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GIRO E PONTO

Edição #31  ·  Domingo, 05 de julho de 2026

Bom domingo, Leitor. ☀️

você estava descansando, mas o mundo não parou. aqui está o essencial de tudo que rolou. sem ficção, sem sensacionalismo.


Neste 4 de julho, 851 mil fogos explodiram sobre Washington. A temperatura chegou a 42°C. E Donald Trump fez um discurso sobre comunismo na pedra onde estão esculpidos os maiores presidentes americanos. Normal.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: Em 5 de julho de 1994, Jeff Bezos incorporou a Amazon numa garagem em Seattle.

Abre aspas: "Não queremos comunistas no nosso país." — Trump, 4 de jul. de 2026, Monte Rushmore. [tradução livre]

Para clicar: Prime Day da Amazon vai até amanhã — até 80% de desconto em eletrônicos.

Você sabia: No IR 2026, donos de cartório são os mais ricos da declaração — à frente de médicos e advogados.

Stat: 83,8% do PIB — o endividamento público do Brasil estimado para 2026, segundo o UBS.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🎆 Com 63% de rejeição, Trump transforma aniversário dos EUA em comício
💡 Sua conta de luz em São Paulo ficou 10% mais cara a partir de hoje
⚽ A Copa movimenta US$ 41 bi — e quem lucra não é quem você imagina
💸 A Receita abre cashback do IR em 8 de julho — você está na lista?

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MUNDO

No aniversário mais importante dos EUA, Trump preferiu falar de comunismo

63%. É a taxa de desaprovação de Donald Trump nos Estados Unidos enquanto ele subia ao palco para a maior festa cívica do país — e foi justamente nesse momento que o presidente americano escolheu fazer um de seus discursos mais incendiários dos últimos meses.

Na véspera do Dia da Independência, Trump discursou no Monte Rushmore, em Dakota do Sul — a montanha de granito onde estão esculpidos os rostos de quatro ex-presidentes. A mensagem: o comunismo é "a maior ameaça" que os EUA já enfrentaram. Maior que as duas Guerras Mundiais. Maior que Pearl Harbor. Maior que o 11 de setembro. Na sua leitura, a ameaça vem dos democratas progressistas que ele chama de "comunistas".

No contexto maior:

A tradição dos discursos de 4 de julho nos EUA é ser apolítica — uma data de união, acima de partidos. Presidentes como Gerald Ford e Ronald Reagan a usaram assim. Trump rompeu com isso de forma explícita, transformando o "Freedom 250" — o nome oficial das celebrações — em vitrine para as eleições de novembro, quando toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado serão renovados. É o principal teste eleitoral do seu segundo mandato.

No dia 4, em Washington, o governo lançou 851 mil fogos de artifício — uma tentativa de bater o recorde mundial do Guinness. O desfile previsto foi cancelado por causa de uma onda de calor que deixou a capital com 42°C. Trump avisou antes: "vou fazer um discurso muito longo só para mostrar que consigo fazer qualquer coisa." risos.

Resumindo: Quando um presidente com 63% de rejeição usa os 250 anos do país para falar de comunismo, não é festa — é campanha.


BRASIL

Sua conta de luz em São Paulo ficou 10% mais cara — a partir de hoje

A Aneel aproveitou uma sexta-feira para aprovar e um sábado para implementar. A conta de luz em 24 municípios do estado de São Paulo ficou 10% mais cara a partir desta data — e muita gente só vai descobrir quando abrir a próxima fatura.

O reajuste foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica — a Aneel, que regula o setor elétrico no Brasil — e entrou em vigor neste sábado (4). Vinte e quatro municípios do estado são afetados. São Paulo é o estado mais populoso do Brasil, e qualquer reajuste aqui tem escala.

Os números:

🔴 10%: o percentual de aumento aprovado pela Aneel.

🔴 24 municípios: o número de cidades afetadas no estado de São Paulo.

🔴 ~R$ 240/ano: o impacto estimado para uma residência que consome 200 kWh por mês, com base na tarifa média atual.

O setor elétrico é um dos componentes com maior peso na inflação oficial do país. Aumentos na conta de luz chegam rápido ao bolso do trabalhador e ao custo das empresas — especialmente as menores, que não têm como repassar para o consumidor final de imediato. A combinação de encargos regulatórios, custo de transmissão e variabilidade nos reservatórios mantém a pressão sobre as tarifas há anos, sem perspectiva de alívio no curto prazo.

Resumindo: 10% na conta de luz não é manchete de domingo — mas vai aparecer na fatura do mês que vem, sem aviso.


NEGÓCIOS

A Copa vai gerar US$ 41 bilhões — e o Goldman Sachs tem más notícias para os países-sede

O Goldman Sachs analisou a Copa do Mundo de 2026 com frieza de banco de investimentos — e chegou a uma conclusão que muita gente prefere não ouvir: para os países que recebem os jogos, o benefício econômico real é surpreendentemente pequeno. A grande festa do futebol é, acima de tudo, um ótimo negócio para a FIFA, as cervejarias e as marcas de roupas esportivas. Para os governos que pagaram a infraestrutura, nem tanto.

O torneio tem números absurdos: 48 seleções, 104 partidas, 6,5 milhões de espectadores presenciais esperados, projeção de US$ 41 bilhões em movimentação global. A estimativa da FIFA de US$ 17,2 bilhões de contribuição ao PIB americano — e os EUA recebem a maioria dos jogos — equivale a apenas 0,2% do PIB trimestral do país. O banco é direto: quem olha só para os números brutos corre o risco de perder o valor real da conta.

Por dentro:

O problema é simples: boa parte do dinheiro que entra na economia local não é dinheiro novo — é dinheiro que já seria gasto de outra forma. Moradores trocam outros lazeres pelo futebol. Turistas regulares evitam as cidades-sede por causa do congestionamento e dos preços inflados. O que sobra de ganho real é transitório e some quando o torneio acaba.

Para o Brasil, que não recebe nenhuma partida, a conta é diferente. A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é que o torneio vai adicionar mais de R$ 4 bilhões ao varejo nacional no período dos jogos. Bares, restaurantes, supermercados e o varejo esportivo ganham de verdade. A Ambev, por exemplo, é considerada o ativo brasileiro mais diretamente exposto ao tema — cervejarias historicamente são as grandes campeãs de faturamento durante o torneio.

Resumindo: A Copa enriquece a FIFA e as marcas — e para o brasileiro, o ganho real está no bar, no supermercado e nas ações da Ambev.


BRASIL

A Receita Federal abre o caixa em 8 de julho — e você pode ter dinheiro esperando

Quanto do Imposto de Renda que foi descontado do seu contracheque este ano deveria ter ficado no seu bolso? A partir de quinta-feira (8), a Receita Federal abre o portal de consulta ao cashback do IR — e o momento é especialmente relevante porque 2026 trouxe uma mudança grande: a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês, que entrou em vigor em janeiro.

Entendendo:

O "cashback do IR" é o nome que a Receita está usando para o mecanismo de devolução vinculado à isenção. Diferente da restituição tradicional — que devolve imposto pago a mais pela declaração anual —, esse valor está ligado ao ajuste da tabela progressiva implementada em 2026. Se a empresa descontou mais do que deveria ao longo do ano, com base nas novas regras, o trabalhador pode ter direito a receber a diferença de volta. Não é um favor — é dinheiro que tecnicamente já é seu.

Para consultar a partir do dia 8, acesse o portal e-CAC da Receita Federal (gov.br/receitafederal) ou o aplicativo Meu Imposto de Renda. Você vai precisar do CPF e de uma conta gov.br com validação de reconhecimento facial ou certificado digital.

O ponto de atenção: nem todo mundo que ganha até R$ 5.000 vai receber — depende de como a empresa fez a retenção ao longo do ano. Mas verificar custa zero e leva menos de cinco minutos. O governo estima que R$ 28 bilhões devem cair na economia com as mudanças no IR este ano.

Resumindo: Em 8 de julho, cinco minutos de consulta podem mostrar se a Receita está guardando dinheiro que é seu.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A balança comercial do Brasil fechou junho com superávit de US$ 9,8 bilhões — o melhor resultado do semestre, puxado por exportações de soja, petróleo e minério de ferro. Leia mais

🔹 A indústria brasileira recuou 0,2% em maio, segundo o IBGE — a primeira queda desde 2025. Incerteza com o cenário externo e crédito mais caro pesaram nos números. Leia mais

🔹 Cooperativas de crédito no Brasil ultrapassaram R$ 1 trilhão em ativos pela primeira vez — crescimento de 18% em um ano, segundo dados do setor. Leia mais

🔹 A Aneel leiloou mais quatro lotes de transmissão de energia elétrica nesta semana, como parte do plano de expansão da rede nacional até 2030. Leia mais

🔹 Copa hoje: além de Brasil x Noruega às 17h em Nova Jersey, jogam ainda Espanha x Argélia e México x Inglaterra nas oitavas de final. Confira os horários

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