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Abelardo de la Espriella ganhou a presidência da Colômbia por 0,95 ponto percentual — e a América Latina acordou quase toda de um mesmo lado do espectro político.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: Alan Turing, o pai da computação, nasceu em 23 de junho de 1912. Completaria 114 anos hoje.
Para clicar: Todos os placares ao vivo da Copa 2026 estão no site oficial da FIFA.
Para ler: O Exame fez um bom perfil de De la Espriella, o candidato que surpreendeu a Colômbia.
Você sabia: O Brasil é a única seleção presente em todas as 23 edições da Copa do Mundo.
Descubra: Por que a computação quântica vai obrigar empresas a trocar toda a sua criptografia nos próximos anos.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🇨🇴 A direita fecha o cerco: quem é o novo dono da Colômbia
🛢️ Petrobras derruba o Mercado Livre do topo da América Latina
🏭 R$ 750 bilhões: o que o governo quer fabricar nos próximos anos
🔫 Pistola, blitz e depoimento: o dia mais tenso de Bolsonaro em junho
🏦 Amanhã o Fed revela se os maiores bancos do mundo sobrevivem a uma crise
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MUNDO
A Colômbia virou à direita — e o mapa da América Latina ficou quase todo de um lado só
250 mil votos. Entre 25 milhões de eleitores, foi essa a diferença que colocou Abelardo de la Espriella na presidência da Colômbia. A apuração preliminar do segundo turno, realizado no domingo (21), apontou 49,6% para o candidato de extrema direita contra 48,7% do senador de esquerda Iván Cepeda — aliado do atual presidente Gustavo Petro. A confirmação oficial aguarda o escrutínio, processo de revisão por juízes que pode levar dias.
Quem é "O Tigre"? Advogado milionário, 47 anos, primeira eleição na vida. De la Espriella passou décadas defendendo paramilitares e narcotraficantes, virou personalidade televisiva e construiu uma campanha em torno de ordem, segurança e oposição ao governo Petro. Seus modelos declarados: Trump, Milei e Bukele. Trump aliás se adiantou ao resultado oficial e publicou nas redes: "He won, BIG!" — antes mesmo da contagem ser encerrada. Petro, do outro lado, acusou fraude e pediu recontagem de todas as urnas.
No contexto maior:
Com De la Espriella tomando posse em 7 de agosto, a Colômbia encerra o único governo de esquerda de sua história. O mapa fica ainda mais homogêneo: Equador, Bolívia, Paraguai, Chile e Argentina já estão na direita ou extrema direita. Para o Brasil, o efeito é político e eleitoral — a onda conservadora na região vira argumento de campanha para todos os lados no ciclo de 2026.
Resumindo: A Colômbia elegeu um outsider de extrema direita por margem mínima, e a América Latina é agora quase um bloco conservador.
NEGÓCIOS
Petrobras derrubou o Mercado Livre do topo — e petróleo voltou a valer mais que tecnologia na América Latina
Com base no fechamento desta segunda-feira (22), a Petrobras reassumiu o posto de empresa mais valiosa da América Latina, avaliada em US$ 100,9 bilhões. Quem perdeu o trono? O Mercado Livre — que tinha superado a estatal em agosto de 2024 e reinava desde então. A plataforma argentina caiu direto para a terceira posição, com US$ 94,5 bilhões, depois de perder US$ 7,6 bilhões em valor de mercado no ano. No meio das duas, o Itaú Unibanco com US$ 97,7 bilhões.
Os números:
🔴 Petrobras: US$ 100,9 bi — maior alta absoluta da região em 2026 (+US$ 26,3 bi).
🔴 Itaú: US$ 97,7 bi — briga pelo topo com a Petrobras há meses (+US$ 22,1 bi).
🔴 Mercado Livre: US$ 94,5 bi — caiu duas posições de vez (-US$ 7,6 bi).
🔴 Domínio verde-amarelo: 5 das 10 maiores são brasileiras — Petrobras, Itaú, BTG Pactual, Vale e Ambev. A Argentina mantém só o Mercado Livre.
Tem um fator importante aqui: o dólar caiu 6,16% ante o real em 2026, o que inflou automaticamente o valor das empresas brasileiras na conversão para moeda americana. Mesmo assim, a ação da Petrobras em reais subiu 27,5% no ano — e 66% desde a posse de Lula em 2023.
Resumindo: Depois de anos ouvindo que o futuro pertence às plataformas digitais, a empresa mais valiosa da América Latina voltou a ser uma estatal de petróleo.
BRASIL
R$ 750 bilhões para reindustrializar o Brasil: inteligência artificial, biofarma e o que mais o governo quer fabricar
Ontem, na cerimônia pelos 74 anos do BNDES no Rio de Janeiro, Lula anunciou mais R$ 140 bilhões para a política industrial do governo. Com o novo aporte — R$ 102,5 bilhões pelo BNDES e R$ 37,5 bilhões pela Finep —, a Nova Indústria Brasil ultrapassa a marca de R$ 750 bilhões disponíveis para investimento entre 2023 e 2026.
A lista de apostas inclui fertilizantes, máquinas agrícolas, insumos farmacêuticos, biofármacos, terapias avançadas, mobilidade sustentável, inteligência artificial, audiovisual, minerais críticos e tecnologias duais — aplicações com uso civil e militar. O argumento central do governo é desindustrialização prematura: o Brasil importa hoje o que poderia fabricar. Junto com o pacote, foi lançado o portal Investe Indústria Brasil, da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, para mapear gargalos e intenções de investimento por setor.
Por dentro:
Em quatro das seis "missões" da política, o setor privado já responde pela maior parte dos recursos — o BNDES entra como catalisador, não como único financiador. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, destacou que para cada real público, há mais de um real privado embarcando junto.
Resumindo: O governo apostou R$ 140 bilhões adicionais na tese de que o Brasil pode — e deve — fabricar mais do que consome.
No mesmo pacote: a bicicleta elétrica do entregador vai custar 25% menos
Um dos anúncios do dia tem impacto direto em quem vive da economia de aplicativo. O BNDES aprovou R$ 340 milhões para a Tembici comprar até 85 mil bicicletas elétricas, alugadas a entregadores de plataformas com custo 25% menor do que o atual. O projeto tem parceria com o iFood e usa recursos do Fundo Clima. São 42,5 mil unidades até o fim de 2027, com mais 42,5 mil para reposição até 2031. A fabricação será no Brasil. Estimativa do governo: 107,2 mil toneladas de CO₂ evitadas até 2032.
Resumindo: Para quem faz entregas por app, o custo da principal ferramenta de trabalho pode cair um quarto — com o governo bancando parte disso.
BRASIL
Uma pistola numa blitz noturna, um depoimento hoje às 15h — e a prisão domiciliar de Bolsonaro acaba em 48 horas
Na noite de 15 de junho, um Honda Civic foi parado numa blitz da Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal. Dentro do carro: um agente do Gabinete de Segurança Institucional, um carregador de pistola e uma Glock 9mm registrada no nome de Jair Bolsonaro. O motorista disse que levava a arma para conserto por causa de uma pane mecânica.
O caso chegou ao ministro Alexandre de Moraes, que autorizou um depoimento presencial. Hoje, às 15h, policiais civis vão até a residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária. A oitiva é presencial porque Bolsonaro tem restrição judicial ao uso de comunicações eletrônicas. A defesa confirma que a arma é dele, diz que não há proibição de posse e que a entrega ao segurança foi exclusivamente para manutenção.
O que vem depois:
A prisão domiciliar humanitária — concedida em 27 de março, após internação por broncopneumonia — termina na quinta-feira, 25 de junho. O STF ainda não sinalizou os próximos passos e a defesa não pediu prorrogação. Em paralelo, a investigação sobre a arma corre na Polícia Civil do DF como inquérito separado. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Resumindo: O ex-presidente depõe hoje sobre uma pistola que apareceu na rua — dois dias antes do prazo da prisão domiciliar acabar.
ECONOMIA
Amanhã, 32 grandes bancos passam pelo teste de sobrevivência do Federal Reserve — e o mercado vai reagir
Uma vez por ano, o banco central americano simula o fim do mundo financeiro para ver quais bancos sobrevivem. Amanhã, 24 de junho, às 17h de Brasília, saem os resultados do teste deste ano — com 32 grandes bancos sob análise, incluindo JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America e Wells Fargo.
O cenário hipotético desta edição inclui recessão global severa, colapso em imóveis comerciais e residenciais e pressão no mercado de dívida corporativa. A pergunta que o Fed tenta responder é simples: se tudo isso acontecesse de verdade, os bancos teriam capital suficiente para continuar emprestando?
Por que isso importa para você:
Se os bancos saírem bem no teste, abre caminho para que anunciem aumento de dividendos e recompra de ações — dois movimentos que costumam empurrar mercados para cima. Analistas já esperam que JPMorgan, Goldman e Bank of America ampliem retornos aos acionistas. Para a Bolsa brasileira, que segue o humor de Wall Street de perto, o resultado de amanhã pode definir o tom da semana. A agenda de desregulamentação de Trump também está de olho: bons números reforçam o argumento para afrouxar as exigências de capital sobre os grandes bancos.
Resumindo: Amanhã saberemos se o sistema financeiro americano passaria numa crise global — e o mercado de todo mundo vai reagir ao resultado.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Copa 2026: Brasil joga amanhã (24/6) a última rodada do Grupo C contra a Escócia, às 19h no Hard Rock Stadium em Miami — uma vitória confirma a liderança do grupo e abre o melhor caminho no mata-mata. Leia mais
🔹 A Fitch rebaixou a perspectiva do setor bancário brasileiro de "neutra" para "em deterioração" em junho, citando enfraquecimento da qualidade dos ativos e incerteza política antes das eleições. Leia mais
🔹 ProFloresta+: BNDES e Petrobras realizaram o primeiro leilão de créditos de carbono da Amazônia. Três empresas foram selecionadas para fornecer 5 milhões de créditos e mobilizar R$ 450 milhões em plantio, com 25 milhões de árvores nativas e 6,3 mil empregos verdes previstos. Leia mais
🔹 A prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro termina na quinta-feira (25/6). O STF ainda não sinalizou os próximos passos do caso e a defesa não pediu prorrogação. Leia mais
🔹 A Anvisa aprovou um novo medicamento oral para tratar casos específicos de câncer de mama avançado ou metastático. |