Newsletter

GIRO E PONTO

Edição #24  ·  Quinta, 04 de junho de 2026

Bom dia, Leitor. 🔥

quinta de movimento. a semana intensificou e o mundo não parou de se mexer. aqui está tudo que você precisa saber pra ficar à frente.


Henry Borel tinha 4 anos quando morreu. Não chegou a saber que, cinco anos depois, o Brasil inteiro ia parar no meio da madrugada para discutir quem deveria ter protegido ele.

…..

⚡ QUICK TAKES

Neste dia: 4/6/1989 — soldados em Tiananmen. 37 anos depois, ainda censurado na China.

Para clicar: entenda o mundo com o Our World in Data — dados de tudo em gráficos interativos e acessíveis.

Curiosidade: o Brasil é o país com mais espécies de aves do mundo — 1.971 registradas.

Para ver: o Kurzgesagt explica o universo em animações de 10 minutos. gratuito e viciante.

Stat: 80% dos aplicativos corporativos terão IA integrada até o fim de 2026, diz a IDC.

…..

NA EDIÇÃO DE HOJE

👦 Henry Borel: o veredito que o Brasil acordou discutindo
🇺🇸 O PIX virou alvo de Trump — e pode custar 25%
💻 Web Summit Rio: quando a IA tem que provar que funciona
🥛 O brinde com leite que (quase) uniu a direita
💰 R$ 10,4 trilhões: a conta que o Brasil carrega sem ver

…..

BRASIL

Jairinho vai preso. O debate sobre quem é mãe fica solto.

Às 1h43 desta quinta-feira, depois de 11 dias de sessão — o júri mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio —, o Conselho de Sentença condenou o ex-vereador Dr. Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos. A causa da morte — uma laceração no fígado — foi descrita pelos peritos como resultado de violência física deliberada. A hipótese de acidente doméstico foi "totalmente descartada".

A juíza Elizabeth Louro destacou "violência desproporcional e covardia rara" contra uma criança descrita como "doce e bondosa". Jairinho também foi condenado por tortura e coação no curso do processo, e deverá pagar R$ 400 mil de indenização ao pai de Henry, Leniel Borel.

O grande divisor foi Monique Medeiros, mãe de Henry. O Conselho de Sentença desclassificou a acusação de homicídio intencional para homicídio culposo — negligência, sem intenção de matar — e a juíza aplicou o perdão judicial. O argumento: Monique já sofreu punição severa o suficiente, entre a dor pela perda do filho, anos na prisão preventiva e o que a magistrada chamou de "massacre social" nas redes. Ela foi mais longe: disse que a sociedade exige uma mãe perfeita — e que "se fosse o pai, nem teria sido processado".

O pai de Henry e o Ministério Público anunciaram recurso. A defesa de Jairinho também. A questão de gênero, que correu pelos bastidores do julgamento por 11 dias, agora está no centro do debate público — incômoda para muita gente, necessária para todos.

Resumindo: Jairinho volta para a cadeia. Monique vai para casa. E o Brasil vai continuar discutindo esse caso por muito tempo.


MUNDO

O PIX virou arma diplomática — e a conta pode ser 25%

25%. É a sobretaxa que o governo de Donald Trump propõe cobrar de quase todos os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. A investigação foi conduzida pelo USTR — o escritório de comércio exterior americano — e concluída no dia 1º de junho. O relatório tem 107 páginas e aponta que práticas brasileiras são "irrazoáveis, discriminatórias e prejudicam o comércio americano".

Por dentro:

A principal crítica é o PIX. O USTR argumenta que o Banco Central age ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, o que criaria vantagem desleal em relação a empresas americanas como Visa e Mastercard. Além do PIX, o relatório cita ordens judiciais secretas mandando plataformas americanas removerem conteúdo, atrasos na concessão de patentes e desmatamento ilegal como barreiras ao comércio.

Produtos como carne bovina, café, frutas e aeronaves têm isenção prevista. Mas boa parte da indústria — de calçados a cosméticos — está na mira. Antes de virar decreto, a medida passa por consulta pública (até 1º de julho) e audiência (6 de julho). A decisão final é de Trump — prazo: 15 de julho.

No jogo político interno, a história ficou mais complicada porque Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump semanas antes do anúncio — o que fez Lula chamar o senador de "imbecil" e a internet batizá-lo de "Tariflávio". Nenhum dos dois lados saiu limpo dessa.

Resumindo: nada está definido ainda, mas a sinalização política é clara — e o relógio está correndo até 15 de julho.


TECNOLOGIA

A IA que não mostrar retorno no balanço vai perder o palco

30 mil pessoas devem passar pelo Riocentro entre os dias 8 e 11 de junho. O Web Summit Rio — maior conferência de tecnologia da América do Sul — chega à sua terceira edição com um tom bem diferente das anteriores. Se 2025 foi o ano das promessas da inteligência artificial, 2026 é o ano das cobranças.

O recado que vem dos painéis confirmados é direto: não basta dizer que a empresa "usa inteligência artificial". A pergunta que o mercado passou a fazer é outra — quanto está economizando? Quanto está produzindo? Onde aparece nos resultados? Quem chega no segundo semestre sem essa resposta perde competitividade. Na edição anterior, a Nvidia já avisou: "não basta contratar uma plataforma e esperar milagres." É necessário pré-treinar dados, validar modelos e escalar a capacidade de processamento.

Para 2026, estão confirmados executivos da AWS, Meta e iFood. A agenda tem 14 trilhas de conteúdo e mais de 150 palestrantes. O foco são os casos reais de retorno sobre o investimento em inteligência artificial — e não mais os demos de laboratório.

No contexto maior:

Na edição de 2025, o prefeito Eduardo Paes anunciou o projeto Rio AI City: transformar o Rio de Janeiro no maior centro de processamento de dados da América Latina e um dos dez maiores do mundo. O evento acontece em um momento em que o Brasil também vira alvo de pressão americana justamente por suas políticas de tecnologia — o PIX, a regulação das redes e as plataformas digitais estão no coração do embate comercial com os EUA.

Resumindo: o Web Summit Rio 2026 é o maior teste de maturidade da inteligência artificial corporativa no Brasil — e quem não tiver resposta vai ficar para trás.


BRASIL

O brinde com leite que (quase) uniu a direita brasileira

Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado se encontraram pela primeira vez depois de semanas de brigas públicas. Brindaram com copos de leite na abertura da Megaleite, em Belo Horizonte, e disseram que a direita estará "mais unida do que nunca". No dia seguinte, Caiado descartou qualquer chapa conjunta com Zema.

O pano de fundo: a briga que separou os três foi o áudio em que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro — dono do extinto Banco Master — para financiar o filme "Dark Horse", sobre a eleição do pai. Zema chegou a chamar a situação de "imperdoável" e disse que o senador cheirava a gambá. A reconciliação veio rápida, mas a desconfiança ficou no ar.

Os números:

🔴 38%: intenção de voto em Lula no primeiro turno (pesquisa Real Time Big Data, 29-30/maio).

🔴 31%: Flávio Bolsonaro nos dois cenários simulados.

🔴 6%: Caiado. 4-5%: Zema.

🔴 15 de agosto: prazo máximo para registro de chapas na Justiça Eleitoral.

O único ponto de consenso entre os três: nenhum quer chegar ao segundo turno fragmentado contra Lula. O que ainda está em disputa — e vai ficar até agosto — é quem vai ser o nome da direita.

Resumindo: a direita fez as pazes no discurso — mas cada um ainda quer ser o candidato.


ECONOMIA

R$ 10,4 trilhões de dívida: a conta que o próximo presidente vai herdar

R$ 84,8 bilhões. É quanto o governo brasileiro pagou só em juros da dívida pública em abril — em um único mês. Para ter uma ideia de escala: é mais do que o orçamento anual do Ministério da Saúde. Os dados foram divulgados pelo Banco Central no dia 29 de maio e pintam um quadro que o mercado acompanha com lupa.

A notícia não é só ruim: o superávit primário — o saldo entre o que o governo arrecada e o que gasta, antes dos juros — foi positivo em R$ 24,6 bilhões em abril, resultado melhor do que o do mesmo mês no ano passado. Mas os encargos da dívida comeram tudo isso e mais um pouco: o resultado nominal — que inclui o pagamento dos juros — fechou no vermelho em R$ 60,1 bilhões.

Em 12 meses, o rombo nominal soma R$ 1,22 trilhão, ou 9,41% do PIB — a soma de tudo que o Brasil produz em um ano. A dívida bruta do governo chegou a R$ 10,4 trilhões, equivalente a 80,4% do PIB. É esse número que as agências de classificação de risco — empresas que atribuem nota de crédito ao Brasil — observam para decidir se o país é um bom lugar para investir.

Por que isso importa para o seu bolso? Taxa de juros alta sustenta a dívida, mas também encarece financiamentos, crédito pessoal e o custo de capital das empresas — o que pressiona tudo de aluguel a prestação de carro. Enquanto a taxa de juros básica seguir em patamar elevado para conter a inflação, a bola de neve não para de crescer. Quem assumir o Palácio do Planalto em 2027 — seja Lula ou a oposição — vai herdar essa conta junto com a faixa presidencial.

Resumindo: o Brasil está equilibrando as receitas, mas os juros da dívida continuam consumindo qualquer avanço fiscal — e a conta cresce todo mês.

PARA NÃO FICAR POR FORA

🔹 Corpus Christi hoje. Feriado nacional: bancos, bolsa e repartições públicas fechados em todo o país.

🔹 Caiado desmentiu aliança de chapa com Zema um dia após o brinde com leite — disse que cada um mantém sua pré-candidatura. Leia mais

🔹 Trump classificou o PCC e o CV como organizações terroristas, dois dias após receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca.

🔹 Nubank trocará o CFO global: Guilherme Lago deixa o cargo em julho após sete anos; Rob Livingston assume a partir de então.

🔹 Rock in Rio 2026 abriu a pré-venda de ingressos. Elton John, Stray Kids, Demi Lovato e Black Eyed Peas já estão confirmados para setembro.

🔹 Ibovespa opera acima dos 173 mil pontos e dólar abaixo de R$ 5,01 — câmbio favorável ajuda a amortecer o impacto das tensões com os EUA. Leia mais

🎁

Indique e ganhe 10 pontos!

Cada amigo que se cadastrar pelo seu link te dá pontos e sobe no ranking.

Meu link de indicação →

Seu código: {{REF_CODE}}

Você recebe este email porque se inscreveu no Giro e Ponto.
Email: {{EMAIL}}

Edições anteriores · Cancelar inscrição · Visitar site

© 2026 Giro e Ponto