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GIRO E PONTO

Edição #32  ·  Segunda, 06 de julho de 2026

Bom dia, Leitor. ⚡


Hoje, enquanto o Brasil ainda digeriu a eliminação na Copa, Flávio Bolsonaro desembarcava em Washington para convencer Trump a poupar o Pix — e os exportadores brasileiros — de uma tarifa de 25%. Dois países, uma só equipe, objetivos opostos.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 6 de julho de 1885 — Louis Pasteur aplicou pela primeira vez a vacina antirrábica em um humano. Joseph Meister tinha 9 anos. Sobreviveu — e foi trabalhar no Instituto Pasteur pelo resto da vida.

Abre aspas: "É melhor ter menos cúpulas do que cúpulas ruins." — diplomata europeu à Reuters, às vésperas da OTAN em Ancara.

Para ler: A Bloomberg Línea consolidou todas as pesquisas eleitorais de 2026 num único painel. Com análise do contexto. Vale salvar.

Para clicar: A Fast Company mapeou as 8 tendências que explicam por que 2026 é diferente tecnologicamente. Útil antes de qualquer reunião de estratégia.

Curiosidade: Taylor Swift e Travis Kelce se casaram no fim de semana. A cerimônia foi discreta, Paul McCartney tocou ao vivo e o vestido era da Dior. Como se ainda precisássemos de mais razões para falar deles.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🇧🇷 Flávio foi a Washington defender o Pix (e o Brasil) de Trump
🌍 A OTAN começa amanhã com Trump exigindo algo que não cabe em gráfico
🤖 17,8% do mundo usa IA — e o emprego dos programadores cresceu
💼 Desemprego no mínimo histórico, mas 60% dos profissionais querem sair

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BRASIL

Flávio foi a Washington defender o Pix — e acabou fazendo o trabalho do governo que quer derrotar

O pré-candidato do PL à presidência passou o fim de semana em Washington. Não foi a passeio. Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos no domingo para participar, hoje (6 de julho), de uma audiência pública no escritório americano responsável por investigações comerciais — o equivalente a um tribunal de comércio dos EUA. A pauta: as tarifas de 25% sobre quase todos os produtos brasileiros que o governo de Donald Trump quer aplicar a partir de 15 de julho.

A ironia? Flávio está lá para defender o mesmo Brasil que a família ajudou a pressionar. Foi Eduardo Bolsonaro quem articulou com Washington, em 2025, retaliações ao país para tentar evitar a condenação do pai, Jair Bolsonaro — que acabou preso por tentativa de golpe de Estado.

Em um documento de 86 páginas enviado ao governo americano, Flávio pediu que as tarifas sejam suspensas por ao menos 180 dias — ou seja, até depois das eleições de outubro. O argumento central: se Trump apertar o Brasil agora, Lula ganha eleitoralmente. Já aconteceu em 2025, quando o governo petista usou o primeiro tarifaço para acionar o discurso de soberania nacional, que acabou revertendo em pontos nas pesquisas.

Por dentro:

A investigação americana mira, entre outras coisas, o Pix. A alegação é que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central teria vantagem desleal sobre empresas americanas do setor financeiro. Flávio rebateu dizendo que o Pix é infraestrutura pública soberana — comparável ao FedNow, que o próprio banco central americano opera. O governo Lula, por sinal, está negociando em paralelo pelos canais diplomáticos formais e não inscreveu nenhum representante na audiência de hoje.

Resumindo: Para defender o Pix e os exportadores brasileiros em Washington, Flávio precisou usar exatamente os argumentos do governo que quer derrotar em outubro.


MUNDO

A OTAN entregou o que Trump pediu. E Trump chegou com uma demanda nova: lealdade

Na cúpula do ano passado, os países da OTAN resolveram a queixa de anos de Donald Trump: se comprometeram a gastar em defesa o mesmo percentual do Produto Interno Bruto que os Estados Unidos. Era isso que ele queria, certo? Não exatamente.

A cúpula desta semana, em Ancara, na Turquia — começa amanhã, 7 de julho — vai testar uma demanda diferente e muito mais difícil de atender. Trump quer lealdade dos aliados. E isso, como qualquer diplomata europeu sabe, é impossível de colocar em um gráfico de gastos militares.

O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, já passou quase dois anos tentando manter Trump dentro da OTAN com elogios diretos e diplomacia cuidadosa. Mas as metas seguem mudando. O republicano chegou a sugerir que pularia a cúpula inteiramente se não fosse sediada pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan — um dos poucos líderes estrangeiros que Trump parece ter em estima. À margem da cúpula, Trump se reunirá com Volodimir Zelensky e com o presidente sírio Ahmed al-Sharaa. Os temas: a guerra na Ucrânia e o Oriente Médio.

No contexto maior:

O problema real da aliança hoje não é mais dinheiro — é capacidade. Os países europeus se comprometeram a gastar mais, mas ainda não transformaram esse compromisso em fábricas de munição, frotas de aviões e sistemas de defesa. Nos bastidores, segundo reportagem da CNN Brasil com fontes da aliança, a OTAN estuda acabar com a tradição de cúpulas anuais para evitar encontros potencialmente desgastantes com Trump.

Resumindo: Dinheiro e lealdade são demandas diferentes — e apenas a primeira tem resposta em orçamento de defesa.


TECNOLOGIA

Era pra acabar com os empregos dos programadores. O que os dados mostram é o oposto

17,8%. É a proporção da população mundial em idade ativa que usa inteligência artificial de forma regular, segundo o relatório de difusão de IA divulgado pela Microsoft neste trimestre. No trimestre anterior, o número era de 16,3% — um crescimento de 1,5 ponto percentual em poucos meses. Vinte e seis países já passaram da marca de 30% de adoção.

No topo do ranking, os Emirados Árabes Unidos lideram com 70,1% da população adulta usando IA regularmente. Os EUA ficaram em 21º lugar — subiram do 24º, mas com apenas 31,3% de adoção. O Brasil não aparece no topo, mas 78% das empresas nacionais planejam ampliar investimentos na tecnologia, segundo levantamento da IBM.

Agora, o dado que contraria a narrativa mais popular sobre o assunto: enquanto a adoção de IA cresce, o emprego de programadores de software nos EUA aumentou 4% de março de 2025 para março de 2026, segundo o mesmo relatório da Microsoft. São 2,2 milhões de profissionais empregados na área — o maior número da história. A lógica: quando a IA reduz o custo de criar software, a demanda por software cresce — e precisa de mais gente para construir.

Os números:

🔴 17,8%: adultos no mundo que usam IA regularmente (1º trimestre de 2026)

🔴 70,1%: taxa dos Emirados Árabes Unidos — maior do mundo

🔴 +4%: crescimento do emprego de programadores nos EUA ano a ano

🔴 80%+: das empresas devem adotar IA em 2026, segundo o Gartner

Resumindo: Por enquanto, a adoção de IA e os empregos de tecnologia estão subindo juntos — o que não significa que vai ser assim para sempre.


TRABALHO

O Brasil nunca esteve tão perto do pleno emprego. E os trabalhadores nunca estiveram tão inquietos

5,3%. É a taxa de desemprego do Brasil no trimestre encerrado em abril de 2026, segundo o IPEA — o menor nível sustentado da série histórica. O país está, na prática, próximo do que economistas chamam de pleno emprego: quase todo mundo que quer trabalhar está trabalhando.

E mesmo assim, mais de 60% dos profissionais brasileiros dizem que querem um emprego diferente este ano, segundo levantamento da consultoria Robert Half. Vinte e oito por cento não querem apenas trocar de empresa — querem mudar de área completamente. É o maior sinal de inquietação profissional em anos.

O que está acontecendo por baixo dos números bonitos? A renda média chegou a R$ 3.732 no trimestre, crescendo 5,5% acima do ano anterior — são 14 trimestres consecutivos de alta real de salários. No papel, tudo parece bem. Mas a automação chegou em algumas funções, a inteligência artificial está redefinindo outras, e o modelo clássico de "um emprego, uma carreira" perdeu força especialmente entre os mais jovens.

Os números:

🔴 5,3%: taxa de desemprego em abril de 2026 — mínimo histórico

🔴 R$ 3.732: renda média do trabalhador — 5,5% acima do ano anterior

🔴 60%+: dos profissionais brasileiros querem um emprego novo (Robert Half)

🔴 87,6%: dos fora da força de trabalho não querem retornar — mesmo diante de uma oportunidade (IPEA)

Resumindo: O emprego está lá — o problema agora é que o tipo de emprego disponível pode não ser mais o que as pessoas querem.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Brasil eliminado da Copa do Mundo pela Noruega — Erling Haaland marcou dois no segundo tempo. Neymar descontou de pênalti nos minutos finais e sinalizou que pode ter se despedido da Seleção. Leia mais

🔹 Pesquisa AtlasIntel (1º de julho): Lula aparece com 48,8% e Flávio Bolsonaro com 42,3% em eventual segundo turno. Convenções partidárias têm início em 20 de julho. Leia mais

🔹 FMI revisou para cima a projeção do PIB do Brasil para 1,9% em 2026 — o país deve ser beneficiado pelo papel de exportador de energia em meio ao conflito no Oriente Médio. Leia mais

🔹 Boletim Focus: mercado financeiro espera que a Selic caia para 12,25% até o fim de 2026. A inflação projetada para o ano está em torno de 4,36%. Leia mais

🔹 Trump pediu à Fifa que revertesse a suspensão do atacante americano Folarin Balogun na Copa do Mundo — e o pedido foi atendido. A Casa Branca confirmou o contato com a entidade.

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