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Ontem à noite, um senador americano resumiu os últimos quatro meses em uma frase: "Antes da guerra, o estreito estava aberto. Agora, 13 soldados estão mortos e as sanções serão suspensas." Hoje o mundo acorda com uma paz improvável — e o Brasil, com três histórias que merecem sua atenção antes do almoço.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: 18 de junho de 1908 — o navio Kasato-Maru atracou no porto de Santos com os 781 primeiros imigrantes japoneses do Brasil. Hoje é o Dia Nacional da Imigração Japonesa.
Curiosidade: Maria Bethânia faz 80 anos hoje — foi a primeira mulher a vender mais de 1 milhão de discos no Brasil, e em 2026 ainda ganhou o Grammy com o irmão Caetano Veloso.
Para assistir: O secretário Marco Rubio ao fundo, caneta na mão: assista ao momento em que Trump assinou o acordo com o Irã no Palácio de Versalhes.
Para ler: 1 em cada 5 jovens donos de negócio no Brasil já tem diploma universitário — o empreendedorismo parou de ser fuga do mercado e virou escolha de quem estudou.
Stat: 27,8% — parcela dos jovens empreendedores brasileiros com algum acesso ao ensino superior em 2025. Em 2012, era bem menos. A base mudou.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
🕊️ O acordo de paz que envergonhou os próprios aliados de Trump
💵 O Fed trocou de chefe — e parou de explicar o que vem depois
🚨 A fintech que prometia 2% ao mês e sumiu com R$ 1 bilhão
🤖 As vagas que a IA come primeiro (e o que isso faz com a sua carreira)
🍗 Por que o brasileiro da Copa está trocando o churrasco por frango
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MUNDO
O acordo que terminou uma guerra — e dividiu o Partido Republicano
Trump assinou, na noite de quarta-feira (17), um memorando de entendimento com o Irã no Palácio de Versalhes — o mesmo local onde, em 1919, as potências mundiais firmaram o tratado que encerrou formalmente a Primeira Guerra Mundial. O simbolismo não foi por acaso. Segundo a InfoMoney, o acordo já está em vigor.
O entendimento prevê um cessar-fogo de 60 dias, abre caminho para negociações de um tratado definitivo e inclui a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — a passagem por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, bloqueada pelo Irã desde fevereiro. Os EUA, em contrapartida, começam a suspender o bloqueio naval e prometem liberar ativos iranianos congelados no exterior. Trump assinou o documento durante um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron. Horas depois, já ameaçava retomar os bombardeios caso Teerã descumprisse os termos.
Os números:
🔴 60 dias: prazo para negociação do acordo definitivo.
🔴 30 dias: prazo para encerrar completamente o bloqueio naval americano.
🔴 13: soldados americanos mortos no conflito.
🔴 Bilhões: gastos pelas famílias americanas com o choque no preço da energia durante a guerra.
O problema para Trump é que a resistência ao acordo vem de dentro do Partido Republicano. "Antes da guerra, o estreito estava aberto, o Irã estava sendo esmagado por sanções e 13 militares ainda estavam vivos", escreveu o senador republicano Bill Cassidy. "Agora todos estão mortos, as sanções serão suspensas e os bombardeios pararam. Este é o pior erro de política externa em décadas." Até o senador Lindsey Graham, aliado histórico de Trump, admitiu que "há partes do acordo que não gosto."
Resumindo: o Oriente Médio tem um cessar-fogo provisório — mas o programa nuclear iraniano segue intocado, e Trump precisa explicar para os próprios aliados se essa guerra, afinal, valeu a pena.
ECONOMIA
O Fed trocou de chefe — e o banco central mais poderoso do mundo parou de falar
Por décadas, o Federal Reserve teve um ritual: após cada reunião, o presidente subia ao pódio e explicava o que ia acontecer com os juros nos próximos meses. Esse roteiro acabou na quarta-feira (17). Kevin Warsh, escolhido por Trump para substituir Jerome Powell — cujo mandato terminou em maio —, comandou sua primeira reunião de política monetária. A taxa de juros ficou inalterada, entre 3,5% e 3,75% — isso era esperado. O que chamou atenção foi o que sumiu do comunicado.
Entendendo:
O Fed costumava incluir no comunicado uma sinalização sobre os próximos passos — o que tecnicamente se chama de "orientação futura". Pense como o banco central "telegrafando" suas intenções ao mercado: quando o Fed diz "vamos manter os juros estáveis por um tempo", os mercados se ajustam. Warsh cortou esse telegrama. Agora, cada novo dado econômico vira uma variável imprevisível para quem investe em ações americanas, títulos ou câmbio.
O pano de fundo complica tudo. A inflação americana medida pelo indicador preferido do Fed acelerou para 3,8% ao ano em abril — quase o dobro da meta de 2%. O próprio comitê projeta que 2026 vai fechar com 3,6% de inflação, bem acima do que estimava em março. Warsh herdou um banco central com preços fora da meta, um comitê dividido como raramente se viu desde 1992, e um presidente que pressiona publicamente por cortes de juros. Na primeira coletiva, Warsh mandou um recado a Trump: o Fed vai agir pelos dados, não por conveniência política.
Resumindo: o novo chefe do Fed apagou o GPS que o mercado usava para se orientar — justo na semana em que o mundo assiste ao fim de uma guerra que pressionou os preços globais por meses.
BRASIL
A fintech que prometia 2% ao mês — e sumiu com quase R$ 1 bilhão de 3 mil investidores
Wesley Albuquerque, 40 anos, empresário do Distrito Federal, ficou tão satisfeito com os retornos da Naskar que convenceu a mãe a investir também. "Minha mãe vendeu uma casa e recomendei que ela colocasse lá", contou. Em 4 de maio de 2026, o aplicativo da Naskar saiu do ar. Os sócios pararam de atender. O dinheiro sumiu. "Minha mãe não tem reserva, não tem aposentadoria, não tem nada."
Wesley é um dos cerca de 3 mil investidores que aguardam o paradeiro de até R$ 1 bilhão depositado na Naskar Gestão de Ativos — uma fintech de São Paulo que prometia rendimento fixo de 2% ao mês, equivalente a 175% do CDI, sem registro no Banco Central nem na CVM. A empresa operou por mais de uma década. O que os investigadores encontraram, segundo reportagem exclusiva do Times Brasil, foi uma arquitetura de saída planejada meses antes do colapso público.
Em março, a Naskar trocou a razão social de "Instituição de Pagamento" para "Gestão de Ativos". Em abril, retirou as atividades financeiras do seu objeto social. No mesmo dia em que enviou nota alegando "falha técnica no sistema", dois dos três sócios abriram novas empresas com capital de R$ 10 mil cada — registradas pela mesma contabilidade, no mesmo dia. As filiais em Curitiba, Rio e Brasília tinham sido encerradas um ano antes, sem aviso aos clientes.
Um dos sócios, Maurício Jahu, era ex-jogador da seleção brasileira de vôlei e ex-apresentador da ESPN. Os três tentaram vender a empresa para uma "gestora americana" chamada Azara Capital — que não aparece em nenhum registro regulatório dos EUA. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga por suspeita de estelionato e pirâmide financeira.
Resumindo: a Naskar seguiu o manual clássico das pirâmides — rendimento impossível, estrutura de fuga planejada, e o colapso sempre pior do que parecia do lado de fora.
TRABALHO
A IA não vai roubar o seu emprego. Vai roubar o do seu estagiário — e aí a sua carreira para de crescer
Analista financeiro júnior. Advogado de primeiro ano. Desenvolvedor pleno. Consultor de entrada. Esses são os cargos que mais estão sumindo das ofertas de emprego em 2026 — enquanto empresas trocam equipes de entrada por ferramentas de automação baseadas em inteligência artificial. O movimento não é gradual: é uma virada estrutural.
O cenário é global. A Block, empresa de pagamentos fundada por Jack Dorsey, demitiu 4 mil pessoas — cortando de 10 mil para 6 mil funcionários — e associou a decisão diretamente à expansão das ferramentas de automação. A Amazon dispensou 16 mil para simplificar processos hierárquicos. O Pinterest cortou 675 por "estratégia orientada por inteligência artificial". Segundo a consultoria RationalFX, 1 em cada 5 demissões em tecnologia em 2026 está diretamente ligada à adoção dessas ferramentas. Se o ritmo se mantiver, o setor pode fechar o ano com 265 mil demissões — mais do que as 245 mil registradas em 2025.
O problema vai além do emprego imediato. É o modelo de carreira. Por décadas, a trajetória profissional foi construída na progressão: você começa júnior, aprende fazendo, vira pleno, depois sênior. Se as vagas de entrada somem, o caminho some com elas. Empresas que apostam em automação agora podem pagar caro por falta de liderança formada internamente daqui a cinco anos.
O que vem depois:
As competências mais demandadas são: capacidade de trabalhar com dados, integração entre áreas de negócio e tecnologia, e fluência em ferramentas de inteligência artificial — não substituição por elas, mas trabalho junto com elas. A distinção importa mais do que parece.
Resumindo: a inteligência artificial não vai substituir quem sabe usá-la — mas vai substituir quem ainda está esperando para aprender.
COMPORTAMENTO
O maior exportador de carne bovina do mundo está trocando o churrasco por frango — e a Copa está no meio disso
O Brasil exportou mais carne bovina em 2025 do que em qualquer outro ano da história. Isso deveria ser boa notícia para todo mundo. Para os criadores de gado, é. Para o brasileiro que quer fazer um churrasco na Copa do Mundo, não tanto.
Segundo a Bloomberg Línea, uma combinação de três fatores está levando as famílias brasileiras a substituir cortes bovinos por frango e carne suína: a alta dos preços no supermercado, o endividamento recorde das famílias e as exportações aquecidas que consomem a maior parte da produção nacional. A carne bovina, tradicional estrela da festa de futebol brasileira, virou artigo de luxo nas gôndolas.
No contexto maior:
O Brasil tem a maior competitividade do mundo na produção de proteína animal — e, paradoxalmente, esse sucesso exportador pressiona o consumo interno. Quando o preço internacional da carne sobe, os pecuaristas preferem vender para fora. O que sobra no mercado local fica mais caro. Com a taxa básica de juros ainda em dois dígitos, o crédito caro e parte crescente da renda familiar comprometida com dívidas, o frango se torna a escolha racional — não o plano B. O plano A.
Há um componente geracional nessa mudança. Consumidores mais jovens, mais sensíveis a preço e mais atentos ao impacto ambiental, já vinham reduzindo o consumo de carne vermelha antes da pressão inflacionária. A Copa pode ter acelerado uma transformação de hábito que, segundo especialistas, veio para ficar — independente de como terminar o campeonato.
Resumindo: o país que inventou o churrasco bate recordes exportando carne — e na Copa, está fazendo churrasco de frango.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 Copa do Mundo hoje: são quatro jogos nesta quinta — Rep. Tcheca x África do Sul (13h), Suíça x Bósnia (16h), Canadá x Catar (19h) e México x Coreia do Sul (22h). Leia mais
🔹 Exportações e Ormuz: antes do acordo de paz, o bloqueio do Estreito de Ormuz custou ao Brasil US$ 537 milhões em exportações perdidas para o Golfo Pérsico — com a reabertura, o fluxo deve se normalizar nas próximas semanas. Leia mais
🔹 CSN e cimento: a Companhia Siderúrgica Nacional quer vender o controle do seu negócio de cimento para reduzir dívidas e levantar caixa — mas enfrenta resistência de um acionista que detém cerca de 42% da Huaxin, sua parceira chinesa. Leia mais
🔹 Intel e Apple: a Intel iniciou a produção de um novo modelo de chip que pode viabilizar um acordo comercial com a Apple — a empresa busca parceiros para diversificar a cadeia de semicondutores. Leia mais
🔹 Neymar na Copa: mercados preditivos apostam na convocação de Neymar para a seleção brasileira, mas o otimismo dos apostadores recuou nos últimos dias — sem confirmação oficial da comissão técnica. Leia mais |