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GIRO E PONTO

Edição #22  ·  Sexta, 26 de junho de 2026

Bom dia, Leitor. 🚀

sexta de fechamento. essa semana foi intensa — aqui está o resumo do que realmente mudou. leitura rápida antes do fim de semana.


Na quarta à noite, moradores de Manaus e Belém sentiram o chão tremer sem entender por quê. A explicação veio de Caracas: dois terremotos consecutivos sacudiram a Venezuela em menos de um minuto — e o país mais frágil da América do Sul acabou de enfrentar o pior abalo sísmico em mais de 100 anos.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: há 81 anos, 50 países assinaram a Carta das Nações Unidas em São Francisco — criando o principal fórum de paz do mundo.

Stat: 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz — bloqueado por 3 meses pela guerra EUA-Irã, encerrada em junho.

Curiosidade: Conversar com estranhos melhora o humor — quem testa quase sempre gosta, mesmo sem acreditar antes.

Para clicar: o Our World in Data tem gráficos de PIB, saúde e clima de todo o mundo. Grátis.

Você sabia: O gato Larry, de Downing Street, já "despediu" 6 primeiros-ministros britânicos em 10 anos.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🌊 Venezuela sacudida pelo pior terremoto em 100 anos (dois brasileiros não voltaram)
🇵🇪 A mulher que perdeu três vezes — e venceu no Peru na quarta tentativa
🤖 IA demite 910 profissionais de tecnologia por dia. Quem ainda está seguro?
📉 Inflação surpreendeu para baixo: o que isso muda no seu bolso

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MUNDO

O terremoto de 100 anos — e dois brasileiros que não voltaram

188. É o número de mortos confirmados até esta sexta no terremoto mais devastador que a Venezuela enfrenta em mais de um século. Entre eles: dois brasileiros, um homem e uma mulher, confirmados pelo Itamaraty na quinta-feira (25). O ministério não divulgou nomes, mas disse estar prestando assistência consular às famílias.

Tudo começou na quarta (24), às 18h04 no horário local. Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram o norte da Venezuela em menos de um minuto — com epicentro na região de Yaracuy. Prédios de 10 a 15 andares desabaram sem dar tempo de fuga. O aeroporto de Caracas fechou. O governo declarou estado de emergência nacional. E a presidente interina Delcy Rodríguez anunciou um fundo de emergência de US$ 200 milhões do FMI.

Os números:

🔴 7,5: magnitude do segundo terremoto — o mais forte no país desde 1900.

🔴 188 mortos confirmados; mais de 200 ainda presos sob escombros.

🔴 2 brasileiros mortos, confirmados pelo Itamaraty em 25 de junho.

🔴 36 bombeiros do Brasil (SP, MG e PR) enviados pelo governo federal, mais 9 toneladas de equipamentos.

O abalo também foi sentido em estados brasileiros: moradores de Manaus, Belém, Roraima e Amapá relataram tremores. Prédios foram evacuados em Macapá. A Defesa Civil confirmou que não há danos estruturais no Brasil — as ondas chegaram atenuadas. Mas a Venezuela não teve a mesma sorte. Décadas de crise econômica deixaram as construções vulneráveis, e a região de La Guaira virou, nas palavras das autoridades locais, uma "zona de desastre". Uma moradora de 80 anos que sobreviveu ao terremoto de 1967 em Caracas disse: "este foi pior."

Resumindo: Uma tragédia que não escolhe fronteira — o terremoto chegou ao Brasil em tremores, em vidas e na responsabilidade de ajudar um vizinho que já estava de joelhos.


MUNDO

A quarta foi a definitiva: Keiko Fujimori venceu no Peru

Ela perdeu em 2011. Perdeu em 2016. Perdeu em 2021. Foi investigada por lavagem de dinheiro ligada ao caso Odebrecht. Teve o processo anulado pela Suprema Corte peruana em 2025. E então tentou de novo. Na quarta-feira (24), após 17 dias contando cédulas de papel, Keiko Fujimori tornou-se a primeira mulher eleita presidente do Peru pelo voto direto — com 50,11% dos votos, contra 49,88% do esquerdista Roberto Sánchez. Uma diferença de 44 mil votos num país de 33 milhões.

Keiko é filha de Alberto Fujimori — o ditador que governou o Peru entre 1990 e 2000, condenado por execuções extrajudiciais e esterilizações forçadas de indígenas, e que morreu em 2024. O sobrenome virou, ao mesmo tempo, força eleitoral e alvo de rejeição intensa. A apuração foi tão apertada que chegou a empatar em números absolutos durante dias. Sánchez tentou anular os votos do exterior — que favoreciam Fujimori — e o júri eleitoral rejeitou o pedido.

No contexto maior:

A virada não é só peruana. Na mesma semana, o candidato de esquerda Cepeda reconheceu derrota nas eleições da Colômbia. A América Latina vive uma onda conservadora que está redesenhando o mapa político da região. Fujimori entra em um país profundamente fragmentado: o Peru teve 9 presidentes em 10 anos. Três sofreram impeachment, um renunciou depois de 6 dias, quatro ex-presidentes estão presos. A proclamação oficial ainda depende de resolução do júri eleitoral — esperada para meados de julho.

Resumindo: Keiko vence, mas assume um Peru rachado ao meio — e herda uma crise institucional que nenhum dos últimos oito presidentes conseguiu resolver.


TECNOLOGIA

910 profissionais de tecnologia demitidos por dia. E a culpa é da IA

910. É quantos profissionais do setor de tecnologia perderam o emprego, em média, a cada dia de 2026 até aqui. O rastreador TrueUp contabilizou 152.808 demissões em 397 eventos — um ritmo 44% mais acelerado do que no mesmo período de 2025. E o detalhe que muda tudo: segundo a TradingPlatforms, a inteligência artificial aparece como justificativa em 61% de todos os anúncios de corte no setor este ano.

O maior corte individual de 2026 foi da Oracle: entre 20 mil e 30 mil funcionários — até 18% do quadro global — demitidos para financiar uma expansão de data centers de inteligência artificial estimada em US$ 156 bilhões. A Meta cortou 8 mil em abril, com o diretor de recursos humanos descrevendo a medida como necessária para "compensar outros investimentos". A Amazon eliminou 16 mil postos. O Morgan Stanley cortou 2.500 analistas — porque algoritmos preditivos estão assumindo funções que exigiam interpretação humana.

Entendendo:

Demissão cíclica é quando empresas cortam na crise e recontratam quando o cenário melhora. O que está acontecendo em 2026 é diferente: é estrutural. A função sumiu, não a vaga temporariamente. Quando a Oracle demite 20 mil para construir data centers, não há plano de recontratar — o trabalho mudou de endereço. O Goldman Sachs já alertou: isso não é evento isolado. Empresas com receitas recordes estão cortando porque precisam financiar infraestrutura de inteligência artificial — e o mercado parou de aplaudir essas demissões como sinal de eficiência.

Resumindo: Não é crise. É reestruturação — e ela não vai parar quando a economia melhorar, porque não começou com ela piorando.


ECONOMIA

A inflação surpreendeu para baixo. O que isso muda no seu bolso?

A prévia da inflação de junho veio abaixo do esperado — e o mercado reagiu como se fosse uma ótima notícia. Porque pode ser. O IPCA-15 de junho subiu 0,41%, abaixo da projeção de 0,44% e bem menor do que os 0,62% de maio. Em 12 meses, o índice acumula 4,80% — ainda acima do teto da meta de 4,5%, mas com uma melhora na margem que o mercado levou a sério. O Ibovespa fechou em alta de 0,87%, aos 171.990 pontos. O dólar recuou para R$ 5,17.

Entendendo:

O IPCA-15 é a prévia da inflação — divulgado antes do índice cheio, mede os preços em 12 cidades. Quando vem abaixo do esperado, como agora, o mercado interpreta como sinal de que o Banco Central tem mais margem para cortar a Selic — a taxa básica de juros que puxa o que você paga no financiamento imobiliário, no consórcio e no cartão de crédito. Um economista consultado pelo Money Times foi direto: "o mercado está abrindo uma brecha para mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic."

Não é garantido. A inflação ainda está fora da meta. E o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que a guerra no Oriente Médio pressionou os combustíveis — mas disse que o Brasil foi "um dos países menos afetados" no mundo. O próximo Copom é o momento decisivo para confirmar se a brecha vira corte de verdade.

Resumindo: Inflação menor que o esperado abre a possibilidade de mais um corte na Selic — pequeno, mas que pode chegar no bolso de quem tem financiamento ou dívida de longo prazo.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Reino Unido sem premiê. Keir Starmer renunciou em 22 de junho após 23 meses no cargo — pressionado pelo próprio partido. Andy Burnham é o favorito para assumir antes de setembro; seria o 7º primeiro-ministro britânico em 10 anos. Leia mais

🔹 EUA x Irã: acordo em xeque. O embaixador dos EUA na ONU disse que as sanções ao Irã estão apenas "suspensas temporariamente" — enquanto Teerã exige cumprimento integral do memorando assinado em junho. Leia mais

🔹 Tarifas EUA x Brasil. Audiência pública nos EUA sobre tarifas de até 37,5% sobre exportações brasileiras está marcada para 7 de julho — e o Planalto vê as negociações como travadas. Leia mais

🔹 Eleições 2026. Datafolha publicado no sábado (21/6) mostra Lula com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno — estabilidade em relação à pesquisa anterior.

🔹 Colômbia também virou à direita. O candidato de esquerda Cepeda reconheceu derrota para Espriella — mais uma eleição que reforça a onda conservadora que está redesenhando a América Latina em 2026.

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