Newsletter

GIRO E PONTO

Edição #10  ·  Domingo, 14 de junho de 2026

Bom domingo, Leitor. ☀️

você estava descansando, mas o mundo não parou. aqui está o essencial de tudo que rolou. sem ficção, sem sensacionalismo.


Em 1973, o Brasil levantava o tetracampeonato no México — no mesmo ano em que os Knicks ganhavam o último título da NBA. Ontem, as duas histórias se reencontraram no mesmo fim de semana: um 1 a 1 do lado brasileiro, e 53 anos de espera encerrados do lado americano. A Copa do Mundo mal começou, e já tem drama de sobra.

…..

⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 14/6/1777 — EUA aprovaram a 1ª bandeira oficial. Hoje, 249 anos depois, sediando a Copa.

Para ver: Os melhores momentos de Brasil x Marrocos — com o golaço de Vini Jr.

Stat: 1.954 cervejarias no Brasil em 2025, recorde histórico. A produção, porém, caiu 8,85%.

Para ler: Leia a crônica da semana — Selic, guerra e Copa em 5 minutos. Vale mais que relatório de banco.

Curiosidade: Torcer em jogos decisivos eleva o cortisol em até 50%. É fisiologia, não drama.

…..

NA EDIÇÃO DE HOJE

🌍 O acordo que pode reabrir 20% do petróleo do mundo
🚀 SpaceX faz o maior IPO da história — e vale quase o PIB do Brasil
🏀 53 anos depois, Nova York volta a ser campeã da NBA
⚽ Brasil empata na Copa e Ancelotti admite: "não foi bom"
📉 Na terça, o Banco Central decide se o seu crédito fica mais barato

…..

MUNDO

Trump diz "hoje". Irã diz "nos próximos dias". Os dois podem estar certos.

Ao longo deste fim de semana, o presidente americano Donald Trump publicou em sua rede social que um acordo com o Irã estaria assinado neste domingo (14) — e que, logo após a assinatura, o Estreito de Ormuz estaria "aberto a todos". O Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu que a assinatura seria "nos próximos dias", não hoje. O primeiro-ministro do Paquistão, mediador das conversas, disse que uma assinatura eletrônica poderia acontecer em até 24 horas. Essa aparente confusão não é sinal de colapso — é sinal de que as negociações estão na reta final.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã. Desde então, a república islâmica controla o Estreito de Ormuz — a faixa d'água com menos de 40 km de largura no ponto mais estreito, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. O impacto nos preços do combustível foi imediato e global.

O acordo batizado de "Declaração de Islamabad" — nome em homenagem ao papel do Paquistão — prevê a reabertura do estreito, o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos e a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados. Em troca, o Irã abandonaria a busca por armas nucleares. Os EUA se comprometeriam a "compelir Israel" a encerrar as hostilidades no Líbano. A cerimônia de assinatura, caso aconteça, está prevista para Genebra, perto do G7 na França.

O principal ponto de atrito ainda é o destino do estoque de urânio enriquecido iraniano. Trump disse que os EUA vão "recolher e destruir" o material "no momento oportuno". O Irã, por sua vez, teria intensificado a proteção dos depósitos subterrâneos — provocando desabamento de túneis e instalando minas explosivas, segundo fontes de inteligência americana ouvidas pela CNN Brasil.

Resumindo: o acordo ainda não está assinado, mas é a negociação de paz mais concreta do Oriente Médio em anos — e o resultado vai direto no preço que você paga na bomba de gasolina.


NEGÓCIOS

A empresa tem prejuízo acumulado de US$ 41 bilhões. Mesmo assim, fez o maior IPO da história.

Na sexta-feira (12), a SpaceX estreou na Nasdaq e levantou US$ 75 bilhões — mais que o dobro do segundo maior IPO americano da história, que foi o da Alibaba em 2014. Com um valor de mercado de US$ 1,77 trilhão, a empresa de Elon Musk passou a valer quase o equivalente ao PIB de todo o Brasil em 2025. A ação foi precificada em US$ 135 — e o mercado foi avisado que não havia negociação: aceite ou não compre.

Mais de 555 milhões de papéis mudaram de mãos no primeiro dia. Com isso, Musk se tornou o primeiro trilionário do mundo, somando suas participações na SpaceX e na Tesla. A estreia foi tão intensa quanto a empresa: a SpaceX registrou prejuízo de US$ 4,28 bilhões só no primeiro trimestre de 2026. A única divisão lucrativa, por enquanto, é a Starlink — a divisão de internet via satélite, com margem operacional de 39%.

Por dentro:

A SpaceX não é só foguetes. Embutidos no IPO estão três negócios: a Starlink (61% da receita, único rentável), os serviços de lançamento da Falcon 9 e a xAI — a empresa de inteligência artificial de Musk, incorporada à SpaceX em fevereiro deste ano, que está consumindo bilhões em infraestrutura de dados. É isso que o mercado está comprando: a aposta de que esses três negócios juntos vão crescer o suficiente para justificar a avaliação. Para efeito de comparação, a Nvidia — empresa mais parecida em hype — negocia a cerca de 30 vezes sua receita. A SpaceX, a 96 vezes.

Resumindo: o IPO da SpaceX não foi sobre fundamentos — foi sobre crença no futuro, e Wall Street pagou US$ 75 bilhões para participar dessa aposta.


ESPORTES

53 anos de espera. Uma noite em San Antonio. Nova York é campeã da NBA.

53. É quantos anos Nova York esperou para voltar a ser campeã da NBA. A última vez foi em 1973 — o mesmo ano em que o Brasil levantava o tetracampeonato. Na madrugada de domingo (no horário de Brasília), os Knicks derrotaram o San Antonio Spurs por 94 a 90 no jogo 5 das finais, encerrando um jejum que atravessou gerações de torcedores e se tornou piada nacional nos EUA. Jalen Brunson — um armador de 1,88m que boa parte das análises dizia ser "pequeno demais para liderar um time campeão" — fez 45 pontos, incluindo 13 consecutivos no quarto período, e levou o troféu de melhor jogador das finais.

A série toda foi um manual de resiliência. Os Spurs venceram os primeiros quartos dos cinco jogos por um total de 57 pontos combinados — e não ganharam o título. Os Knicks vieram de trás nas quatro vitórias deles, incluindo a maior reviravolta da história das finais: 29 pontos de desvantagem no intervalo do jogo 4, transformados em vitória no apito final. "Não importa o que colocarem na nossa frente, vamos encontrar um jeito", disse Brunson logo após a sirene, segundo a ABC7 de Nova York.

No contexto maior:

A última vez que os Knicks chegaram às finais foi em 1999 — quando perderam para os mesmos Spurs. Agora, contra a nova geração de San Antonio, liderada pelo prodígio Victor Wembanyama, Nova York fechou o ciclo. O prefeito já anunciou um desfile de confetes na quinta-feira (18), o primeiro da história da franquia. O técnico Mike Brown, que havia sido demitido quatro vezes ao longo de sua carreira, disse uma frase simples após o apito final: "Ainda não consigo acreditar que aconteceu."

Resumindo: Brunson e os Knicks provaram que tamanho não é documento — e que Nova York, quando ganha, ganha com história.


BRASIL

Vini Jr salvou o resultado. Ancelotti tem uma semana para salvar a ideia de que esse time pode ser campeão.

Todo brasileiro que ficou acordado até a meia-noite do sábado para ver a estreia da Seleção contra Marrocos sentiu a mesma sequência: ansiedade, gol sofrido, nervos à flor da pele, alívio com o empate — e uma sensação de que vai ser uma Copa mais longa do que se esperava. O Brasil entrou no MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante de 80 mil pessoas e saiu com 1 a 1. Resultado que não é derrota, mas que não engana ninguém.

Marrocos abriu o placar com Saibari aos 21 minutos, após erro de passe brasileiro, em uma jogada que envolveu Brahim Díaz e terminou com uma cavadinha por cima de Alisson. O Brasil estava acuado, sem conseguir trocar passes no meio-campo. A resposta veio de um gesto individual: Vinicius Júnior recebeu de Bruno Guimarães, passou pelo marcador com facilidade e bateu forte no canto esquerdo. Golaço. 1 a 1. No segundo tempo, com as entradas de Fabinho e Danilo, a Seleção melhorou — mas o Marrocos, semifinalista em 2022, fechou os espaços e manteve o empate. O resumo da FIFA confirma: Brasil foi mais perigoso, mas não eficiente o suficiente.

Carlo Ancelotti não escondeu: "Perdemos muitos duelos e muitas bolas. A primeira parte não foi boa. Esperávamos começar melhor." Neymar ficou no banco durante todo o jogo. Endrick sequer foi relacionado. O Brasil chega à Copa com mais dúvidas do que certezas — mas ainda com caminho aberto. Com 48 seleções, avançam ao mata-mata os dois primeiros de cada grupo e os oito melhores terceiros. Próximo compromisso: Haiti, na sexta (19), às 21h30, em Filadélfia.

Resumindo: o empate não elimina, mas o desempenho preocupa — e a pressão sobre Ancelotti começa agora.


ECONOMIA

Na quarta à noite, o Banco Central decide algo que afeta o seu cartão, seu financiamento e seu aluguel.

Na terça e quarta-feira (16 e 17), o Copom — o Comitê de Política Monetária do Banco Central — se reúne para definir a taxa básica de juros. A Selic está hoje em 14,5% ao ano, resultado de dois cortes tímidos de 0,25 ponto percentual cada, depois de passar por 15% durante meses — o maior patamar em quase 20 anos. O mercado projeta mais um corte desta semana, para 14,25%. Mas o cenário ficou mais complicado do que parecia no começo de 2026.

O problema central: inflação. Os economistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus elevaram a projeção do IPCA para 2026 a 5,11% — acima do teto da meta oficial, que é 4,5%. Foi a décima terceira alta semanal consecutiva dessa estimativa. A guerra no Oriente Médio pressionou o petróleo, que contamina os preços por transporte e combustíveis. Cortar juros agora pode passar a mensagem errada: que o Banco Central está tolerando inflação acima do teto em troca de alívio de curto prazo. Por isso uma parte dos analistas defende pausar o ciclo já nesta semana, segundo a Agência Brasil.

O que vem depois:

Mesmo que o Copom corte 0,25 ponto agora — o que ainda é o cenário base —, a projeção do Focus aponta a Selic em 13,5% no fim de 2026. Ou seja: o ciclo de queda já está sendo desenhado como mais curto e mais devagar do que o mercado esperava em janeiro. Para o consumidor, isso se traduz em uma mensagem direta: a queda dos juros vai chegar, mas o alívio no crédito vai demorar mais. Bancos costumam transmitir as reduções da Selic para o consumidor com semanas ou meses de atraso — e não repassam integralmente.

Resumindo: o Copom deve cortar mais 0,25 ponto, mas o recado mais importante é que a queda dos juros será lenta — e o alívio no bolso, mais lento ainda.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Escócia venceu o Haiti por 1 a 0 na estreia do Grupo C da Copa — gol de McGinn. Escoceses lideram o grupo momentaneamente, com Brasil e Marrocos com 1 ponto cada. Leia mais

🔹 Balança comercial do Brasil registrou superávit de US$ 3,25 bilhões só na primeira semana de junho — exportações cresceram 37,6% na comparação com o mesmo período de 2025, puxadas por agropecuária e indústria extrativa. Leia mais

🔹 OpenAI e Anthropic protocolaram confidencialmente seus pedidos de IPO — ambas avaliadas em cerca de US$ 1 trilhão no mercado privado. A corrida para a bolsa das grandes empresas de inteligência artificial está aberta. Leia mais

🔹 Trump anunciou a morte de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua, em operação dos EUA na Venezuela — a organização criminosa venezuelana tem presença crescente no Brasil, especialmente em estados do norte do país. Leia mais

🔹 Petróleo Brent recuou com a expectativa de acordo entre EUA e Irã — a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz derrubou os preços ainda no fim de semana, aliviando uma pressão que vinha impactando o IPCA nas últimas semanas.

🎁

Indique e ganhe 10 pontos!

Cada amigo que se cadastrar pelo seu link te dá pontos e sobe no ranking.

Meu link de indicação →

Seu código: {{REF_CODE}}

Você recebe este email porque se inscreveu no Giro e Ponto.
Email: {{EMAIL}}

Edições anteriores · Cancelar inscrição · Visitar site

© 2026 Giro e Ponto