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Larry Rojas, 49 anos, ficou parado diante de um prédio de doze andares que havia desabado no bairro onde morava sua família, em Caracas, e disse a uma equipe da AFP: "Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força para entrar ali." Era quarta-feira à noite. A Venezuela ainda não sabia que quase mil pessoas estavam sob os escombros.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 27 de junho de 1954 — a URSS inaugurou Obninsk, a 1ª usina nuclear civil do mundo.
Para clicar: radiooooo.com — toca música de qualquer país em qualquer ano desde 1900.
Curiosidade: Os tepuis da Venezuela inspiraram Cameron a criar Pandora, o planeta de Avatar.
Stat: 1,7% da eletricidade brasileira já vai para data centers. Em 2029, serão 3,6%, segundo a Brasscom.
Para ver: earthquake.usgs.gov — mapa em tempo real de todos os tremores no planeta agora.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
💻 Seu próximo eletrônico vai custar mais — e a culpa é de uma crise que vem do lugar errado
🇻🇪 Dois tremores em um minuto. Quase mil mortos. Caracas ainda sob os escombros.
🛡️ "Está cheio de maluco no mundo" — e o Brasil vai ampliar muito seus gastos em defesa
📊 O trabalhador brasileiro nunca ganhou tanto — mas isso pode manter seu crédito caro por mais tempo
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TECNOLOGIA
Seu próximo computador vai custar mais. A inteligência artificial é a culpada.
70%. É a fatia de toda a memória eletrônica produzida no mundo em 2026 que vai diretamente para os servidores de inteligência artificial. Para celulares, computadores e tablets, sobra o resto — e o resto está ficando muito mais caro.
Na quinta-feira, 25, a Apple anunciou uma das maiores rodadas de aumento de preços de sua história. Toda a linha de Macs, iPads, o óculos Vision Pro, a Apple TV e os HomePods subiram. O iPhone, o Apple Watch e os AirPods ficaram de fora — por enquanto. Num comunicado distribuído à imprensa, a empresa disse: "Nunca vimos o preço de um componente subir tanto e tão rapidamente."
Os números:
🔴 iPad Air 11": de R$ 7.499 para R$ 9.999 no Brasil — aumento de 30% de uma vez só.
🔴 MacBook Neo (EUA): de US$ 599 para US$ 699. MacBook Pro ficou até US$ 300 mais caro.
🔴 Ações da Apple: caíram 6,15% no pregão — perda de US$ 264 bilhões em valor de mercado em um dia.
🔴 Memória DRAM: subiu 98% no primeiro trimestre de 2026, segundo a consultoria TrendForce.
O que está por trás: os três maiores fabricantes de memória do mundo — Samsung, SK Hynix e Micron — redirecionaram boa parte de suas fábricas para produzir o tipo de memória especializado que alimenta os servidores de inteligência artificial, onde as margens de lucro são muito maiores. Resultado: a memória convencional ficou escassa. O setor já apelidou o fenômeno de "RAMageddon". A Apple não está sozinha: a Microsoft elevou o preço do Surface Pro em cerca de 50%.
Tem ainda um dado político no timing dos aumentos. Tim Cook, que entrega o cargo para John Ternus em 1º de setembro, escolheu absorver o problema agora — em vez de deixar o novo executivo estrear com uma bomba. Cook declarou ao Wall Street Journal que nunca viu nada parecido "em mais de 40 anos" de setor. Para quem planejava trocar o Mac ou o iPad, o momento é agora — enquanto os estoques antigos ainda existem.
Resumindo: A corrida global pela inteligência artificial está encarecendo todos os eletrônicos — e quem vai pagar a conta somos nós, consumidores.
MUNDO
Dois tremores em um minuto destruíram Caracas. O número de mortos ainda não parou de crescer.
Em menos de sessenta segundos, dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira, 24 de junho. O epicentro ficou próximo à cidade de El Guayabo, no estado de Yaracuy — mas a destruição se espalhou por Caracas e pelo estado de La Guaira, na costa. Prédios desabaram. O aeroporto internacional de Maiquetía foi fechado. O governo decretou estado de emergência em todo o território nacional.
A contagem de mortos começou em 32 e não parou: 164 na manhã de quinta, mais de 500 no final do dia, quase 920 conforme as equipes de resgate avançavam pelos escombros até esta sexta. Mais de 2.900 feridos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos classificou os abalos como os mais intensos registrados no país em mais de cem anos — o terremoto de 7,5 foi o segundo mais forte da história venezuelana.
Os tremores também foram sentidos no Norte do Brasil. Moradores do Amazonas, Pará, Roraima e Amapá relataram abalos. Em Macapá e Belém, prédios foram evacuados. Sem feridos ou danos no lado brasileiro.
A presidenta interina Delcy Rodríguez anunciou um fundo inicial de US$ 200 milhões para reconstrução, com recursos do Fundo Monetário Internacional. Lula manifestou solidariedade e colocou o Brasil à disposição para ajudar. Equipes das Nações Unidas já estão no terreno. Na sexta-feira, um novo tremor de magnitude 4,9 atingiu a costa venezuelana — desta vez sem provocar novas vítimas, mas redobrando o pânico da população que ainda dorme nas ruas.
Para entender a escala: o último grande terremoto em Caracas foi em 1967, quando 236 pessoas morreram. Em 1997, Cariaco, no nordeste, registrou 73 mortos. O que aconteceu esta semana é de outra magnitude — em todos os sentidos.
Resumindo: A Venezuela enfrenta a maior tragédia sísmica em um século — e o socorro ainda não chega na velocidade em que os escombros precisam ser removidos.
BRASIL
"Está cheio de maluco no mundo" — Lula lança fragata e anuncia que defesa nacional vira prioridade nacional
Era uma cerimônia de batismo de fragata no porto de Itajaí, em Santa Catarina. Mas o discurso que Lula fez nesta sexta-feira, 26, foi bem além do naval.
O presidente anunciou que o Brasil vai ampliar seus investimentos em defesa e construir um projeto estratégico de longo prazo para as Forças Armadas. Citou Trump pelo nome. "Agora mesmo, o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá para virar Estado dele, quer tomar o Canal do Panamá", disse. "Não quero guerra, mas também não quero ser pego de surpresa." A fragata lançada ao mar foi a Cunha Moreira, a terceira do Programa Fragatas Classe Tamandaré.
Por dentro:
O discurso tem contexto muito concreto. Em janeiro de 2026, o governo americano capturou Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas. Membros do governo Lula interpretaram a velocidade da operação como um alerta direto: o Brasil não tem defesa aérea suficiente contra uma potência. Em reunião no Palácio do Planalto convocada pelo próprio Lula, os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica apresentaram um diagnóstico duro — e um plano de modernização de R$ 456 bilhões até 2040. Em novembro de 2025, Lula já havia sancionado uma lei que libera R$ 30 bilhões fora do teto fiscal para projetos estratégicos de defesa até 2031 — R$ 5 bilhões por ano. O orçamento do Ministério da Defesa para 2026 é de R$ 142 bilhões, quase R$ 9 bilhões a mais do que em 2025.
O timing político também não é por acaso. Lula disputa a reeleição em outubro. O discurso de soberania nacional — amplificado pelo tarifaço de Trump e pela operação americana na Venezuela — virou plataforma de campanha. Até aliados de esquerda, historicamente reticentes a qualquer aumento de gastos militares, passaram a abraçar o argumento do "reforço à soberania".
Resumindo: Lula está transformando defesa nacional em bandeira eleitoral — e o mundo instável de Trump dá a ele um argumento difícil de rebater.
ECONOMIA
O trabalhador brasileiro nunca ganhou tanto. Mas isso pode manter seu crédito caro por mais tempo do que você esperava.
5,8%. Esse é o desemprego no Brasil no trimestre encerrado em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta semana. O número subiu um pouco em relação ao trimestre anterior — quando estava em 5,4% — mas ainda é muito menor do que os 6,6% registrados no mesmo período do ano passado. O mercado de trabalho está esfriando, mas segue próximo das mínimas históricas da série.
Parece notícia boa. E em partes, é. O problema está em outro número: a renda. O rendimento médio real do trabalhador cresceu 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A massa salarial — o total que todos os trabalhadores juntos recebem — avançou 6,5%. Para quem tem emprego, nunca foi tão bom.
O ponto de tensão: renda alta sustenta consumo. Consumo forte mantém a inflação de serviços aquecida — e essa é exatamente a parte da inflação que o Banco Central tem mais dificuldade de controlar. Resultado: o ciclo de juros elevados pode durar mais do que o mercado esperava no começo do ano. Para quem planeja pedir financiamento de imóvel ou de carro no segundo semestre, as taxas devem continuar altas por mais tempo.
No contexto maior:
O mercado de trabalho brasileiro surpreende positivamente há dois anos seguidos. O emprego formal cresceu mais rápido que o informal. O nível de desalento — pessoas que desistiram de procurar emprego — caiu. Mas os sinais de desaceleração que apareceram na leitura de abril indicam que a maré está virando. Devagar, mas virando. Analistas já projetam taxa de desocupação estável em torno de 5,7% nos próximos meses — sem derretimento abrupto, mas também sem nova surpresa positiva.
Resumindo: Trabalhador ganhando mais é ótimo — mas também significa que a Selic deve demorar mais para cair, e o crédito caro ainda é a realidade de quem vai ao banco.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Hoje é o último dia da fase de grupos da Copa do Mundo 2026, com 48 seleções pela primeira vez na história. O mata-mata começa no domingo, 29 de junho. Leia mais
🔹 Israel e Líbano assinaram um acordo-quadro para encerrar as hostilidades, com mediação dos EUA. O Hezbollah já sinalizou que não vai reconhecer o documento — o que coloca o acordo imediatamente em xeque.
🔹 Burkina Faso rompeu relações diplomáticas com a França, expandindo a lista de países africanos que se afastam de Paris. O movimento faz parte de uma onda de rejeição ao antigo colonizador que já varreu Mali, Níger e República Centro-Africana.
🔹 O secretário de Estado americano Marco Rubio manteve a defesa de tarifas ao Brasil em resposta ao senador Flávio Bolsonaro, aumentando a tensão comercial entre os dois países que já vinha crescendo desde o tarifaço de Trump.
🔹 Trump enviou ao Congresso um orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão para 2027 — alta de 50% em relação ao valor atual e o maior aumento desde a Segunda Guerra Mundial, segundo a imprensa americana. Leia mais |