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GIRO E PONTO

Edição #8  ·  Sexta, 12 de junho de 2026

Bom dia, Leitor. 🚀

sexta de fechamento. essa semana foi intensa — aqui está o resumo do que realmente mudou. leitura rápida antes do fim de semana.


Há 78 anos, um publicitário paulistano inventou o Dia dos Namorados para vender tapetes e vasos de flores. Hoje, 12 de junho, o Brasil acorda com Copa do Mundo nas ruas, o Banco Central no radar e uma enxurrada de decisões que afetam diretamente o seu bolso — romantismo fica para depois.

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⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 12 de junho — Dia dos Namorados criado em 1948 por campanha publicitária do Mappin.

Stat: 51,8% das 22.869 startups brasileiras já têm IA no produto (Sebrae, 2025).

Para ler: Como a FIFA transformou o mundial em uma máquina de US$ 11 bilhões — e quem fica com o dinheiro.

Para clicar: Adicione os 104 jogos da Copa ao seu calendário com um clique, em qualquer app.

Abre aspas: "Esta Copa será como 104 Super Bowls em pouco mais de um mês." — Gianni Infantino, presidente da FIFA.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

⚽ A maior Copa da história chegou — e nem todo mundo conseguiu entrar
🤖 O Rio prometeu virar capital global de IA com US$ 10 bi. Para quem?
📱 As redes têm 60 dias para obedecer o STF — e você vai sentir
🏦 O banqueiro do Banco Master tentou acordo duas vezes e ouviu não
💸 Na quarta que vem, o Banco Central decide o preço do seu crédito

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MUNDO

A Copa mais cara da história barrou árbitro na imigração, bloqueou torcedores e cobra R$ 44 mil pela final

Omar Abdulkadir Artan viajou da Somália para os Estados Unidos com visto aprovado e credencial oficial da FIFA. Seria o primeiro árbitro do seu país a apitar uma Copa do Mundo. Chegou ao aeroporto de Miami e foi barrado pela imigração americana, classificado como "inadmissível" — sem explicação. A FIFA lamentou e disse que não tem controle sobre decisões de fronteira. Ele foi mandado embora.

Essa cena resume bem o clima do mundial que começou ontem. De um lado, a FIFA projeta US$ 10,9 bilhões em receitas — mais que o dobro do Qatar 2022. Do outro, o ingresso da final pode custar US$ 7.800. Em 2022, era US$ 1.600. O ingresso "popular" custa US$ 60, mas são só 1.000 por jogo, num universo de 6 milhões de bilhetes.

A delegação do Irã — país em guerra declarada com os EUA — não pode dormir em território americano. A solução emergencial foi instalar a base em Tijuana, no México. Torcedores de Senegal e Costa do Marfim viram a emissão de vistos turísticos ser drasticamente reduzida. Cerca de 80% dos hotéis nas cidades-sede registram reservas abaixo do esperado, segundo a Associação Americana de Hotéis.

Os números:

🔴 US$ 10,9 bi: receita projetada pela FIFA (vs US$ 7 bi no Qatar 2022).

🔴 US$ 7.800: ingresso mais caro para a final (vs US$ 1.600 em 2022).

🔴 104 jogos: 48 seleções, 16 cidades, 3 países, 39 dias.

🔴 1.000 ingressos: cota de bilhetes populares (US$ 60) por partida — de 6 milhões totais.

Resumindo: A maior Copa da história começou com o árbitro barrado na fronteira, ingressos inacessíveis e tensão geopolítica dentro de campo — a grandeza anunciada não chegou para todo mundo.


TECNOLOGIA

O Rio prometeu virar capital global de inteligência artificial. US$ 10 bilhões depois, a pergunta é: quem fica com o resultado?

US$ 10 bilhões. É o tamanho do investimento anunciado durante o Web Summit Rio 2026, que terminou ontem após quatro dias no Riocentro, na Barra. A Prefeitura do Rio e a empresa Elea Data Centers apresentaram o projeto Rio AI City: um complexo de data centers de inteligência artificial movido a energia renovável, com capacidade projetada de até 3,2 gigawatts. A primeira tranche — US$ 500 milhões — já está comprometida.

O evento reuniu mais de 34 mil participantes de 100 países, 1.500 startups e 600 fundos e investidores. O grande tema da edição foi uma virada de conversa sobre inteligência artificial: a questão já não é mais "o que é IA?" — é "quem vai controlar a infraestrutura que sustenta a IA?" A disputa entre EUA e China por chips, plataformas e modelos de linguagem dominou os painéis. A Claro também anunciou no evento que se tornou a primeira parceira certificada da NVIDIA na América Latina, lançando um serviço de processamento gráfico fracionado — em vez de contratar oito processadores de uma vez, startups agora alugam apenas a fração que precisam.

No contexto maior:

O Brasil está entre os maiores usuários diários de ferramentas de IA do mundo. 51,8% das quase 23 mil startups mapeadas no país já têm IA no produto, segundo o Sebrae. Mas especialistas alertam: data centers consomem muita energia, empregam pouca gente e costumam deixar pouca riqueza para o país que hospeda. O desafio não é atrair investimento — é converter infraestrutura em protagonismo tecnológico de verdade, e não apenas ser o quintal onde o mundo testa as suas ferramentas.

Resumindo: O Rio deu um passo real para virar polo de IA — mas a pergunta mais importante não é o tamanho do investimento, é quem vai criar a tecnologia que vai rodar nesses data centers.


BRASIL

O STF deu 60 dias para as redes sociais pararem de ignorar posts ilegais — e agora elas pagam se errarem

A decisão foi ontem. O relógio já está correndo. O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quinta-feira (11/06) para conceder às plataformas digitais um prazo de 60 dias para se adaptarem às novas regras de responsabilidade por conteúdo publicado por usuários. Na prática: se Facebook, Google, TikTok e similares não removerem posts com discurso de ódio, abuso sexual infantil, conteúdo antidemocrático ou crimes contra a mulher após uma notificação — mesmo sem ordem judicial — podem ser processadas civilmente.

Essa regra existe desde junho de 2025, quando o STF declarou inconstitucional o Artigo 19 do Marco Civil da Internet — a lei de 2014 que protegia as plataformas de qualquer responsabilização enquanto não houvesse ordem judicial. O julgamento de ontem definia o prazo de implementação. A conclusão: dois meses a partir de agora. Facebook e Google haviam pedido que as regras só valessem após o trânsito em julgado da decisão — o STF recusou.

Entendendo:

O Marco Civil da Internet dizia que as plataformas só respondiam pelo que os usuários postavam se, após ordem judicial, não retirassem o conteúdo. Com a nova regra, basta uma notificação extrajudicial — ou seja, qualquer pessoa ou entidade pode notificar a plataforma, e se ela ignorar, arca com os danos. Para os usuários, a mudança tem dois lados: posts ilegais derrubados mais rápido; e o risco de plataformas errarem para o lado da censura, removendo conteúdo legítimo por excesso de cautela.

Resumindo: As redes sociais têm 60 dias para ajustar seus sistemas — depois disso, omissão diante de conteúdo ilegal vai custar dinheiro.


BRASIL

O banqueiro do Banco Master tentou acordo com a Polícia Federal duas vezes. Foi rejeitado as duas.

Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025 — flagrado no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar em um jatinho particular para Dubai enquanto o Banco Central liquidava extrajudicialmente a instituição que ele dirigia. Ontem (11/06), a Polícia Federal recusou pela segunda vez a proposta de delação premiada que ele apresentou. A conclusão dos investigadores: Vorcaro não trouxe nada de novo. O que ele ofereceu, a PF já sabia — inclusive por dados retirados do próprio celular dele.

A primeira proposta foi rejeitada em maio. A segunda, agora. A Procuradoria-Geral da República ainda está analisando os termos, mas a avaliação interna é de que também vai rejeitar: Vorcaro não assumiu crimes e não apresentou revelações que vão além do que já foi publicado pela imprensa.

Por dentro:

A Operação Compliance Zero investiga um esquema de emissão de títulos financeiros sem cobertura real — uma espécie de cheque sem fundo em escala bancária. Além de Vorcaro, a operação prendeu o cunhado dele, Fabiano Zettel, e um operador apelidado de "Sicário", descrito pela PF como braço operacional de um grupo que invadia dispositivos eletrônicos e intimidava jornalistas e desafetos. O "Sicário" atentou contra a própria vida na cela e morreu dois dias depois.

Resumindo: Duas tentativas, duas recusas — o banqueiro do Banco Master está cada vez mais longe do acordo que poderia livrá-lo da penitenciária federal.


ECONOMIA

Na quarta-feira que vem, o Banco Central decide o preço do seu crédito — e o mercado não sabe o que vem

Na próxima quarta-feira (17/06), sete membros do Banco Central vão se reunir para decidir algo que afeta o preço do seu financiamento imobiliário, do seu cartão de crédito e do seu empréstimo: se a Selic cai de 14,5% ao ano — ou fica onde está. A resposta, neste momento, não é simples.

O Boletim Focus — pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado — ainda aponta Selic em 14,25% para depois da reunião de junho, ou seja, o mercado ainda aposta num corte de 0,25 ponto. Mas a mesma pesquisa mostra que a projeção para a Selic no fim de 2026 subiu para 13,5% ao ano. No começo do ano, esperava-se algo em torno de 12,5%. O cenário mudou.

Os números:

🔴 14,5% ao ano: Selic atual (maior patamar em quase 20 anos foi 15%, de jun/25 a mar/26).

🔴 5,11%: IPCA projetado pelo mercado para 2026 — acima do teto da meta de 4,5%.

🔴 13,5%: onde o mercado espera que a Selic esteja no fim de 2026.

🔴 Bank of America: o corte de junho pode ser o último do ciclo em 2026.

O dilema do Copom em 2026 cabe em uma frase: inflação acima da meta, mercado de trabalho aquecido e guerra no Oriente Médio pressionando combustíveis e alimentos. Não é o cenário ideal para cortar juros com convicção. Cortar cedo demais pode reanimar a inflação. Demorar demais pode travar a economia num ano eleitoral. O Banco Central está claramente mais preocupado com o primeiro risco.

Resumindo: O recado mais importante da reunião de quarta não é se o BC corta 0,25 ponto — é o quanto de espaço sobra para cortar até dezembro, e a resposta está cada vez mais estreita.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 A previsão do mercado para o IPCA de 2026 subiu pela 13ª semana seguida, chegando a 5,11% — acima do teto da meta de 4,5%. Leia mais

🔹 O Brasil estreia amanhã (13/06) na Copa do Mundo, pelo Grupo C, com Carlo Ancelotti no comando pela primeira vez numa competição oficial. Leia mais

🔹 O Peru tem uma das eleições presidenciais mais apertadas da história: Roberto Sánchez lidera a contagem com 50,07% contra 49,93% de Keiko Fujimori — diferença de menos de 200 votos.

🔹 O Fundo Amazônia quadruplicou o ritmo anual de aprovações de projetos desde que foi reativado pelo governo Lula em 2023, segundo a Agência Brasil.

🔹 A PGR ainda analisa a proposta de delação de Vorcaro — se também rejeitar, a palavra final caberá ao ministro André Mendonça, do STF, que pode fixar um prazo limite para as tratativas. Leia mais

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