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GIRO E PONTO

Edição #27  ·  Quarta, 01 de julho de 2026

Bom dia, Leitor. 📍

semana no meio. enquanto tudo acontece lá fora, aqui você fica alinhado com os movimentos que realmente importam.


Em Houston, 50 mil brasileiros viram a seleção virar o jogo contra o Japão no último minuto. Em Brasília, a ex-primeira-dama virava outra página — num racha que pode redesenhar a eleição mais importante da próxima década.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 1°/07/1997 — Hong Kong retornou à China após 156 anos sob domínio britânico.

Para clicar: Our World in Data tem gráficos gratuitos de renda a saúde. Salva qualquer deck.

Stat: 25% — crescimento do patrimônio dos mais ricos no mundo em 12 meses (UBS, 2026). Riqueza mediana caiu na maioria dos países.

Para ler: A Forbes listou as 8 tecnologias que vão redesenhar o mercado em 2026. Dez minutos bem gastos.

Abre aspas: "Bitcoin é moralmente superior a outros ativos" — chefe de gabinete de Alckmin, para a Exame.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🏦 iFood chegou a R$ 10 bilhões — e virou banco
🇧🇷 Michelle sai do PL Mulher: o bolsonarismo racha antes da largada
💼 A IA não está comendo emprego de operário. Está comendo o seu
💬 Adeus, número de telefone: o WhatsApp vai mudar sua identidade digital
🚬 A maior empresa de cigarros do mundo demite 1 em cada 5 — e reinventa a nicotina

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NEGÓCIOS

iFood chegou a R$ 10 bilhões apostando em negócios além do delivery

R$ 150 bilhões. É o volume de dinheiro que passou pela plataforma do iFood no último ano fiscal — quase o tamanho do PIB do Espírito Santo inteiro. A empresa que você usa para pedir pizza decidiu que delivery era só o começo.

Os resultados do ano fiscal encerrado em março de 2026 mostram receita líquida de R$ 10,1 bilhões (+29%) e resultado operacional de R$ 2,2 bilhões (+43%). Os números foram divulgados pela controladora holandesa Prosus, que também registrou recorde histórico de geração de caixa: US$ 1,5 bilhão.

O motor dessa virada é o iFood Pago. O braço financeiro da empresa — que oferece conta digital, antecipação de recebíveis e crédito para restaurantes parceiros — já responde por 25% da receita total e movimenta R$ 4 bilhões por mês. Enquanto bancos tradicionais fechavam a torneira de crédito, o iFood foi no sentido contrário — e ganhou mercado. A lógica é a mesma que transformou o Mercado Livre no maior banco digital da América Latina: quem controla os dados de fluxo de caixa de um negócio está na melhor posição para emprestar dinheiro a ele.

O delivery de comida ainda responde por 45% da receita, mas as novas categorias — supermercado, farmácia, viagens, publicidade — crescem acima de 40% ao ano e já representam um terço do faturamento. A competição voltou com força: a 99Food relançou com R$ 2 bilhões prometidos para o Brasil, e a chinesa Keeta chegou com planos bilionários. O iFood escolheu não entrar em guerra de preços — preferiu virar a infraestrutura sobre a qual restaurantes operam. Uma posição muito mais difícil de desalojar.

Os números:

🔴 Receita líquida: R$ 10,1 bilhões (+29% no ano)

🔴 Resultado operacional: R$ 2,2 bilhões (+43%)

🔴 Volume transacionado: R$ 150 bilhões (+57%)

🔴 iFood Pago: já representa 25% da receita e opera no lucro

Resumindo: o iFood parou de competir por entrega e passou a competir por infraestrutura financeira — e, por ora, está ganhando.


BRASIL

Michelle sai do PL Mulher — e o bolsonarismo entra na eleição rasgado por dentro

"Fui humilhada, maltratada e desrespeitada." Foram as palavras da própria Michelle Bolsonaro ao descrever uma conversa telefônica com o enteado Flávio. Na terça-feira à noite, o episódio chegou ao fim formal: ela deixou a presidência do PL Mulher após reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, em Brasília.

A crise começou em novembro passado, quando Michelle se posicionou contra a aproximação do PL com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará — articulação orquestrada pelo grupo de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Ela publicou um vídeo na semana passada expondo o conflito. O estrago foi imediato. Em nota oficial, Michelle afirmou que deixa o cargo para se dedicar ao marido Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos pelos crimes ligados à tentativa de golpe — e à filha do casal.

O que está em jogo é alto. Michelle era a principal ponte entre o eleitorado feminino conservador e o PL — exatamente o segmento em que Flávio Bolsonaro enfrenta maior resistência nas pesquisas. O partido promove nesta quarta um encontro de mulheres em Brasília; a presença dela seria um sinal de pacificação. Não vai acontecer.

Por dentro:

Aliados de Flávio analisaram as redes e concluíram que o vídeo causou mais desgaste para Michelle do que para o senador. Parte do grupo defende que ela deveria ficar fora da cena pública. A articulação no Ceará tem um alvo concreto: barrar a candidatura ao Senado da vereadora Priscila Costa, principal aliada de Michelle no estado. Com Jair Bolsonaro fora da disputa, Flávio é o pré-candidato. Mas sem o apoio da madrasta entre o eleitorado feminino — que é a maioria dos votantes —, a campanha vai à eleição mais importante da década com uma ferida aberta e à mostra.

Resumindo: o bolsonarismo entra no segundo semestre de 2026 rasgado por dentro — e a eleição começa antes mesmo do período oficial de campanha.


TRABALHO

A inteligência artificial não está comendo emprego de operário. Está comendo o de gravata

Antes na casa das centenas, hoje na casa das dezenas. É assim que estão as vagas para advogados corporativos, consultores de gestão, desenvolvedores de software e analistas financeiros na City de Londres — o maior centro financeiro da Europa. O dado vem da plataforma de empregos Adzuna: os setores de trabalhadores com diploma agora respondem por apenas um quarto de todas as vagas abertas em Londres, ante quase metade em 2022.

A lógica é direta. Fundos de investimento que antes contratavam três analistas juniores para examinar balanços e documentos de empresas agora precisam de apenas uma pessoa para supervisionar um modelo de inteligência artificial. Consultorias estão cortando assistentes executivos — reservar viagens e gerenciar agendas de sócios ficou fácil demais de automatizar. Bancos estão reduzindo turmas de analistas juniores e eliminando funções de retaguarda, enquanto a IA assume monitoramento de transações e atendimento ao cliente.

No marketing, ferramentas de IA conseguem analisar campanhas, rastrear atividade em sites e gerar conclusões instantâneas — reduzindo a necessidade de equipes de seis a dez analistas de uma vez só. Em auditoria, boa parte da revisão de registros financeiros e conferência de transações já pode ser automatizada. O julgamento humano vai para a aprovação final, não para o trabalho em si.

No contexto maior:

A City de Londres é o canário na mina. O que acontece lá hoje tende a chegar a São Paulo, Rio e Curitiba nas mesmas funções, nos mesmos setores, num horizonte de 12 a 24 meses. A pergunta já não é se os empregos de entrada estão sendo substituídos — é quais vão sobrar. A resposta mais frequente dos executivos: os que supervisionam a IA, não os que fazem o que ela já faz.

Resumindo: diploma não é mais escudo — a inteligência artificial está atacando exatamente as funções que exigem mais estudo e pagam melhor.


TECNOLOGIA

Adeus, número de telefone: o WhatsApp vai deixar você existir sem expor seus dígitos

Você tem 3 bilhões de vizinhos no WhatsApp. Até agora, para que qualquer um deles te encontrasse, você precisava entregar o número do celular — uma informação pessoal que, uma vez compartilhada, é quase impossível de revogar. O aplicativo começou a liberar nomes de usuário: um "@seunome" que permite ser encontrado sem revelar seus dígitos. A mudança é opcional. E, à primeira vista, parece um ajuste menor de privacidade.

Não é. Ao desacoplar a identidade digital do número de telefone, o WhatsApp dá o primeiro passo concreto para se transformar de ferramenta de mensagens em plataforma de identidade digital — algo que o Instagram, o X e o LinkedIn já fazem há anos. O aplicativo estava atrasado nessa corrida.

Para o usuário comum, o ganho é real: mais privacidade e mais controle sobre quem pode te localizar. Para a Meta — dona do WhatsApp —, a jogada é estratégica. Uma plataforma onde você existe pelo nome, e não pelo telefone, é muito mais fácil de monetizar. Você deixa de ser um número em uma lista de contatos e passa a ser uma identidade rastreável, com comportamento, preferências e, eventualmente, anúncios direcionados com mais precisão.

O que vem depois:

O WhatsApp já tem mais de 150 milhões de usuários só no Brasil — o maior mercado do aplicativo fora da Índia. Quando a funcionalidade chegar aqui em escala, muda a forma como empresas e pessoas se encontram na plataforma mais usada do país. Pense em como o Instagram tornou irrelevante o site das marcas. O WhatsApp com nomes de usuário pode fazer o mesmo com o cartão de visita.

Resumindo: o WhatsApp está virando rede social — e a diferença entre o que você ganha em privacidade e o que a Meta ganha em dados ainda não está clara.


MUNDO

A empresa que vendeu cigarro para o mundo inteiro agora demite 1 em cada 5 — e aposta tudo na nicotina sem fumaça

A British American Tobacco — empresa por trás dos cigarros Lucky Strike, Rothmans e Dunhill — anunciou que vai cortar um quinto de toda a sua força de trabalho global. O objetivo declarado: simplificar a operação e redirecionar capital para uma aposta existencial no futuro da empresa: nicotina sem fumaça.

A decisão não é surpresa para quem acompanha o setor. O mercado global de cigarros convencionais encolhe há anos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, onde regulações mais rígidas e mudanças de comportamento derrubaram o consumo entre jovens. O que mudou desta vez: os demitidos financiam diretamente a transição para produtos alternativos — cápsulas de nicotina, vaporizadores e sachês bucais que entregam o mesmo princípio ativo sem queimar tabaco. O setor chama isso de "produtos de risco reduzido". Reguladores chamam de expansão disfarçada de um mercado viciante para novos públicos.

No contexto maior:

A BAT não está sozinha nessa jogada. A Philip Morris, dona da Marlboro, faz o mesmo. Ambas apostam que a dependência à nicotina é mais duradoura do que o cigarro — e que o formato do produto pode ser trocado. A aposta tem uma lógica cruel: o vício não desaparece com a regulação, apenas muda de embalagem. O volume de capital agora direcionado para essa transição é novo e cresce em ritmo acelerado.

Para o leitor da Giro e Ponto: se você trabalha em tabaco, em publicidade para o setor, ou simplesmente usa esses produtos — esse movimento vai chegar ao Brasil. O mercado brasileiro de nicotina alternativa ainda é pequeno, mas os grandes grupos já posicionam fichas por aqui.

Resumindo: a maior empresa de cigarros do ocidente está apostando que o futuro não é fumar — é consumir nicotina de outra forma. E está demitindo para bancar essa aposta.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Brasil x Noruega: a seleção enfrenta a Noruega no domingo, 5 de julho, às 17h (horário de Brasília), em Nova Jersey, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Leia mais

🔹 Eleições 2026: terminou ontem o prazo legal para apresentadores de TV e rádio deixarem seus programas caso queiram disputar cargos em outubro. O relógio eleitoral está correndo. Leia mais

🔹 Escala 6x1: a Justiça Federal suspendeu os anúncios do governo federal sobre a regulação da escala de trabalho 6x1. A tramitação da proposta no Senado deve ficar para julho. Leia mais

🔹 MEIs: o presidente Lula entregou ao presidente da Câmara, Hugo Motta, projeto de lei que amplia os limites e benefícios para microempreendedores individuais. Leia mais

🔹 Bagdá: um drone atingiu a embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana. O ataque acontece em meio a um momento de alta tensão na região após o conflito entre EUA, Israel e Irã. Leia mais

🔹 Comércio Brasil-EUA: a corrente de comércio entre os dois países recuou 14,3% de janeiro a maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, reflexo das tarifas de Trump. Leia mais

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