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GIRO E PONTO

Edição #23  ·  Sábado, 27 de junho de 2026

Bom sábado, Leitor. 📰

fim de semana. enquanto todos descansam, aqui está o que aconteceu de verdade importante essa semana. tudo em um só lugar.


Larry Rojas, 49 anos, ficou parado diante de um prédio de doze andares que havia desabado no bairro onde morava sua família, em Caracas, e disse a uma equipe da AFP: "Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força para entrar ali." Era quarta-feira à noite. A Venezuela ainda não sabia que quase mil pessoas estavam sob os escombros.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 27 de junho de 1954 — a URSS inaugurou Obninsk, a 1ª usina nuclear civil do mundo.

Para clicar: radiooooo.com — toca música de qualquer país em qualquer ano desde 1900.

Curiosidade: Os tepuis da Venezuela inspiraram Cameron a criar Pandora, o planeta de Avatar.

Stat: 1,7% da eletricidade brasileira já vai para data centers. Em 2029, serão 3,6%, segundo a Brasscom.

Para ver: earthquake.usgs.gov — mapa em tempo real de todos os tremores no planeta agora.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

💻 Seu próximo eletrônico vai custar mais — e a culpa é de uma crise que vem do lugar errado
🇻🇪 Dois tremores em um minuto. Quase mil mortos. Caracas ainda sob os escombros.
🛡️ "Está cheio de maluco no mundo" — e o Brasil vai ampliar muito seus gastos em defesa
📊 O trabalhador brasileiro nunca ganhou tanto — mas isso pode manter seu crédito caro por mais tempo

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TECNOLOGIA

Seu próximo computador vai custar mais. A inteligência artificial é a culpada.

70%. É a fatia de toda a memória eletrônica produzida no mundo em 2026 que vai diretamente para os servidores de inteligência artificial. Para celulares, computadores e tablets, sobra o resto — e o resto está ficando muito mais caro.

Na quinta-feira, 25, a Apple anunciou uma das maiores rodadas de aumento de preços de sua história. Toda a linha de Macs, iPads, o óculos Vision Pro, a Apple TV e os HomePods subiram. O iPhone, o Apple Watch e os AirPods ficaram de fora — por enquanto. Num comunicado distribuído à imprensa, a empresa disse: "Nunca vimos o preço de um componente subir tanto e tão rapidamente."

Os números:

🔴 iPad Air 11": de R$ 7.499 para R$ 9.999 no Brasil — aumento de 30% de uma vez só.

🔴 MacBook Neo (EUA): de US$ 599 para US$ 699. MacBook Pro ficou até US$ 300 mais caro.

🔴 Ações da Apple: caíram 6,15% no pregão — perda de US$ 264 bilhões em valor de mercado em um dia.

🔴 Memória DRAM: subiu 98% no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultoria TrendForce.

O que está por trás: os três maiores fabricantes de memória do mundo — Samsung, SK Hynix e Micron — redirecionaram boa parte de suas fábricas para produzir o tipo de memória especializado que alimenta os servidores de inteligência artificial, onde as margens de lucro são muito maiores. Resultado: a memória convencional ficou escassa. O setor já apelidou o fenômeno de "RAMageddon". A Apple não está sozinha: a Microsoft elevou o preço do Surface Pro em cerca de 50%.

Tem ainda um dado político no timing dos aumentos. Tim Cook, que entrega o cargo para John Ternus em 1º de setembro, escolheu absorver o problema agora — em vez de deixar o novo executivo estrear com uma bomba. Cook declarou ao Wall Street Journal que nunca viu nada parecido "em mais de 40 anos" de setor. Para quem planejava trocar o Mac ou o iPad, o momento é agora — enquanto os estoques antigos ainda existem.

Resumindo: A corrida global pela inteligência artificial está encarecendo todos os eletrônicos — e quem vai pagar a conta somos nós, consumidores.


MUNDO

Dois tremores em um minuto destruíram Caracas. O número de mortos ainda não parou de crescer.

Em menos de sessenta segundos, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de junho. O epicentro ficou próximo à cidade de El Guayabo, no estado de Yaracuy — mas a destruição se espalhou por Caracas e pelo estado de La Guaira, na costa. Prédios desabaram. O aeroporto internacional de Maiquetía foi fechado. O governo decretou estado de emergência em todo o território nacional.

A contagem de mortos começou em 32 e não parou: 164 na manhã de quinta, mais de 500 no final do dia, quase 920 conforme as equipes de resgate avançavam pelos escombros até esta sexta. Mais de 2.900 feridos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou os abalos como os mais intensos registrados no país em mais de cem anos — o terremoto de 7,5 foi o segundo mais forte da história venezuelana.

Os tremores também foram sentidos no Norte do Brasil. Moradores do Amazonas, Pará, Roraima e Amapá relataram abalos. Em Macapá e Belém, prédios foram evacuados. Sem feridos ou danos no lado brasileiro.

A presidenta interina Delcy Rodríguez anunciou um fundo inicial de US$ 200 milhões para reconstrução, com recursos do Fundo Monetário Internacional. Lula manifestou solidariedade e colocou o Brasil à disposição para ajudar. Equipes das Nações Unidas já estão no terreno. Na sexta-feira, um novo tremor de magnitude 4,9 atingiu a costa venezuelana — desta vez sem provocar novas vítimas, mas redobrando o pânico da população que ainda dorme nas ruas.

Para entender a escala: o último grande terremoto em Caracas foi em 1967, quando 236 pessoas morreram. Em 1997, Cariaco, no nordeste, registrou 73 mortos. O que aconteceu esta semana é de outra magnitude — em todos os sentidos.

Resumindo: A Venezuela enfrenta a maior tragédia sísmica em um século — e o socorro ainda não chega na velocidade em que os escombros precisam ser removidos.


BRASIL

"Está cheio de maluco no mundo" — Lula lança fragata e anuncia que defesa nacional vira prioridade nacional

Era uma cerimônia de batismo de fragata no porto de Itajaí, em Santa Catarina. Mas o discurso que Lula fez nesta sexta-feira, 26, foi bem além do naval.

O presidente anunciou que o Brasil vai ampliar seus investimentos em defesa e construir um projeto estratégico de longo prazo para as Forças Armadas. Citou Trump pelo nome. "Agora mesmo, o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá para virar Estado dele, quer tomar o Canal do Panamá", disse. "Não quero guerra, mas também não quero ser pego de surpresa." A fragata lançada ao mar foi a Cunha Moreira, a terceira do Programa Fragatas Classe Tamandaré.

Por dentro:

O discurso tem contexto muito concreto. Em janeiro de 2026, o governo americano capturou Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas. Membros do governo Lula interpretaram a velocidade da operação como um alerta direto: o Brasil não tem defesa aérea suficiente contra uma potência. Em reunião no Palácio do Planalto convocada pelo próprio Lula, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica apresentaram um diagnóstico duro — e um plano de modernização de R$ 456 bilhões até 2040. Em novembro de 2025, Lula já havia sancionado uma lei que libera R$ 30 bilhões fora do teto fiscal para projetos estratégicos de defesa até 2031 — R$ 5 bilhões por ano. O orçamento do Ministério da Defesa para 2026 é de R$ 142 bilhões, quase R$ 9 bilhões a mais do que em 2025.

O timing político também não é por acaso. Lula disputa a reeleição em outubro. O discurso de soberania nacional — amplificado pelo tarifaço de Trump e pela operação americana na Venezuela — virou plataforma de campanha. Até aliados de esquerda, historicamente reticentes a qualquer aumento de gastos militares, passaram a abraçar o argumento do "reforço à soberania".

Resumindo: Lula está transformando defesa nacional em bandeira eleitoral — e o mundo instável de Trump dá a ele um argumento difícil de rebater.


ECONOMIA

O trabalhador brasileiro nunca ganhou tanto. Mas isso pode manter seu crédito caro por mais tempo do que você esperava.

5,8%. Esse é o desemprego no Brasil no trimestre encerrado em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta semana. O número subiu um pouco em relação ao trimestre anterior — quando estava em 5,4% — mas ainda é muito menor do que os 6,6% registrados no mesmo período do ano passado. O mercado de trabalho está esfriando, mas segue próximo das mínimas históricas da série.

Parece notícia boa. E em partes, é. O problema está em outro número: a renda. O rendimento médio real do trabalhador cresceu 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A massa salarial — o total que todos os trabalhadores juntos recebem — avançou 6,5%. Para quem tem emprego, nunca foi tão bom.

O ponto de tensão: renda alta sustenta consumo. Consumo forte mantém a inflação de serviços aquecida — e essa é exatamente a parte da inflação que o Banco Central tem mais dificuldade de controlar. Resultado: o ciclo de juros elevados pode durar mais do que o mercado esperava no começo do ano. Para quem planeja pedir financiamento de imóvel ou de carro no segundo semestre, as taxas devem continuar altas por mais tempo.

No contexto maior:

O mercado de trabalho brasileiro surpreende positivamente há dois anos seguidos. O emprego formal cresceu mais rápido que o informal. O nível de desalento — pessoas que desistiram de procurar emprego — caiu. Mas os sinais de desaceleração que apareceram na leitura de abril indicam que a maré está virando. Devagar, mas virando. Analistas já projetam taxa de desocupação estável em torno de 5,7% nos próximos meses — sem derretimento abrupto, mas também sem nova surpresa positiva.

Resumindo: Trabalhador ganhando mais é ótimo — mas também significa que a Selic deve demorar mais para cair, e o crédito caro ainda é a realidade de quem vai ao banco.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Hoje é o último dia da fase de grupos da Copa do Mundo 2026, com 48 seleções pela primeira vez na história. O mata-mata começa no domingo, 29 de junho. Leia mais

🔹 Israel e Líbano assinaram um acordo-quadro para encerrar as hostilidades, com mediação dos EUA. O Hezbollah já sinalizou que não vai reconhecer o documento — o que coloca o acordo imediatamente em xeque.

🔹 Burkina Faso rompeu relações diplomáticas com a França, expandindo a lista de países africanos que se afastam de Paris. O movimento faz parte de uma onda de rejeição ao antigo colonizador que já varreu Mali, Níger e República Centro-Africana.

🔹 O secretário de Estado americano Marco Rubio manteve a defesa de tarifas ao Brasil em resposta ao senador Flávio Bolsonaro, aumentando a tensão comercial entre os dois países que já vinha crescendo desde o tarifaço de Trump.

🔹 Trump enviou ao Congresso um orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão para 2027 — alta de 50% em relação ao valor atual e o maior aumento desde a Segunda Guerra Mundial, segundo a imprensa americana. Leia mais

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