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Cinco ministros do STJ votaram de forma unânime para manter a absolvição de um homem que teve relações sexuais com uma menina de 13 anos. O argumento foi que eles hoje formam uma família. Uma lei aprovada há três meses dizia que isso não poderia mais acontecer. Aconteceu.
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⚡ QUICK TAKES
Neste dia: Em 10 de junho de 1940, Mussolini arrastou a Itália para a Segunda Guerra Mundial.
Para ver: O robô G1 da Unitree fez kung fu sozinho no palco do Web Summit Rio. Custa US$ 16 mil.
Stat: US$ 6,08 trilhões é o que as empresas do mundo devem gastar em tecnologia em 2026 — alta de 10%.
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NA EDIÇÃO DE HOJE
⚖️ O STJ decidiu que família constituída vale mais que lei aprovada há três meses
🤖 R$ 2,8 bilhões para o Parque Olímpico virar polo de inteligência artificial
🏦 A delação do Banco Master está prestes a não acontecer
🌍 Recorde de guerras: 2025 foi o pior ano desde 1946
⚽ A Copa abre amanhã — e os torcedores do Irã já foram barrados
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BRASIL
A lei disse não. O STJ disse sim.
Em março deste ano, o Congresso aprovou e o presidente Lula sancionou a Lei 15.353, que foi bem direta: nenhuma circunstância pode relativizar o crime de estupro de vulnerável. Nenhuma. Nem família constituída, nem relacionamento estável, nem consentimento da vítima. A norma foi criada exatamente porque tribunais vinham usando esses argumentos para absolver agressores. Parecia resolvido.
Na terça-feira (9), a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça votou de forma unânime para manter a absolvição de um jovem de 18 anos que havia tido relações sexuais com uma adolescente de 13 anos no Paraná. O relator, ministro Messod Azulay Neto, reconheceu que a nova lei proíbe exatamente o que ele estava fazendo — e seguiu em frente assim mesmo. "Caso excepcionalíssimo", disse. O argumento central: os dois hoje formam um "núcleo familiar", têm filhos juntos, e condenar o homem seria "transformar a situação numa tragédia maior".
Entendendo:
O estupro de vulnerável se configura por qualquer ato sexual com menor de 14 anos — independente de consentimento ou relação afetiva. Pena: de 8 a 15 anos. A lei que Lula assinou em março nasceu para fechar essa porta. Mudanças no Código Penal não retroagem para prejudicar o réu, apenas para beneficiá-lo. Por isso o tribunal alegou que a lei nova não se aplica ao caso antigo — mas aplicou o raciocínio que a nova lei quis abolir.
A ministra Marluce Caldas votou a favor da absolvição, mas destacou o contexto: de cada 10 processos de estupro que chegam ao tribunal, oito envolvem menores. O STJ, em nota, disse que a decisão não altera a jurisprudência geral. O que ficou sem resposta clara: qual é o ponto a partir do qual "família constituída" deixa de ser argumento para absolver quem violou uma criança?
Resumindo: O STJ aplicou exatamente o raciocínio que uma lei aprovada há três meses tentou eliminar — e chamou de exceção o que a lei disse que não pode ser exceção.
TECNOLOGIA
O Parque Olímpico que ficou parado ganhou seu primeiro cheque bilionário
R$ 2,8 bilhões. É o valor do primeiro aporte que chegou para transformar o Parque Olímpico da Barra da Tijuca — construído para os Jogos de 2016 e que ficou anos com arenas subutilizadas e debates sobre legado — no que pode ser o maior polo de inteligência artificial da América Latina. Na abertura do Web Summit Rio 2026, o prefeito Eduardo Cavaliere e o diretor-executivo da Elea Data Centers anunciaram o investimento de US$ 550 milhões vindo do fundo norte-americano I Squared Capital. O dinheiro vai para a primeira fase do Rio AI City, complexo de centros de dados voltados à inteligência artificial.
Os números:
🔴 US$ 550 mi: primeiro aporte do I Squared Capital na Elea para o Rio AI City
🔴 3,2 GW: capacidade energética planejada para o complexo até 2032 — colocaria o Rio entre os 10 maiores polos de IA do mundo
🔴 US$ 65 bilhões: estimativa de investimentos totais ao longo da próxima década
🔴 Único no mundo: o Rio é a única megalópole global com cerca de 3 GW de energia disponível para novos empreendimentos no curto prazo
Por que isso importa para você? Centros de dados de inteligência artificial são a infraestrutura que roda tudo — desde o modelo de linguagem que você usa no trabalho até serviços financeiros e saúde digital. Quem controla essa infraestrutura, controla o custo e a velocidade do acesso. Um polo desse tamanho no Brasil muda a lógica de quem paga o quê para processar dados na América Latina. O Rio ainda tem desafios concretos: fechar os acordos com Eletrobras e BNDES, garantir o fornecimento de energia em escala, e converter um projeto que ainda existe no papel em obras funcionando. Mas o dinheiro saiu da gaveta.
Resumindo: Dez anos depois das Olimpíadas, o Parque Olímpico do Rio pode finalmente virar legado — desta vez digital, e com o maior cheque da história da infraestrutura de IA no país.
BRASIL
A grande delação do Banco Master está prestes a não acontecer
Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e preso desde março na Polícia Federal em Brasília, tinha um plano: contar tudo o que sabe sobre ministros, senadores e magistrados em troca de benefícios no processo. A primeira proposta de delação foi rejeitada. A defesa entrou com uma segunda — mais detalhada, com mais nomes, mais datas, mais anexos. Segundo O Tempo, a Polícia Federal deve rejeitar essa também.
A avaliação interna tanto da PF quanto da Procuradoria-Geral da República é de que o material entregue não traz nada que as investigações já não soubessem. "A proposta carece de elementos básicos", disseram fontes. O prazo para a decisão era esta semana — a autorização que permitia ao banqueiro elaborar o documento vencia em 12 de junho. A PGR trabalha com três cenários: rejeitar (mais provável), conceder mais prazo ou aceitar caso apareçam fatos realmente inéditos com provas robustas.
Por dentro:
Há uma lógica perversa nas negociações: quanto mais a PF avança nas investigações da Operação Compliance Zero — que já apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro —, menos a delação vale. O que o banqueiro tem a oferecer hoje pode ser informação que a PF descobriu ontem sozinha. Investigadores também suspeitam que ele está omitindo dados para proteger aliados. Se o acordo morrer, Vorcaro vai a julgamento respondendo por fraude financeira, corrupção e organização criminosa. Os prejuízos estimados do esquema já ultrapassam R$ 57 bilhões.
Resumindo: A delação que prometia abalar o país está caminhando para o arquivo — e a PF planeja novas operações para continuar as investigações sem precisar de Vorcaro.
MUNDO
2025 bateu o recorde de guerras que ninguém queria quebrar
O relatório anual do Instituto de Pesquisa sobre a Paz de Oslo (Prio), publicado na terça-feira (9), não tem como ser resumido de forma otimista. "Infelizmente, não há muitas coisas positivas que eu consiga extrair", disse Siri Aas Rustad, pesquisadora responsável pelo documento, ao apresentar os dados. Em 2025, foram registrados 65 conflitos envolvendo pelo menos um Estado — novo recorde histórico desde 1946. O número de conflitos diretos entre Estados dobrou em um único ano: de quatro para oito. Também é recorde em 80 anos.
Os números:
🔴 245 mil mortes em combates e violência política em 2025 — terceiro ano mais letal desde o fim da Guerra Fria
🔴 76.500 dessas mortes foram ataques diretos a civis
🔴 60 mil mortos só nos massacres de Darfur, no Sudão — o maior foco de violência contra civis do ano
O relatório lista conflitos que a mídia costuma ignorar — Haiti (dominado por gangues criminosas), Tanzânia (violência pós-eleitoral) — ao lado dos que já viraram paisagem: Ucrânia, Síria, tensões entre Índia e Paquistão. Israel foi classificado como "um dos países mais agressivos do mundo no momento". A pesquisadora também apontou o retorno de Donald Trump como fator de desequilíbrio global: "não estão apenas atacando, mas erguendo barreiras comerciais que aumentam as tensões em todo o planeta".
Resumindo: O mundo chegou a 2026 com mais conflitos ativos do que em qualquer momento desde o fim da Segunda Guerra — e o dado importa porque tensão geopolítica em escala afeta desde câmbio até cadeias de suprimento.
ESPORTES
A Copa abre amanhã. Os torcedores do Irã já foram barrados.
Centenas de torcedores iranianos planejavam a viagem há meses. Compraram pacotes. Organizaram passaportes. Esperaram vistos. Na terça-feira (9), a Federação Iraniana de Futebol anunciou que toda a sua cota oficial de ingressos para a fase de grupos havia sido revogada — três dias antes do início do torneio. Pelas regras da Fifa, cada federação tem direito a 8% dos ingressos dos jogos da sua seleção para distribuir aos torcedores. O Irã já havia começado a venda. Aí veio o corte.
A federação não apontou formalmente quem tomou a decisão, mas responsabilizou os EUA e chamou a medida de "contrária ao espírito dos torneios internacionais". A Fifa disse estar "trabalhando para identificar soluções". Não é novidade isolada: desde que os EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro, a participação iraniana nesta Copa tem sido uma sequência de obstáculos — 15 membros da comissão técnica tiveram vistos negados, o centro de treinamento foi transferido do Arizona para Tijuana no México, e os jogadores receberam autorização para entrar nos EUA apenas 10 dias antes da estreia. Eles entram e saem do país no mesmo dia de cada jogo.
Em 2017, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que se torcedores e delegações de países classificados não puderem participar, "então não pode ser chamado de Copa do Mundo". Amanhã, o torneio começa de qualquer forma.
Resumindo: A geopolítica entrou em campo antes do árbitro apitar — e a Copa que começa amanhã já deixou para trás um país inteiro de torcedores.
PARA NÃO FICAR POR FORA
🔹 O STJ negou habeas corpus para a influenciadora Deolane Bezerra, mantendo-a presa. É o segundo pedido negado pela corte.
🔹 No Web Summit Rio, Bruno Lewicki, da OpenAI, revelou parceria com o TSE para usar o protocolo SynthID — que identifica imagens geradas por inteligência artificial — nos servidores do tribunal eleitoral.
🔹 O TSE abriu processo para analisar se a pesquisa eleitoral Atlas induzia o eleitor. A empresa teve as publicações suspensas enquanto o julgamento ocorre.
🔹 A ONU publicou alerta sobre a situação dos oceanos: o documento diz que a degradação marinha é grave e demanda ação global urgente, com impactos diretos sobre alimentos e clima. Leia mais
🔹 O governo federal deve propor o aumento da mistura de etanol na gasolina de 27% para 32% — medida que afeta diretamente o preço que você paga no posto e pode beneficiar o agronegócio.
🔹 O Dino, ministro do STF, ameaçou multar prefeitos e governadores que não apresentarem transparência nas emendas parlamentares destinadas a eventos — 43% delas estão com destino mal explicado. |