onde estão as duas que faltam, o processo ainda vai responder.
O contexto: em junho, uma pistola Glock registrada em nome de Bolsonaro foi encontrada com um militar de sua equipe durante uma blitz da Polícia Civil do DF. O militar alegou que levaria a arma para conserto. Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses no processo da trama golpista, cumpre prisão domiciliar prorrogada — com tornozeleira, sem celular, sem redes sociais — enquanto se recupera de pneumonia bacteriana.
Resumindo: o Exército se tornou executor de uma ordem penal contra um ex-presidente — e duas das armas ainda estão com paradeiro desconhecido.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 O Batalhão de Polícia do Exército entregou 6 das 8 armas de Bolsonaro à PF e informou que 2 não estavam sob sua guarda. Leia mais
🔹 O STF determinou que 32 tribunais do país expliquem, em 48 horas, pagamentos feitos acima do teto constitucional a juízes.
🔹 China lançou pela primeira vez em 44 anos um míssil balístico de submarino com capacidade nuclear, segundo a imprensa internacional.
🔹 Dólar fechou em queda a R$ 5,13 e a bolsa recuou em sessão de ajuste no mercado financeiro na segunda-feira (6).
🔹 Cafu saiu em defesa de Carlo Ancelotti após a eliminação e pediu reconstrução da Seleção com foco em jovens para o próximo ciclo.
🔹 A Uefa disse que a Fifa "cruzou uma linha vermelha" ao suspender punição aos EUA durante a Copa — embate entre as entidades escalou durante o Mundial. Leia mais |