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GIRO E PONTO

Edição #20  ·  Quarta, 24 de junho de 2026

Bom dia, Leitor. 📍

semana no meio. enquanto tudo acontece lá fora, aqui você fica alinhado com os movimentos que realmente importam.


Larry, o gato de Downing Street, conviveu com seis primeiros-ministros britânicos e não foi demitido nenhuma vez. Já do outro lado do oceano, um advogado colombiano que nunca disputou uma eleição na vida acabou de ganhar a presidência de 52 milhões de pessoas.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 24 jun 1812, Napoleão cruzou o rio Neman com 400 mil soldados para invadir a Rússia. Voltou com menos de 100 mil. Talvez o maior erro de autoconfiança da história.

Para clicar: respirar de um jeito específico pode mudar como você avalia riscos — e a ciência explica por quê.

Para ler: borboletas que vivem 25 vezes mais que o normal — e o que isso revela sobre o envelhecimento humano.

Curiosidade: o algodão-doce foi inventado em 1897 por William Morrison — um dentista. De propósito, aliás.

Stat: 250 mil votos separaram o candidato mais votado da história colombiana do segundo lugar — numa disputa com 26 milhões de eleitores.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🐯 A Colômbia teve seu "Milei" — e Trump foi o primeiro a ligar
🇬🇧 Sete premierês em dez anos: o colapso britânico imparável
🤖 A sua vaga pode ser a próxima a desaparecer — os números
📊 Brasileiros ficaram mais otimistas. Os juros discordam
📦 Exportações batem recorde: o que muda no seu bolso

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MUNDO

O advogado que nunca disputou uma eleição virou presidente de 52 milhões de colombianos

Abelardo De la Espriella tem 47 anos, é advogado, empresário e até pouco tempo atrás morava na Itália. Nunca tinha disputado cargo político algum. Na noite de domingo (21), venceu o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia com 49,66% dos votos — cerca de 250 mil votos de vantagem sobre o senador de esquerda Iván Cepeda, num total de mais de 26 milhões de votos. É a margem mais apertada da história eleitoral do país.

De la Espriella, conhecido como "O Tigre", herda um país polarizado e marcado pela violência. Suas promessas de campanha: endurecer a segurança pública, construir grandes presídios, expandir a produção de petróleo e revisar os acordos de paz com grupos armados. O presidente dos EUA, Donald Trump, foi um dos primeiros a ligar para parabenizá-lo — e já havia dado apoio público durante a disputa, o que o então governo Petro classificou como "interferência eleitoral".

Enquanto De la Espriella celebrava em Barranquilla, o presidente Gustavo Petro não reconhecia o resultado — contestou a apuração, apontou irregularidades nas atas e pediu revisão formal. A Colômbia usa dois sistemas de contagem: uma apuração rápida, para o público, e uma contagem oficial feita por juízes — que estava em andamento ao longo desta semana.

Entendendo:

a Colômbia é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na América Latina. Com De la Espriella alinhado a Trump, o novo governo deve pressionar por mais rigor no combate ao narcotráfico, aproximar-se da agenda dos EUA na região e rever acordos ambientais — o que pode afetar fóruns multilaterais em que o Brasil tem protagonismo.

Resumindo: a Colômbia elegeu um outsider de direita apoiado por Trump, com a menor margem de votos da sua história — e o resultado ainda pode ser contestado na Justiça.

MUNDO

O Reino Unido vai ter seu sétimo premier em dez anos

Keir Starmer, 63 anos, anunciou sua renúncia na segunda-feira (22) — menos de dois anos depois de liderar os trabalhistas a uma vitória esmagadora que prometia acabar com o caos político britânico. Durou 23 meses. Sua saída abre caminho para Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, que virou deputado semana passada justamente para poder disputar a liderança do partido. Se não tiver concorrentes, Burnham assume ainda em julho.

O dado mais desconcertante: Starmer será o sétimo primeiro-ministro desde o referendo do Brexit — em apenas dez anos. Nenhum terminou o mandato. Não à toa: o Reino Unido enfrenta os maiores custos de empréstimo entre os países do G7 e o partido de extrema direita Reform UK, de Nigel Farage, lidera as pesquisas de intenção de voto há mais de um ano. Economistas do Citi alertam que quem herdar o governo terá "poucas ferramentas para promover mudanças significativas".

Resumindo: o Reino Unido troca mais um premier e chegará ao sétimo em dez anos — um ciclo de instabilidade sem precedentes nas democracias ocidentais modernas.


TRABALHO

A inteligência artificial está varrendo as vagas de entrada. A sua próxima promoção pode depender disso

Não é mais teoria. Vagas de analista financeiro, advogado júnior, consultor e desenvolvedor iniciante estão desaparecendo do mercado enquanto empresas substituem equipes de entrada por ferramentas de inteligência artificial. O movimento era esperado — mas a velocidade surpreendeu até quem acompanhava de perto.

O Goldman Sachs colocou números em cima: só em 2025, o setor de tecnologia eliminou 122 mil empregos — 55 mil deles explicitamente atribuídos à inteligência artificial. A previsão para 2026 é de penetração profunda em setores até então considerados seguros: serviços financeiros, jurídico, contabilidade, atendimento ao cliente. A lógica é direta: uma tarefa que antes exigia cinco analistas júnior — cruzar dados, gerar relatórios, fazer pesquisa inicial — agora é executada em minutos por um agente de inteligência artificial, com supervisão de um único profissional sênior.

Os números:

🔴 57% dos desenvolvedores brasileiros esperam que sua função seja redefinida ainda em 2026.

🔴 7,7% a mais de queda em contratações júnior nas empresas que adotaram inteligência artificial, comparadas às que não adotaram.

🔴 80% dos profissionais que esperam mudança dizem que vão deixar de executar tarefas diretamente e passar a projetar e supervisionar soluções.

O que isso muda para quem está no começo da carreira? O caminho clássico — estágio, júnior, pleno — está encolhendo. Quem chega ao mercado agora precisa mostrar que sabe trabalhar com a tecnologia, não só ao lado dela. "Deixamos de ser avaliados pelo volume do que produzimos. Passamos a ser valorizados pela qualidade das perguntas que fazemos", resumiu o especialista Kenneth, da EdSoftware, ao TechTudo.

Resumindo: a inteligência artificial não está substituindo todos os empregos — está eliminando os de entrada e forçando uma geração inteira a pular etapas que antes existiam.


BRASIL

Mais de um terço dos brasileiros acham que a economia vai melhorar. O mercado acha diferente

Pesquisa Datafolha feita nos dias 17 e 18 de junho — divulgada ontem — trouxe uma virada de expectativa: 36% dos brasileiros esperam que a economia melhore nos próximos meses, ante 30% em março. O percentual dos pessimistas caiu de 35% para 26%. Para menos de quatro meses, é uma mudança relevante.

O que explica? Dois fatores aparecem nas análises. O primeiro é a Copa do Mundo, que, nas palavras do cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências, "canaliza a atenção pública para longe de outros temas — dá uma anestesiada". O segundo é a tentativa de acordo entre Irã e EUA para reabrir o Estreito de Ormuz — que aliviou temporariamente a pressão sobre o preço do petróleo e, por consequência, sobre a inflação projetada para 2026.

Mas os números de quem trabalha com juros e câmbio contam outra história. O mercado financeiro elevou a projeção de inflação para 5,09% em 2026 — acima do teto da meta oficial de 4,5%. E a Selic, a taxa que controla o custo do crédito no Brasil, está projetada em 13,25% ao fim do ano — o nível mais alto desde julho de 2006. Quem tem financiamento, cartão rotativo ou crédito pessoal sente isso diretamente no bolso.

No contexto maior:

o otimismo popular costuma subir em anos de Copa e cair quando o campeonato acaba. A questão é se a economia vai sustentar esse estado de espírito depois de julho — com inflação acima da meta, crédito caro e eleições presidenciais cada vez mais próximas no horizonte de 2026.

Resumindo: os brasileiros estão mais confiantes com a economia — mas o mercado financeiro projeta inflação acima da meta e juros nas alturas, o que significa crédito caro ainda por um bom tempo.


ECONOMIA

O Brasil exportou 25% mais em junho. Seu dinheiro não sentiu — ainda

Os números são expressivos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior, as exportações brasileiras cresceram 25,3% em junho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O superávit comercial — a diferença entre o que o Brasil vende e o que compra lá de fora — foi de US$ 4,66 bilhões, com avanço de 76,9%. No acumulado do ano, o superávit já chega a US$ 37,32 bilhões — crescimento de 37,1% em relação ao mesmo período de 2025. O destaque é a indústria extrativa, que avançou 42,7% puxada pelo petróleo.

A explicação está em parte na geopolítica: com o conflito no Oriente Médio pressionando os preços de energia globalmente, o Brasil — exportador líquido de petróleo e commodities agrícolas — se beneficia no curto prazo. O FMI elevou a projeção de crescimento do Brasil em 2026 justamente por esse motivo, enquanto cortou a estimativa de crescimento global.

E o que isso muda no seu dia a dia? De forma indireta, bastante. O superávit forte ajuda a sustentar o real — e o mercado projeta o dólar em R$ 5,16 ao fim de 2026, muito abaixo do patamar de R$ 6 que assustou no ano passado. Quem tem filhos estudando fora, planeja viagem ou compra produtos importados sente esse alívio de forma concreta. O risco no horizonte: a exportação forte depende do preço do petróleo se manter — e isso está nas mãos da situação geopolítica no Oriente Médio, que continua frágil.

Resumindo: o Brasil está vendendo muito mais para o mundo e o dólar recua para R$ 5,16 — mas o benefício chega no bolso do brasileiro de forma lenta e indireta, e depende de um cenário geopolítico que ninguém controla.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Brasil joga hoje contra a Escócia às 19h (horário de Brasília), em Miami, pela última rodada da fase de grupos da Copa. Uma vitória garante a classificação. Um empate pode bastar, dependendo do outro jogo. Leia mais

🔹 Gustavo Petro não reconheceu o resultado da eleição colombiana e pediu revisão formal das atas eleitorais, alegando irregularidades. O escrutínio oficial seguia em andamento ao longo desta semana. Leia mais

🔹 O governo Lula anunciou um pacote de ações nas áreas de saúde, emprego, assistência social e direitos humanos — medidas ainda sem ampla divulgação de detalhes. Leia mais

🔹 O mercado financeiro elevou a projeção de inflação para 5,09% em 2026 — décima segunda alta seguida — e mantém a Selic em 13,25% ao fim do ano, acima das expectativas do início do ano. Leia mais

🔹 Petrobras e Pemex, a estatal mexicana de petróleo, assinaram acordo de cooperação para exploração e produção em águas profundas — movimento que pode ampliar a presença brasileira no mercado de energia da América Latina.

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