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GIRO E PONTO

Edição #28  ·  Terça, 09 de junho de 2026

Bom dia, Leitor. 🎯

enquanto o mundo já está correndo lá fora, aqui vai o que realmente importa pra você começar o dia bem informado. sem enrolação, sem paywalls.


Em algum lugar entre o Líbano e o Golfo Pérsico, um cessar-fogo que durou dois meses acabou num domingo — e o preço que o mundo vai pagar por isso já chegou nos mercados antes de aparecer na bomba de gasolina.

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⚡ QUICK TAKES

Para ler: as 5 forças tech que vão remodelar o mercado global em 2026, segundo a Globant

Para clicar: confira a programação completa do Web Summit Rio 2026 — termina quinta no Riocentro

Neste dia: 9 de junho de 1934 — o Pato Donald estreou no cinema. 92 anos de raiva incontrolável.

Abre aspas: "Julgamento e responsabilidade continuam humanos." — CEO do HSBC sobre IA [trad. livre]

Stat: 212 mil brasileiros já usam a plataforma MEC Idiomas. Inglês e espanhol, de graça.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🌍 O cessar-fogo de dois meses que desabou em 72 horas
🛢️ Petróleo quase a US$100: o que chega na sua conta
🤝 O prazo acabou — e o Pix virou briga diplomática
🤖 O robô de kung fu por R$85 mil que chegou ao Brasil

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MUNDO

O cessar-fogo que durou 66 dias — e a semana de ataques que prometem em seguida

No domingo (7/6), o Exército israelense bombardeou Dahiyeh, subúrbio ao sul de Beirute e reduto do Hezbollah — o primeiro ataque à capital libanesa desde o cessar-fogo mediado pelos EUA, em abril. Dois prédios residenciais foram atingidos: 2 mortos e 20 feridos, entre eles mulheres e crianças. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o alvo era "o quartel-general terrorista do Hezbollah".

O Irã cumpriu a ameaça feita dias antes. Horas depois do ataque, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disparou mísseis contra o norte de Israel — reivindicando impactos na base aérea de Ramat David, perto de Haifa. Israel interceptou os projéteis. E, na segunda-feira (8/6), ignorando o pedido pessoal de Donald Trump por contenção, o Exército israelense retaliou atacando sistemas de defesa iranianos e um complexo petroquímico dentro do Irã. Trump havia escrito no Truth Social: "Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente." Não adiantou. A resposta de Teerã foi direta: "Esta operação não é um evento passageiro. É o início de uma semana inteira de ataques contínuos."

O que vem depois:

Tudo depende de Netanyahu. Se Israel responder aos sistemas de defesa que atacou com novos ataques ao Irã, o conflito pode escalar para um patamar que a região não via desde o começo do ano. As negociações de paz mediadas pelos EUA — que incluíam a reabertura do Estreito de Ormuz — estão travadas. Trump ligou para Netanyahu pedindo que não retaliasse. Por enquanto, o silêncio do premiê é o dado mais importante do dia.

Resumindo: O Oriente Médio voltou a ferver depois de dois meses de pausa — e, desta vez, o Irã prometeu sete dias seguidos de ataques antes de qualquer trégua.


ECONOMIA

Petróleo quase a US$100: o que um estreito bloqueado significa para o seu bolso

20%. É a fatia do petróleo mundial que passa diariamente pelo Estreito de Ormuz — o corredor marítimo entre o Golfo Pérsico e o restante do mundo, controlado pelo Irã. Com a retomada dos ataques entre Israel e Irã nesta segunda-feira (8/6), o petróleo Brent disparou quase 5% e atingiu a máxima de US$97,83 o barril durante o pregão. A agência de classificação de risco Fitch revisou sua projeção para o setor e agora espera preços entre US$100 e US$110 por barril ao longo de junho e julho.

Os números:

🔴 Brent na segunda: fechou a US$94,25 o barril, alta de 1,25% no dia.

🔴 Pico da sessão: chegou a US$97,83 — quase US$100 o barril.

🔴 Alta desde o início do conflito: +41% para o petróleo americano em mais de 100 dias.

🔴 Projeção da Fitch: Brent entre US$100 e US$110 por barril em junho e julho.

O problema não é só o número. Com o Estreito de Ormuz funcionando de forma limitada há mais de 100 dias — hoje passam algumas dezenas de navios por dia, contra os habituais 125 a 140 —, a crise de oferta se espalha. A OPEP+ aprovou seu quarto aumento de produção em quatro meses, mas analistas dizem que o efeito prático é "próximo de zero" enquanto o estreito seguir bloqueado. Para o brasileiro: petróleo mais caro significa gasolina, diesel e frete mais caros. Com isso, a inflação fica pressionada — e o Banco Central tem menos espaço para aliviar os juros. O câmbio também sente: quando a incerteza geopolítica cresce, o dólar sobe, e o bolso do brasileiro paga a diferença.

Resumindo: O petróleo a quase US$100 não é só número de mercado — é a inflação que pode chegar no seu supermercado nos próximos meses.


BRASIL

O prazo expirou, o Pix virou alvo — e o Brasil tem até 15 de julho

O prazo de 30 dias que Lula e Trump combinaram quando se encontraram em Washington acabou no último domingo (7/6). Não saiu acordo. Mas também não saiu tarifa — ainda. O escritório do representante comercial dos EUA (USTR) havia recomendado a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos EUA, resultado de uma investigação baseada na chamada Seção 301 da lei comercial americana — a mesma usada para investigar "práticas desleais" de parceiros comerciais. Entre os itens listados: o Pix. Sim — o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro foi incluído pelos EUA como um mecanismo que "favorece empresas locais em detrimento de empresas americanas de pagamentos".

O governo brasileiro reagiu com firmeza. O argumento central é simples: os EUA têm superávit comercial com o Brasil — ou seja, vendem mais para cá do que compram. Punir um parceiro com quem se sai bem comercialmente seria, no mínimo, estranho. Brasília afirma que o Pix não entra em nenhuma negociação e que as tarifas conflitariam com regras da Organização Mundial do Comércio. Com a extensão do prazo até 15 de julho, o governo brasileiro ganhou tempo — e está considerando uma possível reunião bilateral entre Lula e Trump no encontro do G7, na França, entre 15 e 17 de junho.

O que vem depois:

📅 15–17 de junho — G7 na França; possível encontro Lula-Trump
📅 1º de julho — prazo para envio de comentários ao USTR
📅 6–7 de julho — audiências públicas nos EUA
📅 15 de julho — prazo final para a decisão sobre as tarifas

Resumindo: O Brasil tem cinco semanas para convencer Washington de que um acordo vale mais do que uma tarifa — e o relógio está correndo.


TECNOLOGIA

O robô que faz kung fu por R$85 mil — e o que ele revela sobre a corrida tecnológica

R$85 mil. É quanto custa o G1, um robô humanoide de 1,30 metro fabricado pela empresa chinesa Unitree Robotics. Para ter noção: robôs ocidentais com capacidades parecidas custam dez vezes mais. Ele viralizou na China com uma rotina de kung fu sozinho — e, nesta semana, está andando pelos corredores do Riocentro no Web Summit Rio 2026. A conferência reúne 34 mil participantes, 1.500 empresas emergentes e 600 investidores até quinta-feira (11/6), com todas as grandes empresas de tecnologia americanas e chinesas presentes.

O G1 não está lá por acidente. O tema central do evento este ano é o que acontece quando a inteligência artificial sai do software e começa a habitar o mundo físico — fábricas, hospitais, ruas. Hoje (9/6), o painel mais aguardado no palco principal é justamente sobre isso: a Oracle, a NVIDIA e a Claro apresentam a infraestrutura que estão montando juntas para processar dados de inteligência artificial em solo brasileiro, com capacidade local e em português. Pensa assim: é a conversa sobre quem vai fornecer o "motor" por trás dos sistemas que vão automatizar processos no Brasil nos próximos anos.

Por dentro:

A presença da vice-presidente executiva da Comissão Europeia para soberania tecnológica — que sobe ao palco na quinta — sinaliza que o Rio virou palco de um debate que vai além de startups: quem controla os dados, os chips e a infraestrutura de inteligência artificial controla boa parte da economia das próximas décadas. E a brasileira Luana Lopes Lara — ex-bailarina do Bolshoi, formada no MIT, cofundadora da Kalshi, avaliada em US$11 bilhões e maior bolsa de previsões dos EUA — abriu o evento como símbolo de que talento brasileiro já opera em escala global.

Resumindo: O Web Summit Rio não é só sobre o futuro da tecnologia — é sobre quem vai controlar a infraestrutura que vai alimentar esse futuro, e o Brasil está, pela primeira vez, sentado à mesa dessa conversa.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Executivos de companhias aéreas reunidos no encontro anual da Iata, no Rio de Janeiro, acusaram fornecedores de motores de falhas de desempenho que custaram US$11 bilhões ao setor em 2025. Leia mais

🔹 A OPEP+ aprovou o quarto aumento de produção consecutivo — mais 188 mil barris por dia em julho. Analistas dizem que o efeito real é "próximo de zero" enquanto o Estreito de Ormuz seguir restrito. Leia mais

🔹 Os rebeldes Houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, decretaram proibição de navios israelenses no Mar Vermelho após a retomada dos ataques — fechando mais uma rota estratégica do comércio global. Leia mais

🔹 Um terremoto de magnitude 7,8 atingiu as Filipinas e deixou ao menos 15 mortos e 129 feridos. Autoridades monitoram risco de réplicas na região.

🔹 Keiko Fujimori disputa a presidência do Peru pela quarta vez. As pesquisas de boca de urna indicam resultado dividido, sem maioria clara para nenhum candidato.

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